Editora Intrínseca, Resenhas
[Resenha] Delírio
16.jun.2012
gsTítulo: Delírio #1 Título original: Delirium Autor: Lauren Oliver Ano: 2012 Editora: Intrínseca Número de páginas: 352

Achavam que o amor era algo sublime. Isso foi antes de encontrarem a cura.

O mundo como conhecemos acabou. Foi devastado. A única forma de manter os sobreviventes em segurança foi fechar todas as fronteiras do país e estabelecer duras regras e vigilância constante para toda a população. Assim, nos Estados Unidos, a última nação sobrevivente, ao completarem 18 anos, todos os cidadãos são submetidos a um procedimento que altera o cérebro. A finalidade: erradicar o amor e todos os problemas causados pelo amor deliria nervosa, uma doença fatal.

Após a intervenção, as pessoas sentem-se seguras e felizes para sempre. O coração passa a bater em ritmo compassado, a fala não demonstra variação de volume, o temperamento torna-se calmo e sereno. Enfim, a vida se transforma em algo perfeito e insípido.

Amor:uma única palavra, algo delicado, uma palavra que não é mais larga ou longa que uma lâmina. É o que ela é: uma lâmina, uma navalha. Ela corre pelo centro de sua vida, cortando tudo em duas partes. Antes e depois. O restante do mundo cai em ambos os lados.

Nossa protagonista e narradora, Lena, é uma garota de 17 anos que está ansiosamente contando os dias para sua intervenção. Com um histórico familiar vergonhoso (a mãe ficou louca de amor e suicidou-se; uma das tias era simpatizante da resistência ao governo), tudo o que Lena quer é deixar de ser apontada na rua como estranha e adentrar o maravilhoso mundo da normalidade, que se apresentará a ela na forma da avaliação pré-procedimento, durante a qual seu futuro será decidido. Com base em suas respostas, sua profissão será determinada, um par ideal do sexo oposto será designado, o número de filhos do casal será estipulado, tudo sem sofrimento, sem paixões, sem problemas.

Sei que o passado vai arrastá-lo para trás e para baixo, fazendo com que você tente se agarrar aos sussurros do vento e aos ruídos das folhas das árvores batendo umas nas outras, tente decifrar algum código, tente consertar o que foi quebrado. Não tem jeito. O passado não passa de um fardo. Ele pesará dentro de você como uma pedra.

No entanto, ter seu destino colocado nas mãos do governo é algo que Hana, a melhor amiga de Lena, não consegue aceitar. Ela está sempre chamando a atenção da amiga para a falta de escolhas, para a automatização das pessoas, para as mentiras que são consideradas verdades inquestionáveis pela população. É ela quem abre os olhos de Lena para a realidade, para o submundo encantador das músicas e festas não autorizadas pelo governo, para um número considerável de pessoas que vivem além dos limites do país, na Selva, que são chamadas de Inválidos e cuja existência o governo nega.

Uma vez, Hana me disse que gosta de mim porque sou de verdade – porque realmente sinto as coisas. Mas o problema todo é esse: o quanto eu sinto as coisas.

E é por causa dessas atividades ilícitas que Lena conhece Alex, rapaz que ela já havia visto no incidente ocorrido durante sua avaliação. Durante o dia ele trabalhava como guarda no laboratório, durante a noite podia ser facilmente encontrado nas festas. Apesar de lutar bravamente contra suas emoções, Lena acaba se apaixonando por Alex, e esse amor muda sua vida de um jeito que ela jamais pensou que fosse possível.

Amor, a mais mortal das coisas mortais: mata quando você tem e quando você não tem (…) Ele vai matá-lo e salvá-lo, ao mesmo tempo.

As distopias estão na moda. Fato. O que diferencia este livro é que ele consegue colocar como problema de saúde pública e agente causador de uma série de comportamentos impróprios um sentimento que até então ninguém jamais havia apresentado como vilão: o amor. De forma inovadora, a autora consegue expor todos os problemas do nosso dia a dia sob uma ótica futurística: o incômodo do desconhecido, a desconfiança exagerada dos governos em relação aos estrangeiros, a falta de privacidade em nome da segurança, o controle pelo medo. Até aquelas questões que já deveríamos ter superado há tempos, como o machismo ser uma prática comum e como a homossexualidade ser algum tipo de distúrbio, são abordadas sutilmente por Lauren Oliver.

Quanto à parte gráfica, nem tenho muito que dizer. É simplesmente perfeito! Desde a capa linda e enigmática, passando pelo nome atraente, e encerrando com o miolo em papel amarelo (que acho menos cansativo para ler) e uma fonte de tamanho decente. Também achei bacana que, no início de cada capítulo, há uma citação de obras que são o alicerce da nova nação apresentada no livro. O único inconveniente será a espera até o lançamento do segundo volume da trilogia. Quero muito saber como continua essa história!

Escrito por Michelle*

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