fevereiro 01, 2020Relatos de Uma Blogueira

Me reencontrei no processo de cura de um coração partido

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Precisava escrever sobre esse assunto, já que parece que devia uma resposta para mim mesma.

Meu coração sabe por tudo que passei. Minha mente e corpo sabem por tudo que passei. As pessoas que amo e mais próximas a mim sabem de tudo pela qual passei.

Minha terapeuta sabe de tudo pelo que passei. E, talvez, ela entenda melhor do que eu, uma vez que trabalha com a mente, com o coração, com o corpo físico. Com o conjunto que me torna quem eu sou.

Tinha saído do cabelo cacheado, que foi super criticado inclusive, e voltei para minhas tranças amadas

Essa foto acima é muito representativa para mim, já que foi tirada assim que troquei meu cabelo do alongamento cacheado para as tranças de novo. Isso tem um ano. Sempre tiro fotos para registrar, sempre compartilho com todos, uma vez que é algo que me faz feliz. Mas sabe o que não estava feliz nessa foto? Eu. Observo meus olhos e percebo quão inchados eles estão, pois antes de tirar as fotos, estava chorando porque meu coração estava sendo rachado. Por que eu estava sofrendo. Por que algo que eu achei que viveria e seria lindo, estava desmoronando nas minhas mãos e eu tentava pegar de todas as maneiras, mas já tinha ido embora…

Os meses seguintes foram os mais difíceis e desafiadores da minha vida, em vários sentidos. Eu estava apaixonada e com o coração partido. Consegui, finalmente, a oportunidade de emprego na qual estava batalhando para conseguir. Me mudei para São Paulo e realizei meu sonho de menina, que falou isso lá na Bienal de 2012, quando conheceu a cidade pela primeira vez.

Nem todos os momentos de sorriso, festas e amor não quer dizer que você não está quebrado.

Mas essa oportunidade não foi nada do que imaginava – trabalhar home office trancada dentro de um quarto, sem conhecer pessoas na cidade, sem interações externas com seres humanos, com o coração partido (é bom frisar mais uma vez) e era um lugar tóxico: situações pelas quais já tinha superado e passado voltaram com tudo, tive que aprender a lidar com crises de ansiedade novas desencadeada nesse ambiente, lidar com a saudade de estar longe de casa e do meu conforto, do carinho e amor que recebia. E muitas vezes eu me perguntei os motivos para ter feito isso. Era tão mais fácil em Brasília.

Eu anotei. Escrevi e colei na parede que sentava todos os dias para trabalhar que era passageiro. Que era apenas um momento de transição e que tudo ia ficar bem. E, se não ficasse, eu tinha para onde voltar. E, some a tudo isso, meu coração partido. Mais uma vez.

Essa imagem é uma das mais representativas. Tem troca de cabelo, me senti vibrante e me lembrei de como amo amarelo, passei muito frio em SP, recebi amor e chorei na despedida, vi cerejeiras.

Nunca me apaixonei, não dessa maneira. Namorei na adolescência com uma pessoa que gostava muito de mim, muito mesmo. Ele é apaixonado por mim até hoje. Nunca tive um relacionamento na minha vida adulta. E me cuidando, entendi que é difícil você deixar alguém entrar na sua vida, entrar na sua casinha, quando ela está bagunçada. Como é possível amar alguém quando você mesma não se ama?

Durante o ano, passei por mais dois empregos até encontrar algo que está me satisfazendo como profissional. Conheci outras pessoas e me relacionei. E algumas delas me deixaram entrar, só que essas mesmas pessoas ou saíram de relacionamentos longos, ou estavam tão quebrados quanto eu ou simplesmente não queriam relacionamento.

Estava tão carente de atenção, de companhia, de amor, de alguém para conversar, beijar, estar junto, viver aquilo que tinha sido quase possível, beirando o desespero – sem filtro, machucando meu corpo, meus sentimentos, me machucando, procurando ensandecidamente pelo meu centro novamente.

Teve vezes que não consegui. Não vou negar. Me sentia como uma drogada atrás de cocaína, não me reconhecia, estava desesperada por amor. Mas não era de qualquer pessoa, era específico. Era dele. Isso é ainda mais problemático para mim pois sou uma pessoa totalmente sem vícios, além de chocolate. Não bebo, não consumo drogas e estava em abstinência!

Comecei no trabalho novo, fui à praia, recebi visitas e amor, tirei fotos lindas de mim mesma e redescobri o meu sorriso.

Tive crises de choro muito forte, crise de perda. Tive sorrisos felizes e também dias de posição fetal. Teve dias que pedi, me olhando no espelho, para a deusa, os cosmos, o universo, invocando tudo de mais sagrado que acredito, por favor por favor por favor por favor: apenas deixar ir.

Não aguenta mais. Sofrer. Entrar em contato e ser constantemente ignorada. Teve meses que era como se nunca tivesse acontecido. Teve meses que durante vários dias eu não tinha foco para fazer nada, alimentando através de redes sociais aquela parte de mim que necessitava ver, pelo menos por um pouquinho, como ele estava. Eu li livros – o mais importante a ser indicado aqui é Como Superar a Perda de um Grande Amor -, assisti filmes – vale a pena citar Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças. Não significa que gostei.

Falei para mim mesma: Por favor, deixa ir. Por favor, tira essa dor de mim. Tinha vontade de enfiar a mão no meu coração e arrancar. E isso não é drama, juro para vocês. Era só porque não aguentava mais amar alguém que não me queria, me culpar por ter dado errado quando, na verdade, ele também tem sua parcela de culpa. Não aguentava mais olhar as minhas conversar com as minhas amigas e encontrar fotos nossas juntas, áudios cheio de amor, de carinho, me dizendo: estou com saudade de você, do seu abraço, de te beijar. Eu quero você.

Antes e durante o ano novo. Crise de ansiedade à beira da praia, sorriso por estar perto do mar e conhecendo um lugar novo, agradecer sempre.

E assim o ano foi passando. Descobri que a pessoa está namorando. E que isso aconteceu dias depois de parar de falar comigo, uma diferença de dez dias. Se me perguntar, ainda não sei como me sinto com relação a essa informação. Eu vi todas as fotos dos planos que tinham sido feitos comigo. E isso me magoou de uma maneira gigantesca que, no ano novo e na beira da praia, tive uma crise choro e implorei: por favor, 2019, vai embora. Preciso encontrar paz para a minha vida.

Sei que não é assim que funciona, mas uma chavinha foi girada dentro de mim. Estou em paz comigo mesma. Meus sorrisos são verdadeiros e quis compartilhar essas fotos para provar para mim mesma que sou feliz. E que, apesar dos dias cheios de chuva e trovões, minha âncora me manteve na superfície. Engoli um tanto de água, fui jogada de um lado para o outro em ondas enormes, perdi o porto, reencontrei, perdi e reencontrei. Alcancei a praia, sacudi toda a areia. Consegui um guarda-sol.

Ainda não desisti de alguém. Não mesmo. Estou mais seletiva, ainda mais respeitosa com o meu corpo e com os meus sentimentos. Estou aberta a amar de novo. Sei que esse tempo todo foi importante para que pudesse viver todas as fases do luto, da perda. Para me reaproximar de quem amo, de falar abertamente sobre o que sinto, sobre viver cada uma dessas etapas para entender que elas são superáveis. Foi importante também porque percebi que, mesmo no fundo da minha tristeza e querendo desesperadamente ser amada, tem algumas pessoas que simplesmente não são para você. Não adianta insistir, tentar. Do mesmo jeito que não existe apenas uma pessoa que pode te amar.

Não acredito que em um mundo gigantesco, não encontrarei de novo alguém que tire um sorriso genuíno de amor do meu rosto.

Campos do Jordão

Vai ficar tudo bem. Não importa quanto tempo demore. Cuide da sua saúde mental. Não sofra sozinho, peça ajuda. Nunca pensei que uma decepção amorosa pudesse influenciar tanto todos os âmbitos da minha vida, só que enquanto eu estava sofrendo, a pessoa em questão já tinha seguido em frente.

Como pude deixar alguém influenciar tanto a minha vida? Como pude deixar que sentimentos assim dominassem a minha mente e interferisse em quem eu sou e me fizesse duvida de mim mesma? Isso acarretou em outros sentimentos onde fiquei me maltratando durante todos esses meses, me magoando, julgando, batendo, quando na verdade é que é apenas uma pessoa?

É mais fácil? Hoje eu posso dizer que sim, mais do que quando estive no auge da minha tristeza, frustração e coração partido. Ainda saio por alguns lugares e lembro de como seria legal estar ali com você, dos nossos possíveis diálogos criados na minha cabeça, das viagens que poderia ter sido nós dois, da cozinha que poderia ter sido compartilhada para uma comida gostosa, da sua música eletrônica em todos os lugares. Do seu lugar de nascimento, em especial. É muito difícil ler qualquer notícia sobre, que parece que atinge um ponto específico dentro de mim. Muitos dias ficava “quero conhecer e entender cada cantinho de quem você é.” e teve dias que apenas pensava apaticamente. Não tinha mais diferença, entende?

A última conversa que tive com a minha terapeuta, falei para ela: Estou preparada para deixá-lo ir. Estou pronta para começar do zero, a partir de agora. Estou pronta para ser minha de novo.

Sei, no fundo de mim, que sempre carregarei um pedaço de J. dentro de mim, mas ele não voltará a ser a atração principal, pois meu palco já está ocupado com a minha própria apresentação. Tem pessoas que aparecem na sua vida e tocam a sua alma e, tenho plena consciência, que foi esse o caso. Minhas memórias ainda lembrará dele. Estarei velhinha e talvez ele passe pela minha mente. Mas o ato dele já acabou e as cortinas fecharam. Me sinto pronta para abrir meu espetáculo para um novo público. Estou pronta, esperando os refletores se voltarem para mim para que possa novamente ser os centros das atenções, da minha peça.

Estou pronta para ser eu mesma de novo. Me reencontrei.

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