Editora Intrínseca, Resenhas
gsTítulo: Extraordinário Título original: Wonder Autor: R.J Palacio Ano: 2013 Editora: Intrínseca Número de páginas: 318

Nós não precisamos de olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós.

Sabe aqueles livros que é complicado de ler pela confusão de emoções que ele te traz? E que depois é mais complicado ainda tentar colocar em palavras tudo que foi lido? Pois é, Extraordinário tem esse poder. E não pense nem por um segundo que é porque é um livro ruim. Pelo contrário. Minhas palavras seriam poucas e pequenas para tentar expressar como eu me senti, o que esse livro trouxe de aprendizado para minha vida e como eu me emocionei. São essas singularidades que ainda me fazem crer que existem pessoas com um talento indescritível e que apenas precisamos procurar por leituras que é mais do que apenas uma leitura: é um livro que tem o poder de informar e te fazer mudar.

Nós não precisamos de olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós.

Auggie tem 10 anos e é um garoto muito inteligente, engraçado e seus estudos sempre foram em casa. Ele tem pais carinhosos e cheios de amor, sua irmã Via é super legal e compreensiva e tem também a sua cachorra Daisy (que por sinal eu ainda estou apaixonada) e ele adora Star Wars. Mas agora sua mãe acha que já está na hora dele ir para uma escola de verdade (ela é péssima em frações), mas ele tem receio. Como vai ser ir a escola todos os dias, com várias outras crianças? Porque sim, tudo que é novo é falado. E Auggie é tem novidades em vários aspectos da sua vida e ele é feliz assim. No entanto, vai descobrir das formas mais diversas como o ser humano se comporta. Não todos, claro. Mas como alguns podem ser realmente perversos apenas com as palavras.

Eu quis fazer um resumo do livro sem comentar com vocês a aparência do Auggie, já que a autora faz exatamente isso: ela nos faz gostar dele e depois nos mostra como ele é fisicamente. Ele tem uma deformidade facial que é culpa de uma síndrome genética muito estranha e que a probabilidade de ocorrer é mínima, mas claro, aconteceu e foi com ele. Primeiramente conhecemos a história pelo ponto de vista do Auggie, mas depois vai intercalando com outros personagens e então temos uma noção mais ampla do que acontece. O que eu mais, mais, mais, mais gostei foi que eu simplesmente me encantei com um livro onde uma criança é o personagem principal e que não ficou chato nem monótono ler sobre isso (como já aconteceu em outras ocasiões). Nenhum cambio de ponto de vista você fica entediado, pelo contrário. A forma doce e adorável como o tema é abordado é o que diferencia. Não estamos lendo os pais do Auggie contar a história do filho. Estamos lendo o Auggie falar sobre a sua própria história. Claro, somos bombardeados com sentimentos conflitantes – principalmente quando lemos o que a Via, irmã do Auggie tem a dizer -, e ao mesmo tempo que você se identifica no instante seguinte fica chocado e depois para e pensa: ‘Ela é humana e esses sentimentos são normais’.

A questão é que, quando eu era pequeno, nunca me incomodava em conhecer outras crianças porque todas elas também eram pequenas. O legal de crianças pequenas é que elas não dizem coisas para tentar magoar você e, mesmo que às vezes façam isso, não sabem o que estão9 falando. Quando elas crescem, por outro lado… sabem muito bem o que estão dizendo. E isso, definitivamente, não é divertido para mim.

Eu gostei exatamente de tudo em Extraordinário: da escrita, da forma como a autora trouxe esse dilema infantil, o modo como abordou a questão familiar em uma situação tão inusitada, o jeito que o Auggie aprendeu a crescer com as suas diferenças. Só que ela também me fez lembrar da minha infância, quando na terceira série eu ficava esperando a minha irmã me buscar e enquanto isso ficava brincando com um colega que era cadeirante. Ninguém brincava com ele pois diziam que não tinha como fazer as coisas de garotos ‘normais’ da idade dele, como correr atrás de uma bola. E teve um dia que eu estava pulando amarelinha e ele estava esperando a sua mãe. Eu falei: ‘Você quer brincar comigo?’ Ele: ‘De quê?’ Eu: ‘Podemos brincar de pique e pega. Eu duvido que você consiga me alcançar com a sua cadeira.’ E ele conseguia e quando ele tocava em qualquer parte mim, nós invertíamos e eu corria atrás dele. O que eu quero dizer: o fato dele andar em cima de uma cadeira de rodas nunca fez diferença para mim e nós passamos o restante do ano brincando assim, nós conhecemos e fizemos uma amizade de criança. O livro traz muito dessa e de outras mensagens, porque as diferenças incomoda só que tem algumas (poucas) pessoas que não se importam com elas. Você conhece, vê que a pessoa é muito mais do que as mutações genéticas que aconteceram enquanto ele estava sendo formado e se apaixona por ela do jeitinho como é.

Foi um livro que fez os meus olhos lacrimejarem, só que eu percebi que o Auggie tinha uma família que o amava tanto, que mesmo nos momentos de infantilidade e força, não tinha dúvidas, eles estavam com ele. O mais bonito foi ver a sua evolução e crescimento. Foi apenas uma etapa e eu sei que ele irá passar por muitas situações triste e desagradáveis, mas ele já vai estar mais forte e vacinado para enfrenta – las. Não posso dizer com certeza absoluta que não maltratei alguma criança quando eu era uma também, mas tenho certeza que se aconteceu foi em raras ocasiões. Se fiz algo assim foi depois que eu cresci e que a maldade – inevitavelmente – adentrou meu coração e eu perdi a inocência infantil.

Se cada pessoa nesse auditório tomar por regra que, onde quer que esteja, sempre que puder, será um pouco mais gentil que o necessário, o mundo realmente será um lugar melhor.

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