maio 07, 2015Editora Intrínseca, Resenhas

[Resenha] Quase Uma Rockstar

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gsTítulo: Quase Uma Rockstar Título original: Sorta Like a Rock Star Autor: Matthew Quick Ano: 2015 Editora: Intrínseca Número de páginas: 254

Amber Appleton me faz acreditar que tudo pode dar certo, até mesmo quando tudo já está errado.

Eu ainda não tinha lido nada do autor e não posso ficar mais encantada em dizer que simplesmente a.m.e.i a primeira experiência com um dos seus livros. Espirituoso, engraçado, divertido e triste na medida certa, Quase Uma Rockstar e Amber Appleton me fazem acreditar que tudo pode dar certo, até mesmo quando tudo já está errado.

Amber mora com a sua mãe e o cachorro dentro de ônibus escolares. Estuda, ajuda Donna (que é quase uma segunda mãe) como uma forma de agradecer por toda a amizade  e não tem muita roupa ou qualquer outro bem. Ela poderia ser amargurada por esses motivos e mais um pouco, mas não é.

Amber é tão positiva e não deixa que nada a abale ou atinja a sua fé de que as coisas podem ficar melhor, basta querer. Claro, tem plena consciência que esse seu otimismo é um pouco demais, JC (Jesus Cristo, para os íntimos haha) toma decisões justas e ela acredita plenamente que as suas ações podem mudar o mundo: pode conseguir um lugar bom e seguro para morar, ajudar as freiras do convento em um musical, visitar os velhinhos abandonados em um asilo, fazer com que as mudanças na escola se tornem reais; Amber realmente vê a vida de uma maneira diferente, ela a.c.r.e.d.i.t.a que tudo pode dar certo.

Só que o mundo não é justo, a vida não é perfeita e Amber vai descobrir isso de maneira bastante trágica e o choque de saber que a realidade é diferente daquilo que acredita faz com ela comece a questionar os motivos para o mundo ser tão injusto e tudo ao seu redor ser tão triste e dificultoso. A tristeza acaba instalando-se no seu ser, abalando a sua fé e tocando no ponto mais sensível de seu coração. Como voltar a ser a Amber de antes quando tudo está diferente? Como voltar a acreditar que tudo pode dar certo quando tudo está tão, tão, tão errado? Como voltar a acreditar nas pessoas, em suas ações, na bondade, quando tudo que sente é tristeza, amargura e uma vontade imensa de ficar na cama e não levantar mais?

*respira fundo* O diferencial da personagem principal e que torna esse livro tão especial é a sua personalidade, seu desejo em ajudar as pessoas sem pedir nada em troca. Deus, sua gentileza chega a beirar a ingenuidade e mesmo assim ela não desiste. Amber passa por situações nas quais facilmente poderia não ter se envolvido mas assume essa responsabilidade apenas por acreditar que é o melhor. É algo característico seu, de sua personalidade, imaginar sempre o bem e desejar fazer o bem.

A Amber de papel me deixou com uma sensação de alegria e paz, existem ainda pessoas boas neste mundo tão devastado, mas não encontrei nenhuma Amber real para comparar. O modo como ela enxerga a vida é fascinante, a garota que não tem praticamente nada, mas que conquistou pessoas maravilhosas ao seu redor apenas por ser quem é.

Os personagens secundários são tão bem construídos e importantes que acabam assumindo um papel além daquele que foi proposto inicialmente. Nenhum atropela o outro, cada um tem o seu momento e são tão especiais e marcantes quanto a própria Amber. O livro é todo escrito em primeira pessoa e cheio de gírias, criadas pela própria personagem. A escrita do autor, é claro, é um brinde a parte, pois você se vê envolvido pela história, dando sorrisinhos quando necessário e deixando os olhinhos lacrimejar quando preciso.

É um livro juvenil? Certamente, mas isso não quer dizer que muitos adultos por aí não deva ler. Eu realmente me emocionei com a maneira como a Amber me fez enxergar o mundo e a bondade que ainda existem em algumas pessoas. É um tapa na cara de quem vive reclamando de coisas pequenas, grandes, absurdas ou não.

— Por que o fato de você ter se tornado padre dá significado à morte dos seus pais?
— Eles deram a vida por um princípio. Agora uso a minha vida para passar esse princípio para os outros.
— E qual é esse princípio?
— Que não importa quantas provas existam de que a vida não faz sentido, precisamos acreditar que sim, ela faz. E que a história de Jesus é uma boa história simplesmente porque nos ensina que devemos ser bons uns com os outros. Que devemos fazer o que for preciso, que devemos cantar soul, se isso for melhorar a vida dos outros. Que devemos tentar ser bons e amar a todos.

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