junho 23, 2020Intercâmbio, Malta

Intercâmbio em Malta: Primeiras Impressões Viajando Sozinha

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Faz mais de um ano que esse post está aqui nos rascunhos e eu simplesmente esqueci de publicá-lo. Como estava escrevendo outros textos, passei por aqui e vi que ele estava quase completo, faltava apenas algumas imagens e vídeos. Sendo assim, quis manter o tom e o tempo verbal de quando estava escrevendo *-* Me parece mais justo do que simplesmente reescrever agora, sendo que os sentimentos ficaram muito fortes enquanto tudo fluía. Aproveitem! 🙂

Depois de mais de um ano de espera, finalmente desembarquei na ilhota Malta no dia 2 de outubro, de madrugada. Cheguei na casa da minha host family às 1h da manhã, depois de ter passado pelo Rio de Janeiro (12 horas de espera), Londres (mais de 18 horas de conexão) e Madri (algo em torno de 10 horas). É, eu sei. Foram muitas paradas para que pudesse finalmente começar minha aventura, mas deu certo.

Imigração em Londres

Minha maior preocupação estava sendo a imigração em Londres, pois se eles me barrassem, eu estaria muito ferrada. Muito mesmo. Levei todos os documentos necessários: passaporte, documentação da escola, host family, transfer, comprovante de renda, carteira de trabalho, todas as passagens de ida e volta. Eles me barraram, no sentido de ficaram perguntando porque eu estava ficando apenas um mês e não mais tempo, porque eu tinha decidido passar por Londres e etc. Eu tentei explicar com meu inglês precário e levemente nervosa que queria muito fazer em Londres, mas era “very expansive” e ele entendeu. HAHAHA Na verdade, fui apontando para todos os documentos na pasta e tentando explicar, pois na verdade, não tinha motivos para ser barrada, já que era apenas uma conexão que eu estaria fazendo no país.

Quem vê foto, não vê corre. Eu fiquei extremamente impressionada com o tamanho desse homem e depois largada no aeroporto em Madri por 4 horas esperando minha conexão pra Malta.

Host Family

Eu estou na casa da Catherine, uma senhora de 60 anos que vive sozinha. Tenho um quarto apenas para mim e nele tem duas camas de solteiro e um guarda roupas. É muito simples, mas bem aconchegante, com uma porta/janela que me deixa ter acesso a sacada. Não tenho acesso ao restante da casa – apenas ao meu quarto, um banheiro e um frigobar. Mas vou falar mais a respeito disso para vocês em um post específico sobre host family, pois vale a pena falar sobre a minha experiência. 

Escola

Caminhando da casa da host family até a escola é cerca de 25 minutos. Eu prefiro ir à pé do que pagar o ônibus, pois assim eu conheci muitos lugares e fiquei passeando pelas lojinhas, além de descobrir novos lugares para comer e pessoas lindas para ver hahaha

No primeiro dia, com muita chuva, fomos recebidos, falaram a respeito de como funcionaria, os passeios feitos, os testes, as dúvidas e futuros problemas. Fiz um teste escrito de nivelamento, mas estava fazendo bem calma e tranquila quando o homem gritou que faltava apenas 2 minutos para acabar e eu ainda não tinha feito a tal da redação. Me apressei e escrevi 3 linhas rápidas e foi o que deu. Depois disso, fiz um teste oral, bem básico e super rápido. Perguntaram sobre a minha família, de onde eu era, quantos anos eu tinha e blá blá blá. Isso tudo não demorou 1 minuto e saí de lá para pegar meu livro e ir para a minha turma de alunos Pré-Intermediários (Pre-Intermediary).

A minha escola é a LAL, que faz parte do grupo IELS. Não tenho nada a reclamar a respeito: tem 6 andares cheios de salas de aulas, alunos de tantos lugares que você se sente perdido no meio de tanto idioma diferente. Minha turma começou com 10 alunos, alguns mudaram de nível, outros entraram.

Conversando com outros alunos

Minha principal dificuldade inicial foi entender o sotaque dos demais estudantes. Eu tenho aula com pessoas do Japão, Rússia, Coréia do Sul, Bélgica, Tunísia, Húngria, China. Todo mundo está no mesmo nível, mas algumas pessoas falam melhor do que as outras. Sem contar que existe vários fatores culturais: brasileiro tem mania de falar alto, ler alto, rir alto. Na hora da leitura, meu tom de voz é sempre o mesmo que eu falo, mas algumas meninas do Japão e Coréia, por exemplo, falam extremamente baixo. Simplesmente não consigo entender o que elas estão falando e fazer leitura labial de outro idioma que se está aprendendo é impossível.

Brasileiros e russos

Algo que me ficar muito feliz: todo mundo sempre fala que todo mundo na Europa sabe falar inglês e é mentira. Cara, muitas pessoas não sabem mesmo! E ter essa unidade, de saber que todos estão ali para aprender, se dedicar, treinar… é uma sensação tão louca porque você sente que não é o único que não sabe. Não saber inglês é algo que me afeta pessoalmente, pois já passei por muitas situações onde precisava do idioma e não conseguia me expressar adequadamente. Foi lindo saber que todo mundo estava no mesmo nível, aprender e ver todo mundo desenvolver a conversação em conjunto.

Malteses

Eles têm o sotaque muito, muito, muito forte. A equipe da agência de intercâmbio em Brasília e alguns comentários em sites, grupos sobre Malta falaram que o sotaque era muito parecido com o dos britânicos.

Mentira. Eu achei muito mais difícil, mais pesado, mais carregado. Além do mais, eles são extremamente grosseiros. Pois é. As pessoas que melhor me tratarem e me receberam educadamente aqui foram os não malteses. Eu já chegava em vários lugares explicando que meu inglês era ruim, mas que eu gostaria de tais e tais coisas. Em lugares turísticos, por exemplo, comprar passeios de barco, eles não se importam muito e falam rápido mesmo e você que se vire pra entender.

Malta

É uma cidade cheia, cheia, cheia de ruelas, ruelas íngremes e estreitas e esquinas. Como aqui também se usa a mão inglesa, eu já quase fui atropelada incontáveis vezes. Para garantir, eu olho para os dois lados sempre, pois minha mente sempre pensa que estou no Brasil ainda e saio lindamente atravessando. Uma coisa que eu acho maravilhoso aqui os motoristas param na faixa de pedestre, mas caso você não esteja, eles vão parar mesmo assim! #chupaSãoPaulo

O transporte funciona muito bem e, se não fosse pelo meu Google Maps que depois de uma atualização começou a me mandar para lugares errados, eu não teria me perdido na ilha. A verdade é que não é um problema estar perdido aqui, pois tudo é perto, se você perguntar para alguém na rua como ir para tal lugar, todo mundo te ajuda. O sistema é bem inteligente – tem número nos ônibus e os pontos têm nomes. Sendo assim, basta você se localizar e ir para a direção correta. Todas as estações são anunciadas dentro do ônibus e eu acompanhava através do mapa.

Segurança é uma questão que pesou muito quando eu escolhi Malta como destino para estudar e viver durante um mês. E graças aos céus por essa escolha, pois tudo aqui é extremamente tranquilo e seguro. Vou para as festas de ônibus em Pacceville e volto a pé, 3, 4, 5 horas da manhã (o que dá, mais ou menos 30 minutos) e ninguém, simplesmente ninguém, sequer olha para mim de uma maneira diferente ou estranha. E estamos falando de uma ilha que recebe uma quantidade enorme de turistas. Em resumo: me senti e me sinto muito segura por aqui. Não me senti ameaçada, exposta, constrangida ou qualquer coisa desse tipo em nenhum momento.

Eu já fiz alguns vídeos também falando sobre intercâmbio, que vale a pena vocês conferirem 🙂

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