Editora Galera Record, Resenhas
[Resenha] Desejos
28.dez.2014
gsTítulo: Desejo Título original: Wishes Autora: Alexandra Bullen Ano: 2014 Editora: Galera Record Número de páginas: 288

Era bom finalmente chorar. Agora que tinha falado tudo, que tinha colocado tudo para fora, até respirar parecia mais fácil.
Olivia acabou de perder a irmã gêmea, Violet. Os pais, não conseguindo lidar com a dor, estão tentando de todas as formas buscar uma válvula de escapa e a solução mudar-se para São Francisco. Só que para Olivia, tudo parece ser ainda pior: a irmã era tudo para ela. A conselheira, amiga, descolada, que conseguia se comunicar e fazer amigos. O que acaba sendo um problema para a Olivia, pois além de perder a irmã, perde também todas as oportunidades de fazer algo diferente na vida porque simplesmente não tem o mesmo dom. A sensação de estar perdida é tão ruim quanto a perda.
O que ela não esperava é que fosse encontrar em uma loja bastante excêntrica perto de casa a jovem Posey, que faz roupas e outras peças bem diferentes. E mais: lhe dá um vestido especial que concede um desejo. Obviamente, Olivia já sabe o que pedir. A irmã de volta. Violet volta como um fantasma que tem como prioridade fazer com que a irmã consigo seguir a sua vida, sem depender tanto dela.
– Você deve ser Olivia.
Os sapatos dele entraram em foco primeiro: mocassins esponjosos com bordas elevadas e macias, solas grossas e funcionais. Para Olivia, eles lembravam cogumelos, não apenas pela cor – daquele tipo bege, borrachudo, que já vem cortado, geralmente guardado em caixinhas de plástico -, mas também porque pareciam facilmente ter sido feito a partir de alguma espécie de fungo.
Certamente o que primeiramente chama a atenção no livro é a capa, que com uma imagem tão simples e bem produzida, consegue transmitir muito da história, algo que você só vai perceber durante a leitura. Sendo um livro juvenil, fiquei um tanto triste em perceber como a história é melancólica a ponto de quase me fazer desistir da leitura. Isso é algo totalmente meu, que já não gosto de livros com muito drama, depressão e melancolia, apesar de entender o fato da protagonista está triste.
Não é uma história estupenda, até porque a premissa dela é bastante clichê, mas se desenvolve a ponto de você conseguir continuar a história, dando leves tempos para absolver toda a dor do que está lendo. Olivia é bastante depressiva, enquanto a irmã que volta, aparece para dar um agitada na história. Em alguns momentos eu não soube dizer que todo esse processo pela qual a irmã volta é fútil ou não. Me parece, à primeira vista que sim, mas no decorrer da narrativa é apenas a forma que foi encontrada para ajudar. A autora retrata muito bem os sentimentos da perda e não apenas de Olivia, mas da família inteira que se sente perdida, enfiando-se cada vez mais e seus afazeres e tarefas para tentarem driblar a dor da perda da filha.
Era bom finalmente chorar. Agora que tinha falado tudo, que tinha colocado tudo para fora, até respirar parecia mais fácil.
Em suma, não é um livro extraordinário, é uma leitura tranquila e que não me prendeu desde o início. A ideia da autora foi bacana, mas infelizmente, não tiveram ápices de desenvolvimento a ponto de me deixar encantada.
Editora Galera Record, Resenhas
gsTítulo: Onde Deixarei Meu Coração Título original: Nobody’s Girl Autora: Sarra Manning Ano: 2014 Editora: Galera Record Número de páginas: 334

Não quero beijar garotos estranhos em quartos estranhos – discursei. – Eu quero romance.
O que eu mais gosto em livros como Onde Deixarei Meu Coração é quando o autor tem a sensibilidade de trazer para o mundo real e não fica criando fantasias em uma história que não é, obviamente, de fantasia. Tudo que acontece no livro tem todas as possibilidades do mundo de realmente acontecer e é isso que faz com que se torne ainda mais verdadeiro.
Bea tem 17 anos. É apaixonada pela França, culinária, literatura e tudo que envolver fran e cês. Isso tudo porque seu  pai – que ela não conhece – é do país da cidade da luz. Ela é uma boa filha e estudante e nas horas vagas cuida dos irmãos gêmeos. Com uma mãe superprotetora, não sai para festas e não pode namorar. Ela não se acha atraente ou engraçada e nunca saiu da linha ou deu motivos para a mãe desconfiar.

Porém, sua vida começa a mudar quando Ruby – a menina mais descolada e popular da escola – a convida para frequentar o seu próprio grupo pessoal, onde estão todas as meninas mais bonitas, invejadas e que todos gostariam de ser amigos: Chloe, Emma e Ayesha. Ruby e seu bando é exatamente tudo que Bea não é e perceber que elas a querem próxima faz com que ela comece a ver sua vida sob outra perspectiva: e é atraente, muito atraente. Apesar de acreditar que essa nova fase pode ser divertida, Bea não consegue se transformar totalmente em uma das suas novas amigas: sair e beber muito, ser antipática com as pessoas, excluir os marginalizados, beijar qualquer garoto.

Não quero beijar garotos estranhos em quartos estranhos – discursei. – Eu quero romance. Quero ser louca por um garoto e que ele seja louco por mim também, assim, mesmo que a gente acabe cometendo um erro, ele não me abandone num piscar de olhos.

O que muda totalmente é quando é convidada para passar as férias em Málaga em com companhia das novas amigas. Poderia ser dias lindos e perfeitos na praia na Espanha, mas Bea percebe realmente que essas meninas nunca gostaram dela, que tudo que antecedeu a viagem foi apenas uma artimanha para que todas pudessem viajar e que iriam fazer a vida dela um inferno. Ou seja: caos total. Não suportando ser humilhada, Bea resolve abandonar tudo e, invés de voltar para casa, compra uma passagem para França, já que essa é a oportunidade perfeita de encontrar finalmente o pai que ela sempre quis conhecer. Ela não esperava, porém, que nessa mudança de roteiro fosse conhecer Erin, Bridge, Michael, Aaron, Jess e Toph, seis universitários americanos que estão fazendo mochilão pela Europa (guardem na memória o nome do Toph porque ele é importante!). E quando menos se espera, é quando realmente se encontra amigos.

Bea vai ter que lidar com pessoas mais velhas, quando se acha a adolescente mais sem graça do mundo, lidar com o fato de estar em outro país que não o que a sua mãe tem conhecimento para procurar pelo pai desaparecido e ter a oportunidade de vivenciar e aprender tudo que sempre quis, mas que nunca teve oportunidade. É o momento único da vida que ela não tem intenção de deixar passar.

Como eu já falei, o livro me conquistou pelas doses de realidade em suas palavras. Sarra não tentou em nenhum momento trazer situações mirabolantes ou inimagináveis, pelo contrário, é tão comum tudo que é descrito pela Bea – principalmente para tentar chegar até a França – que só traz mais veracidade aos fatos. As suas aventuras por Paris com os garotos americanos são de fazer rir, pois a Bea tem um senso de humor bem divertido com relação a tudo, inclusive a si própria.

O fato de ter que lidar com situações atípicas em um país diferente, relacionamentos, angústias, paixões, descobrimento próprio mostra amadurecimento por parte da personagem principal e é possível acompanhar seu crescimento de uma Bea sem graça que saiu da casa da mãe em direção  à Espanha para uma totalmente diferente e que ela própria pensou nunca existir, e que torna fácil você gostar porque ter uma personalidade bastante cativante.

Quanto aos personagens: eles são reais, todos eles. Dividindo os personagens em antes da viagem à Espanha: é tão estranho você ler personagens que tenham a personalidade da Ruby que foi um pouco incômodo; primeiramente porque eu apenas me afasto de pessoas como ela; segundo que como isso acontece, eu me sentia como se ela estivesse lendo o livro comigo e foi estranho. O pior é saber que realmente existem este tipo de pessoa no mundo. As avós são fofas e divertidas <3. Quanto à mãe: eu me senti presa pela própria Bea e fiquei feliz quando ela tomou a decisão de não voltar para a casa. Depois da viagem  à Espanha: os amigos americanos são muito legais e divertidos, apesar de uns aparecerem mais do que os outros e o Toph ter destaque. Eles me fizeram querer ir para na Espanha/França para encontra-los.

É um livro jovem adulto que cumpre muito bem o seu papel. Li em algumas resenhas as pessoas falando que o livro não traz profundas reflexões, mas acredito que isso pode acontecer de leitor para leitor. Eu me identifiquei bastante com a Bea por ter passado por algo parecido. Pode não ser o melhor exemplo, ok. Mas todo o processo da situação da protagonista x em relação ao pai x em relação a mãe que não fala nada traz questionamentos interessantes para a narrativa. O final do desfecho me surpreendeu em algumas partes e em outras, apesar de achar extramamente clichê, casou bem dentro da proposta da autora.

É um livro fofo, muito bem escrito, com encaixes de palavras divertidas que deixa o enredo ainda mais atrativo, além de todos os elementos que já consta: viagem, Espanha, França, sozinha, amizades novas, desbravar a cidade, fotos… A editora fez uma diagramação que combina bastante com o livro todo, então, é apenas para apreciar e se divertir bastante. Leitura para entreter totalmente aprovada.

Editora Galera Record, Resenhas
gsTítulo: Ser Feliz é Assim Título original: This is what happy looks like Autora: Jennifer E. Smith Ano: 2014 Editora: Galera Record Número de páginas: 395

Só que, dessa vez, ele não estava sozinho; dessa vez os dois tinham perdido o controle juntos.
É inevitável suas expectativas ficarem altas quando você já conhece o trabalho da autora e sabe o quanto te agrada. Eu li A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista e fiquei simplesmente encantada. Em Ser Feliz é Assim acontece o mesmo, porém, não com a mesma intensidade. Não por não ter capacidade, mas simplesmente porque o primeiro livro sempre terá um espaço especial no meu coração de leitora.
Graham Larkin e Ellie O’Neill vivem em mundos diferentes e por um acaso do destino, acabam sendo conectados de uma maneira bem comum ou estranha: através de um e-mail, que teve o endereço de destinatário digitado errado. Graham é um astro do cinema, tem 17 anos e vive na Califórnia. Já está acostumado com o glamour que a sua carreira traz, assim como as consequências para a vida que decidiu levar. Já Ellie vive no Maine, uma cidadezinha pacata, onde ajuda a sua mãe na loja de cacarecos para serem vendidos aos turistas. Mesmo um não sabendo quem é o outro, mantém o contato virtual, onde as pessoas tendem (isso é bem específico!) a serem mais verdadeira, pois não sabem quem é a pessoa do outro lado ou se vão se encontrar um dia. Quando Graham tem a oportunidade de passar alguns dias na cidade de Ellie gravando para o seu novo filme, ele vê a oportunidade perfeita para encontrar a garota que conversa através de e-mails e que sabe mais sobre ele do que já foi compartilhado em qualquer outro lugar.
Só que, dessa vez, ele não estava sozinho; dessa vez os dois tinham perdido o controle juntos.
Eu simplesmente adoro quando os livros se tornam mais reais quando, por exemplo, trazem a troca de e-mails. Eu me divirto tanto porque é algo que realmente acontece no dia-a-dia. O livro é bem clichê que faz parecer um roteiro de filme e para mim isso não é um ponto negativo. Do momento em que eles começam trocar e-mails, até o Graham descobrir quem é a Ellie até o momento em que ele a ajuda com seus problemas a respeito do pai, eu me senti acompanhando totalmente o enredo, com um sorriso bobo no rosto e achando fofo como o destino resolveu colocá-los cara a cara.
Me apetece muito a maneira simples e divertida com que a Jennifer consegue construir suas histórias, você se sente envolvido lendo as respostas bem dadas, como as situações se encaixam perfeitamente, dos elementos surpresas. Aqui ocorreu isso também, tem uma avalanche de sentimentos, mas dosados para não explodirem enquanto você lê. Quando você lê uma sinopse como a de Ser Feliz é Assim, meio que já consegue descobrir como o final do livro será e a cartada de mestre e esperta do autor é fazer com que você seja surpreendido, mesmo que o final seja aquele que você imaginou. Não importa o final, o importante é o que os dois personagens passaram para poder chegar até aquele final.
Claro, o livro não vai ser de romance e blá blá. Com intercalação de pontos de vistas, conseguimos perceber como o Graham sente falta da família, enquanto a Ellie sonha em conhecer o pai que a mãe nunca deixou. Fora isso tem todo o contexto do amor virtual para o amor real e ‘o que faremos quando você for embora e eu ficar aqui?’
– Adianta se eu contar uma piada?
– Acho que não.
– Tá bem, então.
– Mas… valeu a tentativa.
É um livro divertido, fofo, cheio de romance e com uma pitadas de realidade para não deixar tudo banal. Os personagens são engraçados e as cenas bem construídas, relacionando-se bem com a imaginação da autora que sempre divaga para lugares e situações inusitadas. Minha única ressalva seria a respeito da capa. Eu vi várias pessoas reclamando nas redes sociais e confesso: ela não se relaciona com o conteúdo. Esses balões não fazem sentido com esse porco dentro de um envelope de carta. Não sei se a opção de capa original seria a melhor opção, mas essa, com certeza, não é uma.
Editora Galera Record, Resenhas
Título: Essa Garota
Título original: This Girl
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2014
Número de páginas: 336

Livro no Skoob
E por fim chegamos ao último livro da trilogia Métrica (leiam aqui a resenha de Métrica e Pausa); já faz algum tempo que li este livro, então perdoem qualquer incoerência. De fato, o ponto alto do livro para mim é que dessa vez a autora escreveu sobre o ponto de vista do Will e não estragou a história com doses desnecessárias de drama – como aconteceu no segundo livro Pausa. Desta vez, ela me proporcionou apenas sorrisos. É a opção perfeita se está atrás do pote de ouro no fim do arco-íris sem ter que passar pelos obstáculos no caminho, ou se quer acalmar o coração depois de um livro carregado. Lake e Will aproveitam seu merecido final feliz neste último volume.

Eu quero ser sua alma gêmea, mesmo que eu não acredite nelas.

Bem, se vocês leram minha resenha sobre o segundo livro da trilogia, sabem que minha decepção com ele foi grande, então admito que comecei a ler esse livro sem nenhuma expectativa boa a respeito. E embora o livro seja bastante fofo, e drama-free, surpreendentemente eu esqueci dele bem rápido. Até porque, esse livro conta novamente a história que já conhecíamos, mas desta vez pelo ponto de vista do Will. Ele se passa durante a lua de mel de Will e Lake, e enquanto eles estão tendo uma conversa de travesseiro, ele vai revelando para ela seus sentimentos e pensamentos a respeito da história que eles viveram. Mais para o final, vemos um pouco do que o futuro reserva para eles dois.

Você, pequena. Você é a minha obra final.

Will é um lindo, romântico, sincero, sensível e apaixonante homem; e neste livro, em que ele se dedica a explicar para Lake o tamanho do sentimento que ele tem por ela, isso se torna mais evidente. Vai ter gente que vai achar açucarado demais sim, e é. De verdade, é muito mel. Muito, muito, muito mel. Cuidado para não sofrer com coma glicêmico. Mas… E eu digo um ‘mas’ com bastante gosto, depois de todo o sofrimento que eles passaram até aqui, honestamente, deixe que eles aproveitem seus bombons, balas e caramelos. E deixe que nós que lemos a trilogia aproveitemos também porque merecemos depois da tempestade de emoções e lágrimas ao decorrer da leitura dos livros 1 e 2.

Eu gostei do livro, mas ele não é necessariamente um grande adendo a história. É mais um bônus. E um presente se você gosta muito do casal. Neste livro tem mais da Lake e Will e suas piadas internas, seus diálogos íntimos, e momentos bem família com seus irmãos. É tão leve que você parece que lê sentada em uma nuvem; leia sem medo de ter seu coração esmagado. A trilogia nos deu alguns tapas na cara, mas esse livro é apenas beijos e carinhos. Tem mais poesia, mais romance, mais palavras lindas, mais inspiração, mais suspiros, mais poesia, mais Will, mais Will, mais Will, mais poesia, e mais Will. Apesar de todos os pesares e de todos os meus poréns, Métrica foi uma trilogia que levarei comigo porque as palavras, frases e a pura sinceridade da história comove, queira você ou não. É especial, é diferente, é mágico. Tem como errar não; apreciem sem moderação 😉

Então essa garota destroça completamente a janela da minha alma e rasteja para dentro dela.

Assista aos Vídeos
Equalize da Leitura © 2010 - 2016 ♥ Todos os direitos reservados
Tema desenvolvido por Débora M.