Editora Benvirá, Resenhas
Título: Wallbanger
Autora: Alice Clayton
Editora: –
Páginas: –
Ano: 2013

Livro no Skoob

Caroline é uma designer de interior, 26 anos, bem sucedida e satisfeita com sua vida. Este foi um ponto que imediatamente me agradou, o fato de que a personagem principal é uma mulher independente, segura de si e de seus atributos. A vida dela vai maravilhosamente bem com exceção, talvez, do aspecto sexual – uma abstinência que estava começando a dar nos nervos dela. Até que ela se muda para seu novo apartamento e descobre – de modo bastante inusitado – que divide uma parede bem fina com seu vizinho Simon, um homem que, por assim dizer, parecia ter bastante estamina.

Quando eu comecei a ler esse livro, confesso que não dava nada por ele. A sinopse até tinha me interessado e o título do livro em inglês tinha me feito rolar de rir de cara, MAS este livro está em uma daquelas categorias de eróticos-pós-Tons-de-Cinza. Pois bem, como eu absolutamente detestei a série Tons de Mer… Ups, Cinza, eu penso duas vezes antes de ler algum suposto “seguidor” dessa linha. Mas assim como aconteceu com a série “O Inferno de Gabriel” da Sylvain Reynard, que também estaria nessa categoria, que se mostrou ser – em minha opinião – um romance apenas e não erótico ou trágico ou super dark e polêmico, este livro de nada tem a ver com a história do conhecido Christian Grey. Pelo contrário, eu não considero esse livro um livro erótico.
Essa história é contada em 1° pessoa e, assim como eu mencionei na resenha de Métrica, eu tenho os meus poréns com esse tipo de narrativa. Entretanto, BAM, outra surpresa: Caroline me conquistou com seus pensamentos loucos e carismáticos. Esse livro foi uma surpresa boa atrás da outra, de verdade. Mesmo sendo um livro feito para ser engraçado, e quando isso acontece geralmente eu não acho graça nenhuma, realmente eu achei a história bastante cômica. Algumas situações podem ter exagerado um pouco e ficado um tanto bobas, principalmente considerando as idades dos personagens, mas nada que tenha atrapalhado tanto assim o andamento da história.

Caroline é exatamente o tipo de mulher que eu aspiro ser um dia, bem resolvida e perfeitamente capaz de ser feliz sozinha. Tem o par de amigas loucas que não pode faltar, está bem ciente de suas qualidades e defeitos e não vê nenhum problema em admirar um cara bonito e correr atrás se ela o quiser. Ela conhece seu vizinho Simon depois de muitas noites aturando a parede atrás de sua cama balançando pelas “atividades noturnas” do rapaz. Ele inclusive derruba o quadro que ficava pendurado em cima da cama dela, o que me fez ficar (oh-como-assim-eu-quero-esse-homem).

Quando ela se cansa de ter seu sono de beleza interrompido, ela marcha até a porta do indivíduo e soca a sua porta até que ele abra para berrar que ele devia controlar as suas acompanhantes e seus hábitos estranhos enquanto o sexo (uma gostava de ser espancada, uma gostava de miar e outra ria como uma hiena). Ela não esperava, no entanto, que Simon fosse… Tudo aquilo.
– Agora me escute aqui, senhor. – Eu disse, tentando usar o tom o mais adulto possível. – Eu não vou ficar toda noite ouvindo você socar a cabeça da sua garota contra minha parede com a força do seu pênis!

Simon, 28 anos, é um fotógrafo renomado – que vive viajando pelo mundo a trabalho – é lindo de morrer e sexy-o-bastante-para-derreter-uma-geleira-na-Antártida, isso não é nenhuma novidade. MAS a novidade para mim foi que Simon não é womanizer que parece ser no início e nem é o típico herói de livro de romance que você encontra. Ele sabe que é delicioso sem demonstrar arrogância, é gentil sem parecer estar forçando uma barra para fazer com que as leitoras fizessem ‘ahwnnn’ por ele e ainda de quebra é fofo quando o assunto é os pais dele, que morreram quando ele tinha dezoito anos. 
Mas eu acho que o ponto que me levou a pensa-lo diferente de outros mocinhos é porque a Caroline não é uma típica mocinha. Não suspira a cada passo que ele dá – embora tenha pensamentos apimentados sobre ele -, mas o encara de frente; ela cora quando é hora e rebate um comentário malicioso dele igualmente. O que tem, e muito no livro, é comentários de duplo sentido, eles são de bater a cabeça na parede de tanto rir, mas eu não sei como eles traduzirão isso, porque muitos termos fazem sentido no idioma original, em português não sei como será. Ela é, na verdade, uma mulher contemporânea que existe mesmo. Com pensamentos, desejos e aflições reais. É bacana reconhecer uma personagem que, futuramente, pode ser você.
Passado a súbita forma como eles se conhecem, eles de fato se tornam amigos. Amigos que sentiam um tesão absurdo um pelo outro, sim, amigos que conversavam e se provocavam com piadinhas de duplo sentido, também, amigos que compartilhavam olhares que se demoravam um pouco mais do que deviam, confirma, mas amigos ainda assim. Eles se apaixonam gradualmente e de maneira bem real e concreta. E têm várias cenas fofas entre os dois no livro, assim como várias cenas de tensão sexual palpável.

Eu queria trucida-lo com os olhos, fazê-lo chorar pedindo clemência. Mas não… Não Simon, Diretor da Casa Internacional de Orgasmos.

Ele

Ainda

Estava

Sorrindo.

A dinâmica entre os dois e os seus amigos, Neil e Ryan – amigos de Simon – e Sophia e Mimi – amigas de Caroline – é muito engraçada. Os sms que eles trocam entre si hilários, de verdade, e é mais interessante que, embora o fato de que os três amigos ficam com as três amigas seja clichê, Sophia e Mimi tinham tipos de homens ideais e elas começam a namorar Ryan e Neil exatamente porque eram seus tipos ideais, só que aí, uma se apaixona pelo namorado da outra e o mesmo acontece com Neil e Ryan. Não é um quarteto amoroso de modo algum e ninguém sai magoado da situação – até porque tecnicamente ninguém sairia perdendo, é uma forma interessante de mostrar que nem sempre o que pensamos ser melhor para nós é.

O único ponto que eu tenho a criticar negativamente o livro é porque ele pareceu estender demais o inevitável, por isso não o considero um livro erótico. Simon e Caroline apenas vão “consumar o ato” realmente bem tarde na história, ainda que tenham roubado alguns beijos pelo caminho. Mesmo depois que os dois perceberam que queriam mesmo engatar num relacionamento sério, eles ficam cercando muito a moita antes de ir para trás dela de fato – como se quisesse fazer o leitor sofrer um pouco mais. A enrolação poderia ter sido menor, até porque eles são personagens que sabiam o que queriam e eram determinados.

Eles são um tipo de casal que encaixou muito bem, porque tinham percepções sobre o mundo parecidas. Gostei muito principalmente do fato de Simon ter esse problema para manter uma namorada por causa do seu trabalho e Caroline aceitando isso numa boa, brincando inclusive que era perfeito porque “ela era espaçosa quando dormia”. Fato esse que ela revela antes mesmo de eles ficaram juntos. Eles “combinavam” mesmo.

Sendo eu uma pessoa que tem a ambição de trabalhar viajando – ainda que não saiba como -, gostei da forma como a autora trabalha esse fato, mostrando que não é preciso fazer uma tempestade em copo d’água por causa de tudo se as duas pessoas estiverem em sintonia e a fim de fazer a relação dar certo. No final do livro, por exemplo, Caroline expressa algo que gostei demais: ela diz que sabia que nem todo dia do relacionamento com Simon iria ser um mar de rosas, mas que com certeza seria divertido.

Um chick-lit leve, cômico e romântico na medida certa. Super recomendado. 

– Você não faz a menor ideia, não é?

– Sobre o que?

– Do poder que tem sobre mim, garota do baby doll. – ele disse, inclinando-se para sussurrar no meu ouvido. – E eu sei que te amo o suficiente para querer que consiga seu final feliz.

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