maio 07, 2014Irmandade da Adaga Negra, Resenhas, Universo dos Livros

[Resenha] Amante Finalmente

0 Comentários

Título: Amante Finalmente
Título original: Lover at Last
Autora: J.R. Ward
Número de páginas: 700
Ano: 2013
Editora: Universo dos Livros

Qhuinn está acostumado à solidão. Repudiado por sua linhagem e evitado pela aristocracia, ele finalmente encontrou uma identidade como um dos lutadores mais brutais na guerra contra a Sociedade Redutora. Mas sua vida não está completa. Mesmo que a perspectiva de ter uma família esteja ao seu alcance, ele está vazio por dentro, com o coração entregue a outra pessoa… Blay, depois de anos de amor não correspondido, acredita já ter superado Qhuinn. E já era hora: o homem parece ter encontrado o seu par ideal em uma fêmea Escolhida, e eles terão um filho, exatamente como Qhuinn sempre quis. O destino parece ter levado a vida desses vampiros soldados em direções diferentes… Mas a batalha pela liderança da raça se intensifica, e os novos jogadores na cena de Caldwell estão criando um perigo mortal para a Irmandade. Qhuinn finalmente descobre a verdadeira definição de coragem, e os dois corações que estão destinados a ficar juntos… finalmente se tornam um.
Eu já começo a resenha suspirando… Depois de muitos livros esperando pela história dos meus lindos, finalmente – háhá – J.R. nos presenteia com a chance de Qhuinn e Blaylock no 11° livro da Irmandade da Adaga Negra. Ainda que livros gays estejam rastejando bem lentamente no que diz respeito ao reconhecimento no mundo literário, o romance complicado entre os dois já havia conquistado o coração de muitas fãs da série, até as que nunca tinham lido nenhum livro de temática gay antes, e esse livro já começou sendo especial para mim, além da história em si, porque J.R. se arriscou muito escrevendo um livro gay como sendo um dos livros da série, e não só uma short story* como era a ideia inicial… Ela perdeu leitores por causa disso, mas eu penso que aqueles que gostavam dela se tornaram ainda mais fieis.
Pois bem, eu ganhei esse livro de presente da Rapha – sua linda, estou te abraçando mentalmente mais uma vez -, meu único livro em inglês de capa dura e eu quase tive uma síncope ao tê-lo em minhas mãos pela primeira vez. Foi um sentimento incrível. O livro tem como protagonista Qhuinn, que sempre foi rejeitado pela família e pela camada aristocrática da sociedade por ter nascido com um “defeito” – um olho verde, outro azul – eu particularmente sempre achei isso incrível demais desde o início, se eu vejo alguém assim na rua, grito ‘Qhuinn!!!!!!!’ e parto para cima da pessoa, nunca mais a soltando. #JustSaying
Desde antes de passar por sua transição, seu melhor amigo Blay sempre foi aquele que o manteve o mais “são” possível mediante a situação, mas as coisas entre eles mudam quando Blay confessa que é apaixonado por ele. Passam-se livros e mais livros, até que Blay decide parar de esperar por ele e parte para outra – em cena o lindo e fofo do Saxton, primo de Qhuinn. Mas Qhuinn também nutria o mesmo sentimento por Blay, apenas não tinha a coragem necessária de admitir isso.
E quando as coisas finalmente parecem estar dando certo em sua vida, com um bebê a caminho – tendo a Layla a quem respeita e admira como mãe da criança -, e com a familiaridade com os Irmãos na mansão finalmente o alcançando, ele ainda não estava completamente feliz. O que faltava? Ele. Por essa época, o espaço entre ele e Blay já havia se transformado em um abismo e ele achava que não havia a menor possibilidade de eles um dia ficarem juntos. Não tinha mais chance. Ou tinha?
Deus, ele provavelmente era jovem demais para estar tão velho, mas a vida tinha uma maneira de ser sobre experiências, ao invés de ser sobre os dias no calendário.
Primeiramente, Blay e Qhuinn juntos são uma das coisas mais hot e sexy que já surgiu na Irmandade da Adaga Negra. Juro, eu juro, eu entrei em combustão interna apenas com toda a tensão sexual acontecendo. E depois com todo o sexo acontecendo? *Cataploft* *Cataploft* Eles são demais para mim… E ainda assim, eu quero mais e mais e mais. Eu comecei a ler livros gays antes de ler Amante Finalmente, eu comecei a ler livros gays porque eu não aguentava de ansiedade para ler sobre os dois e precisava de um prelúdio.
Então se você é totalmente contrário à temática, não leia esse livro. De verdade, não é o tipo de história em que você pode fingir que está lendo sobre uma mulher e um homem… Não há como confundir as descrições; os dois são muito machos sim senhor, obrigado, de nada. Se está querendo experimentar algo novo, não tem como errar começando com eles.
Mas eles não são só fogo e brasa, e nem o livro todo é só sobre eles. Qhuinn e Blay têm uma história, uma longa história, e por isso cada encontro e diálogo deles no livro é carregado de uma carga emocional que te deixa roendo as unhas e querendo gritar. Querendo chorar, querendo conversar com eles e enfiar na cabeça dos dois a realidade da situação. Querendo abraça-los, querendo sacudi-los e querendo apenas ama-los, porque eles são apaixonantes demais. Eles são tão tudo que há de melhor nessa vida.
O beijo que foi pressionado contra sua boca era como um ato de reverência, o contato tão leve quanto o ar tranquilo e quente no quarto. Era o beijo do amante que consumava o ato, o tipo de coisa que ele havia desejado ainda mais do que o sexo.
Qhuinn está tão mais “humano” nesse livro, temos acesso aos sentimentos dele de uma maneira que não tínhamos antes e eu me apaixonei ainda mais pelo menino que ele é de certa forma, que apesar de tudo sempre buscou pelo amor que lhe foi negado, e tinha medo de arriscar ser feliz num caminho “diferente” por ter sido tão rejeitado já em sua vida, traído da pior forma possível por aqueles que deveriam ama-lo. Eu queria pega-lo em diversas partes do livro, abraça-lo forte e dizer que ficaria tudo bem, mesmo que eu tivesse que esfaquear alguns indivíduos para que isso acontecesse. E os comentários sarcásticos a respeito de Saxton e de sua própria tristeza continuam afiadíssimos como de costume.
E Blay… Ah, Blay, meu menino mais fofo. Com um sentimento tão forte e tão leal apesar de tudo, e apesar de tanto fugir, e apesar de tanto tentar… Há coisas que são mais fortes do que nós, e há pessoas, por mais difíceis que elas sejam, que nos fazem mais fortes e melhores.
– Eu vivia para a noite, porque eu podia ir para sua cada. Era a única coisa que me mantinha seguindo em frente. Você era a única coisa, na verdade. Era você.
Há surpresas nesse livro. Relacionadas a Qhuinn, uma que me deixou muito feliz, outra que me deixou boquiaberta, outra que fez todo o sentido como solução de um problema. Outras surpresas relacionadas às histórias complementares. Está aí uma coisa que vi muita gente reclamando, mesmo quem gostou do livro: em Amante Finalmente, somos apresentados a estrutura narrativa que J.R. parece que usará a partir de agora, embora o livro tenha um casal principal, outras histórias de outros personagens se desenvolvem em paralelo a esta e de certa forma, rouba páginas que seriam da história principal.
Tem o Assail – por quem eu me viciei no livro 12 – e a história dele com a humana Sola; tem mais, muito mais do Bando de Bastardos; tem os sombras Trez e iAm – os quais eu adoro demais e me apaixonei no livro 12 também (adianto logo que o livro 13 é sobre eles, a J.R. já confirmou); tem Layla; tem Beth e o vislumbre da problemática do livro 12 e muito mais.
Eu admito que gostei de algumas histórias mais do que de outras (Xcor na veia), mas isso não me incomodou tão terrivelmente a ponto de eu considerar ser uma falha. Vejo como uma forma de teaser* também: as vezes quando estamos lendo uma cena muito especial e o capítulo acaba, nos próximos 2 ou 3 capítulos lemos sobre essas histórias em paralelo, e nossa curiosidade sobre a história que estávamos lendo cresce a cada segundo mais. Pode ser irritante, mas também pode ser instigante.
Layla ganha mais espaço nesse livro… E embora ela seja uma personagem muito criticada no geral, eu sempre gostei dela. Tenho um grande respeito pelas Escolhidas. E ainda mais por Layla porque ela sempre me pareceu ser bem mais que somente isso. E conhecemos quem será o par dela. Eu o adoro demais. É outro incompreendido e julgado pela opinião geral. Eu gosto de ser do contra – háhá. Mas não tem jeito, quando o personagem me conquista, ele me conquista. Assim como quando acontece o contrário, sai de baixo que ninguém me faz mudar de ideia.
Na Língua Antiga, ela vociferou – Se algum mal recair sobre ele, eu virei atrás de você, e encontrarei o lugar onde dorme. Eu não me importo onde você deita a cabeça ou com quem, minha vingança incidirá sobre você até que se afogue.
A única coisa que eu tenho a reclamar do livro é que o final dele é demasiadamente corrido. O livro foi se desenvolvendo num ritmo tão comum à série, que no final parece que a J.R. aumentou a velocidade para o nível da luz e eu fiquei ‘Mas já? Como assim? Acabou? E… E… E…? Mas…? Eu preciso de mais deles.’ E sim, tinha acabado. Eu devorei esse livro em 4 dias, e isso porque eu fiz uma meta de leitura diária – a qual eu não podia ultrapassar para não acabar tão rápido. Nem adiantou não, mas valeu minha tentativa. Mas ao mesmo tempo o final foi tão fofo, tão incrivelmente lindo, que eu fiquei chorando e sorrindo e chorando e sorrindo por um longo tempo.
Amante Finalmente foi um livro gostosíssimo – de diversas formas :p -, emocionante, triste, divertido, fofo, e eu o amei demais. Não foi o melhor da série como eu estava esperando, mas foi especialíssimo porque foi finalmente a vez de um dos meus casais favoritos ganhar voz. Eles mereciam um tantinho de felicidade. E se os boatos que ouço forem verdade, a história deles não acaba por aqui não. Vamos torcer.
Se você gosta de histórias de amigos-que-se-tornam-amantes como eu, por favor, leia. Independente de ser gay ou hétero, e ainda tendo em mente o risco, eu ainda acho que os relacionamentos que começam quando você é amigo da pessoa primeiro ainda são os com mais chance de dar certo. Risco existe em toda a relação e a verdade é que quando você já tem carinho, respeito e consideração pela pessoa, fica muita mais fácil se lembrar de tudo isso nos momentos difíceis e nas turbulências da vida. E principalmente, a pessoa já te compreende e já te conhece; a tolerância vem mais fácil, o carinho vem mais fácil, e o amor vem mais forte. Qhuinn & Blay. Eles comprovam minha teoria.
– Você é perfeito do jeito que é. – A voz de Blay era forte. – Não há nada de errado com quem e o que você sempre foi. Estou orgulhoso de você. E eu te amo. Agora… E sempre.
A visão de Qhuinn ficou embaçada. Muito embaçada.
– Estou orgulhoso de você… E eu amo você. – Blay repetiu. – Sempre. Esqueça sua antiga família… Você tem a mim agora. Eu sou sua família.
*Short story: Pequena história.
*Teaser: Provocante, provocação.

posts relacionados

Deixe seu comentário

Vídeos no canal

@equalizeleitura
© 2019 Equalize da Leitura • equalizedaleitura.com.brDesenvolvido com por