Editora Intrínseca, Resenhas
[Resenha] Nimona
20.mar.2017

Título: Nimona Título original: Nimona Autora: Noelle StevensonAno: 2016 Editora: Intrínseca Número de páginas: 272

Nimona é uma graphic novel que fez eu me apaixonar por cada página e desenho contidos nela.

ATENÇÃO:

A resenha a seguir contém alguns quadrinhos retirados do livro, mas não há spoiler.

Nimona é uma jovem metamorfa com uma tendência um pouco maléfica e seu objetivo é ser o braço direito do vilão Lorde Ballister Coração-Negro. Isso se torna fácil diante de sua condição de se transformar em basicamente tudo o que quiser e a partir daí ambos se juntam para mostrar a verdadeira face da Instituição de Heroísmo e Manutenção da Ordem, que detém a confiança do rei e de seu povo até então.

Lorde Ballister Coração-Negro é um vilão (que está mais para anti-herói) de um braço só, que estranhamente segue todas as regras. Ele não sai por aí matando todos, nem planeja tomar o poder ou algo do tipo – simplesmente vive sua vida lutando contra seu arqui-inimigo, Sir Ambrosius Ouropelvis, que arrancara seu braço quando ambos eram heróis da Instituição de Heroísmo.

Nimona e Coração-Negro são perfeitos juntos. Ele planeja, segue as regras, vai para seu laboratório de ciências, tenta não matar ninguém e ela faz a coisa acontecer, coloca fogo, vira um bicho – literalmente – e tira sarro da ciência que ele tanto preza. É o adulto responsável e a jovem aventureira em ação.

Nimona é uma graphic novel que fez eu me apaixonar por cada página e desenho contidos nela. Não é segredo nenhum que eu amo histórias em quadrinhos e mangás, mas no mundo das graphics novels sou nova e me surpreendi positivamente com todas que li até agora. Acho muito legal as editoras estarem dando oportunidade para elas.

E sabe qual a melhor parte? As páginas. Ai-meu-deus, eu pirei quando abri esse livro. Os desenhos são todos coloridos e as páginas são todas lisas, que coisa mais linda de ver, cheirar, pegar, colocar na estante! No final ainda tem uns especiais de natal que foram publicados pela autora na internet, com umas histórias aleatórias dos personagens, que já me fez sentir saudade de Nimona.

Os personagens têm histórias de vida maravilhosas, que foram abordadas na medida certa. Os quadrinhos são engraçados, as transformações de Nimona são hilárias, a amizade entre todos e o final são lindos. É um livro pra criança, pra jovem, pra adulto, pra quem quiser uma leitura rápida e uma história boa.

Nimona mereceu o destaque e o capricho que a Intrínseca deu a ela. Afinal, quem não sente que tem um monstro dentro de si às vezes?Nimona,

Editora Seguinte, Resenhas

Título: Lobo por Lobo Título original: Wolf by Wolf Autor: Ryan GraudinAno: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 360

Ryan Graudin conseguiu juntar duas coisas que amo em livros: a Segunda Guerra Mundial e uma pitada de fantasia.

A Segunda Guerra Mundial foi uma guerra militar que envolveu duas alianças opostas: os Aliados e o Eixo. Durante os anos de 1939 a 1945, milhares foram mortos nas batalhas e a vitória foi dos Aliados – compostos pela União Soviética, Estados Unidos, Reino Unido, China e vários outros, incluindo o Brasil.

Sim, isso aprendemos na escola. Mas você já pensou o que teria acontecido se o Eixo – composto pela Alemanha, Japão etc. – tivesse ganhado? E se Adolf Hitler estivesse perambulando por aí livremente, comemorando sua vitória? Então seja bem-vindo ao mundo de Lobo por Lobo!

A Alemanha e o Japão tomaram o poder e todo ano organizam uma corrida de motocicletas na antiga Europa e Ásia – o Tour do Eixo. O vencedor do Tour fica rico, famoso e tem a oportunidade de conhecer Hitler durante o Baile da Vitória. E esse é o momento perfeito para Yael colocar sua missão em prática: ganhar a corrida e matar o Führer.

Era uma vez, em outra época, uma garota que vivia no reino da morte. Lobos uivavam em seu braço. Uma matilha inteira – feita de tinta e dor, memória e perda. Era a única coisa nela que sempre continuava igual.

Yael é uma adolescente que fugiu do campo de concentração e faz parte da Resistência. Carregando cinco lobos tatuados em seu braço – uma lembrança das pessoas que perdeu –, ela sofreu torturas durante anos sendo cobaia de um experimento médico para transformar todas as pessoas em arianas e o resultado de todos esses testes seria a chave principal para conseguir êxito na sua missão.

Para conseguir executar seu plano, a garota precisa tomar a identidade de Adele Wolfe, a vencedora do último Tour, mas é claro que transformar-se em outra pessoa não é fácil assim – nem mesmo para Yael. Apesar de seu treinamento e de ter sangue frio, a jovem tem que lidar com Felix Wolfe, irmão gêmeo de Adele que tenta protegê-la a qualquer custo, e também com os outros competidores da corrida, além de fingir sentimentos que não têm e esconder aqueles que têm, tudo isso para mostrar ao vivo a morte de Adolf Hitler. Será que ela é capaz?

Ainda havia beleza no mundo. E valia a pena lutar por ela.

Ryan Graudin conseguiu juntar duas coisas que amo em livros: a Segunda Guerra Mundial e uma pitada de fantasia. Apesar de ter demorado um pouco para pegar o gancho do livro, a história fluiu rapidamente, pois a curiosidade falou mais alto! O livro é muito bem escrito, os personagens são incríveis e desenvoltos e é fácil se apegar a eles. Todo o cenário da corrida me fascinou e com certeza o livro foi tudo e mais um pouco que eu imaginei quando o escolhi!

Lobo por Lobo é o primeiro livro de uma duologia, seu final foi totalmente inesperado e estou ansiosa pelo lançamento de Blood for Blood (Sangue por Sangue), que espero ser tão bom quanto o primeiro. Ah, e as palavras usadas em alemão me deixaram apaixonadas, mas bem que podiam ter notas de rodapé com a tradução né? Cof, cof. Apesar de amar a língua, infelizmente não sou fluente e sim, é chato parar a leitura para procurar o significado de tal palavra. Fora isso: perfeito! Yael conquistou meu coraçãozinho com sua garra e personalidade!

Então Yael traçou tudo. Vida por vida. Lobo por lobo.

Editora Companhia das Letras, Quadrinhos na Cia, Resenhas
[Resenha] Repeteco
26.jan.2017
Título: Repeteco Título original: Seconds Autor: Bryan Lee O’MalleyAno: 2016 Editora: Quadrinhos na Cia Número de páginas: 336

Repeteco é uma graphic novel linda, linda. Os desenhos e a coloração me fascinaram demais e a história ficou ainda mais interessante nesse formato.

ATENÇÃO:

A resenha a seguir contém alguns quadrinhos retirados do livro, mas não há spoiler.

Katie era uma talentosa chef de cozinha que há quatro anos havia montado um restaurante com alguns amigos: o Repeteco. Naquela época, o restaurante era sua cara e ela se sentia feliz com a realização, mas agora que ela beirava os 30 anos, seu sonho era montar um lugar diferente e que carregasse seu nome.

Ocorre que o prédio escolhido por Katie, apesar de ter muito potencial, era velho – lê-se: tinha muitos, muitos problemas que demorariam a serem resolvidos antes da inauguração do restaurante – e, por isso, a garota andava muito estressada e sentindo-se presa ao Repeteco, já que ela até mesmo alugava um quarto naquele prédio para não ter gastos altos.

Sabe aquele acontecimento na vida que a gente tem uma vontade enorme de mudar? Seja o corte de cabelo, o lado da cama, a faculdade ou o emprego? Pois é. Depois que o relacionamento de Katie e Max havia terminado, ela estava enlouquecida para ter seu próprio canto – que, pra uma chef de cozinha, obviamente significa ter seu próprio restaurante. E aí foi em uma noite qualquer, no seu quartinho em cima do Repeteco que algo estranho aconteceu.

A Lis – esse estranho e misterioso espírito do lar – desapareceu da mesma maneira que apareceu e foi só no dia seguinte, quando várias coisas deram errado, que Katie lembrou daquela garota na cômoda e achou um embrulho na gaveta, que poderia ser a chance de mudar aqueles acontecimentos: um repeteco.

Porém, como bem aprendemos nos livros e filmes sobre o assunto, mudar o passado nunca acaba bem! Com a ajuda de Hazel – uma funcionária do Repeteco que estranhamente deixava roupas e comida para Lis, sem saber que ela existia mesmo -, Katie tem que se virar pra tentar desfazer todo o rolo que fez comendo vários cogumelos.

Repeteco é uma graphic novel linda, linda. Os desenhos e a coloração me fascinaram demais e a história ficou ainda mais interessante nesse formato. A narração é bem-humorada, a amizade entre Katie e Hazel é fofa demais e a única coisa descartável é o relacionamento de Katie e Max, que sinceramente, poderia nem existir, mas já que existe né…?

A Companhia das Letras está de parabéns por trazer esse livro para o Brasil. Bryan Lee O’Malley é um autor diferenciado e espalhou alguns de seus personagens da série Scott Pilgrim (já lançado aqui pela editora) nos desenhos da Katie, mas não diga que eu contei!  Não poderia deixar de elogiar a tradução de Érico Assis, a começar pela sacada (difícil) do título. E bom… Depois de ter passado por muita loucura, aposto que se a Katie fosse dar um conselho seria esse: não coma cogumelos – se é que me entende!

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