outubro 31, 2015Editora Intrínseca, Resenhas

[Resenha] Mosquitolândia

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gsTítulo: Mosquitolândia Título original: Mosquitoland Autor: David Arnold Ano: 2015 Editora: Intrínseca Número de páginas: 350

Meu nome é Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem.

Preciso dizer primeiramente que eu adorei Mosquitolândia. Adorei, a.d.o.r.e.i, a-d-o-r-ei. De todas as maneiras. Ele entra em uma lista de livros estranhamente fofos e bizarramente envolventes, que eu comecei a planejar agora, e que aparentemente a Intrínseca tem se esforçado em publicar. <3

Mary Iris Malone é a nossa Mim, porque já começamos assim mesmo, com personagens que fazem acrósticos com o próprio nome. E Mim não está nada bem: seus pais se divorciaram e ela teve que ir morar na Mosquitolândia com o pai e a madrasta. Fora isso, ela tem uma tendência a depressão e a vários outros problemas. Realmente, nada está bem. Quando descobre que a sua mãe está internada e doente, faz de tudo para entrar em contato e não abandoná-la. Porém, as cartas enviadas não são respondidas e os telefonas não são atendidos. Verificando por si mesma que não pode abandonar a mãe em um momento delicado como esse, passa sua maquiagem de guerra e embarca na sua própria road-trip em busca da mãe em Creverland e assim, inicia-se a sua missão.

Uma viagem de ônibus que deveria ser tranquila e entregá-la no destino sã em salva, torna-se muito mais que isso e Mim encontra pelo caminho inesquecíveis companheiros de aventura (e isso não precisa ser, necessariamente, bom), histórias inusitadas, ações não planejadas para a viagem e percebe que, apesar da sua determinação, alguns desvios são necessários para que a sua missão seja concluída.

O que mais me atrai em livros como Mosquitolândia é a capacidade do autor em transformar uma história normal em algo absolutamente reflexivo, encantador, imprevisível, inserindo personagens fora do comum e que acrescentam por serem, em sua grande maioria, diferentes de boa parte das pessoas: eles vão dar respostas inquietantes, aventurar-se sem medo, mostrar sua visão de mundo. David aborda os assuntos da nossa personagem com leveza, usando de palavras que cabem dentro do contexto de maneira engraçada, apesar do assunto tenso, mostrando que alguns dos personagens tem mais carisma e autenticidade que poderiam ser pessoas reais.

Infelizmente, não encontrei nenhuma pessoa bizarramente fofa desse jeito para entrar na minha vida.

A  Mim é estranha? Sim, mas ela não é estranha a ponto de causa incômodo. Eu a vi mais como estranha do tipo tenho-problemas-fodidos-e-a-vida-não-foi-tão-legal-comigo-então-foda-se-vou-ser-como-eu-sou-mesmo. Eu gostei tanto de Mim porque: 1. ela não consegue fazer floreios a respeito de quem é. 2. Suas teorias, angústias e desabafos são tão sinceros. 3. seus desenhos de palitinhos. 4. suas referências que saltam aos olhos em diversos momentos. 5. a compreensão dessas referências e piadas.

Como ela escreve cartas no decorrer do livro (confesso que ficava esperando pela assinatura dela, tão cheia de referências e engraçadas) conhecemos um pouco mais e vemos que ela é realmente sincera e autêntica consigo mesma. E um pouquinho sarcástica, porque não? Ela não entende os motivos para excluir ou abandonar ou alguém por suas diferenças ou afastar pessoas por não serem iguais as outras. A Mim é o tipo de personagem que vai atrás de todos aqueles que estão em disfunção com a sociedade, abandonados e mostra o melhor deles para que todos possam se apaixonar. <3

Essas idas e vindas por suas memórias, com direito a desenhos de palitinhos, relata alguns pontos para o desenvolvimento do livro e que são importantes: seu relacionamento com a madrasta, o pai e a fixação por doenças psicológicas (e como isso afeta ele, a pessoa que ele tem a fixação e as pessoas ao redor) e a mãe que está longe. Em cada capítulo, parece que concluímos um pedaço do quebra-cabeça que essa viagem se tornou, desenhando e contornando e completando esse mapa imaginário para chegar ao destino.

Falando um pouco dos personagens secundários: eles aqui crescem e tornam-se quase que principais. Já falei que adoro isso? Todos eles são importantes em níveis diferentes, contudo, sem dúvida nenhuma, Walt e Beck complementam Mim, complementam sua viagem, complementam sua história e completam o livro! Eles são diferentes em tantos níveis e mesmo são os dois amigos que Mim conhece na estrada e que ajuda a traçar a sua viagem, principalmente por suas ações e paradas necessárias.

Eu favoritei esse livro pelo simples motivo de não ter outra opção, além dessa. Eu me diverti acompanhando a jornada da Mim, conhecendo sua história através de suas cartas, saboreando seu humor irônico e um tantinho ácido nos momentos oportunos, a maneira como ela faz amizade com as pessoas mais improváveis e como essa viagem ajudou com ela procurasse as respostas para tantas perguntas. Se afastar para ver o que está acontecendo ao seu redor foi uma sábia decisão e que influenciou para todo o fechamento do livro.

E o final.

Céus. Esse final.

Eu já comentei com vocês que eu simplesmente odeio finais abertos, certo? O autor é tão esperto e camarada que não fez isso comigo, o que seria apenas um motivo tentar detestá-lo (pois não sei se mesmo assim eu conseguiria). Mas ele faz algo mais legal: ele deixa a possibilidade de uma história continuar na sua cabeça. O livro tem um final, mas tem também uma opção para você acreditar que daqui um ano pode voltar a pensar nesse livro e finalmente imaginar o que voltou a acontecer com a Mim. E isso sim é um final não massacrante: me deixou com aquele sorriso bobo no rosto e aquela vontade de reencontrar os meus personagens o mais rápido possível.

Porque você percebe simplesmente que ali não é o final. É apenas o ponto de partida do amadurecimento do personagem.

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4 Comentários

  • camila palmeira
    03 novembro, 2015

    Oi Rapha, fiquei doida para ler este livro, na verdade ele já está nos meus desejados, agora tem que comprar hehe
    Aprendi o que é acrósticos, sabe que nem sabia!! Vivendo e aprendendo né..

    Beijos Mila

    • Raphaela
      Raphaela
      03 novembro, 2015

      HAHAHAHAH Eu achei o livro uma fofura dos céus! <3 Lê e me diz o que achou depois!

      • camila palmeira
        04 novembro, 2015

        Eu também gosto de livros neste estilo, imprevisível, reflexivo, eles nos remetem a emoção verdadeira e adoro isso.

        PS: Adoro sarcasmo!
        Adorei sua resenha, está cheia de emoção! PARABÉNS..
        Haaa, vou ler sim, preciso comprar né hehe

  • Anne Caroline
    02 novembro, 2015

    Olá, tudo bem?
    Adorei a sua resenha! O livro parecer ser bem legal e eu estou bastante curiosa para ler.
    Beijos.
    sonhardevaneios.blogspot.com.br

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