Editora Seguinte, Resenhas
Título: Uma Canção de Ninar Título original: This Lullaby Autora: Sarah Dessen Ano: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 350

Uma Canção de Ninar não é um livro imprevisível, que deixa o leitor trêmulo com os acontecimentos, nem nada do tipo, mas é um livro muito bom para quem gosta de romances e precisa de uma ajudinha pra acreditar de novo no amor.

Remy era uma garota comum que acabara de terminar o ensino médio e não via a hora de ir para uma faculdade longe dos casamentos loucos e não-duráveis de sua mãe. Antes disso, porém, havia o quinto casamento e ela ficara encarregada de organizá-lo.

Sua mãe, Barbara Starr, era uma escritora romântica famosa que não conseguia viver suas aventuras amorosas na vida real, o que fez Remy acreditar que o amor não existia. Já seu pai era um músico que deixou um legado para sua filha, apesar de tê-la abandonado quando recém-nascida e falecido pouco tempo depois. A música chamada Uma Canção de Ninar, que ele escrevera em homenagem à pequena Remy, continuava tocando em todas as rádios, mesmo depois de anos, o que apenas servia de lembrete para a garota: nunca, em hipótese alguma, saia com um músico.

Esta canção de ninar
Tem poucas palavras
Apenas alguns acordes
Neste quarto vazio
Mas você pode ouvir e ouvir
Aonde quer que vá
Vou te decepcionar
Mas esta canção vai continuar a tocar…

O que acontece depois é previsível, porém interessante. Dexter, um músico totalmente desorganizado e de bem com a vida, é chamado pra tocar no casamento da mãe de Remy com sua banda, e assim o caminho dos dois se cruzam.

O livro é super fofo, com personagens bem marcantes e a narração em primeira pessoa pelo ponto de vista de Remy faz o leitor relembrar a adolescência, quando não se sabe ao certo como lidar com os pais, com as paqueras, os amigos, as festas e a faculdade.

– Eu posso escrever uma música pra você – ele ofereceu, indo atrás de mim. Eu andava tão rápido que estava derramando as cervejas. E mesmo assim ele conseguia me acompanhar.
– Não quero música nenhuma.
– Todo mundo quer uma música!
– Eu não.

As questões básicas dos relacionamentos, como as brigas de irmãos, o fato de ter que se dar bem com um padrasto, lidar com traição, ter que se separar das amigas do ensino médio, entre outras, foram muito bem construídas na história, o que cria lições de vida bacanas.

Escolhi este livro em especial porque eu namoro um músico e achei super legal a ideia de colocar o lembrete de Remy na capa do livro. Adorei o fato de Remy ter uma música em homenagem à ela, pois acredito que tudo que está escrito torna-se infinito e a importância dessa música na vida dela é trazida de uma bela forma em sua narração. A citação de várias bandas de rock também me deixou feliz com o livro e o final da história não me decepcionou.

Uma Canção de Ninar não é um livro imprevisível, que deixa o leitor trêmulo com os acontecimentos, nem nada do tipo, mas é um livro muito bom para quem gosta de romances juvenis e precisa de uma ajudinha pra acreditar de novo no amor. Não é um dos meus gêneros favoritos, mas a música foi um ponto que ganhou meu coração. Sabe aquela história feita para você relaxar depois de uma semana doida? É essa.

Enquanto o resto do mundo seguia alheio, tomando café, lendo o caderno de esportes e pegando as roupas na lavanderia, eu me inclinava para a frente e beijava Dexter, fazendo uma escolha que mudaria tudo.

Editora Companhia das Letras, Resenhas
Título: Gigantes Adormecidos Título original: Sleeping Giants Autor: Sylvain Neuvel Ano: 2016 Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 310

É um livro muito bem escrito, com uma história incrível e que prende o leitor do começo ao fim, deixando muitos mistérios no ar. E o final é maravilhoso. Resumindo: um livro digno de ser listado nos meus favoritos!

Gigantes Adormecidos é um livro de ficção científica que… Pause. Primeiramente, eu gostaria de agradecer às mentes geniais e maravilhosas que decidiram focar os lançamentos da editora nesse gênero, em especial. Ficção científica, apesar de fazer sucesso nas telas de cinema, é um gênero pouco lido, talvez pelas explicações científicas difíceis de serem absorvidas por meros mortais como nós, ou ainda pela dificuldade em imaginar as cenas que são, literalmente, de outro mundo.

Agora sim, vamos lá! Gigantes Adormecidos é o primeiro livro da trilogia Os Arquivos Têmis e começa com um epílogo de quando Rose Franklin, uma menininha de 11 anos, decide pedalar em sua bicicleta nova e, atraída por uma estranha e linda luz azul turquesa em um bosque, acaba caindo em cima de um gigantesco pedaço de metal em forma de uma mão, que simplesmente estava enterrado abaixo de onde seus pequenos pés pisaram.

– A mão está aberta, com os dedos muito juntos e ligeiramente dobrados. É como se segurasse algo muito precioso ou um punhado de areia e tentasse não derrubar nada. Existem sulcos como os que na pele humana normalmente se dobram, e outros que parecem meramente decorativos. Todos emitem o mesmo brilho turquesa, que mostra a iridescência do metal. A mão parece forte, mas… sofisticada é a única palavra que me vem à mente. Acho que é uma mão feminina.

Anos mais tarde, a pequena Rose torna-se PhD em Física e, quando a 3ª Subtenente Kara Resnik e o 4º Subtenente Ryan Mitchell encontram, enquanto faziam uma missão do Exército, um antebraço gigante com luz turquesa que estava enterrado, idêntico à mão encontrada anteriormente, ambos são convidados por um estranho homem sem nome a estudar aquelas partes gigantes que muitos já haviam desistido de decifrar.

– Deve haver uma explicação muito mais plausível, mas não consegui descobrir qual. Como cientista, só posso dizer que, hoje, a humanidade não possui recursos, conhecimento ou tecnologia para construir algo semelhante. […] Assim, respondendo à sua pergunta, eu não acredito que essas coisas tenham sido construídas por seres humanos. Pode tirar as próprias conclusões dessas palavras.

Dessa forma, com a ajuda de Vincent Couture, um genial estudante universitário que decifrou alguns códigos escritos nas partes gigantes encontradas, a equipe do homem misterioso continuou a estudar sobre o que estava acontecendo e o motivo daquelas partes estarem ressurgindo.

Gigantes Adormecidos me deixou eufórica, a começar pela capa. Toda a história é contada através de entrevistas e relatórios arquivados, o que faz o leitor sentir como se estivesse mexendo em algo proibido em algum laboratório muito importante. Eu não sei descrever tudo que senti lendo esse livro, porque eu simplesmente AMEI! Estou louca pela continuação, que só será publicada no ano que vem, infelizmente. É um livro muito bem escrito, com uma história incrível e que prende o leitor do começo ao fim, deixando muitos mistérios no ar. E o final é maravilhoso. Resumindo: um livro digno de ser listado nos meus favoritos!

– Gosta de histórias? Espero que sim, porque vou contar uma que ouvi na infância. […] Preparando-se para uma guerra inevitável, o imperador construiu máquinas gigantescas à imagem e à semelhança de seu povo. Eram armas indestrutíveis e tão poderosas que poderiam acabar com uma pequena cidade ou matar dez mil homens em questão de segundos. […] Passaram-se anos, séculos, e a guerra nunca aconteceu. Depois de dois mil anos, as máquinas foram retiradas da colônia. Uma foi deixada para trás, uma gigante chamada dhehméys pelo povo. Após ser desmontada, as partes foram espalhadas pela colônia. Acreditava-se que, quando o povo alcançasse determinado estágio em sua evolução, seria capaz de reencontrar a máquina e usá-la para se defender, caso a guerra acontecesse.

Editora Intrínseca, Resenhas

Título: Lugares Escuros Título original: Dark Places Autora: Gillian Flynn Ano: 2015 Editora: Intrínseca Número de páginas: 352

Confesso que esperava sentir um pouquinho de medo lendo, o que não aconteceu nem de longe, apesar de ter visto pessoas indicando lugares abertos e claros para lê-lo.

Libby Day tinha apenas 7 anos quando sua mãe e suas duas irmãs foram assassinadas em sua própria casa, no Kansas. O caso ficou conhecido como um sacrifício satânico e a pequena Libby testemunhou contra seu irmão, Ben Day, de 15 anos, acusando-o pelos assassinatos.

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A família Day era bastante pobre e Patty, a matriarca, tinha que lidar com as dívidas da fazenda em que viviam e dar conta de criar os 4 filhos sem nenhuma ajuda. Após sua morte, Ben foi condenado à prisão perpétua e Libby foi cuidada por familiares.

Passados 25 anos, o dinheiro doado por pessoas caridosas para ajudar a bebê Libby – agora já mulher – estava acabando e em busca de sustento ela conhece o Kill Club, uma sociedade secreta obcecada por crimes estranhos, como aquele que ocorrera em 1985 com a família Day.

Os integrantes do Kill Club de modo algum acreditavam que Ben Day havia assassinado sua própria família e, aos poucos, foram convencendo Libby a ir mais a fundo na história, afinal, ela tinha apenas 7 anos no dia do assassinato e mesmo assim um júri completo levou seu testemunho muito à sério e condenou um garoto de 15 anos à uma prisão perpétua.

– Ele tinha motivos suficientes para oito recursos – anunciou Magda grandiosamente. Eu me dei conta de que ela era uma daquelas mulheres que apareciam à minha porta para gritar comigo. Fiquei contente de nunca ter dado meu endereço a Lyle. – Não lutar não significa que seja culpado, Libby, significa que ele perdeu a esperança.

Lugares Escuros foi lançado em 2015 no Brasil e, logo após, Charlize Theron interpretou Libby Day na tela de cinema. Este ano, foi relançado com uma capa simples, porém melhor que a anterior, que era a mesma do filme.

A narrativa do livro é interessante por mostrar três visões diferentes dos acontecimentos – além de Libby, Patty e Ben também mostram sua visão do passado. Quando a narração volta para o presente aos olhos de Libby, o suspense todo em volta dos assassinatos e a certeza que o Kill Club tinha de que Ben era inocente deixam o leitor em êxtase.

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Apesar de causar curiosidade, é um livro com poucos diálogos, o que pode deixar o leitor um pouco cansado e entediado. Eu, particularmente, senti dificuldade com a narração, principalmente no começo, não só pelo cansaço, mas também pelo fato de os personagens não serem muito impressionantes.

Você não consegue torcer por um personagem, nem se identificar com ele, apenas pensa em descobrir o que aconteceu na noite dos assassinatos. O filme traz a mesma sensação. Libby Day não é tão interessante quanto sua história e nem Charlize Theron conseguiu salvar isso.

Escolhi esse livro pois estava em uma vibe de terror e suspense. Confesso que esperava sentir um pouquinho de medo lendo, o que não aconteceu nem de longe, apesar de ter visto pessoas indicando lugares abertos e claros para lê-lo.

O final, porém, é surpreendente. Não consigo acreditar que alguém tenha adivinhado exatamente o que aconteceu na data de 3 de janeiro de 1985, na casa da família Day, pois é inimaginável. Ponto para a autora, que já é conhecida por suas histórias bem originais. Confiram também a resenha de Garota Exemplar.

Manquei até o telefone da cozinha, puxei-o para o chão, disquei o número da minha tia, o único que sabia de cor, e, quando Diane atendeu, gritei Estão todas mortas! em uma voz que feriu meus próprios ouvidos por sua intensidade. Depois me enfiei no espaço entre a geladeira e o forno e esperei por Diane.

No hospital eles me sedaram e removeram três dos meus dedos do pé congelados e meio dedo anelar. Desde então, tenho esperado para morrer.

Editora Planeta, Resenhas

Título: Diário de uma cúmplice Título original: Autora: Mila Wander Ano: 2016 Editora: Planeta Número de páginas: 334

Apesar de ser uma história simples, Diário de uma cúmplice conseguiu equilibrar o romance, a ação policial e o erotismo, deixando os fãs desses três gêneros satisfeitos com a narrativa criada pela autora.

Christine Monteiro é uma jovem bonita, de cabelos avermelhados e que vive de forma simples, sendo educadora de uma creche, não tendo muitos amigos e nem muitas paixões. Após perder seus pais em uma tragédia quando tinha 15 anos, Chris fechou-se em seu mundo e esforçou-se muito para manter uma vida super tediosa.

Em seu aniversário de 25 anos, Lessy, sua melhor amiga (ou única?), decide lhe presentear com um diário, aconselhando-a a usá-lo para desabafar e deixar de guardar suas tristezas somente para si. Sem muita escolha, Chris começa a escrever sua história.

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O tédio na vida de Chris começa a mudar quando ela se depara com o cara mais lindo que já havia visto na vida. Quando ele chegou perto, porém, não perguntou se ela tinha telefone. Perguntou se tinha um carro. E a ameaçou caso não cooperasse, já que a polícia estava logo ali, pronta para atirar naquele bandido gostoso. Ops, perigoso!

Ainda dava para ouvir algumas sirenes enquanto o acomodava e pegava uma toalha, a fim de estancar o seu ferimento. Ele tirou o casaco, a camisa e a calça bem depressa, mostrando um corpo sarado de academia que, não fosse pelo machucado horrível que não parava de sangrar, me deixaria completamente absorta.

Após salvar a vida do bandido misterioso – Miguel – e levá-lo são e salvo até a casa de sua quadrilha, por livre e espontânea vontade, Chris decide que já passou muitos anos da sua vida sendo normal e, ao invés de voltar correndo pro seu apartamento, a jovem decide que é hora de se aventurar.

Foi então que tive uma ideia bem maluca. Não sabia se daria certo, porém, naquele instante, não me questionei muito. Pintava os cabelos de vermelho-vivo havia anos, mas aquela nova fase da minha vida merecia uma mudança drástica. […]

Quando tive coragem de me olhar no espelho, o espanto foi enorme: estava tão diferente que parecia outra pessoa. Era a mulher forte, decidida e corajosa que enfrentava todos os perigos. Aquela não era exatamente eu, mas agora fazia parte de mim.

Eu seria uma loira fatal.

A história, narrada em primeiro pessoa em forma de diário, nos mostra que Christine tem uma vida normal que lhe é suficiente, até perceber que o mundo não é só aquilo que ela vê. A partir do momento em que se envolve com Miguel e descobre que é capaz de pegar em uma arma e matar um homem, não faria sentido algum voltar a dar aula para crianças e fingir que isso era felicidade.

Ignorando o começo da história, fantasioso demais, posso afirmar que Mila Wander criou um romance erótico policial muito bom. O tédio da vida de Chris é o tédio das nossas vidas, que acordamos cedo para trabalhar ou estudar, que chegamos cansados em casa, que não temos muita vontade de sair ou paquerar pessoas, de fazer esforço para não demonstrar nossos defeitos e mágoas e ressentimentos e tristezas e estresses e problemas e esquisitices logo nos primeiros minutos de conversa.

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Christine é uma personagem fascinante que vira Tatiana para entrar na quadrilha. Em alguns momentos é irritante vê-la tão Chris quando deveria ser tão Tati, mas é completamente aceitável que a nova personalidade forte não consiga inibir todas as fraquezas de seus 25 anos vividos.

Dessa forma, o romance entre Chris e Miguel, sua amizade com seu xará, Christian e sua rivalidade com Cristal, namorada de Miguel, faz o leitor pirar de tesão. Tesão não só pelas narrativas eróticas, mas também pela vida criminosa da quadrilha, pelos acontecimentos rápidos e inesperados, pela amizade tão bonita que se cria na história e pelo final do livro, totalmente imprevisível.

Apesar de ser uma história simples, Diário de uma cúmplice conseguiu equilibrar o romance, a ação policial e o erotismo, deixando os fãs desses três gêneros satisfeitos com a narrativa criada pela autora.

– Eu não presto, Christine. Também não te mereço. Mas por não prestar é que vou te ter sem merecer.

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