março 06, 2015Editora Novo Século, Resenhas

[Resenha] Anexos

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gsTítulo: Anexos Título original: Attachments Autora: Rainbow Rowell Ano: 2015 Editora: Novo Século Número de páginas: 368

É como se você estivesse voltando para a virada do milênio e se deparar com essas três figuras e relembrar como o seu próprio momento.

Eu nem consigo expressar quão ansiosa estava para falar a respeito desse livro maravilhoso com vocês. A Gabi já havia postado resenha de Eleanor & Park no blog, eu também li o livro e me joguei neste, ansiando por algo tão bom e divertido, característico da autora. Não estou decepcionada. Pelo contrário, teve duas situações no livro que eu simplesmente não me aguentei: apenas ri horrores enquanto o meu corpo tremia todo e eu tentava explicar que eu estava me enxergando naquilo que estava lendo. Lembrando que o livro passa em 1999.

Existem momentos em que você não consegue acreditar que algo maravilhoso está acontecendo. E existem momentos em que toda a sua consciência é preenchida com o conhecimento absoluto de que algo maravilhoso está acontecendo.

Nossos personagens principais são três e em suas formas características, encantam o enredo com suas próprias histórias e dão vida e continuidade para que você se divirta e se veja em algumas situações. Estão preparados? Por que eu simplesmente só me apaixono cada dia mais pelas histórias da Rainbow.

Lincoln tem 28 anos. Acabou de voltar para a cidade que morou desde pequeno. E para a casa da mãe, o que não é uma situação ruim, tampouco muito boa. Ele é bem tímido e teve apenas um relacionamento na vida, Sam. Em um primeiro momento, ela não é alguém importante. Mas depois você percebe a importância para que o Lincoln se torne o personagem que conhecemos.

Formado na área de TI, ele consegue finalmente um emprego no jornal local da cidade, o The Courier. A função? A internet está chegando com tudo no mundo e um jornal precisa se atualizar e valorizar, claro. Porém, as pessoas não sabem como lidar com essa nova tecnologia, então, é necessário que alguém da área vigie tudo e todos. É isso que o Lincoln faz. Ele chega toda noite até o jornal para verificar se o programa instalado detectou alguma mensagem indevida dos funcionários e notificá-los. Poderia ser uma tarefa fácil, se não fosse por duas funcionárias que acreditavam que nunca seriam pegas e que, inclusive, ninguém estava se importando realmente.

Jennifer é revisora e Beth escreve críticas de filmes. Ambas são amigas que não se importam de utilizar o e-mail do trabalho como bate papo, incluindo conversas pessoais, sobre o trabalho, crianças, frustrações, futuras gestações, sonhos e alegrias. Obviamente, o e-mail delas sempre cai na caixa de restrito de Lincoln e aí que realmente começa a nossa saga: ao invés de avisar para o chefe a respeito do descumprimento das regras pelas duas, ele acaba ansiando por suas mensagens e conhece um pouco de cada uma delas apenas pelas palavras e conversas.

Amor. Propósito. Essas eram coisas para as quais não se podia planejar. Essas eram coisas que simplesmente aconteciam. E se não acontecessem? Você passava a vida toda ansiando por elas? Esperando para ser feliz?

É um livro perfeito? De forma alguma, mas ele é único e singelo à sua maneira, cheio de autenticidade e criatividade. O começo eu acabei achando um pouco monótono e ansiava pela parte dos e-mails, onde a Beth e Jennifer apresentavam um pouco mais de suas vidas e me fez gostar de ambas como se fossem minhas próprias amigas.

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Outro ponto que e gosto de livros, em geral, é quando acontece a identificação com a(s) personagem (ns) principal (is). Beth e Jennifer faz com que você queira ser amigas delas e, o mais importante, foi que a nossa química foi tão perfeita e alguns assuntos tratados tão atuais que eu acabei comentando com uma amiga (real, dessa vez) a respeito do livro. Os diálogos são geniais, a perspectiva sob o olhar delas muda totalmente o foco do livro e o deixa mais dinâmico.

Eu fiquei emputecida nos momentos certos, torci pela felicidades dessas duas e que o Lincoln reagisse para a vida e tomasse uma atitude, que os momentos de dúvidas fossem resolvidos e que eles finalmente seguissem os caminhos destinados, superando as dificuldades e sendo ainda mais divertidos. Tem um pouco de clichê no final? Tem, mas nada que vá abalar a sua leitura, apenas se você não tiver gostado do livro desde o início.

O interessante, de outro ponto de vista, é como a autora cria a personalidade de cada personagem, de maneira singular e cheia de traços marcantes. O Lincoln parece, à primeira vista, meio abobalhado para mim. Aquele tipo de cara que tem um charme todo especial,  mas não consegue perceber isso pois vive em um mundo totalmente seu. A Jennifer é divertida e estranha e cheia de ideias. O marido quer muito ter um filho e ela simplesmente entra em pânico quando pela menos passa pela cabeça conceber uma criança. Eu simplesmente adoro, me identifico e fico triste por ela (em alguns momentos). Já a Beth namora o roqueiro desde a faculdade, que não quer nada com a vida mas que para ela está ok viver assim, obrigada, apesar de querer um compromisso sério.

Não se pode comparar a outros livros da autora, mas com certeza é tão bem escrito quanto divertido na medida certa para que a leitura se torne algo além de um livro. É como se você estivesse voltando para a virada do milênio e se deparar com essas três figuras e relembrar como o seu próprio momento.

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