Livros Nacionais, Resenhas

Título: Sob a Luz dos Seus Olhos
Autora: Christine M.
Editora: Underworld
Páginas: 295
Ano: 2012

Livro no Skoob
Elisa é uma garota determinada com todo o futuro pela frente. Está partindo para a gélida e cinzenta Londres com todas as expectativas lotando sua bagagem. Nesse cenário, conhece Paul, um jovem de espírito livre e com uma promissora carreira de ator. Tudo poderia ser apenas um romance casual. Entretanto, Paul e Elisa são dois seres nos quais os rótulos não se encaixam. Graças à entrega incondicional e dedicação, puderam vivenciar tudo o que amor pode ser. Ela encontrou em seus olhos azuis a força para ultrapassar todas as barreiras que sequer imaginaria ter de enfrentar. Ele descobriu que as várias nuances dos olhos dela o levariam a uma trajetória oposta àquela que sempre planejou. Com eles, podemos viajar desde a tradicional e britânica York, às belas praias de Angra dos Reis, até as charmosas paisagens de Santa Mônica, na Califórnia, em uma trama intensa vivida e mostrada através dos olhos dos amantes. Contudo, o amor entre os dois jovens vai além do pitoresco. Ultrapassa o cotidiano e invade as questões existenciais humanas, se transformando em um convite à reflexão sobre o autoconhecimento e a incapacidade de prever do que somos capazes. Um romance repleto de reviravoltas, emoção e dinamismo, capaz de prender o leitor até o último capítulo. Muito mais do que uma história de amor furtiva ou pueril, “Sob a luz dos seus olhos” relata de maneira envolvente como esse sentimento pode mudar vidas e construir pontes que nem mesmo o tempo e o espaço podem destruir. O que você faria por amor? Eles fizeram tudo!

Ok, gente, parou! Eu devo está mesmo com um chama para romances impossíveis! Primeiro, “Paixão, Drogas e Rock’n  Roll” e agora “Sob a Luz dos Seus Olhos”. Estou realmente preocupada!
O livro “Sob a Luz dos Seus Olhos” nos envolve em um romance belíssimo entre Elisa e Paul. Ela, como estagiária de uma editora que conseguiu uma vaga na sede em Londres – somente o sonho de todas nós, não é blogueiras? – acaba por acidente, conhecendo um loiro alto, olhos azuis cor de céu e abençoado com um corpo perfeito que não faz nada menos que artes cênicas e é extremamente bom em sua profissão. Seus pobres olhos verdes que mal puderam aguentar a primeira olhada, com os sucessivos encontros ao acaso, não conseguem deixar de tentar memorizar os detalhes de seu rosto e tirar a sua tentação pessoal, o breath taking do Paul, de seus sonhos.
Tudo começa quando ela decide passar duas semanas de férias antes de propriamente ir trabalhar em York, cidadezinha medieval ao norte da Inglaterra. Logo em seu primeiro dia, decide sair em um frio tremendo, para um pub da região. Lá é onde seu olhar bate primeiro com o de Paul e pensando que só poderia ser brincadeira – afinal, como aquele homem poderia a estar encarando? -, ela sai correndo e deixa as chaves do alojamento que estavam em seus bolsos caírem no chão. Ele, prontamente, aproveitou o momento e as devolveu a ela. Sem querer continuar a conversa, vai embora em direção a sua vida. Tudo estaria certo dela esquecer aquele deus, mas o destino acabou o juntando uma segunda vez, ao se verem de longe e até sorrirem um para o outro e uma terceira vez, quando ao terminar suas férias ela vai a Londres se instalar na casa de família que a abrigaria.
Com idas e voltas, e os futuros já traçados, Elisa e Paul não se dão conta de como estão próximos e o quanto precisam um do outro. Só depois de muitas conversas e saídas para dançar salsa é que acontece o primeiro beijo dentro de uma cabana que permeará suas vidas para sempre. É uma pena que os obstáculos da vida surgem pela primeira vez e tudo o que Elisa sonhou como seu próprio conto de fadas desmorona. Se fosse só isso tudo bem, mas a trama vai deixá-los em apuros por DUAS vezes e testá-los além do limite.

Vivemos em um mundo de pessoas sozinhas, Paul. Algumas delas projetam suas expectativas em algo que julgam ser maior. Só estão camuflando a tristeza de desejar algo inatingível, que na verdade nem é você. Desejam a fama, dinheiro, beleza e não precisar acordar de cinco da manhã. Elas adorariam não estar no meio da multidão, gostariam de acenar cinco segundos da varanda de um hotel chique, por que acreditam que somente assim seriam especiais e experimentariam algo sublime.

Primeiro quero deixar claro que o livro é muito bem escrito. No início, temos aquele nosso momento de tensão. Somos levados ao choque de perguntarmos: “Por que eles se separaram no final?”. A partir do segundo capítulo, a autora nos leva seis anos antes para quando a nossa protagonista estava de viagem pela Europa, ainda com vinte anos e conhece Paul, na época com vinte e dois. E assim continua de forma linear por toda a vida juntos.
Segundo, eu fiquei um pouco confusa em uma parte do livro quando fala que basicamente a diferença entre os dois é de dois anos, mas depois de seis separados, tecnicamente ele deveria ter vinte e oito, mas no livro, logo depois que eles se encontram, ele faz o aniversário dele de 30 anos. Um vácuo de dois anos se não estou enganada.
Terceiro, Paul também se sente protetor com Elisa (como acontece também no livro da o de Dani que eu resenhei aqui), mas não tanto possessivo compulsivo como era o outro. Ele é um fofo, carinhoso, como todo príncipe encantado deve ser. Nós nos apaixonamos pelo seu jeito, por sua voz, por tudo que o diz respeito. Queremos ter um Paul para nós mesmo, mas também sabemos que talvez, muitas de nós nunca poderemos ter porque, por mais que sonhemos com aqueles homens maravilhosos, sempre vai ter um que ou se aproxima da perfeição, mas tem um defeito particular, ou não tem nada a ver… Mas mesmo assim, nos fazem ficar arriada os quatro pneus por ele.  Eu que o diga…

“Ele me abraçou, depois me olhou seriamente. Paul demonstrava seu caráter, personalidade e desejos em pequenos gestos. Assim como eu fora capaz de notar a profundidade de seus pensamentos, sua paz de espírito, a aceitação de si mesmo e a naturalidade que ele encontrava em sentir mais do que falar, também podia ver a natureza ardente, sua retidão e honestidade.”

Com suas peculiaridades, todo o amor sentido por Elisa nos é palpável, pois podemos identificar, sendo narrado em primeira pessoa – e só em um capítulo na visão dele – o quão grande um amor de verdade pode ser. A estória pode ser ficção, a Chris já pode ter ido para York e não ser filha única como ela me falou via Twitter ou o enredo ter Carol, única amiga de Elisa e Cadu – um vizinho gato que só me lembrou Chris Evans de “Qual é o seu número?” – e famílias tanto suportáveis quanto indignadas, mas o que mais nos fica na cabeça é o sentimento real que une os dois e que não acaba mesmo com a diferença de mundos e de perspectiva.

Por fim, devo admitir que são as adequações que eles fazem e os obstáculos que eles ultrapassam ao longo de toda uma vida foi o que me prenderam mais. Eles tinham tudo para desistir, mas não o fizeram, pois de alguma maneira, eles sabiam que o amor deles era forte o bastante para superar tudo.  Uma história muito boa para tirarmos a verdadeira relevância do amor verdadeiro e aprendermos um pouco mais sobre algo que várias pessoas passam toda a existência procurando ter e nunca acham.

A capa é PERFEITA!  Só achei que remete muito a outono e basicamente foi um namoro de inverno, como o livro diz. A Editora Underworld está de parabéns! Toda a diagramação está perfeita. A resenha de contra capa então? Linda!
Pâm Vital

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