fevereiro 11, 2012Relatos de Uma Blogueira

[Relatos de Uma Blogueira] Conto: Se eu disser que sim…

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O Relatos de Uma Blogueira de hoje é um pouco diferente. Eu não vou postar uma situação pela qual eu passei, mas uma situação na qual eu escrevi. Na verdade, pra entender a história:
Um dia, tentando voltar pra casa depois do estágio, estava chovendo muitíssimo. E quando eu cheguei ao ponto de ônibus e tive a visão privilegiada de determinados fatores – leiam o conto e vão entender! haha – a inspiração veio com tudo e eu acabei escrevendo isso. Não é uma história (totalmente) veridica. Eu peguei alguns elementos meus – como modo de falar, (futura) profissão, etc – e acrescentei algumas doses da minha imaginação.
O conto foi citado no Relatos de Uma Blogueira – Você é meu amigo de fé… que eu espero que traga as minhas encomendas intactas e como eu mandei para algumas pessoas mais próximas a mim para que lessem e elas falaram que estava legal, resolvi compartilhar com todos vocês. Espero que gostem também.

Proibida qualquer forma de cópia total ou parcial do texto ou/e dos personagens criados nela.

– Maldito! – berrei para o idiota que passou jogando água para todos os lados, inclusive em mim, que mesmo saltando para trás, molhei toda a minha calça jeans. – Maldito, maldito! – continuei a berrar, mesmo com o tal maldito já à distância, eu sabia que era pouco provável que ele tivesse me ouvido. Mesmo eu tentando berrar com toda aquela chuva caindo sobre mim.

A bolsa estava pendurada ao lado do corpo e o guarda-chuva que eu usava ainda estava intacto apesar da forte chuva e do vento que estava querendo me levar junto com ele. Ou seja, da cintura para cima eu continuava seca. Ou parcialmente.
Estava esperando o sinal abrir para que eu pudesse chega até o ponto de ônibus, me equilibrando em um sapato de salto que fechava em torno dos meus pés, apenas querendo ir pra casa, tomar um belo banho quente e comer algum macarrão requentado e depois descansar. Ou quem sabe assistir um filme. Mas, pelo visto, a noite seria longa. E eu não estava falando de um modo feliz. Ir para casa de ônibus em Brasília é o mesmo que pegar uma passagem só de ida para o Afeganistão e ter que usar burka, mesmo contra a sua vontade. Logo hoje que era sexta – feira!
Meu carro estava na oficina. Ótimo. Um demônio bateu na traseira dele enquanto estava estacionado. E como eu não tinha como adivinhar que iam bater no meu carro e muito menos quem tinha sido o infeliz, fiquei com o prejuízo. Mas não foi qualquer batidazinha. O estrupício destruiu todo o meu carro. Parecia mais que eu tinha sofrido um acidente com ele do qualquer outra coisa. Não tinha mais lataria, o que me fez imaginar que ele não bateu apenas uma vez, mas várias seguidamente. E de propósito. Levei para a oficina e aproveitei para fazer o check – up inteiro.

Por dois dias seguidos eu consegui carona com a colega do apartamento ao lado que passava todos os dias na frente da agência de publicidade em que eu trabalhava. Bem, não exatamente na frente. Mas passava muito perto. Eu, muito esperta e querendo me livrar dos ônibus dessa cidade, levantei cedo, me arrumei e corria até a porta, esperando ouvir a porta dela abrir para que eu pudesse sair. Quando isso acontecia, eu abria a minha própria e com um ‘sorrisinho sem graça’ no rosto, pedia que me desse uma carona, sem que ela desconfiasse nem por um segundo que eu estava observando seus passos – literalmente. Ela passava na padaria e na casa da mãe para poder dar um beijo (acreditem se quiser), e nisso eu estava sentada no banco do carona dianteiro, querendo estrangular o filho mais velho dela que estava tendo uma crise de identidade muito grande, com a cara emburrada, com enormes e estranhos fones de ouvidos – que não adiantou muita coisa o uso, já que todos no carro conseguiam ouvir o que estava tocando no Iphone do moleque, devido a altura da gerigonça – ou beliscando o mais novo que tentava de todas as formas se livrar dos beliscões e provocações do outro tentando arrancar o cinto da cadeirinha e acerta – lo com um chute. Tudo isso com uma boa dose de choro de criança. Quando ela conseguia finalmente chegar até a escola e largar esses dois babuínos, eu também descia e ia caminhando por 10 minutos até a agência. Bem, funcionou. Eu consegui chegar.

Na hora de ir embora, sempre tinha alguém que morava próximo e que também me largavam mais perto da minha casa. Mas hoje, para o meu total azar, todos resolveram fugir e me deixaram resolvendo todos os pepinos. Claro, é sexta – feira. Uma sexta – feira chuvosa, mas desde quando isso impediu alguém de encher a cara e pegar todo mundo por aí? Ou de ir para a beira do lago Paranoá ou se enfiar dentro de um boteco qualquer, enquanto conta as suas lamentações para um babaca qualquer que estivesse passando no momento? Ou de fazer uma festa dentro do próprio apartamento, sem se importar com o som? Ou acordar na cama de um estranho, sem saber realmente o que aconteceu? E os dois que ficaram: um ia para o outro lado da cidade e o outro eu não tinha coragem de pedir carona. Era tão ruim de roda que eu até suspeitava que talvez fosse ele o causador do estrago no meu carro. Juro. E entre ir com uma pessoa correndo o risco de perder a vida numa noite chuvosa, peguei minhas coisas, abri o guarda chuvas e dei boas – vindas a tempestade que caía.

O ponto de ônibus estava cheio de pessoas e eu cheguei sacodindo meu guarda – chuvas para que a água que estivesse nele escorresse mais rápido. Obviamente que eu descobri que nessa minha técnica, eu molhei várias pessoas, que começaram a dar passas para trás ou a me olharem com a cara feia. Tardiamente, sussurrei um ‘Desculpa’ com um balançar de ombros. E teve os outros que estavam tão molhados que nem se importaram.

A maioria dessas pessoas ia se enfiando dentro de conduções lotadas, em que tinha pessoas com a bunda espremida já na porta do ônibus, mas de uma maneira quase mágica (e ilógica), conseguiam enfiar não apenas o próprio corpo, mas também as suas sacolas, bolsas e mochilas e tentar chegar em casa sem serem estupradas no caminho.

Como fazia muitos anos que eu não andava de ônibus, não tinha a menor noção de qual seria o horário que o meu passaria. Uma coisa que eu tenho que avisar: quando chove em Brasília, a cidade para. Os motoristas daqui não sabem dirigir na chuva. Era uma confusão de faróis, de buzinas, de carros derrapando em cima um do outro para evitar uma batida ou algo pior. E tinha ainda os que passavam espanando água para todos os lados. E tudo isso se juntava com o barulho da forte chuva que caia há mais de duas horas e parecia que não daria trégua.

Sentada esperando, observei as pessoas que estavam ali por perto. O ponto era escuro, a iluminação ficava longe e os feixes chegavam fracos até nós. E como era uma área um pouco tensa, me enfiei sentada entre várias outras pessoas, que aos poucos foram se enfiando dentro de seus próprios ônibus e indo para suas próprias casas. Mas o meu? Ahá, nada, como já era de se esperar. Apreensiva, olhei novamente para todos que estavam. Tinha umas dez mais a frente, duas mulheres sentadas cada uma do meu lado e tinha ele: um homem lindo, maravilhoso, completamente sexy e tesudo ali, parecendo tão perdido quanto eu por estar naquele lugar, sentado um pouco afastado de todos. Quando o vi, foi tão espontâneo e natural que eu sussurrei olhando para ele: ‘Eitadiâbo, como você é lindo!’.

Seu terno era claro, seu porte físico era forte, mas não daquela maneira feia de homens que tomam anabolizantes para ficarem inflados, mas de uma maneira bela, malhado, com ombros largos e braços fortes, com um rosto muito bem desenhado e muito bonito, com olhos que me pareceram à primeira vista serem castanhos (e que mais tarde eu descobriria a verdadeira cor) por causa da pouca luz que tinha no lugar. Para completar, seu rosto estava coberto por uma barba. E meu Deus, por que determinados homens – exatamente como ele – ficam tão belos com esse ‘acessório’ no rosto? Seus cabelos eram pretos e lisos, com um corte moderno que o deixava passar a mão continuamente por ele, coisa que ele fazia. E quase destruía o meu coração. Eu fiquei tão encantada – a palavra que se encaixaria melhor no contexto poderia ser enfeitiçada – que eu me esqueci que estava olhando fixamente para ele, e que ele (pasmem) retribuía o olhar. 
Limpando a baba e tentando me recompor, cruzei as pernas. Mas tinha alguma coisa que me fazia virar a cabeça e olhar na direção contraria a de onde o ônibus viria para poder olha – lo. Ele começou a caminhar de um lado para o outro, com a cabeça baixa, falando ao celular, a outra mão no bolso da calça.
Parou mais um ônibus e a galera entrou em peso. Olhei para o gato, querendo saber se ele entraria no mesmo ou até a ‘possível’    localização de onde morava… mas ele não estava mais ali!
– Puta merda, na hora que eu pelo menos tenho algo de bom para olhar enquanto essa maldita tempestade cai…
Para mais dois ônibus e leva mais pessoas, dessa vez deixando apenas eu e mais quatro pessoas. Já temendo ficar sozinha ali, levantei e comecei a bater os pés. Olhando ao redor, vejo meu lindo-lindo parado do outro lado da rua, embaixo de uma árvore. A situação era estranha? Demais! Não conseguia entender o motivo para ele estar ali, ainda com o celular.
– Quer saber de uma? Por que eu estou dando atenção para um desconhecido? Tudo bem que ele é lindo, mas está demais. Vamos parar por aqui.
Decidida a prestar atenção ao meu redor, agora que só tinha eu e mais um homem no ponto (que não era lindo, nem mesmo bonito, nem chegava perto de fofo, diga – se de passagem), desviei a atenção do gato com pesar. Passaram – se 10 minutos – ou menos, perdi a noção do tempo – e pronto! Ele tinha voltado. Da onde, não faço a mínima ideia. Só devo dizer que cruzei as minhas pernas por conta da cena que eu vi e do calor que me acometeu: se o homem era lindo todo vestido e com todos aqueles atributos já citados, imagina esse homem só com a camisa branca, sem o terno? E o melhor: todo molhado, com a mesma grudando no corpo! Minhas pernas pareciam estar flageladas e apesar do vento, meu corpo esquentou de uma maneira anormal. Como alguém conseguia esses efeitos em outra? Ele passou a mão pelos cabelos, agora molhados, para tirá – los dos olhos e me olhou. E dessa vez eu não consegui desviar o olhar. E nem queria. E ele manteve o olhar e eu tive a impressão que tinha um leve sorriso em seus lábios.
Saindo do transe (novamente), vi que o sinal tinha aberto e que a multidão de carros estava vindo.  Ficando na ponta dos pés para tentar enxergar através dos vários ônibus, suspirei distraída e frustrada com a espera. Eu só queria chegar em casa! Pensando que talvez fosse a minha sina da sexta feira chegar em casa depois das 23hs ou ir a pé na chuva, senti um corpo atrás de mim. Imóvel, ele se aproximou mais.
Okay, ele era bem mais alto do que eu, quase uma cabeça. E a sua respiração estava no meu ouvido. 
‘Respire você’, me ordenei. E o seu cheiro chegava até em mim como se estivesse acabado de sair do banho. Ou talvez não fosse coisa da minha cabeça, uma vez que ele estava mesmo molhado. E uma mão deslizou pelo o meu braço. Arrepiei.

– Estava sendo muito bem observado. – ele falou, baixo. E eu fechei os olhos. A voz, oh – Deus, a voz daquele homem! Estava de sacanagem comigo!
– Desculpa, eu não consegui… resistir. – respondi num sussurro. Como assim um sussurro, porra?! Fale como mulher que você é, me ordenei mentalmente.
– Um carro preto vai parar aqui em alguns minutos. Você entra.
– O quê? Não, não. – falei tentando me afastar e virando para olhar seu rosto, o corpo em alerta com medo de que alguma coisa ruim acontecesse depois de tanta babação em cima do cara.
– Você entra. – ele falou com convicção, me olhando tão firmemente que eu talvez recuasse se ele não tivesse segurando meu braço. Seu aperto era firme, mas não me machucava.
– Eu não quero. – respondi, encarando os seus olhos e tentando afastar sua mão do meu braço. Se a minha sina da sexta feira não fosse ir molhada a pé para casa, com certeza eu não queria que ela fosse eu ser sequestrada por um cara desconhecido, mesmo que ele fosse extremamente lindo e gato.
– Tem certeza que não? – e um sorriso nos lábios – Não irei te fazer mal. – ele respondeu com outro sorriso mais lindo ainda, deslizando agora os dedos pelo meu braço. Olhei para sua mão que acariciava a minha pele levemente e de relance vi seu crachá preso no bolso da camisa: ele trabalhava nos Correios. Se todos os homens dos Correios fossem lindos como ele, eu mesma iria buscar meus próprios pacotes, encomendas e correspondências!

Bem, é isso. Espero que vocês tenham gostado. *-* O conto não está concluído – como você perceberam -, então meu único pedido para vocês: quem ler, por favor, por favor, por favor, comente! Eu preciso mesmo saber se vocês gostaram e estou sempre aberta a sugestões. Estejam a vontade.
Agradecimentos para as minhas amigas blogueiras, que me mantém sã nos momentos de loucuras e me tratam com carinho nos momentos mais inusitados: Bruxinha, obrigada sempre! Por ter sido a primeira a ler e sempre me dá conselhos legais e me salvar de dúvidas crueis. Ana Marmota, Jubelli, Mi Diva, Nay e Lola que dentre outras coisas, me incentivaram a postar logo esse conto. E a Gleice que deu uma revisada no texto antes que eu postasse pra vocês.
As minhas autoras lindas Sammy Holtz, Lu Piras e Van de Cássia para quem eu mandei o conto e me presentearam com ótimas ideias e palavras estimulantes. E me fizeram acreditar, mesmo que um pouco, que eu posso escrever o que eu quiser.
Obrigada.

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