novembro 14, 2015Irmandade da Adaga Negra, J.R Ward, The Bourbon Kings

[Resenha] The Bourbon Kings

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gsTítulo: The Bourbon Kings – não publicado no Brasil Título original: The Bourbon Kings Autor: J.R Ward Ano: 2015 Editora: Número de páginas: 400

Para quem é fã da Ward, acho que este livro já deve estar na lista. Para quem não é, por gentileza, não comecem a ler por esse livro. Escolha um da Irmandade. Eles dão orgulho.

Então, nova série da J.R. Ward. Fãs da Irmandade da Adaga Negra enlouquecidos (a), eu não estava muito ansiosa para este livro. Embora Ward já tenha arriscado escrever alguns livros com personagens humanos, esta é a primeira série com personagens humanos. Com minha mão no queixo, coloquei-me na posição de avaliá-la.

Desde o início, já percebi que não sentiria aquele turbilhão de emoções ou teria aquela empatia pelos personagens como acontece em IAN. Mas adoro um drama, adoro personagens complicados, admito também que histórias com famílias me interessam muito, na maioria das vezes gosto do que a Ward escreve. O que podia dar errado? Antes de dar meu veredito sobre o livro, vamos destrinchar a história e seus personagens.

Tulaine, ou Lane, membro da família Bradford, conhecida no mundo pela supremacia no que tange à produção e venda de Bourbon. Primeiras impressões dele: meh. Infelizmente já adianto que minhas impressões se estenderam pelo livro e tirando algumas atitudes/palavras extremamente machistas que me enfureceram, não senti nada por ele no decorrer da história. Começamos testemunhando Lane retornando a casa onde havia crescido em Kentucky após dois anos, porque sua mãe de consideração estava com um sério problema de saúde. Lá ele reencontraria seu grande amor, Lizzie King. Lizzie King, da série: personagens sem sal, sem voz e sem vontade própria e incapacidade de dizer não. Trabalha para a família Bradford, ainda que seja tratado de modo horrível, e se apaixonou perdidamente por Tulaine, acaba tendo seu coração partido por ele.

No decorrer da história conhecemos William, patriarca da família que possui todas as características abomináveis que um ser humano pode possuir. Edward, o irmão mais velho atormentado que carrega cicatrizes psicológicas e físicas de um sequestro que sofreu (e dos punhos do pai durante toda a vida), e se tornou alguém que vive bêbado, amargurado e chorando por um amor com quem, segundo ele, nunca tivera chance. Max, um irmão que pouco é mencionado e que não me lembro de ter sequer aparecido na história (corrijam-me, por favor, admito que não esteja certa desta informação). Gin, a única filha mulher da família que é egoísta, mimada, inconsequente, que supostamente amaria a filha, ainda que tenha a abandonado para ser criada por empregados, e que supostamente é uma boa pessoa em seu interior. É importante a menção destes personagens, porque este não é um romance, é um drama familiar. Ou como pensei enquanto estava lendo, e como li em algumas resenhas, uma novela. Não sou muito fã de novelas, mas quem é, talvez goste deste livro.

– E se eu não quiser mais você. O que fará então?

– Você está dizendo que isto é verdade?

– Talvez.

– Então eu vou aceitar. Vai acabar comigo… Mas irei embora.

Há alguns outros personagens introduzidos neste livro, alguns que protagonizarão próximos livros junto aos irmãos. É o caso de Samuel, que é apaixonado supostamente pela Gin e a Gin por ele. Descrição da relação deles: patológica. E Sutton, por quem Edward é apaixonado e quem o ama de volta, sem ele saber. Descrição da relação deles: mal entendido bobo que faz leitores perderem tempo. Admito, porém, que eles são os personagens os quais achei “menos pior.” A Chantal, esposa de Lane (ainda no papel) com quem ele casou porque ela fingiu uma gravidez (novela!) e largou a Lizzie para trás como uma blusa velha que resolve usar como pano de chão; aquela clássica vilã estereotipada que pisa na mocinha tratando-a como escrava, faz tudo para manter a vida de madame e se comporta como  um indivíduo sem cérebro, noção ou inteligência mínima. Ela é desprezível, sem mais.

Quando Lane volta para casa, descobre que na verdade a fortuna da família não existe mais. Começa então a investigar como ocorreu isso, além da suspeita de que William estava roubando dinheiro para esconder isto. Ele se aproxima de Lizzie, que supostamente reluta (na verdade não, ela diz uma coisa rude ou duas a ele, então cede) e decide pedir o divórcio a Chantal.

O próximo trecho pode conter spoilers!

Adivinhem só, Chantal aparece grávida… De novo. (novela!) Mas não é possível porque ele não encosta nela há mais de dois anos, então ela diz que é do pai dele e que revelará ao muuuundo se ele se divorciar dela (Novela!), e isso acabaria de vez com a mãe biológica de Lane, quem já estava basicamente em estado vegetativo por conta de problemas mentais.

Eles não tinham mais profundidade do que suas postagens no Facebook. Do que seu inabalável egoísmo. Do que suas frivolidades cruéis.

Em paralelo, afinal este é um drama familiar e existem muitos outros POVs além de Lane e Lizzie, Edward acaba reencontrando Sutton de um modo bastante peculiar, ao mesmo tempo em que não a reconhece, acreditando ser fruto da imaginação alcoolizada dele, e ela também não revela quem é. (Pense de novo, essa cena existiria em algum lugar que não o script de uma novela?) E a Gin está no vai e vem com Samuel, enquanto os dois transam desesperadamente com qualquer coisa que se mexa para se vingar um do outro já que na verdade eles se odeiam. Eles se tratam como lixo, acusam um ao outro de se tratar como lixo, então se engolem porque afinal, de novo eles se odeiam, para em seguida engolir outras pessoas e dar prosseguimento ao ciclo. Observação: de novo relacionamento patológico. E fica pior, especialmente em uma cena que eu achei que fosse pessimamente retratada em toda a seriedade que representava, mas chega de detalhes.

De verdade, era como se eu pudesse ouvir um locutor – daqueles com aquela voz tipo o Lombardi do SBT, sabe? – narrando esta história. Eu sinto muito dizer, mas achei patético e medíocre do início ao fim. E mesmo sem muitas expectativas pré-livro, isso me decepcionou. Havia algumas características do estilo de escrever da Ward, mas no geral eu só pensava “ela pagou a alguém para escrever isso porque estava passando por um bloqueio, não é possível ter sido ela, eu me recuso a crer”. E peço desculpas pelo tom irônico e debochado e extremamente informal desta resenha, mas… É isso. Foram os sentimentos que despertou.

Honestamente? Achei a história mal escrita e os personagens de péssimo gosto. A premissa é boa, ao menos para mim, como disse adoro um drama familiar, mas os comportamentos dos personagens, por Deus, os diálogos… Quis bater com a cabeça na parede. Sem contar nas frases misóginas, machistas, preconceituosas, e simplesmente que pingavam descaso com o tratar uma pessoa com consideração. Se tratar assim uma pessoa é por que a ama (vale para todos os personagens), ficarei bem quietinha aqui na minha, sabe.

– Você é o amor da minha vida, estando comigo ou não.

Pontos pela: capa. Os livros da J.R. geralmente têm capas incríveis; premissa, sob outras circunstâncias, tinha tudo para dar certo. Acho que só. Eu li até o final, viu? Não sei se lerei os outros, eu já consegui me libertar dessa compulsão por terminar toda a série mesmo que não tenha gostado dela, mas vamos ver.

Sei que essa resenha vai gerar muitas opiniões contra, talvez algumas a favor, e no geral eu não gosto de escrever resenhas negativas, embora já tenha feito algumas para o blog. Questionei-me se devia escrever, então pensei: nem só de flores vive o mundo, não é? Para quem é fã da Ward, acho que este livro já deve estar na lista. Para quem não é, por gentileza, não comecem a ler por esse livro. Escolha um da Irmandade, por favorzinho, escolha um da Irmandade. Eles dão orgulho.

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2 Comentários

  • Camila Palmeira
    15 novembro, 2015

    Oi Gabi, eu li alguns livros da Irmandade, mas não é nada que me faça sair correndo para terminar a série, eu leio aos poucos e quando der, também não tenho todos os livros. São muitos..
    Eu amei sua resenha sincera, na verdade acho justo com o leitor, afinal é sua opinião e isto pode ajudar um outro leitor a decidir se lê ou não.

    Beijos Mila

    • Gabriela
      17 novembro, 2015

      Oi, Camila!

      Obrigada pelo comentário!

      Na verdade, relendo agora, acho que chegou até a ficar um pouco confusa. Estava tão frustrada que fui escrevendo e jogando um sentimento atrás de outro meio sem ordem, lol.

      Eu comecei amando a Irmandade, admito que a série na atualidade tem me decepcionado um pouco (também tenho grandes ressalvas com a autora, e isso influencia ainda mais), mas tenho um carinho especial principalmente pelos primeiros livros. De todo o modo, sinto que dão um banho neste.

      Agradeço ter tirado um tempinho para vir aqui me dar um retorno, linda 🙂

      Beijão!

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