julho 05, 2016Colleen Hoover, Editora Galera Record, Resenhas

[Resenha] Talvez Um Dia

4 Comentários

Título: Talvez Um Dia Título original: Maybe Someday Autora: Coleen HooverAno: 2016 Editora: Galera Record Número de páginas: 368

Apesar dos meus pesares, aqui Colleen consegue me fazer sentir junto a eles, o que é claramente um ponto extremamente positivo quando falamos de um romance.

Talvez um Dia. Antes de começar, adianto que esta não é uma resenha positiva sobre o livro, mas não menos sincera – é meu ponto de vista honesto, apesar de ser destoante de grande parte do público que leu. Primeiramente, quero dizer que apesar de preferir a capa original do livro, a capa da edição brasileira seguiu a mesma ideia, então também está bem bacana. O título do livro traduz, perfeitamente, a história. Vamos à ela.

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Logo no início testemunhamos Sydney tendo a estabilidade de sua vida perturbada quando descobre que seu namorado e sua colega de quarto estavam exercendo algumas atividades de cunho sexual pelas suas costas. Literalmente cuspindo marimbondo, ela sai de seu apartamento em meio a uma chuva torrencial e acaba sendo resgatada por Ridge, o vizinho que costuma tocar violão em sua varanda e encantá-la, ainda que de longe. Após entender sobre a confusão da vida de Sidney, Ridge se oferece para ajudá-la – convidando-a para dividir o apartamento com ele e seus colegas de quarto, Warren e Bridgette.

Após certa hesitação, Sidney concorda, afinal suas opções estavam tanto escassas e ela precisava de um lugar para ficar. Ridge, contornando sua condição enquanto deficiente auditivo, é um excelente músico e descobre em Sidney uma excelente compositora. A conexão entre eles através da música é grandiosa, o problema todo é quando essa conexão ameaça ultrapassar os limites das sinfonias que criam juntos. Ridge possui uma namorada de anos e é um relacionamento aparentemente sólido. Sidney se vê mergulhando em outra situação complicadíssima, e o que nunca imaginou: estava preocupada em poder se tornar a outra da vez.

Ei, coração. Pode me ouvir? Você e eu estamos, oficialmente, em guerra.

Primeiro sobre a música, que é um aspecto elemental na história. Gosto dos momentos em que eles se concentram na criação de música, é uma paixão relacionável a mim e eu gostaria muito de ter algum talento associado a isso. Eles formam um bom par neste ponto e conjuram alguns versos muito lindos que complementam à história. Só gostaria de ter visto mais um pouco desta parte da vida de Ridge; ainda que fizesse parte de uma banda com seu irmão, isto só ganha destaque de verdade no fim mesmo do livro, e ainda assim a apresentação que fazem tem uma finalidade específica para o desfecho da história.

Segundo sobre o casal, honestamente eu sentia a conexão que eles tinham. Apesar dos meus pesares, aqui Colleen consegue me fazer sentir junto a eles, o que é claramente um ponto extremamente positivo quando falamos de um romance. Porém, as circunstâncias em que eles se encontravam não eram as mais propícias, e logo preciso dizer que os dois erraram muito porque sabiam estar na corda bamba e ainda assim se mantiveram nela.

Qualquer um que já teve um sentimento por alguém sabe como é difícil se desvencilhar, se negar, mas eu sou da política que: sentimento não se escolhe, mesmo, inclusive às vezes nem o tempo leva embora, mas ações sim. E se o objetivo era realmente não magoar ninguém, a partir do momento em que eles reconheceram estar começando a sentir mais do que deveriam um pelo outro, eles deveriam ter agido sobre isso – com a distância. Na teoria, foi essa a ideia, mas na prática não.

Por ela, eu me curvo. Por você, eu me quebro.

O próximo trecho contém SPOILERS: e do mesmo modo, eu também sou da política de que traição não é só você ir para a cama com outra pessoa. Desculpem, mas para mim beijo se enquadra em traição. Sendo assim, eu não posso, de nenhuma maneira, concordar com a ação dos dois, não importa o sentimento. Não importa a indecisão. Ação, a gente escolhe. Então, justamente pela ação deveríamos pagar. Na verdade, sou um pouco mais rígida até considerando que você pode trair sentimentalmente uma pessoa, ainda que não fisicamente entre em contato com outra. E já só isso Ridge fez aos montes. Mas essa é minha opinião pessoal. É algo extremamente difícil de determinar e também algo que nunca iremos saber a menos que a pessoa nos conte. Mas no fim, cada um com seu cada um – e que todos encontrem sua felicidade. FINAL DE SPOILER.

Tinha toda a questão de que Ridge amava sua namorada, é claro. Ainda que a permanência dele no relacionamento também tivesse a ver com a condição especial de dita namorada – mas isso vocês descobrem no livro. Isto enquadra o caso em um triângulo amoroso, que eu basicamente detesto. Detesto. E eu detestei aqui também, sem surpresas. Acho que, em sua indecisão, Ridge ficou fazendo malabarismo com as duas durante um tempo muito grande a nível de minha paciência – e diria, da paciência de qualquer pessoa.

E apesar de alguns apontamentos sobre alguns comportamentos dela, eu me vi compreendendo a posição de Sidney – eu quero me posicionar que não quero estragar o relacionamento de vocês, mas ainda assim meus olhos declararão que tenho esperança e te esperarei. Só pra reforçar: gostar de alguém pode ser um pé no útero, mesmo. Agimos pateticamente, aceitamos situações como se fôssemos bobos e cedemos quando não devemos. Mas o correto para ela teria sido colocar seu amor por si mesma em primeiro lugar.

Estou chorando pela morte de algo que nunca teve a chance de começar a viver. A morte de nós.

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Resumindo, eu não considero um livro terrível, mas considerando o trecho de spoiler que sei nem todos irão ler, não haveria como eu gostar. É simplesmente contra minha natureza. Mas reconheço os aspectos bons. Ainda que eu de todas as maneiras discorde do comportamento de Ridge na maior parte do livro, considero que ele é uma pessoa de coração bom e que no fim estava querendo fazer a coisa certa, mas nem sempre a intenção é suficiente. Ele é super talentoso, carinhoso e amigo. Não conseguiria confiar nele, mas eu entendo o charme que apresenta. A Sidney, demonstrando uma capacidade considerável de gostar de alguém logo depois de um término trágico, podia ter tido outras atitudes também, mas ela se apresentou como uma constante para Ridge. Admiro o sentimento dela. Ela era leal, se fosse só amiga ou algo mais.

Eu quero que você me ouça te amar.

Warren e Bridgette foram uma adição cômica ao livro, e gostava de ler sobre o entrosamento de todos na casa. Warren sendo completamente desligado em todos os momentos e Bridgette sendo charmosamente antipática (ela consegue essa proeza). Eles formam um casal em um spin-off na série, 1.5.

Recomendo? Olha, tendo eu já lido quase os outros livros da Colleen, indicaria que você lesse outro. Eu escrevi a resenha de Um Caso Perdido aqui no blog (pode ler de Sem Esperança também!), um livro que deixa suas emoções em frangalhos, e também tem a trilogia que começa por Métrica, que também tem resenha aqui no blog. São as minhas histórias prediletas da autora, então é claro que se precisasse optar, diria que com essas vocês não erram.

No geral, eu não gostei da história. Fato. Mas algo que nunca pode ser dito sobre Colleen: que ela não sabe escrever. Ela sabe, oh como sabe. As histórias dela são extremamente líricas, bem escritas e deslumbrantes em termos de desenvolvimento de palavras. Ela tem um talento irremediável, então lê-la é sempre uma experiência valiosa. E eu não seria nem louca de negar isso. Talvez eu até aprenda com ela para melhorar as minhas histórias.

É você. Meu coração… Quer você.

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4 Comentários

  • Luciana
    05 julho, 2016

    Eu amo qualquer coisa que a Colleen escreva. Se ela escrever uma lista de compra de supermercado, eu vou ler e amar, rs. Sua escrita é delicada, envolvente e surpreendente. Cada livro, me emociona de alguma forma.
    E Talvez um dia é um dos meus preferidos. Preferido porque não é clichê, preferido porque o protagonista é especial (e desculpe, não acho que você deveria colocar na resenha a condição dele. Isso não está escrito na sinopse. Para todos os que eu recomendo a leitura, peço que me avise quando chegar a pag 55. Descobrir porque ele se comunica de forma diferenciada é uma das coisas mais legais do livro e não merece ser revelada ao leitor antecipadamente), preferido porque é envolvente, preferido porque ele não tem uma namorada chata (o que é super clichê), preferido porque você torce por todo mundo, porque qualquer coisa que aconteça, vai machucar alguém.
    Mas opinião é assim, né? Cada um tem a sua. Que pena que não rolou para você.

    • Gabriela Araujo
      26 julho, 2016

      Olá, Luciana.

      Muito obrigada pelo seu comentário e seu posicionamento quanto à resenha.

      Eu não adoro tudo o que a Colleen escreve (em termos de conteúdo), mas com certeza sempre adoro a forma como ela escreve, seja o que for. De fato, este livro traz uma reunião de características únicas que geralmente não encontramos em livros de romance.

      Muito obrigada pelo toque em relação à condição do personagem. Não me lembrava de que este fator não era discriminado previamente, faz algum tempo que eu li a história, mas na verdade acho que é um ponto destacado no livro e por isso achei importante fazer parte da resenha. Contudo, vou reavaliar o modo como coloquei 🙂

      E sim, é um livro que você torce por todos – os personagens de fato conquistam nosso carinho -, mas como eu disse, acho que o desenvolvimento da coisa podia ter sido um pouco diferente. Eu sou bastante, bastante crítica em relação à traição, então acaba sendo um ponto de vista super, super específico.

      Mais uma vez, agradeço o comentário!
      Grande beijo. 😉

  • Luiza Helena Vieira
    05 julho, 2016

    Oi, Gabriela!
    Eu amei sua resenha! Amei mesmo! Está super de parabéns!
    Essa é a primeira resenha que leio e que expõe a opinião sobre os acontecimentos do spoiler que você comentou. Muitos somente focam no romance do casal, mas tem muito mais que isso em jogo e você mostrou de forma esplêndida.
    Eu já li alguns livros da Colleen e gosto muito da autora e de sua escrita, mas é pelo motivo mostrado no spoiler é que eu não vou ler esse livro. Eu concordo sem tirar e nem por no assunto sobre a sua opinião.
    Mais uma vez, meus parabéns pela resenha! Acho que foi a mais sincera que li sobre esse livro.
    Beijos

    • Gabriela
      05 julho, 2016

      Oi, Luiza!

      Que felicidade ler seu comentário. Muito obrigada 🙂

      De fato, este aspecto no livro me incomodou muito e acabou pesando mais do que todo o resto. Eu tenho muita dificuldade com o tema e não gosto quando ele é subestimado, ainda que por um “bem maior”, o que no caso seria o sentimento dos dois. Ainda assim é um desrespeito enorme com a outra pessoa.

      De todo o modo, valeu por ter tirado um tempinho para compartilhar o que achou da história e o que achou da resenha também.

      Grande beijo!

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