Editora Intrínseca, Filmes Baseados em Livros, Resenhas
Título: Selvagens

Título Original: Savages
Autora: Don Winslow
Páginas: 288
Ano: 2012
Tradutor: Alexandre Martins
Editora: Intrínseca
Livro no Skoob

Ambientalista e filantropo nas horas vagas, Ben comanda um negócio de venda de maconha em Laguna Beach. Ao lado de seu parceiro, o ex-mercenário Chon, ele fatura lucros consideráveis e mantém uma clientela fiel. No passado, quando seu território foi invadido, Chon tratou de eliminar a ameaça. Agora, porém, eles parecem estar diante de uma força da qual não podem dar conta: o Cartel de Baja do México quer tomar a região e avisa que não vai aceitar uma negativa como resposta. Quando os dois amigos se recusam a recuar, o cartel reforça a advertência sequestrando Ophelia, companheira e confidente dos rapazes. O sequestro deflagra uma gama alucinante de negociações habilidosas e reviravoltas inacreditáveis, que deixarão os leitores ansiosos para descobrir o custo da liberdade e o preço de um grande barato. Uma engenhosa combinação entre o suspense carregado de adrenalina e a reportagem policial, Selvagens é um thriller alucinante, escrito por um mestre do gênero no auge de sua carreira.

O trio de protagonista de “Selvagens”não poderia ser mais distinto: Bené o cara certinho, vindo de uma família judia amorosa bem-sucedida, mas não rica. Tem uma boa relação com os pais e desde cedo aprendeu a dar valor ao trabalho e quer fazer do mundo um lugar melhor. Por isso, investe parte de seu tempo e do dinheiro ganho com a venda de drogas em viagens pelo mundo, nas quais divulga programas de preservação ambiental e contribui para o desenvolvimento de comunidades pobres. Enfim… ele acredita nas pessoas e gosta de ajudá-las.
Já seu parceiro Chon (na verdade, John) é um cara violento, que serviu à marinha americana, recebeu treinamento pesado no mar e, no fim foi mandado para guerrear no meio do deserto. Frustrado com o sistema, ele vira mercenário e passa a usar contra o governo tudo aquilo que aprendeu no serviço militar. Para ele, “as pessoas são um monte de merda” e, portanto, os únicos seres a quem dá valor e pelos quais seria capaz de matar ou morrer são Ben e Ophelia.
Ophelia, conhecida apenas como “O.” devido ao seu nome estranho e, principalmente, por seus múltiplos orgasmos, é uma típica garota californiana: magra (apesar de comer feito um porco), bonita, loira, tatuada e cheia de piercings. Seu passatempo oficial é gastar o cartão de crédito platinum da mãe, chamada por O. de “Rupa” (Rainha do Universo Passivo-Agressiva). Aliás, tudo que O. faz é para punir a mãe, que não queria ter engravidado para não “estragar” o corpo e que está em constante busca da religião e do parceiro ideais (O. já nem lembra mais seus nomes, apenas os chama de “Um”, “Dois”, “Três”, etc).
Apesar de parecem completamente diferentes, os três se complementam. Portanto, quando o Cartel de Baja resolve dominar parte do território de Ben&Chon e eles simplesmente recusam a proposta, pois já tinham decidido que estava na hora de se aposentar e mudar de vida. Assim, não resta ao oponente outra opção que não usar a amizade sincera do trio contra eles mesmos. Sequestrando Ophelia, o Cartel de Baja obriga Ben e Chon não só a trabalhar para eles, como também a mover mundos e fundos para resgatar a amiga. Sabendo que não tinham escolha, Ben e Chon mergulham no inferno para cumprir o acordo com o cartel rival, enquanto tramam os mais loucos planos para pagar o resgate e encontrar o cativeiro para recuperar O.
“- Nós partilhamos 97 por cento do nosso DNA com os chimpanzés, e eles são cretininhos violentos que matam uns aos outros – disse Chon. Você não pode me dizer que eles são socialmente condicionados a isso.
– Está dizendo que somos chimpanzés?
– Está dizendo que não somos?
Claro que somos chimpanzés.
Somos chimpanzés com armas”.
A primeira coisa que me interessou no livro foi, na verdade, saber que é a história que deu origem ao filme dirigido por Oliver Stone. Eu adoro o diretor e a forma como ele apresenta a violência na tela. Logo quis ver o filme e, quando a Rapha perguntou se eu queria ler o livro, não pensei duas vezes. Esperava uma trama cheia de ação, tiros e reviravoltas, mas não estava preparada para o que encontrei no livro: uma escrita ágil, com pontuação diferente, diálogos curtos e ácidos, críticas à futilidade do “American way of life”, ao governo americano e a suas estratégias militares equivocadas, ao preconceito contra os mexicanos e ao machismo que ainda hoje domina as ações.
Algo que notei de cara foi o uso da linguagem jovem, cheia de abreviações(exemplos: mulheres R&B SOC – Ricas e Bonitas de South Orange County e MPDPC – Melhores Peitos que o seu Dinheiro Pode Comprar) e palavras inventadas (“malportar” – comportar-se mal; “bundista” – budista bundão), bem como a forte presença da oralidade e de termos vulgares ou em espanhol. Isso dá ao livro uma característica única e, juntamente com os diálogos curtos já citados e os capítulos pequenos, fizeram a leitura fluir fácil e rapidamente. Quando percebi, já tinha devorado páginas e mais páginas.
Outro ponto que me agradou bastante foi a imaginação de O. Enquanto ela estava no cativeiro, precisava manter-se sã, então se via como estrela de seu próprio reality show (seu sonho na vida real) e entrevistada ilustre de vários programas americanos (Oprah, Ellen DeGeneres, Dr. Phil). Sem contar que ela se achava uma heroína digna dos clássicos, como Maria Antonieta (que, na verdade, só conhecia do filme da Sofia Coppola) e Ana Bolena (que também só se lembrava do filme). Achei essas divagações bem divertidas e fico até com medo de ver o que foi feito dessas cenas no filme (provavelmente devem ter sido cortadas, mas enfim…).
 
Quanto à capa, se não me engano só foi lançada a versão do filme aqui no Brasil (que, aliás, é bem parecida com o cartaz de Babel). Acho atraente. A diagramação também é bacana, principalmente porque o estilo de escrita do autor ajuda bastante, com parágrafos que lembram takes de filmagem.
Recomendo muito a leitura de “Selvagens”a quem gosta de fortes emoções, perseguições, golpes mirabolantes e amizade verdadeira fora dos moldes convencionais e carregada de sexualidade. Posso, por fim, dizer que, apesar das minhas desconfianças, a história faz jus a todos os comentários elogiosos que tenho lido por aí. Foi uma ótima descoberta e entrou na minha lista de melhores do ano.
“- O que foi feito da moral? – Ben suspirou.
– O mesmo que foi feito dos CDs.
Substituída por uma tecnologia mais nova, mais rápida e mais fácil.”
Beijo e até a próxima!
Escrito por Michelle.

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