janeiro 19, 2015Editora Novo Conceito, Filmes Baseados em Livros, Resenhas

[Resenha] Simplesmente Acontece

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gsTítulo: Simplesmente Acontece Título original: When Rainbows End Autora: Cecelia Ahern Ano: 2015 Editora: Novo Conceito Número de páginas: 448

Éramos inseparáveis, sendo sempre separados.
Eu acabei lendo o livro quando ele foi relançado pela Novo Conceito e também com a vã esperança da proximidade do lançamento do filme, com o lindo do Sam Claflin. Eu li, rapidamente, me diverti mas terminei com aquela sensação e que é o tipo de história errada e triste, que não deve ser contada a não ser que se tenha um final feliz. Aqui tem? Sim, mas eu me revolto com a forma que a Cecelia tem de enrolar seus próprios personagens. Ela os criou, caramba! Deveria amá-los e não odiá-los e fazê-los sofrer. Vamos em frente.
Rosie e Alex são melhores amigos desde pequenos. Eles fazem tudo juntos e, mesmo quando isso não acontece, dão um jeito de que o outro fica sabendo. Com essa proximidade, eles acabaram vivendo os momentos mais importantes da vida, desde a infância, um ao lado do outro. Suas famílias são próximas e eles tem um ligação em que mesmo quando brigavam, sentiam que deveriam estar um ao lado do outro pois era o certo.
Tudo muda, no entanto, quando os caminhos de ambos começam a tomar rumos diferentes: Alex sai de Dublin para estudar nos Estados Unidos assim que termina o Ensino Médio enquanto Rosie descobre que está grávida e não tem nada que possa fazer em relação a isso. Como manter a amizade, os laços, a conversa, o amor que sentem um pelo outro, quando suas vidas estão sendo separadas tão bruscamente?

Éramos inseparáveis, sendo sempre separados.

O que mais me atraiu para o livro foi a maneira inusitada com a qual a autora escreveu. Não temos um texto corrido em terceira pessoa: aqui ela foi inteligente e esperta e vamos conhecer a história do Alex e da Rosie através de bilhetes, cartas, e-mails, cartões, chats, mensagens de textos. Vocês podem achar que isso é estranho e que a história não fluir. Ledo engano. É aí que conseguimos virar as páginas e nos entreter ainda mais, com uma escrita informal e ao mesmo tempo tão próxima da realidade.
O que eu não gosto no livro, e isso talvez seja um spoiller, então, tomem cuidado: o modo como eles são felizes APENAS no final do livro e velhinhos. Gente, não! Eles passaram a vida inteira juntos, sofreram, amaram, separam-se, foram felizes e tristes, compartilharam momentos e a-pe-nas no final do livro, nas últimas páginas eles se juntam! Isso não faz sentido para mim. Acreditem, eu não quero ser feliz com a pessoa que eu amo apenas no final da minha vida, quando eu sei de tudo que poderíamos ter vivido juntos e não aconteceu e, principalmente, por que ele esteve ao meu lado sempre. É injusto, é triste, é desolador. E isso me fez detestar o livro.
Engraçado, porque quando a gente é criança acredita que pode ser tudo o que quiser ir para onde se tem vontade. Não há limites. Você espera o inesperado. Acredita em mágica. Aí você cresce e a inocência acaba. A realidade da vida mostra a sua cara e você se sente golpeada quando constata que não pode ser tudo o que quer.
Outro ponto que eu acredito muito na vida e que no livro fica tão explícito que me deixa triste: mulher só nasce para se fuder, com o perdão do palavrão. É a verdade e Rosie demonstra isso muito bem: é mãe solteira, mora com pais, sem perspectiva de emprego, conhece um marido – adúltero – sofre com as trombadas que a vida lhe proporciona, tenta novamente, confirma que o pai da filha que nunca a ajudou em nada aparece de repente querendo ser o pai do ano e sua vida desmanchar depois da morte do próprio pai… Enquanto isso o Alex conseguiu ir estudar nos Estados Unidos, se formou em Medicina, casou-se por duas vezes – sendo as esposas era de famílias ricas, sendo ele próprio muito rico… Claro, sabemos do que aconteceu com ele no decorrer da história, mas a vida foi muito mais dura e injusta com a Rosie, que no meu ver, era a pessoa que mais deveria ser feliz. Sem contar que no final, a autora enrolou tanto ainda, criando conflitos para não deixar que a própria Rosie fosse feliz, empecilhos que já estavam me fazendo gritar: PÁRA, CARAMBA! Sabe quando você tenta, tenta, tenta, tentar E tentar e parece que não encontra solução nenhuma e em nenhum momento? É isso. É frustrante. Até mesmo quando você apenas lê e não está vivenciando.
Para ser sincera, acho que enlouqueceria sem você. Como a vida é engraçada, né? Bem na hora em que você pensa que está tudo resolvido, bem na hora em que você finalmente começa a planejar alguma coisa de verdade, se empolga e sente como se soubesse a direção em que está seguindo, o caminho muda, a sinalização muda, o vento sopra na direção contrária, o norte de repete vira sul, o leste vira oeste e você fica perdido.
É uma leitura divertida, sem dúvidas, onde vemos a sinceridade de dois amigos prevalecerem acima de tudo. O amor e carinho que eles sentem um pelo outro é absorvido de forma carinhosa e eu não conheço ninguém que tenha vivido algo do tipo, de manter uma amizade de infância, de gêneros diferentes, durante tanto tempo. É inspirador ler algo desse tipo com relação a esses sentimentos. É envolvente e fácil de ler, já que a maneira na qual o enredo foi construídos é muito original e tirando o fato de que tudo parece estar dado errado, eu me senti como se estivesse dentro da história, observando os fatos e acompanhando de perto, ao lado, a vida de dois amigos que se amaram mas na qual a vida foi extremamente injusta.

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