Editora Bertrand, Resenhas
Título: A Mentira Título original: The Liars Autora: Nora Roberts Ano: 2016 Editora: Bertrand Brasil Número de páginas: 489

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação.

Shelby Foxworth está passando por uma grande provação em sua vida: a morte de seu marido e a grande rede de mentiras que descobre estar associada ao homem com quem viveu por anos. De repente, depara-se com uma montanha de dívidas e com a resolução de que nem o nome do pai de sua filha de três anos, Callie, era real.

Após vender o que podia da casa onde morava para suprir as dívidas, ela decide deixar o passado para trás e parte para a sua cidade natal em busca também de reparar erros cometidos com seus familiares e amigos; lá, ela conhece Griff Lott, que vai conquistar não só a ela como também sua filha, e descobre que os segredos que seu marido mantinha a perseguiam onde quer que fosse.

Com tantos livros da Nora nas costas, seria compreensível se eu me cansasse. Até então, não aconteceu. Então simbora que a resenha é novamente sobre ela. A Mentira é uma história sem muitas surpresas, ainda que se trate de um suspense romântico, mas é um livro pelo qual tenho um carinho muito grande em virtude dos personagens cativantes e basicamente apaixonantes. Tipo te dar vontade de colocar numa caixinha, sabe?

Ela parece algo que fora escrito por poetas, até os olhos tristes.

De cara, algo que curti muito neste livro foi o fato da personagem principal ser alguém que está lutando para ser independente e se destituir da ideia de que ela era alguém insuficiente. As personagens da Nora são, em geral, mulheres fortes, decididas e bem sucedidas, o pacote completo; e enquanto isso é incrível e inspirador, é bacana poder ver a pessoa em formação também. E Shelby é definitivamente alguém que está “buscando seu lugar ao sol”.

Shelby literalmente fugiu com o marido quando era mais jovem e passou a viver um relacionamento abusivo, ainda que ela não exatamente soubesse que estava em um. Cortou laços com a família e amigos porque Richard, seu ex-marido, não permitia tal contato e passou a viver em função de cuidar da casa, dele, e mais tarde de sua filha.

Abraçou a ideia de que era somente para isso que sua vida servia. E claramente ser dona de casa e mãe são papeis dificílimos e que carregam grande mérito, o grande porém é quando falamos de escolha: não foi a vida que ela escolheu ter, e sim aquela que se convenceu de que merecia. Principalmente quando a culpa pela distância que mantinha das pessoas que amava pesava sobre ela.

Ela tem uma personalidade bastante admirável enquanto mulher e enquanto mãe. É determinada e mais forte do que pensa ser. Callie é uma daquelas crianças que você conhece nos livros e gostaria de adotar. Carinhosa, engraçada e animada. À medida que o livro se desenvolve, ela vai ganhando mais confiança nela mesma e constrói uma vida em que ela depende somente de si para ter sucesso e felicidade. Griff? Bem, quem leu Nora sabe que ela manja e muito de construir personagens masculinos dignos.

– A questão é, se não esperarmos um minuto, um instante, um.. Alguma coisa, vamos acabar nus na varanda.

– Tudo bem.

– Ok, então… – Ele abaixou as mãos, deu um cauteloso passo para trás. – Vamos esperar um minuto.

– Eu quis dizer que tudo bem acabarmos nus na varanda.

Ele ficou sem ar de novo. – Você está me matando, Ruiva.

Gosto muito do ritmo com o qual o relacionamento deles se desenvolveu e de como ele sempre se mostrava disposto a ajudar e a respeitar o tempo de Shelby, principalmente considerando o período tempestuoso pelo qual estava passando.

A família de Shelby também é um prato cheio e divertido. Pessoas unidas e leais, apesar de tanto tempo longe, ela foi recebida por eles prontamente de modo que só pessoas que realmente se importam com você fariam. Quando os problemas começam a surgir, não largam o barco com o discurso de que ela tinha levado uma tempestade à vida de todos, mas se mantêm firmes. É muito xodó esse elenco do livro, de verdade.

A parte que menos me interessou na história toda foi o suspense, como já dito. Eu gosto bastante de quando livros trabalham esta questão de surpresas negativas quanto a pessoas próximas a você porque nos relembra que infelizmente fica cada mais difícil apostar as fichas em outra pessoa, mesmo que ela more com você.

Gosto de quando segredos são envoltos ao suspense também, mas acho que aqui ficou faltando a pimenta, entende? Foi um suspense bem morno com um clímax pouco surpreendente. O que me ganhou de verdade foi o que estava acontecendo além disso. Ao todo, uma leitura gostosa que deixa saudade dos personagens. Recomendado.

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação. Acho que cada vez mais isso serve para olharmos para nossos relacionamentos e ponderar. E não estou falando só sobre relações amorosas. Nada de deixar parente ou amigo te fazer de tapete, mantenha ao seu lado quem lhe quer bem e quem lhe faz bem (atentando também que nem sempre boas intenções se traduzem em boas ações). No fim, valorize o seu sorriso e saberá valorizar quem é motivo dele.

Sempre me pareceu que as coisas são mais excitantes quando você não está procurando por elas e mesmo assim as encontra.

DarkSide Books, Resenhas

Título: O Menino que Desenhava Monstros Título original: The Boy Who Drew Monsters Autor: Keith Donohue Ano: 2016 Editora: Dark Side Número de páginas: 256

É um livro muito bem escrito, com uma história incrível e que prende o leitor do começo ao fim, deixando muitos mistérios no ar. E o final é maravilhoso. Resumindo: um livro digno de ser listado nos meus favoritos!

Para começar, e sendo bem sincera, o início do livro é ruim. Sabe quando você fica procurando motivos para não ler? OPA! Olha uma mosca ali. O livro não prende a atenção do leitor. Daí a única coisa que te motiva a continuar é a curiosidade, porque visualmente é um livro lindo e que promete tanto pela capa com as ilustrações… Bem, a notícia boa é que se você conseguir passar das setenta e poucas páginas as coisas começam a melhorar um pouco, quer dizer, a leitura começa a tomar ritmo e torna-se menos enfadonha.

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Você fica se perguntando que horas vai começar a gostar da história de Jack Peter, que é uma criança de 10 anos muito reservada e tem seu comportamento introvertido piorado por ser portador de uma síndrome. Um dia, ao ser acordado pela mãe, acaba machucando-a no rosto, por achar que estava sendo perseguido pelos monstros que vivem em seus sonhos.

Jack sorria quando era um bebê. Ele não era tão fechado quanto os outros garotos do grupo de apoio, mas se recusava a por os pés pra fora de casa, o que de longe, não é nada normal. O elo que ainda o unia ao mundo lá fora era Nick, que mesmo com todas as esquisitices de JP, não deixava de ir visitá-lo para brincar. E depois de alguns acontecimentos trágicos, Jack Peter acabou desenvolvendo agorafobia – medo de sair de casa.

Quem entre nós pode afirmar que, quando crianças não sofreram com algum tipo de medo? Ou quem sabe até mesmo possíveis monstros? O Menino que Desenhava Monstros é, por esse ângulo, nostálgico, pois revivemos esse sentimento.

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Tim é o pai de Jack e se ressente por ter seus planos de voltar a estudar frustrados depois do nascimento do seu filho. Na época Holly, a sua esposa, mesmo recém-formada como advogada, ganhava mais do que ele e ficou acordado que Tim seria pai em tempo integral. Secretamente, ele acreditava que Holly apreciava o fato de não ter cuidado diário com o filho.

Quando você arrumou tempo para desenhar tudo isso?

Coisas estranhas aconteciam na cidadezinha fria e cercada pelo oceano congelante naquela época do ano. Crustáceos aparentemente mortos renasciam, sons estranhos que não se podia precisar de onde vinham, aparições, pegadas vindas do nada. Jack Peter começara a desenvolver um gosto por desenhos. Ele desenhava monstros. E passou a incentivar seu amigo Nick a desenhá-los também, era uma brincadeira entre eles, a troca de desenhos de monstros.

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Se por acaso você é uma pessoa medrosa e está com receio em ler o livro, só tenho uma coisa a dizer, não por isso: leia. Sei que é uma editora famosa, principalmente, por esse gênero terror, que causa medo e tal, mas com o “O menino que desenhava Monstros” pode ir sem temor nenhum. Não há terror na história, a classificaria como misteriosa. E não pense que, por ser um livro de apenas 252 páginas, você vai lê-lo numa sentada só, porque não vai.

O final é surpreendente. Você vira a página querendo mais, cadê o resto da história? Posso dizer que fiquei um pouco sem ar ao lê-lo, porque a partir daí você começa a reviver toda a história, mas agora sabendo toda a verdade. Posso dizer? Foi uma sensação estranha. No final das contas descobrimos que Jack é uma criança com um coração enorme e que não desenha apenas monstros. Ainda um pouco chocada, mas, sem dúvidas, é um final inusitado.

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Editora Globo Alt, Resenhas, Young Adult
[Resenha] Redoma
14.fev.2017

Título: Redoma Título original: Belzhar Autora: Meg WolitzerAno: 2015 Editora: Número de páginas: 287

Infelizmente, ainda existem os traços de sobrenatural no livro que me pareceu algo enfiado garganta abaixo e que fez o livro todo girar ao redor desse fato.

Eu fui super animada ler Redoma. Gosto de livros para jovens, mas que tenha conteúdo, que o sofrimento deles realmente seja algo importante ou relevante, mas eu fui com tanta vontade, que quebrei a cara. E o livro ter sido considerado o melhor livro jovem de 2014 pela Time não influenciou em nada a minha leitura.

Jam vai para uma escola de adolescentes emocionalmente frágeis para se tratar, uma escola onde ela vai encontrar mais um bando de pessoas que estão sofrendo por algum motivo. Se o mundo fosse lindo, ela não precisaria estar ali, ela estaria com seu namorado Reeve Maxfiled.

Mas o mundo não é justo. E Reeve não está mais ali, não está mais com ela.

Na escola, ela não se esforça para ser melhor, fazer amizades ou estudar. Pelo contrário, tudo que pode fazer para ficar para trás, é feito. A surpresa chega, no entanto, quando é selecionada para a aula de Tópicos Especiais em Inglês, da misteriosa Sra. Quenel. A professora todo ano seleciona os alunos que acreditam serem os que melhores se encaixam na sua turma e é algo quase que exclusivo. Dessa vez, além de Jam, a turma tem mais 4 alunos com traumas  e fragilidades a serem trabalhadas e superadas.

Como é de se imaginar, a Sra. Quenel não é uma professora comum e, sendo assim, não vê problema nenhum em propor a leitura de A Redoma de Vidro de Sylvia Plath. O romance, que narra a série de eventos que levariam a estudante Esther Greenwood a um colapso nervoso parece ser bem inadequado para ser trabalhado com os adolescentes em questão, mas mesmo assim a professora insiste e, junto com a leitura, cada aluno tem a tarefa de escrever um diário que será entregue no final do ano letivo para a professora. Esse diário leva Jam e seus amigos desajustados à Redoma, um lugar misterioso onde o passado pode ser revivido, e cada um dos alunos pode rever sua vida antes do momento traumático que levou ao internato.

O livro inteiro vai se passar dentro da Redoma e vamos descobrindo todos os traumas dos demais alunos e aqui, confesso, alguns casos me deixaram com lágrimas nos olhos por serem verdadeiramente um trauma que vale a pena ser retratado, algo demasiadamente pessoal, que mexe não apenas com você, mas também com pessoas que são importantes.

É importante deixar claro que todo livro afeta as pessoas de maneira diferentes. Não consegui me conectar com a história de Jam por causa do motivo final – que não citarei em nenhum momento aqui:  me pareceu superficial alguém sofrer tanto por algo tão comum (atrevo a dizer bobo, até), enquanto seus amigos realmente mostraram histórias comoventes e pessoais. Mais uma vez: nunca passei por nada parecido com o que ela menciona, mas sempre que eu vejo outras pessoas passando a minha vontade é de sacudir a pessoa e falar pra ela acordar pra vida.

Infelizmente, ainda existem os traços de sobrenatural no livro que me pareceu algo enfiado garganta abaixo e que fez o livro todo girar ao redor desse fato. Primeiro: eu não estava esperando por isso. Segundo: quando aconteceu, não me convenceu. Terceiro: definitivamente, não é um livro para mim.

Em resumo: o que fez eu detestar a história inteira é o motivo que leva Jam à escola. Só daí, eu não teria pego o livro de maneira nenhuma para ler, mas você só descobre sobre o que é no final. Outro ponto é que eu já estava ficando irritada ao extremo com o fato da autora ficar dando voltas e voltas e mais voltas para chegar no momento em que é revelado o tão aguardado segredo. Eu já estava impaciente, sem saco, detestando a leitura e ainda tive que aturar páginas e páginas de repetição.

Acredito que existem livros e livros, infelizmente, Redoma não foi um que eu amei, como poderia ter acontecido com outros livros para jovens.

Editora Valentina, Resenhas
Título: Minha Vida Mora ao Lado Título original: My Life Next Door Autora: Huntley FitzpatrickAno: 2015 Editora: Valentina Número de páginas: 320

Não li o outro livro da autora ainda, acho que mais por apego a este e medo de me decepcionar. Quero sempre ficar na mente que o Jase e a Sam são um dos casais jovens mais fofos que eu tive a oportunidade de ler.

Eu li Minha Vida Mora ao Lado no final de 2015 e eu simplesmente me apaixonei. No entanto, não vi tantas pessoas falando a respeito do livro no Brasil e ao mesmo tempo via perfis de Instagramers gringos só postando aos montes fotos e feedbacks do livro. Eu apenas queria que todo mundo desse uma chance para este livro pois eu sou simplesmente apaixonada por ele.

O primeiro ponto que precisa ser deixado claro no livro é que traz situações controversas. Vamos lá. Samantha é uma Reed. No momento sua mãe está trabalhando para sua campanha política para o estado de Connecticut, junto com o novo namorado, Clay. Sam tem absolutamente tudo na vida: uma casa maravilhosa e impecável sem um móvel fora do lugar, uma boa escola, comida gostosa e… solidão. Com a mãe super ocupada e a irmã que vive mais fora de casa do que dentro, ela tem apenas amiga Nan por perto, mas que está resolvendo os próprios problemas junto com o irmão gêmeo, Jim.

Contrariando todas as expectativas, Sam não aceita de mão beijada o que recebe por ser filha de uma candidata ou por ter uma vida relativamente boa. Ela se esforça para ter seu próprio mérito e não depender apenas da mãe, querendo provar seu valor trabalhando, o que é bem louvável para uma adolescente que poderia simplesmente ignorar esse fato e ser estúpida e mimada. O que é outro fato bem desconcertante, diante da criação da mãe dela.

Como desde sempre foi proibida de se relacionar com os vizinhos, os Garrett, Sam sempre observou da varanda do quarto a família barulhenta e enorme – 8 deles são apenas filhos! – que se divertiam do outro lado do muro. Eles claramente não tinham a mesma vida que ela, mas o que importava mesmo era que eles esbanjavam felicidade e amor, que era duas coisas que ela mais desejava da própria família. Mas o mundo, sendo debochado como é, coloca Jase em sua vida: um dos Garrett adolescente e completamente apaixonante.

A família de Jase acolhe Sam como ela fosse uma Garrett desde sempre, mesmo que a menina esconda que está se envolvendo não apenas com um , mas com todos eles de uma vez. Mas, claro, esse relacionamento vai ser posto a prova e diante de um terrível acidente, segredos serão revelados, o mundo da Sam desmorona, com muita razão, e ela se vê no meio de um conflito terrível.

Muitas pessoas sentiram falta de ALGO A MAIS no livro… talvez eu estivesse tão envolvida com a família Garrett que me esqueci em pensar em ‘algo a mais” – para mim foi no ponto, foi perfeito. Sam não é aquela personagem adolescente estúpida que dá vontade de matar, pelo contrário, ela tem noção dos privilégios da sua vida, mas quer mostrar para todos e si mesma que pode ser mais do que isso. Seu relacionamento com Jase começa de maneira tão doce e terna que é impossível você  não se apaixonar junto com eles. Jase faz parte de uma família gigante e temos a oportunidade de conhecê-lo aos poucos e é um furacão e muito amor emanado ao mesmo tempo. Ele é fofo, carinhoso, romântico e justo. Como não gostar desse bom moço, gente?

O conflito inteiro do livro demorou um pouco a chegar e depois que apareceu, passou rapidamente, eu não me importei – estava encantada com a família Garrett, gostaria de deixar claro. E é importante dizer que este problema que surge afeta a Sam diretamente e aqui, mais uma vez, temos vários exemplos de uma pessoa digna e honesta. Sério, ler esse tipo de atitude em uma garota tão jovem me enche de orgulho, ainda que ficcional.

Gosto do desenrolar da história, da maneira como a autora nos apresenta a cada família, dos conflitos externos ao casal e como é importante dar atenção a esses pequenos sinais de problemas, da maneira como a autora equilibra a nossa percepção de certo x errado e aquela velha história de “a grama do vizinho é mais verde“. Muitas famílias estão envoltas em papel de presente, mas sem nenhum amor à disposição, enquanto que os Garrett que tumultuavam por serem muitos, tinha de sobra para dar algo que a Sam sempre quis.

Não li o outro livro da autora ainda, acho que mais por apego a este e medo de me decepcionar. Quero sempre ficar na mente que o Jase e a Sam são um dos casais jovens mais fofos que eu tive a oportunidade de ler.  ♥

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