Editora Galera Record, Resenhas
gsTítulo: A Mulher de Preto Título original: The Woman in Black Autor: Susan Hill Ano: 2012 Editora: Galera Record Número de páginas: 208

A história é narrada por Arthur Kipps, já idoso e relembrando os terríveis eventos que marcaram a cidadezinha de Crythin Gifford e também sua própria vida. Ele nos conta que, na época dos acontecimentos, tinha apenas 23 anos, uma noiva apaixonada e muita disposição para aventuras que o levassem para longe da melancólica e nebulosa Londres. Assim, foi com empolgação que ele aceitou a incumbência de viajar até a distante Crythin Gifford para comparecer ao funeral da falecida Sra. Drablow em nome do escritório de advocacia em que trabalhava e para organizar documentos da defunta a fim de encerrar os serviços legais.

Chegando à cidade, Kipps é recebido com cautela pelos moradores e é surpreendido pela visão de uma mulher vestida de preto, que tinha rosto marcado e corpo frágil, e se esgueirava pelo cemitério. Ao perguntar sobre ela, ninguém queria falar a respeito. Além disso, todos tentavam convencê-lo a não ir até a Casa do Brejo da Enguia e contavam casos sobrenaturais que, com a arrogância típica da juventude, Kipps julgava ser besteira.

A teimosia e o senso de superioridade de Kipps o levam à casa da falecida Sra. Drablow, onde ele desvenda o mistério que envolvia a casa e fica cara a cara com a assustadora Mulher de Preto. Mas será que é possível desafiar um fantasma vingativo e sair impune?

Nos quartos que davam para o fundo da casa, luz da lua. Abaixo de mim, no andar térreo da casa, silêncio, um silêncio tempestuoso, uniforme, quase tangível, e uma escuridão bolorenta, grossa como o feltro.

O ponto forte da trama são as descrições detalhadas das cenas e das sensações. Susan Hill consegue nos transportar para as páginas do livro e nos deixar tensos com a história. Mesmo sabendo que levaremos um susto adiante, não conseguimos parar de ler. Os personagens são bem construídos e o medo que cala os moradores de Crythin Gifford é palpável. A inteligência e a razão do rapaz presunçoso da cidade grande são postas em xeque quando as superstições da população do interior demonstram ser mais do que simples histórias de terror para se contar ao redor de uma fogueira.

A névoa estava lá fora, pairando sobre o rio, esgueirando-se por becos e passagens, serpenteando espessamento entre as árvores desfolhadas de todos os parques e jardins da cidade, e também do lado de dentro, agitando-se por frestas e fendas como um hálito ácido, aproveitando para entrar a cada vez que uma porta abria.

A névoa londrina e a bruma do brejo ganham vida e sufocam os personagens. O brejo, que à luz do dia era prateado e majestosamente vasto, à noite ganhava contornos assombrosos e engolia qualquer coisa que ousasse desafiá-lo. Em “A Mulher de Preto”, a natureza não é apenas cenário; é também personagem e mostra todo o seu poder.

Nunca havia estado tão sozinho, nem me sentido tão pequeno e insignificante em um espaço tão amplo antes, e caí em uma reflexão filosófica não muito agradável, impressionado com a absoluta indiferença da água e do céu à minha presença.

O livro foi escrito em 1983 e, em 2012, ganhou uma adaptação para o cinema que traz Daniel Radcliffe (vulgo Harry Potter) no papel do protagonista. No próximo post falo mais sobre o filme.

Escrito por Michelle.*

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