Editora Arqueiro, Resenhas

gsTítulo: Um Novo Amanhã Título original: The Next Always Autor: Nora Roberts Ano: 2016 Editora: Arqueiro Número de páginas: 320

É um enredo simples e sem surpresas, mas os livros dela geralmente são um conforto para mim e é a isso que se propõem.

Um Novo Amanhã é o primeiro livro da trilogia A Pousada, a qual já li no idioma original, este primeiro livro é meu favorito. Não muito difícil considerando que é da minha rainha Nora Roberts, e contém tudo o que adoro nos livros dela: uma protagonista feminina guerreira, um protagonista masculino encantador, personagens coadjuvantes sensacionais, sentimento, uma história que prende.

A vida de Clare Brewster sofreu uma grande reviravolta com a morte de seu marido, buscando algum conforto ela retorna a sua cidade natal Boonsboro com seus três filhos para tentar se reerguer. Por coincidência, sua nova casa fica diante ao Inn Boonsboro, local que já passou na mão de vários donos sem sucesso e havia o rumor de ser mal assombrado, e agora estava sendo reformado sob a responsabilidade de família Montgomery.

É sobre nós. É sobre confiança.

Beckett Montgomery é apaixonado por Clare desde que ele tinha dezesseis anos e quando descobre que ela está de volta após uma tragédia, dispõe-se a ajudá-la no que precisasse, afinal tinham sido amigos por muito tempo. Ela não estava procurando por um novo amor, mas talvez fosse o que estava precisando. Em meio a reaproximações e novas chances, a matriarca da família Montgomery e seus três filhos se empenham em revelar o potencial que a pousada tem, ainda que haja algo invisível que habita o lugar e que por alguma razão não quer que eles tenham sucesso.

Primeiramente, eu sou completamente apaixonada pelo Beckett. Ele é incrivelmente doce, gentil, prestativo, honesto e aquele tipo de personagem que eu queria poder abraçar e dizer “obrigada por existir”. A Clare é para mim um exemplo de mulher e de mãe, porque não sucumbir às obras do destino quando ele te sacaneia requer coragem e fazer tudo isso ainda sendo a melhor mãe possível para três garotos levados? Admirável. Vi muitas opiniões negativas a respeito desse livro, o que na verdade não entendo, mas a verdade é que o adorei. Acho que é extremamente família e que mostra a força de um sentimento que durou por anos sem ressentimento, assim como mostra a esperança de um recomeço tão bom quanto da primeira vez.

Ele ficou por quase uma hora. Claria teria o beijado de novo só pelo fato de que ele ter divertido tanto seus filhos. Ele nunca pareceu entediado ou irritado com uma conversa cheia de super heróis, seus poderes, seus parceiros e seus inimigos.

Beckett é extremamente carinhoso com os filhos da Clare sem em nenhum momento querer se colocar como um “pai substituto”, ele sabia seu lugar e mais do que isso sua intenção era ajuda-la. Gosto da forma como o relacionamento entre eles se desenvolve sem pressa, com fundamento, com motivo, sabe? É maduro e basicamente lindo. E tenho amor especial por livros que envolvem crianças, isso é um fato. Para mim esse daqui só acerta.

Você está seriamente falando sobre um fantasma. Este prédio – ou partes dele – está aqui por dois séculos e meio. Ia me soar bem estranho se não houvesse um fantasma. Nem tudo, todos, vai embora.

Não vi o aspecto do “fantasma” na história como especificamente necessário, mas ele não atrapalha o andamento do livro, só descobrimos a realidade sobre isso no último livro mesmo e faz sentido, mas não é a alma dos livros. Os momentos entre Beckett e seus irmãos Owen e Ryder são espetacularmente engraçados; o segundo livro traz a história de Owen e o terceiro de Ryder. E a mãe dos três é maravilhosa, virei tiete.

Mas sabe qual a melhor parte desta trilogia? Vou contar a vocês: Boonsboro fica na cidade de Maryland, onde Nora resida, e esse Inn realmente existia. Nora, isso mesmo a Nora, junto a seu marido comprou o local e o reformou, assim como a família faz na história, exatamente nos moldes em que ela descreve no livro; na verdade o estabelecimento é uma mistura de Bed & Breakfast com Boutique Hotel.

Harry, eu te prometi uma coisa. Eu disse que falaria com você antes de pedir a sua mãe para casar comigo. Eu preciso que me diga que está tudo bem eu pedir a ela.

A característica mais legal na pousada é o fato de que os quartos possuem nomes de casais famosos da literatura como Elizabeth & Darcy de “Orgulho e Preconceito” por Jane Austen, Jane & Rochester de “Jane Eyre” por Charlotte Brontë, e não poderia faltar o casal mais aclamado da autora: Eve & Roarke, da série Mortal. É tudo verdade, podem procurar no Google o site do lugar – ele é lindo demais e só aumentou ainda mais a minha vontade de ir para Maryland. O hotel fica em frente a livraria do marido da Nora, Bruce, que tem uma sessão dedicada a ela que é de babar.

Casais românticos. Cada um tem seu próprio sabor, seu próprio sentimento.

Então, minha gente, é isso. Ela tornou impossível que eu não me apaixonasse pela magia dessa história. É um enredo simples e sem surpresas, mas os livros dela geralmente são um conforto para mim e é a isso que se propõem, então para mim eles sempre entregam. Recomendadíssimo. Espero que coloque um sorrisão no rosto de vocês.

Colleen Hoover, Editora Galera Record, Resenhas

gsTítulo: Nunca Jamais Título original: Never never Autor: Colleen Hoover e Tarryn Fisher Ano: 2015 Editora: Galera Record Número de páginas: 159

Sobre o título? Uma frase particular entre os dois. Para quem já leu “A Culpa é das Estrelas”, pense no “Okay”, mas infinitamente menos romântico.

A resenha deste livro demorou a sair, mas finalmente chegou. Este livro foi originalmente publicado no dia do meu aniversário, 07.01, e eu o li pouco tempo depois de sua publicação. É Colleen Hoover, e apesar de eu não amar todos os livros dela, ela virou uma autora metalinguagem, não é? Autoexplicativa. Mas vamos à Never Never. De cara, o que me chamou a atenção foi a capa, seguida do título. A capa é expressiva, chamativa e representa a história de um jeito bem direto.

Os olhos dela são como dois livros abertos e eu de repente quero devorar todas as páginas.

E a história, você me pergunta? Tentarei explicar, mas é difícil, é bem difícil. A verdade é que a história é meio louca. E esqueça a sinopse: a sinopse honestamente não tem nada a ver. “Ele fará qualquer coisa para lembrar, ela fará qualquer coisa para esquecer”. Não sei de onde tiraram isso, talvez de outro livro, mas não é o que acontece em Never Never.

O livro conta a história do casal Silas e Charlie, alternando entre os pontos de vista dos dois. Depois de uma fatídica noite, eles perdem a memória sobre as próprias vidas a cada três dias. Acordam simplesmente sem uma noção sequer de quem são, onde moram e porque isto está acontecendo. Sem explicação. Pensam primeiro estarem sonhando, ou estarem ficando loucos, mas os dois? Como isso seria possível se estava acontecendo aos dois?

Ela é linda, mas de um jeito vergonhoso.

Ao longo do livro, eles vão descobrindo pequenas coisas: nomes, endereços, escola onde estudam, família e que são um casal. Cientes de que ninguém mais acreditaria neles, iniciam uma “investigação” para entender o que estava acontecendo antes que o prazo acabasse e eles perdessem a memória de novo, só teriam suas anotações como lembranças.

A premissa é até interessante, se você deixar a lógica das coisas de lado. Mas o livro é doido, gente. Se eles não estão malucos, eu estou. É um festival de cenas aleatórias, e as supostas pistas para descobrir o mistério são inconclusivas. Não consegui estabelecer uma linha de raciocínio para acompanhar a história.

Eu posso não lembrar nada sobre ela, mas aposto que o seu sorriso era minha parte favorita nela.

Supostamente devemos nos envolver pelos personagens e pelo romance deles, mas nenhum dos personagens é suficientemente decente para que eu gostasse deles. Silas é mais ou menos, mas achei Charlie o cúmulo da irritância. Fora que o relacionamento deles pré-amnésia era absolutamente conturbado, um show de brigas, traições e términos. Eu não via um porquê de eles estarem juntos, embora Hoover e Fisher tenham se esforçado para escrever cenas que mostrava um acolhendo o outro nas condições adversas da vida. Só não me convenceu. Achei bem fraco.

Nós éramos um nós, Charlie. E puta merda, eu posso entender por que.

E o pior? No fim do livro não há nenhum desfecho, é como se terminássemos um capítulo ali para começar o capítulo seguinte com a Parte II. E eu já li também a parte II, por isso digo isso com mais propriedade. Parece um caso de uma fanfiction grande que na hora da edição para publicação, foi dividida em três partes para vender mais, e foi muito mal dividida. Esperava bem mais. Não é nem de perto o melhor trabalho da Hoover. Se estiverem pensando em começar a ler os livros dela, lei a primeiro a resenha de Métrica ou de Um Caso Perdido.

Sobre o título? “Never, never. Nunca, jamais”. Uma frase particular entre os dois. Para quem já leu “A Culpa é das Estrelas”, pense no “Okay”, mas infinitamente menos romântico.

Ponto alto do livro para mim: quem já leu Colleen Hoover sabe, ela sabe escrever frases metafóricas e de efeito como ninguém. Ela sabe descrever sentimentos lindos em frases, independente do que eu ache dos personagens ou da relação deles. Se não mais nada, poder apreciar as palavras dela é sempre um presente.

– Você acha que pode fazer com que eu goste de você de novo?

Eu olho para ela e balanço minimamente a cabeça. – Não. Vou fazer com que se apaixone por mim de novo.

Irmandade da Adaga Negra, J.R Ward, The Bourbon Kings

gsTítulo: The Bourbon Kings – não publicado no Brasil Título original: The Bourbon Kings Autor: J.R Ward Ano: 2015 Editora: Número de páginas: 400

Para quem é fã da Ward, acho que este livro já deve estar na lista. Para quem não é, por gentileza, não comecem a ler por esse livro. Escolha um da Irmandade. Eles dão orgulho.

Então, nova série da J.R. Ward. Fãs da Irmandade da Adaga Negra enlouquecidos (a), eu não estava muito ansiosa para este livro. Embora Ward já tenha arriscado escrever alguns livros com personagens humanos, esta é a primeira série com personagens humanos. Com minha mão no queixo, coloquei-me na posição de avaliá-la.

Desde o início, já percebi que não sentiria aquele turbilhão de emoções ou teria aquela empatia pelos personagens como acontece em IAN. Mas adoro um drama, adoro personagens complicados, admito também que histórias com famílias me interessam muito, na maioria das vezes gosto do que a Ward escreve. O que podia dar errado? Antes de dar meu veredito sobre o livro, vamos destrinchar a história e seus personagens.

Tulaine, ou Lane, membro da família Bradford, conhecida no mundo pela supremacia no que tange à produção e venda de Bourbon. Primeiras impressões dele: meh. Infelizmente já adianto que minhas impressões se estenderam pelo livro e tirando algumas atitudes/palavras extremamente machistas que me enfureceram, não senti nada por ele no decorrer da história. Começamos testemunhando Lane retornando a casa onde havia crescido em Kentucky após dois anos, porque sua mãe de consideração estava com um sério problema de saúde. Lá ele reencontraria seu grande amor, Lizzie King. Lizzie King, da série: personagens sem sal, sem voz e sem vontade própria e incapacidade de dizer não. Trabalha para a família Bradford, ainda que seja tratado de modo horrível, e se apaixonou perdidamente por Tulaine, acaba tendo seu coração partido por ele.

No decorrer da história conhecemos William, patriarca da família que possui todas as características abomináveis que um ser humano pode possuir. Edward, o irmão mais velho atormentado que carrega cicatrizes psicológicas e físicas de um sequestro que sofreu (e dos punhos do pai durante toda a vida), e se tornou alguém que vive bêbado, amargurado e chorando por um amor com quem, segundo ele, nunca tivera chance. Max, um irmão que pouco é mencionado e que não me lembro de ter sequer aparecido na história (corrijam-me, por favor, admito que não esteja certa desta informação). Gin, a única filha mulher da família que é egoísta, mimada, inconsequente, que supostamente amaria a filha, ainda que tenha a abandonado para ser criada por empregados, e que supostamente é uma boa pessoa em seu interior. É importante a menção destes personagens, porque este não é um romance, é um drama familiar. Ou como pensei enquanto estava lendo, e como li em algumas resenhas, uma novela. Não sou muito fã de novelas, mas quem é, talvez goste deste livro.

– E se eu não quiser mais você. O que fará então?

– Você está dizendo que isto é verdade?

– Talvez.

– Então eu vou aceitar. Vai acabar comigo… Mas irei embora.

Há alguns outros personagens introduzidos neste livro, alguns que protagonizarão próximos livros junto aos irmãos. É o caso de Samuel, que é apaixonado supostamente pela Gin e a Gin por ele. Descrição da relação deles: patológica. E Sutton, por quem Edward é apaixonado e quem o ama de volta, sem ele saber. Descrição da relação deles: mal entendido bobo que faz leitores perderem tempo. Admito, porém, que eles são os personagens os quais achei “menos pior.” A Chantal, esposa de Lane (ainda no papel) com quem ele casou porque ela fingiu uma gravidez (novela!) e largou a Lizzie para trás como uma blusa velha que resolve usar como pano de chão; aquela clássica vilã estereotipada que pisa na mocinha tratando-a como escrava, faz tudo para manter a vida de madame e se comporta como  um indivíduo sem cérebro, noção ou inteligência mínima. Ela é desprezível, sem mais.

Quando Lane volta para casa, descobre que na verdade a fortuna da família não existe mais. Começa então a investigar como ocorreu isso, além da suspeita de que William estava roubando dinheiro para esconder isto. Ele se aproxima de Lizzie, que supostamente reluta (na verdade não, ela diz uma coisa rude ou duas a ele, então cede) e decide pedir o divórcio a Chantal.

O próximo trecho pode conter spoilers!

Adivinhem só, Chantal aparece grávida… De novo. (novela!) Mas não é possível porque ele não encosta nela há mais de dois anos, então ela diz que é do pai dele e que revelará ao muuuundo se ele se divorciar dela (Novela!), e isso acabaria de vez com a mãe biológica de Lane, quem já estava basicamente em estado vegetativo por conta de problemas mentais.

Eles não tinham mais profundidade do que suas postagens no Facebook. Do que seu inabalável egoísmo. Do que suas frivolidades cruéis.

Em paralelo, afinal este é um drama familiar e existem muitos outros POVs além de Lane e Lizzie, Edward acaba reencontrando Sutton de um modo bastante peculiar, ao mesmo tempo em que não a reconhece, acreditando ser fruto da imaginação alcoolizada dele, e ela também não revela quem é. (Pense de novo, essa cena existiria em algum lugar que não o script de uma novela?) E a Gin está no vai e vem com Samuel, enquanto os dois transam desesperadamente com qualquer coisa que se mexa para se vingar um do outro já que na verdade eles se odeiam. Eles se tratam como lixo, acusam um ao outro de se tratar como lixo, então se engolem porque afinal, de novo eles se odeiam, para em seguida engolir outras pessoas e dar prosseguimento ao ciclo. Observação: de novo relacionamento patológico. E fica pior, especialmente em uma cena que eu achei que fosse pessimamente retratada em toda a seriedade que representava, mas chega de detalhes.

De verdade, era como se eu pudesse ouvir um locutor – daqueles com aquela voz tipo o Lombardi do SBT, sabe? – narrando esta história. Eu sinto muito dizer, mas achei patético e medíocre do início ao fim. E mesmo sem muitas expectativas pré-livro, isso me decepcionou. Havia algumas características do estilo de escrever da Ward, mas no geral eu só pensava “ela pagou a alguém para escrever isso porque estava passando por um bloqueio, não é possível ter sido ela, eu me recuso a crer”. E peço desculpas pelo tom irônico e debochado e extremamente informal desta resenha, mas… É isso. Foram os sentimentos que despertou.

Honestamente? Achei a história mal escrita e os personagens de péssimo gosto. A premissa é boa, ao menos para mim, como disse adoro um drama familiar, mas os comportamentos dos personagens, por Deus, os diálogos… Quis bater com a cabeça na parede. Sem contar nas frases misóginas, machistas, preconceituosas, e simplesmente que pingavam descaso com o tratar uma pessoa com consideração. Se tratar assim uma pessoa é por que a ama (vale para todos os personagens), ficarei bem quietinha aqui na minha, sabe.

– Você é o amor da minha vida, estando comigo ou não.

Pontos pela: capa. Os livros da J.R. geralmente têm capas incríveis; premissa, sob outras circunstâncias, tinha tudo para dar certo. Acho que só. Eu li até o final, viu? Não sei se lerei os outros, eu já consegui me libertar dessa compulsão por terminar toda a série mesmo que não tenha gostado dela, mas vamos ver.

Sei que essa resenha vai gerar muitas opiniões contra, talvez algumas a favor, e no geral eu não gosto de escrever resenhas negativas, embora já tenha feito algumas para o blog. Questionei-me se devia escrever, então pensei: nem só de flores vive o mundo, não é? Para quem é fã da Ward, acho que este livro já deve estar na lista. Para quem não é, por gentileza, não comecem a ler por esse livro. Escolha um da Irmandade, por favorzinho, escolha um da Irmandade. Eles dão orgulho.

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