julho 20, 2014Relatos de Uma Blogueira

[Relatos de Uma Blogueira] Vamos aprender a olhar nossa vida através da lente de uma câmera?

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Quando estamos prestes a terminar a faculdade, várias dúvidas batem a nossa porta e deixa os nossos corações mais aflitos. O que eu vou fazer? No que vou trabalhar? Quanto vou receber? Quem vai me dar a oportunidade de mostrar o que sei?

No momento eu estou passando exatamente por isso e a única coisa que eu posso dizer é que é muito, muito, muito ruim crescer.

E é muito bom crescer.

O que acontece?

Você é testado de várias maneiras durante a sua jornada rumo ao sucesso – ou ao alcance – profissional. Nessa jornada você vai conhecer pessoas que vai te ajudar e te ensinar muito, profissionalmente e pessoalmente, vai encontrar obstáculos para superar, vai encontrar pessoas babacas para te colocar para baixo, vai encontrar o seu caminho (ou não), vai aprender. E o principal: amadurecer. E vou contar para vocês: não é fácil. Dói e no meio do caminho você vai querer tomar decisões que não passariam pela sua mente se a situação fosse outra.
Às vezes, eu queria ser novamente apenas uma criança, para a minha mãe me colocar no colo e deixar meu rosto descansar no ombro dela enquanto eu durmo. Juro que morro de inveja quando vejo isso acontecer, principalmente quando estou voltando para casa cansada e vejo aquelas crianças dormindo o sono da vida no colo das mães.

Muitas pessoas não sabem onde e com o que eu trabalho, pois nunca quis expor o que eu faço fora da minha vida de blogueira. Eu trabalho com marketing, turismo, estrangeiro, órgão público. Eu entrei nesse trabalho sendo estagiária, lá no meu 3º semestre do curso, sem experiência, sem saber nada, apenas aprendendo algumas poucas coisas na faculdade e terminando o cursinho de espanhol. Ali eu fiquei dois anos. E posso dizer? Foram dois anos maravilhosos, onde encontrei pessoas magníficas, que me ensinaram muito mais do que eu poderia pedir, me incentivaram, me deram opções, puxaram minha orelha quando necessário. E quando meu contrato terminou, apareceu a oportunidade de me contratarem: eu iria trabalhar com marketing, na minha área de formação e sem ser formada, ganhando uma grana que para mim com 20 anos era a fortuna do mundo e ainda ter uma experiência incrível de Copa do Mundo!

E assim aconteceu. Obviamente que algumas coisas eu gostaria que tivessem ocorrido de modo diferente, mas nada é perfeito. Muito menos trabalho.

A não ser que você trabalhe para si mesmo. E olhe lá.

Eu não acredito em Deus da forma com a maior parte das pessoas acreditam. Eu creio em um Deus que é totalmente meu, pois é assim que eu o imagino, sem pertencer a nenhuma religião. E quando aparecem pessoas na minha vida que me fazem ver o mundo de outra forma é quando eu realmente acredito que todas as pessoas só aparecem no nosso caminho com um propósito, seja ele bom ou ruim.

Resumindo todo esse texto. O que acontece é que essa semana eu fui colocada a prova. Confesso que me senti desamparada, triste, revoltada. A minha vontade era de responder um certo e-mail assim:

– Ó seu babaca. Está vendo este e-mail aqui? *esfrega o e-mail impresso na cara do sujeito* Se você fosse um pouco mais inteligente e educado veria que a culpa pela falta de prazo não é minha e sim da sua incompetência e caixa de e-mail lotada que fez todos os e-mails que eu enviei para você voltarem! 

Mas isso seria no mundo perfeito.

No mundo real eu fiz a única coisa que eu poderia.

Eu chorei.

Chorei porque foi a forma de mostrar a minha tristeza e raiva ao invés de chegar na pessoa e falar tudo que eu queria. (vide texto em itálico acima) Porque isso eu já sei que não se pode fazer.

No trabalho nós aprendemos a nos colocar em nossos lugares e em muitas vezes no lugar dos outros. Se fosse em casa, com a minha mãe ou irmãs, elas ouviriam da mesma forma como falaram. Isso já aconteceu muito e hoje em dia – com o amadurecimento! – e dependendo da gravidade do assunto, eu apenas ia zoar e deixar minha mãe (principalmente) falando sozinha ou deixaria um bilhete para a minha irmã pedindo desculpas (como geralmente acontece). Mas no trabalho eu não posso fazer nada disso.

E sempre tem aqueles momentos em que pequenas situações do destino, que independe de você ou do destinatário, acabam fazendo um círculo onde tudo acaba dando errado no resultado final.

Me mandaram um e-mail dizendo que eu estava sendo mentirosa e que o trabalho que eu estava fazendo não era satisfatório, quando a minha equipe está reduzida e eu estou fazendo o trabalho de três pessoas. Quando você está trabalhando de uma forma na qual nunca trabalhou e sem as pessoas que te ajudaram a chegar ali. Sem as pessoas que são suas amigas, mas que não podem te ajudar com o seu trabalho. Quando você não tem apoio de ninguém.

E eu tive uma crise.

Eu fiquei tão triste que minha cabeça doeu e quando cheguei em casa estava um pouco febril. Tudo isso porque uma pessoa estava desmerecendo o trabalho que eu sabia que era o melhor que eu poderia fazer no momento, mas que acabou me afetando por me fazer acreditar que não era o melhor. Foi uma coisa pequena, agora eu enxergo isso. Mas no momento, foi quando o copo transbordou e para mim era o problema de trabalho do mundo. Sabe o que é pior? A sensação de se sentir incompetente, idiota e desvalorizado, como se o que você fizesse fosse tão simples que qualquer pessoa poderia fazer, obrigada.

E quando eu fui conversar com a minha chefe, em meio a lágrimas, com e-mails impressos em mãos e todos marcados de amarelo fluorescente, ela me disse: – você está chorando por causa disso?

E por estar com a cabeça nos pés e os dedos balançando nas orelhas, não consegui enxergar o óbvio: que ela e muitas outras pessoas ali tinham que lidar com situações piores do que com a que eu estava encrencando. Sabe qual foi o problema? Eu não soube lidar com uma situação pequena e com uma pessoa estúpida, porque até então sempre tinha alguém por trás de mim que poderia me apoiar no momento em que isso acontecesse.

Só que eu cresci.

E as pessoas que não estão mais ali não podem me ajudar a escolher a melhor palavra, responder de forma mais cordial o e-mail e deixar passar situações de estresse quando a sua maior vontade é de falar tudo que está realmente sentindo para ela.

Respira. Inspira. Conta até 10. 1.2.3.4.5.6.7.8.9.10.

Sabe o que aconteceu? Lembra das pessoas que eu disse terem aparecido na minha vida para me ajudar? Pois é. Eu me sinto tão amada e acarinhada que eu não consigo descobrir como as pessoas não sabem o que é amar umas as outras. Não porque elas me ajudam, mas porque eu aprendi a ama-las à sua maneira. Porque sei que elas podem me ajudar em qualquer momento. E porque eu me sinto a irmã mais nova. A filha mais nova. A amiga mais nova que ainda está perdida encontrando o seu caminho. Essa sou eu.

Sabe o que eu ouvi?

Rapha, você agora é uma profissional formada e que está no mercado. Situações como essa é o mínimo que você vai passar. Daqui para frente vai ser tudo muito pior porque a vida é assim, porque o mercado de trabalho é assim e porque as pessoas são assim. Mas você não tem sonhos? Metas? Você tem escrever tudo isso em um papel e acreditar que é capaz de conseguir. Porque eu confio em você.

Crescer realmente é dolorido. Amadurecer demanda tempo e um trabalho contínuo consigo mesmo. Mas o que eu levo dessa experiência é que na próxima vez que isso acontecer eu estarei tão preparada que irei rir depois da situação ao invés de deixar isso me afetar como aconteceu dessa vez. Os meus sonhos e desejos são tão maiores do que esses problemas, que eu tenho que pensar apenas que é necessário passar por isso: porque eu preciso crescer, porque eu preciso saber lidar com pessoas ordinárias, porque eu preciso lidar com pessoas educadas, porque eu preciso do trabalho, porque eu preciso conquistar meus sonhos. Porque isso tudo aqui é apenas experiência para que no próximo emprego, quando as dificuldades aparecerem, eu apenas deixe as palavras que machucam entrar por um ouvido e sair pelo outro.

Sabe o mais eu aprendi? Não espere a aprovação de ninguém. Nem a sua mãe, que em tese é a pessoa que mais te ama no mundo inteiro, vai fazer isso para você sempre. Tenha a sua consciência limpa de que o trabalho que você está fazendo é melhor e se dedique para que isso aconteça. O seu chefe tem muitas outras coisas a fazer – e mais importantes – do que ficar te elogiando e dizendo: Ei, cara. O seu trabalho está maravilhoso.

Isso quem tem que saber é você. O seu chefe só vai saber disso quando algo muito louco acontecer.

Temos que aprender a olhar nossa vida através da lente de uma câmera, focando nos nossos sonhos e fazendo de tudo para que o resultado seja a foto perfeita, sob um ângulo magnífico e com um raio de luz que acaba aparecendo um pouco e se enquadrando para melhorar resultado.

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