Desventuras em Série, Editora Companhia das Letras, Resenhas
Título: Mau Começo –  Desventuras em Série #1 Título original: The Bad Beginning Autor: Lemony SnicketAno: 2001 Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 152

A narração de Snicket é hilária e irônica. A todo momento ele tenta fazer o leitor desistir dos livros, dando ênfase em como os irmãos Baudelaire são desafortunados e de como a história é desagradável e infeliz.
Título: A Sala dos Répteis –  Desventuras em Série #2 Título original: Autor: Lemony SnicketAno: 2001 Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 184

A narração de Snicket é hilária e irônica. A todo momento ele tenta fazer o leitor desistir dos livros, dando ênfase em como os irmãos Baudelaire são desafortunados e de como a história é desagradável e infeliz.

Mau Começo e A Sala dos Répteis são os dois primeiros dos 13 livros das Desventuras em Série. Apesar de bastante conhecida, até então eu não havia tido contato com a série, nem por meio dos livros, tampouco do filme lançado em 2004.

Com a notícia de que a Netflix estaria trazendo de volta essa coleção para as telas, em forma de seriado, decidi que já passava da hora de conhecer os órfãos Baudelaire e o assustador Conde Olaf e cá estou para apresentá-los e contar minha primeira impressão.

Violet é a mais velha dos 3 filhos dos Baudelaire. Com 14 anos, a garota é descrita como uma das maiores inventoras de seu tempo. Klaus, o irmão do meio, é um amante de livros muito inteligente. E por último, Sunny, ainda bebê, adora morder e inventar palavras.

Os infortúnios dos jovens Baudelaire começam logo nas primeiras páginas do Mau Começo e o narrador e personagem indireto Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler) deixa claro, bem claro, que este não é um livro para qualquer um.

Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz, como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos felizes no miolo da história são pouquíssimos. (Mau Começo)

Após um terrível incêndio que leva a vida de seus pais, os órfãos Baudelaire são entregues aos cuidados de Conde Olaf, um parente distante que apenas quer a grande fortuna das crianças e planeja coisas mirabolantes – Snicket explicaria esta palavra em sua narração – para conseguir.

Usando suas técnicas e inteligência, os irmãos tentam de todas as formas pedir ajuda e fugir de seu terrível tutor, sendo ele, porém, muito esperto e sem escrúpulos. Depois dos imprevistos em seu plano inicial no primeiro livro, Conde Olaf volta a infernizar a vida dos órfãos em A Sala dos Répteis, logo quando eles haviam sido adotados pelo amoroso Tio Monty e estavam felizes. É claro, sabemos que a felicidade dos Baudelaire não dura muito.

De todas as pessoas no mundo com vidas deploráveis – e vocês bem sabem que há um bom número delas -, os jovens Baudelaire ganham o prêmio, expressão aqui usada para significar que eles passaram por mais coisas abomináveis do que qualquer outra pessoa que conheço. (A Sala dos Répteis)

A narração de Snicket é hilária e irônica. A todo momento ele tenta fazer o leitor desistir dos livros, dando ênfase em como os irmãos Baudelaire são desafortunados e de como a história é desagradável e infeliz. Ele dedica todas as suas obras à Beatrice – querida, adorada, morta. Me arrisco em dizer que a narração é o principal ponto da série de livros: ou você ama ou você odeia.

Desventuras em Série pode parecer simples livros infanto-juvenis, mas carrega críticas de gente grande. No primeiro livro, por exemplo, o assunto de adoção e herança é abordado do ponto de vista de órfãos que somente querem comprar uma casa e viver com uma família decente, mas que, por força de lei, são obrigados a ficar com um homem asqueroso que somente quer sua fortuna.

Os adultos dos livros estão sempre ocupados demais para levar em consideração a opinião dos Baudelaire sobre o Conde Olaf, seus planos e disfarces. “Preciso atender esta ligação; ora, ele somente pede a vocês que ajudem em casa, isto não é exploração, é agir in loco parentis; crianças, este não é o Conde Olaf, vocês estão apenas abaladas por tudo que já passaram”. Pode parecer muita fantasia, mas será que nós nunca deixamos de ouvir coisas importantes das crianças (principalmente quando não são nossos filhos) por estarmos ocupados demais?

Mau Começo foi um ótimo começo e A Sala dos Répteis foi uma ótima continuação para mim, que estou apaixonada por esta série de livros pequenos, irônicos e desagradáveis. Ah, e hoje estreou o seriado na Netflix, com Neil Patrick Harris no papel do Conde Olaf, corre lá!

Há muitos tipos de livros no mundo, o que faz sentido, porque há muitos e muitos tipos de pessoas, e os gostos são diferentes. Por exemplo, pessoas que detestam histórias em que acontecem coisas horríveis a criancinhas deveriam fechar este livro imediatamente. (Mau Começo)

E aí, você se interessou por essa história infeliz?

Editora Galera Record, Resenhas

Título: Deuses e Monstros – Filha das Trevas #1 Título original: Darkness Becomes Her Autora: Kelly Keaton Ano: 2016 Editora: Galera Record Número de páginas: 288

Filha das Trevas é o primeiro livro da série Deuses e Monstros e nele Ari descobre seu passado, seus poderes e seu maior desejo: a vingança.

Aristanae Selkirk é uma jovem de 17 anos em busca de seus pais biológicos. Com olhos azul-esverdeados e cabelos prateados naturais, Ari passou por diversas famílias até chegar à Bruce e Casey, seus pais adotivos que a amavam muito e que lhe ensinaram técnicas defensivas e uso de armas de fogo.

Depois de encontrar um bilhete de sua mãe biológica que dizia para ela fugir, sem nenhuma explicação, e um homem tentar matá-la e depois evaporar – literalmente -, Ari decidiu que precisava voltar à Nova 2, sua cidade natal, que fora destruída por furacões e pertencia agora à nove famílias antigas cheias de mistérios – a Novem.

Depois de conhecer essas famílias de perto e seus descendentes, Ari soube o porquê ninguém ia até Nova 2: a Novem era formada por um grupo de bruxos, semideuses, metamorfos e vampiros. Assim, a garota descobriu que seus cabelos prateados não eram nada esquisitos perto de todas as criaturas e poderes que haviam na cidade e soube, então, que quem estava atrás dela e também esteve atrás de todas as suas ancestrais (o motivo de sua mãe avisar-lhe para fugir) era ninguém mais que uma deusa: Atena.

Atena retesou o corpo, os olhos se arregalando por uma fração de segundo. Só um ligeiro tremeluzir da dor e um espasmo no seu braço. Meu maxilar enrijeceu. Ela aumentou a pressão contra meu peito, mas eu estava, de alguma maneira, afastando sua mão de mim.
Baixei os olhos para o ponto onde minha mão envolvia o pulso da deusa, onde a pele branca de Atena estava ficando cinza e endurecida.
Mas o que é isso?

Filha das Trevas é o primeiro livro da série Deuses e Monstros e nele Ari descobre seu passado, seus poderes e seu maior desejo: a vingança. A história é narrada em primeira pessoa e, apesar de ter gostado bastante do livro, senti que algumas coisas se passaram muito depressa.

Há muitos personagens diferentes e exóticos que deveriam ter sido explorados pela autora – não dá nem pra lembrar o nome de todos. Além disso, senti um excesso de informação em algumas partes, o que pode deixar o leitor confuso, por tratar-se de um livro de fantasia, que mescla seres sobrenaturais com a mitologia grega.

A impressão que tive é que a autora teve pressa em explicar alguns fatos, sendo eles importantes demais para o entendimento de toda a série, sendo que, justamente por tratar-se de vários livros ela poderia ter detalhado muito mais a história e ter deixado alguns personagens aparecer somente mais pra frente.

Apesar disso, gostei da mesclagem de vários seres fantasiosos e a descoberta dos poderes de Ari e o motivo de Atena odiá-la foram os pontos que mais me chamaram a atenção e que espero que sejam bastante explorados nas continuações que, por sinal, estou louca pra ler!

– Logo ela vai estar de volta – falou Violet. – O que você vai fazer?
Meu olhar fitou de relance o túmulo onde Atena pousara mais cedo.
– Eu não sei.
– Você devia matá-la.

Editora Galera Record, Resenhas

Título: Novembro, 9 Título original: November 9 Autora: Colleen Hoover Ano: 2016 Editora: Galera Record Número de páginas: 352

Eu nunca poderia imaginar isso tudo. E eu nunca poderia amar tanto um final como esse. Novembro, 9 mereceu entrar na minha lista de favoritos.

Fallon O’Neil tem 18 anos quando resolve sair de Los Angeles e ir para Nova York retomar sua carreira de atriz, que fora interrompida por um incêndio quando ela tinha 16 anos, na noite de 9 de novembro. O lado esquerdo de seu corpo ficou cheio de cicatrizes, desde o rosto até a cintura, o que a fez se esconder de tudo e todos nos últimos dois anos.

No dia em que embarcaria para a mudança, em mais um 9 de novembro, enquanto seu pai tentava fazê-la desistir da ideia, já que ela já não tinha mais a beleza necessária para a carreira de atriz, Fallon é surpreendida por Benton James Kessler, um jovem aspirante a escritor, que se senta ao seu lado e finge ser seu namorado, defendendo-a das palavras duras de seu pai. Mas quem era ele, afinal?

– Fallon – diz ele, exigindo minha atenção. Seus dedos encontram meu queixo e ele inclina meu rosto para cima. Quando abro os olhos, ele está um pouco mais perto do que eu imaginava. Está me olhando de cima com uma expressão penetrante. – As pessoas querem olhar para você. Acredite em mim, eu sou uma delas. Mas quando tudo em você grita “vire o rosto”, é exatamente o que elas vão fazer. A única pessoa que se importa com algumas cicatrizes no seu rosto é você.

A ligação de Fallon e Ben é instantânea. Que vida mais injusta. A garota passa dois anos inteiros se sentindo a mais feia do mundo e justo no dia em que resolve se mudar de Los Angeles conhece um cara que a faz sentir como se a vida valesse a pena. E foi então que Ben teve uma magnífica ideia, já que ambos sabiam que Fallon não deveria desistir de seus sonhos por um cara que acabou de conhecer.

– E se… – Ele para e me encara. – E se nos encontrássemos de novo no ano que vem, no mesmo dia? Todos os anos? Faremos isso por cinco anos. Mesma data, mesma hora, mesmo lugar. Vamos continuar de onde paramos esta noite, mas só nesse dia. Vou saber se você está fazendo seus testes de elenco e posso escrever um livro sobre os dias que passamos juntos.

A mãe de Fallon acreditava que uma garota não deveria se apaixonar antes dos 23 anos, pois assim não conseguiria conhecer a si mesma. Seguindo essa lógica, o combinado foi se encontrar todo ano, por mais cinco anos, até os dois terem completado 23. Dessa forma se bloquearam em redes sociais, não trocaram telefones e cada um seguiu sua vida, com algumas metas para o próximo 9 de novembro.

Novembro, 9 é escrito em primeira pessoa, alternado por Fallon e Ben, com capítulos de todos os seus 9 de novembro’s. Quando peguei esse livro logo pensei que já havia visto uma história parecida. E o que mais gostei foi que a autora também pensou nisso, e o próprio Ben se defendeu do meu pensamento, já que ele estava escrevendo sobre seu romance.

– Parece um pouco Sintonia de amor – comenta Tate.

Balanço a cabeça no mesmo instante.

– Não é nada assim. Eles só concordaram em se encontrar uma vez.

– É verdade. Então parece Um dia. Aquele filme com a Anne Hathaway.

Mais uma vez desprezo sua comparação.

– Esse filme se concentra só e um determinado dia todo ano, mas as duas pessoas ainda interagem normalmente durante o ano. Fallon e eu não temos contato nenhum.

Não sei bem como descrever a intensidade desse romance. Se algo desse errado, se o avião atrasasse ou um não pudesse ir ao encontro, não poderiam avisar antes, pois não tinham contato, deveriam apenas esperar o outro chegar no local combinado e ligar explicando o que aconteceu. E aí deveriam esperar mais um ano, pois esse era o enredo do livro e se era amor de verdade, então chegariam ao final feliz.

O problema é que a vida real é um pouco mais complicada que os livros. Coisas ruins acontecem entre cinco anos, vidas mudam e pessoas se machucam. Eu imaginava que a coisa toda ia desandar em algum 9 de novembro e que, no último, tudo ia dar certo, como um bom romance. Só que não foi só isso que aconteceu.

O enredo do livro de Ben não começou quando ambos tinham 18 anos, naquele 9 de novembro quando Fallon foi para Nova York. O enredo começou em outro 9 de novembro e cada página do livro de Ben, sendo lido por Fallon, me fez chorar e envelhecer muitos anos. Eu nunca poderia imaginar isso tudo. E eu nunca poderia amar tanto um final como esse. Novembro, 9 mereceu entrar na minha lista de favoritos.

– Por favor, não me odeie.

Mas tenho medo de que já seja tarde demais.

Digo ao motorista para irmos e quando estou a uma distância segura no estacionamento, o táxi para antes de pegar a rua. Olho para trás. Ele está parado na frente do prédio, as mãos na nuca. Ele me vê partir. Seguro o maior número possível de páginas do manuscrito e jogo-as pela janela. Antes que o táxi arranque, me viro a tempo de ver que ele se ajoelha na calçada, derrotado.

Levei quatro anos para me apaixonar por ele.

Levei só quatro páginas para me desapaixonar.

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