Editora iD, Resenhas
gsTítulo: Aquele Verão Título original: That Summer Autor: Sarah Dessen Ano: 2013 Editora: iD Número de páginas: 200

Haven é uma garota de 15 anos bastante normal, com exceção da insatisfação que sua altura excessiva causa. Ela vive sem maiores problemas até que um redemoinho parece passar por sua vida, alterando tudo: seus pais se divorciam; sua irmã, com quem tinha um relacionamento instável, está prestes a casar; seu pai casa de novo com a mulher por quem abandonou sua mãe; há grandes chances de ter que se mudar… Enfim. Uma confusão com a qual ela deveria lidar enquanto na verdade, apenas queria voltar ao verão em que sua irmã namorava Sumner e a vida não poderia ser melhor.

Este é o segundo livro da Sarah Dessen que leio, o primeiro foi A Nossa Canção, o qual eu não gostei. Entendo que esta autora é muito aclamada e considerando que Aquele Verão foi o primeiro livro dela a ser publicado, não a crucificarei, talvez eu simplesmente não tenha encontrado ainda um livro dela que tenha me agradado. Pois bem, este livro não me interessou desde a sinopse, eu achei que a premissa da história era fraca para desenvolver um livro bacana. Em certo ponto eu estava correta, mas por outro lado me enganei.

Eu realmente gostei da protagonista Haven. Ela é uma menina doce, com um sentimento forte pela família, que se vê perdida em meio a tantas mudanças – mudanças que já são conflituosas o suficiente nessa idade. Ela sentia compaixão pela mãe e o sofrimento que o divórcio estava causando, via como as coisas na casa dela também estavam difíceis porque as preparações para o casamento de Ashley, sua irmã, estavam deixando todos loucos e gerando muitas discórdias.

Haven me cativou sem nem querer, de verdade. Eu acho que esse ponto da história foi bem legal, a autora conseguir descrever a situação complicada sem precisar criar uma personagem chatinha batendo portas e exigindo atenção, porque meninas da mesma idade dela podem ler essa história e se identificar.

Eu estava cansada de suportar tudo, de recolher os pedaços que restaram e tentar criar algo inteiro com eles.

O que eu não gostei? Ashley. A irmã de Haven é uma garota de 21 anos – sim, ela se comporta como uma garota – altamente egoísta e mimada e estúpida e fria. Eu detestei a personagem dela e a forma como tratava Haven, sua mãe, seu noivo. Odiei a forma como ela queria que tudo girasse ao redor dela e de seu casamento e de como ela estava estressada e precisava que as pessoas a dessem apoio.

Eu entendo que o objetivo da autora era explicitar esses defeitos mesmo, que o objetivo final – a meu ver – era mostrar uma Ashley que se transformou nessa pessoa pelo que aconteceu com ela no passado. Bitch, please. Se decepções transformassem todo mundo em pessoas amargas e irritantes, o número de homicídios estaria bem mais alto. Não gostei dela. Ela não me convenceu. E eu acho que ela não merecia nem o pingo do destaque que ganha no livro.

E quem é o causador dessas decepções? Sumner. Acredito que o nome dele foi propositalmente ligado ao título da história, até porque só depois de um bom tempo eu realmente notei que o nome dele era Sumner e não Summer. Sumner é o ex-namorado de Ashley que volta à cidade pequena em que as irmãs moravam pelo acaso; bastante extrovertido, ele tinha conquistado Haven unicamente e a menina apenas tinha boas lembranças do rapaz. Ele é realmente aquele espírito livre que parece existir para divertir e alegrar as pessoas. Ele me cativou também. Esse era o outro objetivo, acredito, que ele fizesse com que nos apaixonássemos assim como as irmãs o fizeram e então nos decepcionar quando descobríssemos a verdade.

Era simplesmente perfeito, tudo estava perfeitamente bem de repente.

Não direi qual é a tal verdade, mas ela é óbvia. Nada de surpreendente quando eu descobri e por isso não houve decepção. Haven o idolatrava como amigo mesmo, acreditava que Ashley tinha sido uma pessoa muito melhor quando com ele, e era verdade. Ashley sempre foi egoísta, segundo a minha interpretação da história, e nunca tinha dado muita bola para Haven, até Sumner. A justificativa disso foi que Sumner foi o primeiro amor de Ashley e a primeira decepção.

Embora eu tenha gostado de Haven e do relacionamento dela com Sumner, e também com a mãe, a história é realmente sem sal. As supostas lições do livro talvez sejam voltadas mesmo para pessoas mais novas do que eu, não é nada que você nunca tenha ouvido ou pelo que nunca tenha passado. Como eu disse, eu até teria dado três estrelas se não fosse pela Ashley. Mesmo em um livro tão pequeno, ela conseguiu me irritar profundamente. Fico frustrada em pensar como existem pessoas que têm tanto carinho e amor da família e não valorizam isso, não se importam e ainda menosprezam.

Para você fã da Sarah Dessen que ainda não leu esse livro, tenha em mente que esse foi o primeiro livro dela. Ainda que eu não tenha tido razões para gostar da autora até aqui, sempre reafirmo isso porque a vida é um aprendizado, a literatura também, e geralmente as obras literárias de um autor vão se aprimorando com o tempo.

Tudo parece diferente quando você fica mais velha, não mais levantando, mas sim abaixando a cabeça para encarar o mundo.

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