outubro 16, 2012Filmes, Filmes Baseados em Livros

[Indicação de Filme] A Mulher de Preto

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Título Original: The Woman in Black

Diretor: James Watkins
Elenco: Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Janet McTeer, Alisa Khazanova, Roger Allam, Tim McMullan, entre outros
Duração: 95 minutos
Ano: 2012
País: Reino Unido / Canadá / Suécia
Gênero: Terror

O filme conta a história de Arthur Kipps (Daniel Radcliffe), jovem advogado enviado à cidadezinha de Crythin Gifford, no interior da Inglaterra, para verificar alguns documentos e papéis na casa da falecida Sra. Drablow e encerrar os serviços jurídicos. Ao chegar lá, descobre que o vilarejo vive sob a maldição da Mulher de Preto, um fantasma vingativo.

No post anterior, falei sobre o livro“A Mulher de Preto”, que deu origem ao filme. Fiquei fascinada pela história do livro e quis logo assistir à adaptação para o cinema. O resultado? Decepção sem tamanho. O que o livro tinha de atraente, com suas detalhadas descrições dos locais e das sensações, o filme conseguiu destruir, não apenas mudando completamente a história, mas também transformando-a em um filme de terror óbvio e fraco. Em comum, somente o título, o nome dos personagens e a breve sinopse que apresentei acima.

As mudanças começam logo no início do filme, quando o chefe de Arthur pergunta a ele se poderia viajar ao interior para resolver as pendências do caso da Sra. Drablow. Como mencionado no livro, Arthur tinha vinte e poucos anos e estava no começo da carreira, por isso vê a viagem como uma oportunidade de crescer na empresa; no filme, o chefe de Arthur dá a entender que essa é sua última chance de fazer algo direito.

O passado de Arthur é totalmente diferente e, no filme, envolve a morte de sua mulher no parto, o que faz dele um viúvo com um filho de 04 anos para cuidar. Essa alteração afeta significativamente a história e leva a um final que não tem absolutamente nada a ver com o desfecho do livro.

O terror crescente que ditava o ritmo do livro dá lugar a um punhado de clichês e sustos forçados e esperados. Para piorar, o personagem de Arthur, que, no livro, começava a aventura sendo destemido e arrogante e que se vê obrigado a reconhecer sua insignificância diante dos poderes da natureza e do sobrenatural, no filme ganha contornos de herói e tenta aplacar a fúria da Mulher de Preto por meio de barganha.

Lógico que toda adaptação de livro sofre algumas modificações, afinal são mídias diferentes. Isso é normal e, muitas vezes, necessário. O que não dá para engolir é a distorção total da história, né?

No entanto, se tem alguma coisa que se salva nesse filme é o visual. A ambientação da Casa do Brejo da Enguia é primorosa e funciona muito bem para criar a atmosfera de terror. Os bichos empalhados e os brinquedos macabros contribuem bastante nesse sentido. O filme tem ainda alguns momentos inspirados que não constavam no livro, como a cena em que Arthur encontra um ninho de corvos na lareira, e outra cena em que o protagonista usa um zootrópio. Também gostei de ver Daniel Radcliffe interpretando um personagem bem diferente e mais maduro que Harry Potter e conseguindo segurar bem o papel.
De resto, só posso lamentar o tempo que perdi vendo o filme e esperar mais absurdos na anunciada continuação da história, que se passa 40 anos após a trama original.
Meu veredicto é: leia o livro e fuja do filme (e de sua continuação).
Beijo e até a próxima!

Sobre o Autor:
Michelle, 34 anos, paulistana, tradutora formada em Letras pela PUC-SP, apaixonada por idiomas, mesmo aqueles que não entende. Viciada em filmes, livros e séries, adora ir a shows de rock e nunca abre mão da sobremesa.

Colunista de filmes e séries no Equalize da Leitura, mas às vezes também posta resenhas de livros.

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