BEDA, Editora Arqueiro, Resenhas

gsTítulo: A Voz do Arqueiro Título original: Archer’s Voice Autor: Mia Sheridan Ano: 2015 Editora: Arqueiro Número de páginas: 336

Acho que no final do livro as coisas se encaixam muito perfeitamente […]  Na vida real não acredito que teria sido assim, mas é ficção, neste ponto é perdoável. É um livro muito fofo.

Que saudade de vir aqui! Que delícia eu voltar falando de um livro que achei tão fofo como Archer’s Voice. Mas primeiramente, eu preciso comentar que: no que estavam pensando quando traduziram o título deste livro? Archer’s voice se traduz Voz de Archer – Archer sendo o nome de um dos protagonistas. Por que cargas d’água resolveram traduzir um nome próprio? De verdade. Quando vejo esse tipo de coisa, me convenço cada vez mais que não existem revisões de nenhum trabalho hoje em dia. Não é um erro muito difícil de se perceber, alguém que fosse ler a sinopse do livro notaria que Archer é um nome próprio. De todo o modo, vamos ao livro.

A primeira protagonista que conhecemos é Bree Prescott. Bree se muda para Pelion, no Maine, depois da morte de seu pai buscando, para todos os efeitos, uma “mudança de ares”. Desde o início percebemos que havia uma motivação maior em ela querer deixar para trás a vida que tinha em função de uma mudança; mudança que precisava. Típico de cidade pequena, quando ela chega a cidadezinha logo vira notícia no local e atrai a atenção de todos. De cara, ela se sente bem no lugar, apesar dos olhares curiosos, principalmente quando conhece o recluso Archer Hale, alguém que morava ali desde que nascera e era ignorado por todos. Bree queria conhecer sua história e saber porque se esforçava tanto em parecer invisível.

A premissa da história me encantou imediatamente; acho que já comentei em alguma outra resenha que adoro um personagem atormentado, principalmente quando homem. Lol. E a capa do livro (felizmente mantida na versão brasileira) me chamou atenção porque é linda. E o livro é muito, muito fofo. Eu tive alguns por menores com o desenvolvimento em si, mas eu recomendaria.

Uma série de encontros por obra do destino (e também do cachorro de Bree) aproxima os dois, e Bree descobre algo que contribuiria para a reclusão de Archer: ele é mudo (está aí a justificativa do título do livro). Apesar de ele demonstrar claramente que não deseja companhia, amizade e muito menos o interesse de alguém, Bree vai se tornando cada vez mais importante para ele e vice e versa. Uma capacidade incrível que Archer tinha de expressar tanto sem precisar falar. Acho que me apaixonei por ele no instante que apareceu pela primeira vez e não porque ele foi gentil ou sedutor ou prestativo, muito pelo contrário. Mas se ele fosse alguém que eu conhecesse, diria que ele seria uma daquelas pessoas que te passam uma energia muito boa e como resultado, você quer passar mais e mais tempo com essa pessoa.

O livro se desenrola e outros personagens surgem, com eles segredos que envolvem uma tragédia que aconteceu há mais de uma década na cidade e que ocasionou a condição em que Archer vivia. Lobos disfarçados de cordeiros fingindo querer ajudar, drama familiar, disse me disse… E os dois tentando passar por tudo isso, juntos. Não era fácil. Archer havia se acostumado a viver sozinho, a não se comunicar profundamente com ninguém há tanto tempo que tinha dificuldade em se relacionar com Bree. Mas isso também atribuiu a ele uma inocência, uma pureza, e uma bondade que você dificilmente encontra em um adulto que se formou em sociedade. Um adulto que já foi, por assim dizer, “contaminado”.

Eu mudaria uma coisa ou outra que autora optou por adicionar ao livro. Acho também que em determinado momento Bree estava concentrada demais em tirar Archer de sua “casca” e apresentar ele ao mundo, mudando assim a pessoa que ele era. E não se deve buscar mudar ninguém. Ela tinha boas intenções sim, mas acho que devia ter atentado primeiro ao que ele queria. Ao que ele precisava. E de fato o que ele queria simplesmente era estar com ela, simples assim.

Acho que no final do livro as coisas se encaixam muito perfeitamente, de um jeito surreal. Na vida real não acredito que teria sido assim, mas é ficção, neste ponto é perdoável. É um livro muito, muito, muito fofo. Acho que é a terceira vez que digo isso, lol. E o meu único arrependimento aqui é que Archer não existe. De verdade, ele seria uma pessoa maravilhosa para se ter ao lado na vida. Seja como um amigo, amante, ou simplesmente alguém que manteve um coração bom apesar de tanto mal acontecendo ao nosso redor.

Resenhas, Universo dos Livros
[Resenha] Tied
24.jul.2015

gsTítulo: Tied Título original: Tied Autora: Emma Chase Ano: 2015 Editora: Universo dos Livros Número de páginas: 254

OK, para ser justa, o começo do livro me agradou. Foi leve, divertido na medida certa, e serviu para matar a saudade do Drew… Mas então, nada mais aconteceu.

Último livro da série Tangled. Lembro quando comecei a ler o primeiro livro da série, imaginando que seria somente mais uma história de romance bobo. E não é que eu estava certa? Espere, deixe eu me explicar… Eu continuo sendo apaixonada pelo primeiro livro da série, eu acho que a autora fez uma premissa ótima, mas talvez não devesse ter prosseguido. Eu não gostei de nenhum dos livros que vieram depois. E com esse último não foi diferente.

A sinopse da história promete um clímax que ainda estou esperando. De verdade, o Drew não faz nada dessa vez. Nada. Não que eu esteja reclamando… Não preciso de um grande drama, nem de uma grande briga, mas… Uma boa história seria legal, hein? A história foi irrelevante, ainda que tenha sido engraçada. Porque não tem como ler um POV do Drew e não se desmanchar em gargalhadas. Ah, esse homem, eu adoraria conhecê-lo.

OK, para ser justa, o começo do livro me agradou. Foi leve, divertido na medida certa, e serviu para matar a saudade do Drew… Mas então, nada mais aconteceu. Fui ficando entediada. Vegas se tornou um clichê batido já, e o fato de todos terem viajado juntos foi um tanto sem objetivo. Existe um mini conflito entre Steven e Alexandra (irmã de Drew). A grande besteira que o Drew faz não foi grande, e muito menos uma besteira; foi no máximo um mal entendido que não se desenvolveu porque (finalmente) eles conversaram antes de tudo. Certo que poderia ter dado uma grande m*da, e por um momento pareceu que daria, então Drew resolveu agir como homem e não como um garoto com hormônios explodindo; a tempestade passou.

– O que você vai dar para ele?

Ela sorri de modo convencido. – Apenas o melhor presente que uma mulher pode dar ao homem que ela ama.

Eu dou meu melhor chute. – Sexo anal?

Kate coloca as mãos sobre os olhos.

Poderia ter acabado aí, no tédio e “mornez” das coisas, no entanto, bem, começaram as coisas que me incomodaram. Esse livro foi uma explosão de coisas sem sentido. A começar pelo filho de Drew e Kate… Sei que supostamente o garoto foi descrito para ser engraçado como o pai, mas eu acho que existe hora para tudo e sou contra determinados tipos de brincadeira com crianças. Brincadeiras sexuais com os peitos da mamãe? Não. Desculpe, mas não. Existe um limite, galera.

Mas o que mais me incomodou no livro? O que o tornou finalmente inaceitável? O espetáculo de estereótipos que ele prega. E eu o.d.e.i.o estereótipos. Não sou ingênua, essa série traz estereótipos desde o primeiro livro e por muitas vezes o humor estava pautado neles. Entendo, aceito e reconheço. Mas sabe o que eu falei ali em cima sobre limites? Pois é, aqui foi extrapolado. E sabe o que é o pior disso tudo? É uma mulher escrevendo e reforçando estereótipos femininos. Caramba, em que década estamos? Minha irritação com esse livro chegou a um ponto que pensei em largá-lo, mas ele é pequeno e eu ainda sinto aquela dorzinha no coração ao largar um livro, então respirei fundo e terminei.

Em uma voz mais alta do que o pretendido, eu digo. – Oi, linda.

– Shhh! – ela ataca. – Se você acordar aquele bebê, eu vou arrancar cada pelo pubiano que tem na próxima vez que dormir.

O casamento deles não foi o suficiente para recuperar meu sentimento pela história. Foi ok, no máximo. Confesso que quando chegou a hora, eu já não estava no clima, porém. Cheguei à conclusão de que só gosto mesmo da Kate quando ela está rebatendo o que Drew diz, mas não necessariamente da pessoa dela. Então só restava somente o humor… Só que até o humor me pareceu muito forçado, todo diálogo era envolto de piadinhas e todo personagem tinha que ser um humorista. Então não. No fim, falhou até nisso.

Vocês querem um desfecho para série? Leiam. Mas vão devagar. Eu fui cheia de expectativas porque os livros 2 e 3 foram decepcionantes, mas pensei: ah, o segundo foi no ponto de vista da Kate, por isso não gostei; ah, o terceiro foi a história da Delores e do Matthew, por isso foi morno, mas não. A Emma Chase deu sorte no primeiro livro da série, e depois quis seguir a mesma receita de bolo usando ingredientes diferentes. Bem, para mim, o bolo solou.

– Que o dia mais triste de seu futuro e de Kate não seja pior que o dia mais feliz do passado de vocês.

Editora Bertrand, Resenhas
gsTítulo: Glória Mortal Título original: Glory in Death Autora:J.D Robb Ano: 2004 Editora: Bertrand Número de páginas: 363

Como eu já disse, o suspense é bom, mas o romance é infinitamente melhor.

Então, estou cá eu de novo com uma resenha do segundo livro da série Mortal da Nora Roberts. Faz um tempinho que li este livro, estou atualmente indo para o sexto, então perdoem qualquer inconsistência. Este segundo volume tem as semelhanças com o primeiro em alguns pontos por pertencerem a mesma série, e ainda que o suspense seja bem construído, confesso que achei o primeiro melhor, assim como o resultado final. Mas vamos começar na ordem, pelo começo.

A primeira vítima foi encontrada caída na calçada, na chuva. A segunda foi morta no próprio prédio onde morava. A tenente Eve Dallas, da Polícia de Nova York, não teve dificuldades para encontrar uma ligação entre os dois crimes. As duas vítimas eram mulheres lindas e muito bem-sucedidas, mas que mantinham relações que poderiam provocar suas mortes. Suas vidas glamourosas e seus casos amorosos eram assunto na cidade, assim como suas relações íntimas com homens poderosos e riquíssimos.

Um novo caso para Eve, um caso íntimo para uma policial mulher trabalhar porque o serial killer da vez tem como alvo mulheres bem sucedidas e independentes. E para a surpresa da detetive, conforme o caso vai se desenvolvendo, mais uma vez a rede de contatos de Roarke o coloca como um dos suspeitos. A princípio achei repetitiva essa questão, que já foi abordada no primeiro livro… Mas isso se deu porque preciso considerar que estou lendo a série quando ela já está bem avançada, então não tem o elemento de dúvida se o Roarke é ou não capaz de assassinatos, considerando o fato de que nesta altura da série conhecemos bem pouco dele, porque esta série tem muitos outros livros já publicados e sabemos que o relacionamento entre os dois continua em outros volumes.

Pois bem, apesar disso, estava com expectativas por ser mais um livro de minha adorada Nora e porque também por eu ser mulher, esse tipo de caso fala diretamente comigo. Como eu já disse, o suspense é bom, mas o romance é infinitamente melhor – ainda que ele não seja o foco desta série. Eve mais uma vez se apresenta para nós com toda sua sagacidade característica de colocar inveja, e não é incrível quando encontramos um livro que consegue juntar dois personagens incríveis em um romance sem diminuir nada de nenhum dos dois no caminho? Sem muda-los? Que fantástico o fato de que as personalidades dos dois seriam um empecilho na maioria dos cenários, e não acontece. Me dá um gosto enorme quando o amor é justificável, e não apenas fulaninho ama ciclaninha porque ela tem olhos bonitos e ciclaninha ama fulaninho porque ele faz as pernas dela tremerem.

– Eu te amo, Eve.

Ela desviou o olhar do sol, do oceano, e encarou os olhos dele. Era maravilhoso, e pelo momento, simples.

– Senti sua falta. – Ela encostou a bochecha na dele e o abraçou forte. – Realmente senti sua falta. Eu usei uma de suas camisas. – Ela podia rir dela mesma agora porque ele estava ali. Ela podia sentir sua presença, seu cheiro… – Eu fui ao seu armário e roubei uma de suas camisas, uma daquelas pretas de seda as quais você tem um monte. Eu a vesti, então saí sorrateiramente de casa para evitar que Summerset me pegasse no ato.

Incrivelmente tocado, ele tocou a bochecha dela. – À noite, eu costumava tocar de novo suas transmissões só para ver seu rosto, ouvir sua voz.

– Sério? – Ela soltou uma risadinha, algo raro vindo dela. – Deus, Roarke, nos transformamos nuns bobos.

– Vamos fazer disso nosso pequeno segredo.

– Combinado.

Conhecemos também uma personagem que me encantou de cara: Peabody. Ah, quando Nora quer, sabe construir mulheres incríveis. Ela é como uma aprendiz (não sei ao certo como seria o nome) que Eve está orientando, e elas se dão mega bem. Basicamente porque Peabody respeita e entende a atitude da detetive. É uma parceria de sucesso, e garantia de boas risadas com os diálogos entre as duas. Apesar de Mavis ser a melhor amiga de Eve, foi aqui que comecei a pensar que na verdade ela conseguia se identificar bem melhor com a Peabody, mas… Amigos nunca são demais.

Se vocês estão se perguntando porque tem um guarda-chuva na capa do livro e qual sua relação com a história, fico feliz em dizer que tem explicação sim. De fato, este guarda-chuva encontrado na cena do primeiro crime, é uma grande e importante pista para descobrir o assassino. Eu gosto destas pequenas dicas, detalhes aparentemente aleatórios, que significam tudo. É basicamente como eu pensei quando uma vez me arrisquei em escrever uma fanfiction de suspense, e como eu penso geralmente lendo um.

– Que ele se foda.

Feeney fez um som como alguém que acabou de ser beliscado. – Jesus Cristo, Dallas, você está na igreja de St. Patrick.

– Se Deus continuar criando pequenos vermes iguais a ele, ela terá que se acostumar a ouvir reclamações.

O final, admito, me deixou um pouco desapontada. Eu já tinha descoberto quem era o(a) responsável pelos assassinatos, e na verdade, a forma como o final se dá não me agrada. Não vou dar spoilers, mas é uma característica comum nos finais de livros de suspense da Nora, e de outros atores, que acho que já ficou um pouco massante.

De todo o modo, um bom livro. É sempre bom rever Eve, e indubitavelmente desejar ser a metade da mulher que ela é, e rever o Roarke, que de verdade é um homem com o qual eu passaria o resto da minha vida. Em meio a tantos heróis atuais com passados conturbados, cheios de dinheiro e com nenhum respeito pela protagonista, com desejos sendo impostos a torto e a direita, fico feliz de ler um livro que resgata o que eu realmente aprecio em qualquer pessoa, não só num homem. A antiga e singela consideração pelo outro. Respeito pelo outro. Podem me chamar de qualquer coisa, mas como eu já li uma vez em um livro que gosto muito: sacanagem só na cama, ok? Tem muita gente e muito autor confundindo isso, e achando que vale tudo no meio se quando chega no final existe um “eu te amo” e um “casa comigo”. É um modo de pensar meu, claro, mas tenho visto tanta coisa na literatura me desagradando, que livros como esse, personagens como Roarke, são como um suspiro aliviado depois de passar muito tempo debaixo d’água.

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