Editora Verus, Livros Nacionais, Resenhas
[Resenha] Perdida
01.jul.2013
Título: Perdida – Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo
Autora: Carina Rissi
Ano: 2013
Páginas: 364
Editora: Verus

Sofia vive em uma metrópole, está habituada com a modernidade e as facilidades que isto lhe proporciona. Ela é independente e tem pavor a menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são os que os livros lhe proporcionam. Mas tudo isso muda depois que ela se vê em uma complicada condição. Após comprar um novo aparelho celular, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem ter ideia de como ou se voltará. Ela é acolhida pela família Clarke, enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de voltar para casa. Com a ajuda de prestativo Ian, Sofia embarca numa procura as cegas e acaba encontrando algumas pistas que talvez possam leva-la de volta para casa. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos…

Fazia bastante tempo desde que eu tinha lido um livro nacional. De cara, a história me interessou por sua autenticidade.  Sophia é uma jovem completamente antenada com a tecnologia e aparentemente incapaz de viver sem ela. Ela tem um emprego bomba com um chefe mala e em uma noite de distração com amigos, acaba tendo um pequeno acidente envolvendo seu celular e um vaso sanitário enquanto bêbada. A partir da decisão de comprar um novo aparelho, ela se vê em uma situação desesperadora: como uma máquina do tempo, ela tinha sido sugada de volta para o século XIX e a única maneira de voltar era concluindo uma missão que nem ao menos sabia qual era.
Preciso dizer que algo que me incomodou no livro desde o início foi a escrita usada. Uma narrativa com um uso excessivo de gírias, comentários bobos, lembrou-me uma descrição digna de fanfics na verdade. Já li muitas fanfics e escrevo fanfics, mas sempre achei que deve haver a distinção entre uma coisa e outra. A personagem Sofia me pareceu demasiadamente imatura para seus originais vinte e três anos e talvez isso tenha sido contribuição da narração.
Eu estava bastante curiosa para o desenrolar da história ainda assim e principalmente pelo desfecho. Queria saber se a autora conseguiria bolar uma solução que soasse plausível e sensível ao mesmo tempo. Pois bem, claramente não vou tagarelar aqui sobre os acontecimentos, mas eu fiquei um tanto desapontada. Os elementos da história se encaixaram de modo fácil demais mediante as circunstâncias. Afinal, não é todo dia que uma garota é sugada para o século dezenove porque comprou um celular novo. Algo que eu também não engoli foi a explicação para que toda essa confusão acontecesse justamente com Sofia. Ela não é o tipo de garota amarga e cínica que não acredita no amor ou nada do tipo. Então acho que a justificativa tinha que ter sido mais bem trabalhada. De fato, ela é uma romântica incubada, apaixonada por livros de romances históricos.
Não tem nada de errado em gostar de ler histórias de amor, pelo menos nos livros elas tem finais felizes! Não machucam ninguém.
E este foi outro ponto que não me agradou: uma vez que se viu no século XIX, ela teve pensamentos bastante ignorantes para alguém tão apaixonada por romances históricos. Qual é, eu sei que não vivemos na época, mas todos nós estamos cientes de que não existia privada naquele tempo, não é minha gente? Algumas aulas de história já seriam suficientes para cobrir essa questão.
De tudo a tudo, foi um livro que considero bom. Eu consegui me envolver bastante com a história, não se deixem levar pelas pontuações críticas que eu fiz. Ainda assim eu recomendaria mesmo. A ideia da história é boa, ainda que eu ache que a autora poderia ter explorado de modo um pouco diferente. A parte que mais gostei, no entanto, foi o romance. *Novidade*
Ian apresenta uma mente extremamente avançada para alguém com tão pouca idade, mas isso se explica facilmente pelo contexto histórico em que fora criado – neste ponto a autora acertou em cheio. Ele é gentil, atencioso, educado, e yeah baby, sexy. Um verdadeiro gentleman do século XIX que conquista corações de qualquer século.
E se por sorte, algum dia puder vir a ler estas linhas, não te esqueças que a amei desde o primeiro instante e a amarei até o último. Talvez até depois.
Acontecem algumas cenas bastante engraçadas devido à irreverência de Sophia em meio a uma época tão recatada e Ian se mostra adorável em todas elas. Apesar de eu ter a achado imatura, principalmente no início da história, ao mesmo tempo foi engraçado o fato de que isso não impediu que eu gostasse dela. Ela não é uma personagem que vou sair por aí tagarelando sobre, mas o jeitinho dela de certo modo me venceu.
O relacionamento deles se desenvolve gradualmente, com doses certas de paixão e gentileza. Talvez tenha havido um pouco de repetição, mas nada a ponto de se tornar maçante. Acho que serviu para reforçar a dinâmica entre eles, na verdade. É uma boa leitura: dá para rir, fazer uns ‘aaawnnns’ e de quebra mergulhar em um universo de vestidos deslumbrantes e boas maneiras. Ah se as pessoas tivessem preservado um pouquinho dos modos de antigamente, hã? O mundo seria um lugar bem mais bacana, em minha humilde opinião.

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