julho 15, 2015Editora Bertrand, Resenhas

[Resenha] Glória Mortal

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gsTítulo: Glória Mortal Título original: Glory in Death Autora:J.D Robb Ano: 2004 Editora: Bertrand Número de páginas: 363

Como eu já disse, o suspense é bom, mas o romance é infinitamente melhor.

Então, estou cá eu de novo com uma resenha do segundo livro da série Mortal da Nora Roberts. Faz um tempinho que li este livro, estou atualmente indo para o sexto, então perdoem qualquer inconsistência. Este segundo volume tem as semelhanças com o primeiro em alguns pontos por pertencerem a mesma série, e ainda que o suspense seja bem construído, confesso que achei o primeiro melhor, assim como o resultado final. Mas vamos começar na ordem, pelo começo.

A primeira vítima foi encontrada caída na calçada, na chuva. A segunda foi morta no próprio prédio onde morava. A tenente Eve Dallas, da Polícia de Nova York, não teve dificuldades para encontrar uma ligação entre os dois crimes. As duas vítimas eram mulheres lindas e muito bem-sucedidas, mas que mantinham relações que poderiam provocar suas mortes. Suas vidas glamourosas e seus casos amorosos eram assunto na cidade, assim como suas relações íntimas com homens poderosos e riquíssimos.

Um novo caso para Eve, um caso íntimo para uma policial mulher trabalhar porque o serial killer da vez tem como alvo mulheres bem sucedidas e independentes. E para a surpresa da detetive, conforme o caso vai se desenvolvendo, mais uma vez a rede de contatos de Roarke o coloca como um dos suspeitos. A princípio achei repetitiva essa questão, que já foi abordada no primeiro livro… Mas isso se deu porque preciso considerar que estou lendo a série quando ela já está bem avançada, então não tem o elemento de dúvida se o Roarke é ou não capaz de assassinatos, considerando o fato de que nesta altura da série conhecemos bem pouco dele, porque esta série tem muitos outros livros já publicados e sabemos que o relacionamento entre os dois continua em outros volumes.

Pois bem, apesar disso, estava com expectativas por ser mais um livro de minha adorada Nora e porque também por eu ser mulher, esse tipo de caso fala diretamente comigo. Como eu já disse, o suspense é bom, mas o romance é infinitamente melhor – ainda que ele não seja o foco desta série. Eve mais uma vez se apresenta para nós com toda sua sagacidade característica de colocar inveja, e não é incrível quando encontramos um livro que consegue juntar dois personagens incríveis em um romance sem diminuir nada de nenhum dos dois no caminho? Sem muda-los? Que fantástico o fato de que as personalidades dos dois seriam um empecilho na maioria dos cenários, e não acontece. Me dá um gosto enorme quando o amor é justificável, e não apenas fulaninho ama ciclaninha porque ela tem olhos bonitos e ciclaninha ama fulaninho porque ele faz as pernas dela tremerem.

– Eu te amo, Eve.

Ela desviou o olhar do sol, do oceano, e encarou os olhos dele. Era maravilhoso, e pelo momento, simples.

– Senti sua falta. – Ela encostou a bochecha na dele e o abraçou forte. – Realmente senti sua falta. Eu usei uma de suas camisas. – Ela podia rir dela mesma agora porque ele estava ali. Ela podia sentir sua presença, seu cheiro… – Eu fui ao seu armário e roubei uma de suas camisas, uma daquelas pretas de seda as quais você tem um monte. Eu a vesti, então saí sorrateiramente de casa para evitar que Summerset me pegasse no ato.

Incrivelmente tocado, ele tocou a bochecha dela. – À noite, eu costumava tocar de novo suas transmissões só para ver seu rosto, ouvir sua voz.

– Sério? – Ela soltou uma risadinha, algo raro vindo dela. – Deus, Roarke, nos transformamos nuns bobos.

– Vamos fazer disso nosso pequeno segredo.

– Combinado.

Conhecemos também uma personagem que me encantou de cara: Peabody. Ah, quando Nora quer, sabe construir mulheres incríveis. Ela é como uma aprendiz (não sei ao certo como seria o nome) que Eve está orientando, e elas se dão mega bem. Basicamente porque Peabody respeita e entende a atitude da detetive. É uma parceria de sucesso, e garantia de boas risadas com os diálogos entre as duas. Apesar de Mavis ser a melhor amiga de Eve, foi aqui que comecei a pensar que na verdade ela conseguia se identificar bem melhor com a Peabody, mas… Amigos nunca são demais.

Se vocês estão se perguntando porque tem um guarda-chuva na capa do livro e qual sua relação com a história, fico feliz em dizer que tem explicação sim. De fato, este guarda-chuva encontrado na cena do primeiro crime, é uma grande e importante pista para descobrir o assassino. Eu gosto destas pequenas dicas, detalhes aparentemente aleatórios, que significam tudo. É basicamente como eu pensei quando uma vez me arrisquei em escrever uma fanfiction de suspense, e como eu penso geralmente lendo um.

– Que ele se foda.

Feeney fez um som como alguém que acabou de ser beliscado. – Jesus Cristo, Dallas, você está na igreja de St. Patrick.

– Se Deus continuar criando pequenos vermes iguais a ele, ela terá que se acostumar a ouvir reclamações.

O final, admito, me deixou um pouco desapontada. Eu já tinha descoberto quem era o(a) responsável pelos assassinatos, e na verdade, a forma como o final se dá não me agrada. Não vou dar spoilers, mas é uma característica comum nos finais de livros de suspense da Nora, e de outros atores, que acho que já ficou um pouco massante.

De todo o modo, um bom livro. É sempre bom rever Eve, e indubitavelmente desejar ser a metade da mulher que ela é, e rever o Roarke, que de verdade é um homem com o qual eu passaria o resto da minha vida. Em meio a tantos heróis atuais com passados conturbados, cheios de dinheiro e com nenhum respeito pela protagonista, com desejos sendo impostos a torto e a direita, fico feliz de ler um livro que resgata o que eu realmente aprecio em qualquer pessoa, não só num homem. A antiga e singela consideração pelo outro. Respeito pelo outro. Podem me chamar de qualquer coisa, mas como eu já li uma vez em um livro que gosto muito: sacanagem só na cama, ok? Tem muita gente e muito autor confundindo isso, e achando que vale tudo no meio se quando chega no final existe um “eu te amo” e um “casa comigo”. É um modo de pensar meu, claro, mas tenho visto tanta coisa na literatura me desagradando, que livros como esse, personagens como Roarke, são como um suspiro aliviado depois de passar muito tempo debaixo d’água.

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