Editora Galera Record, Resenhas

Título: Um Caso Perdido
Título original: Hopeless
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2014
Páginas: 384
Tradutora: Priscila Catão

Livro no Skoob

Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras… Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente.

Esta é uma das resenhas mais difíceis que já escrevi, ou no caso, escreverei. Eu terminei de ler esse livro ontem e pensei em dar um espaço antes de falar sobre ele, mas vejo agora que não serviu de muita coisa. Antes de colocar para vocês minha opinião sobre, é importante deixar claro que esse livro é um livro muito difícil e que o título (principalmente o original) e a capa – que eu acho magnífica e apropriada – nem ao menos se aproximam da verdadeira realidade mostrada no livro, mas com certeza já dão um prelúdio. É uma história que vai te capturar, e que mesmo depois de se separar dela, ela continuará dentro de você. O livro vai te mastigar, cuspir e feliz será você se continuar intacta depois de termina-lo.

Sky é uma menina de dezessete anos um tanto incomum. Sua mãe adotiva Karen a educou em casa e é totalmente contra tecnologia, o que resultou num afastamento de Sky em relação ao resto do mundo. Ela finalmente convenceu sua mãe a deixa-la completar o ensino médio em uma escola pública e estava agora lidando com o fato de que teria que enfrentar aquele universo desconhecido sem a melhor amiga Six, que estaria na Itália por seis meses. As duas eram unha e carne e tinham uma reputação manchada por suas costumeiras escapadas com garotos diferentes. Sky já havia ficado com muitos rapazes, e nunca tinha sentido absolutamente nada. Até encontrar ele. Alguém estranho e com péssima reputação, através de Holder ela vai descobrir tudo, inclusive ela própria.

– Você é o único cara que eu já tive vontade de lamber.- Ótimo. Porque você é a única garota que eu já tive vontade de amar.

Este é o quarto livro da Colleen Hoover que leio, os primeiros fazem parte da trilogia de Métrica, e posso ser sincera? Tenho uma relação muito complicada com as histórias dela, mas o fato que não pode ser negado é que você não sai ileso de seus livros. Não é aquele tipo de história que você esquece depois de um mês. Ela escreve histórias que deixam cicatrizes, queira você ou não. Nem cirurgia plástica resolve.É difícil falar de Um Caso Perdido sem dar spoilers, mas eu tentarei. Para mim foi, antes de tudo, um livro totalmente inesperado. Na minha primeira parte dele eu estava indagando, criando suposições e as medindo. Quando eu realmente comecei a entender o título e o porquê, e cada peça de história se encaixou? Foi como eu disse para a Rapha: foi o apocalipse zumbi de The Walking Dead misturado ao universo de Game of Thrones. Se você conhece as duas séries televisivas, saberá que está em sério perigo de ter seu coração despedaçado ao ler esse livro.

O Holder me pareceu terrivelmente estranho de imediato, como era o objetivo, e eu estava adorando tudo até que ele começou a agir como um stalker, e comecei a pensar: nem o cara mais lindo do mundo, se agisse assim, conseguiria me convencer. É claro que eu ainda não fazia a menor ideia de nada e por isso, depois que a história andou e eu deixei de ser ignorante a respeito, eu queria agarrar o Holder e não solta-lo nunca mais. Ah, está bem, admito que eu quisesse agarra-lo antes também, não sou de ferro.

Você não merece palavras, Sky. Você merece ações.

Sobre a Sky? Eu vou me refrear de falar sobre ela porque 1) É provável que eu solte spoilers. 2) É provável que eu chore e estrague o teclado do meu notebook. Direi apenas isso: ela representa a vida real em sua forma mais brutal. Eles dois, como casal, eram absurdamente fofos, até quando brigavam. Uma característica dos casais da Colleen Hoover é a criação de piadas internas e momentos únicos entre eles, algo que eu adoro e prezo muito. É aquele tipo de casal que te faz sorrir. Até, é claro, você chegar a parte do livro que acaba com você.

Que se fodam as “primeiras vezes”, Sky. A única coisa que me importa são os “para sempre” com você.

A ideia do livro é genial, eu não consigo pensar numa palavra que melhor descreva. Colleen Hoover tem o talento de criar histórias originais, eu preciso dizer. No entanto, minha relação complicada com ela provém da forma como ela desenvolve essas histórias e as cenas. Não posso apontar tudo que me incomodou em Um Caso Perdido sem estragar o tal ‘inesperado’, mas o que posso dizer é que algumas coincidências das histórias dela são demais para eu conseguir aceitar; ela me deixa com a impressão de que coloca na boca mais do que pode mastigar e que não sabe exatamente a hora de amarrar suas histórias, ao invés apenas adiciona tragédia atrás de tragédia até distorcer demais o que nos apresentou até o momento e nos sufocar. E algumas cenas são apenas irreais para mim, e principalmente a forma que os personagens lidam com determinados problemas. A vida é uma merda, eu sei e a Hoover com certeza também sabe, eu só queria sentir um pouco mais de lógica e sensibilidade em alguns pontos de suas histórias, só isso.E eu insisto em dizer histórias no plural, porque o que não gostei em Um Caso Perdido pode ser encontrado também na trilogia de Métrica, e por isso percebo ser um traço da autora. Bem, eu sou minoria – como constantemente vem acontecido – e embora eu não concorde com algumas coisas, meu lado masoquista que aprecia uma história original vai continuar a perseguindo. Ela é uma autora que você não esquece, independente de ser positiva ou negativamente.

De todo a todo, eu recomendo o livro para quem não tem o coração fraco. Ele expõe um tema que você sabe bem que existe, um tema que você já ouviu muitas vezes, mas a autora faz isso de uma maneira diferente: de um jeito mais humano, e menos monstruoso. Eu realmente me peguei avaliando a condição mental de determinado personagem até que eu me surpreendi por estar fazendo aquilo. Nesse livro, Hoover apresenta a vida crua numa bandeja para você e te convida a disseca-la. O que não é possível, porque há tanta feiura no mundo cercada por tantas vertentes e motivos e traumas e condições, que é impossível analisa-la objetivamente.

Nem todo mundo tem um final feliz. A vida é real e algumas vezes feia e você tem que aprender a lidar com isso.

Se você não percebeu até agora que esse livro alterou minha cabeça de alguma forma, não sei mais como tentar te convencer a lê-lo. A menos, é claro, que não queira que isso aconteça com você. Se esse for o caso, por favor, preserve-se e esqueça que leu essa resenha. Se você está à procura de um livro que vai te marcar, (e não, não vai ser bonito) não tem como errar. E se eu não te convenci, espero que os trechos ma-ra-vi-lho-sos do livro te convençam ;)Assim como no começo, preciso repetir: essa resenha foi uma das mais desafiadoras para mim, tanto é como eu disse para Rapha que ela devia fazer a resenha porque eu não tinha condições. Ela me ignorou e me desafiou a escrever, dizendo que eu era capaz. (Na verdade ela só queria jogar o serviço sujo para mim porque também não tinha condições).

O livro é desafiador, e assim como ela fez comigo, eu desafio você a ler. Mas esteja avisado: eu não garanto que não vai se arrepender, apenas garanto que quando você for dormir, pensará na Sky e em milhões de outros rostos desconhecidos. Se a situação ficar muito crítica, deixo para vocês o conselho do meu amado Holder: olhe para o céu, ele sempre estará bonito.

O céu está sempre lindo. Mesmo quando está escuro, chuvoso ou nublado, ainda é lindo de se observar… Ele está lá independente de qualquer coisa… E eu sei que sempre estará lindo.
Editora Galera Record, Resenhas
gsTítulo: As Regras do Amor – Heartbreakers #1 Título original: Heartbreakers Autora: Pamela Wells Ano: 2013 Editora: Galera Record Número de páginas: 334

Seriam melhores amigas de novo.
Sydney, Raven, Kelly e Alexia são amigas inseparáveis. Cada uma a sua maneira, mostra um pouquinho de si de acordo com a leitura. O lance é: elas tiveram o coração partido e juntas criam 29 regras para serem seguidas, para superar esses desencontros amorosos e seguir em frente. Juntas elas ficam vigiando uma a outra, ajudando a superar os choros, mostrando sorrisos quando a outra está desamparada e (sobre)vivendo aos desencontros da vida.
Sydeny tinha um namorado de dois anos, até Dew decidir pôr um ponto final no relacionamento. Aqui foi aonde eu mais percebi que rolou um sofrimento, afinal, todos já terminamos o namoro com alguém que gostávamos e sofremos. Ou talvez nem gostássemos tanto, mas sofreu. Não importa. Aqui mostra como é alguém ter um relacionamento estável e como os objetivos de duas pessoas se tornam diferentes quando uma não está mais totalmente satisfeita com a outra. Raven não consegue decidir se fica com Horace ou Caleb. Um é aquele típico bardeneiro, brigão. O outo é fofo e quer apenas o seu bem. Aqui parece óbvio a escolha, mas não é o que acontece. Kelly quer um relacionamento com o Will, mas esse por sua vez está muito bem solteiro, obrigada e Alexia nunca namorou, por isso nunca teve seu coração partido.
Alexia olhou em volta da mesa. Os olhos e o nariz de Sydney estavam vermelhos de tanto chorar. Kelly enfiava mais Chuncky Money na boca do que Ben & Jerry jamais poderiam imaginar. Raven não olhava para ninguém, provavelmente esperando que sua expressão séria disfarçasse o verdadeiro coração partido que tinha por ter sido rejeitada. Os namorados delas tinham terminado com todas na mesma noite.
Quando eu comecei a ler, o livro me lembrou vagamente Lonely Hearts Club, só que de uma maneira que não conseguiu me conquistar, infelizmente. Primeiro: a história é bem teen e eu não estava bem na vibe para essa história. Segundo que tantos personagens com nomes tão americanizados me deixa confusa. Aqui eu deixo claro que é um ponto totalmente meu, okay? Mas eu simplesmente me perco no meio das histórias, principalmente quando tem o ponto de vista de tantas pessoas.
Os namorados ficavam com todo o tempo livre que tinham. Nos últimos 6 meses, Alexia sentiu que estavam se afastando. Talvez os términos fossem uma coisa boa. Ela nunca diria isso, mas, ao voltar à sala, ficou animada com o fato de que talvez, apenas talvez, três términos pudessem criar um novo laço de amizade. Seriam melhores amigas de novo.
Uma coisa que eu gostei, porém, foi que no início de cada capítulo temos um dos mandamentos criados pelas amigas e a história ali se relaciona com essa frase. É bonitinho ver elas se ajudando e tal, mas ficou nisso. Nada surpreendente. O livro tem a diagramação bem bonitinha que condiz com as regras criadas e com a personalidade das personagens, mas eu não tenho mais nada a dizer. Foi um livrinho que eu até custei um pouco a ler por não estar na vibe no momento.
Editora Galera Record, Resenhas
[Resenha] Pausa
09.dez.2013
Título: Pausa
Título original: Point of Retreat
Editora: Galera Record
Autora: Colleen Hoover
Páginas: 304
Ano: 2013
Tradutora: Priscila Catão

Livro no Skoob
Destinados um ao outro, Layken e Will superaram os obstáculos que ameaçavam seu amor. Mas estão prestes a aprender, no entanto, que aquilo que os uniu pode se transformar, justamente, na razão de sua separação. O amor pode não ser o bastante. Depois de testado por tragédias, proibições e desencontros, o relacionamento de Layken e Will enfrenta novos desafios. Talvez a poesida desse casal acabe num verão solitário… Sem direito a rimas ou ritmo. A ex-namorada de Will retorna arrependida de ter deixado o rapaz. E está disposta a tudo para reconquistá-lo. Insegura, Layken começa a ler novas reações no comportamento do rapaz. E na insistência para adiar a “primeira vez” de ambos. Presos em uma ironia cruel do destino, eles precisam descobrir se o que sentem é verdadeiro ou fruto da extraordinária situação que os uniu. Será que é amor? Ou apenas compaixão? Layken passa a questionar a base de seu relacionamento com Will. E ele precisa provar seu amor para uma garota que parece não conseguir parar de “esculpir abóboras”. Mas quando tudo parece resolvido, o casal se depara com um desafio ainda maior – e que talvez mude não só suas vidas, mas também as vidas de todos que dependem deles.
O segundo livro da trilogia, que se iniciou com o livro Métrica, desta vez é contado pelo ponto de vista de Will. Ele e Lake estão oficialmente juntos há um pouco mais de um ano, vivendo a vida como podem e ajudando um ao outro quando necessário. Eles estão se aproximando de um momento decisivo de seu relacionamento e quando tudo parece que vai bem, a ex-namorada de Will aparece e levanta uma grande dúvida em relação ao amor que eles nutrem um pelo outro e a base na qual ele foi fundado: será verdade ou tudo consequência das armadilhas do destino?

Eu confesso que estou demasiadamente triste enquanto escrevo esta resenha porque eu me decepcionei com esse livro de um modo que não acontecia há muito tempo: isso porque eu criei tantas expectativas para ele e a autora desandou com a história. O fato de o livro ser pelo ponto de vista do Will me deixou com um sorriso bobo no rosto (finalmente vou poder conhecer a fundo os pensamentos desse fofo) e a premissa da história (será que ele e Lake estariam juntos se não fosse por tudo o que tinha acontecido aos dois, será que eles foram unidos pelas circunstâncias?) foi tão real e possível e crível que eu estava ansiosíssima para ver como seria isso.

Para começar, se da primeira vez já não ia muito com a cara da Lake, nesta história ela me fez querer fechar o livro e fingir que nunca a tinha conhecido. Como eu detesto a forma como ela tratou Will. Como ela lidou com a situação quando ela descobriu que a ex estava de volta à vida dele – não a reação imediata, porque o mal entendido que aconteceu foi mesmo justificável, mas o modo como ELA passou a questionar se ele a amava mesmo e dizendo que ele nunca tinha demonstrado, e como a autora colocou todos os personagens basicamente para dizer ‘Will, qual é, você realmente é péssimo em demonstrar sentimentos’. E aí é claro que todo mundo estava certo em dizer que ele tinha que se arrastar atrás dela igual cachorro que tinha sido chutado e precisava de abrigo e criar situações ridículas para que eles conseguissem conversar… Depois de TUDO o que eles passaram, o mínimo necessário era que ela deixasse de mimimi infantil, sentasse o rabo e discutisse a relação como qualquer responsável em um relacionamento sério. O livro se desenvolveu como se fosse tudo culpa de Will, a culpa da crise do relacionamento sobre os ombros dele (poupe-me). Esta parece uma pessoa culpada (?):

Se eu fosse um carpinteiro, construiria uma janela para que pudesse ver minha alma. Mas eu manteria a janela fechada e trancada, para que assim, quando olhasse para a janela, visse o seu próprio reflexo. Você veria que minha alma é o seu reflexo.

Então, desculpa, mas: OI? Pera, vamos rebobinar. Será que eu estou lendo a sequência do livro errado? Eu acho que sim. Não é possível que eu estivesse lendo o que eu estivesse lendo e a Lake estivesse se fazendo de mártir o tempo inteiro. DE NOVO. Ela era a vítima, claro. Enquanto eu estava achando que essa problemática seria gradual e uma percepção dos dois, no dia a dia mesmo, eles acabando tendo desentendimentos comuns e se questionando sobre a profundidade dos sentimentos. Aquela dinâmica de casal que se ama muito e mesmo assim as vezes quer se matar. É assim, gente, ter um relacionamento próximo é difícil. Não, mas não foi isso. Num dia eles estavam bem, e no outro Will era um cara normal que não valorizava Lake e ela, pobrezinha, fragilizada e magoada. Ela que, em minha opinião, não fez por ele uma migalha do que ele fez por ela. A cada gesto de Will, cada pensamento, cada ação, ele pensava nela. A cada inspiração dele, a expiração era Lake. Talvez o único defeito dele tenha sido amar demais: quando mais se ama, e menos existe um equilíbrio de sentimento quanto isso, mais a pessoa toma na lata.

Eu não vou desistir.
Você não vai ceder.
Esta batalha se transformará numa guerra
Antes de eu deixar que ela chegue ao final.

E eu gostaria de colocar toda a culpa do livro na Lake, mas a questão mesmo aqui foi a autora. Gente, por quê? Por que os autores estragam histórias que eram para ser super bacanas? Nem as poesias – por mais que maravilhosas – foram o suficiente. A premissa da história acabou na metade do livro, assim sem mais nem menos, e então o que a autora faz? Inventa uma SEGUNDA premissa RIDÍCULA para justificar o fato de que ela tinha que escrever mais e encher linguiça. *Lágrimas nos olhos* Por que, por que ela fez isso comigo? Sei que estou soando muito sentimental, mas não acreditei quando eu li o que li. Eu nunca pensei que fosse dizer isso, gostando de dramas como eu gosto, mas cheguei à conclusão de que essa autora tem a NECESSIDADE de problematizar tudo. A lógica dela é basicamente assim: ‘Que lindo este dia! Olhe como o céu está azul!’ ‘Como você é capaz de dizer isso? Se um cego estivesse ouvindo? Você acha que ele ficaria feliz em saber que todos a sua volta conseguem testemunhar a beleza do dia menos ele? Você acha que isso é justo? Não, não me responda agora. Eu preciso fazer com que sinta a realidade, vou furar seus olhos para que sinta na pele o que é não enxergar’. Não, desculpem, mas não estou exagerando.

Poxa, eu gostei de tantas cenas nesse livro, cenas específicas: a dinâmica entre a própria Lake e Will – as piadas internas entre eles dois são fantásticas -, o modo família como eles dois e os irmãos tinham, o relacionamento com seus amigos – inclusive a introdução da personagem Kiersten, a maturidade do Will e as coisas que ele escrevia sobre a Lake e como ele se sentia em relação ao irmão (e inclusive aquela cena que, você que leu sabe, em que Caulder demonstra como se sente em relação a ele também). E eu preciso dizer novamente: as poesias que não deixam a desejar em nenhum momento, elas são MARAVILHOSAS. Tinha tudo para dar certo, gente: a receita do bolo estava pronta. Mas aí a autora decide que ficaria super legal se ela acrescentasse pimenta malagueta e palmito no bolo de cenoura. (Alguém, por favor, diz que é melhor ela se ater a receita?) E eu estou triste porque eu não queria ter que avaliar este livro desta forma, mas a autora não me deixou outra escolha.

Ela destruiu meus sonhos infantis. E eu ainda vou ler o terceiro livro – que também é pelo POV Will, desta vez recontando o primeiro livro (eu particularmente não gosto quando autores fazem isso) -, porque eu sou dessas. Mas será com o coração na mão. E aí eu penso ou não se farei a resenha, porque sei que devem estar cansados de lerem resenhas em que eu esculacho livros. Eu não gosto disso, mesmo, considerem que minhas resenhas são uma forma de desabafar minhas frustrações: livros me elevam a um nível doido de felicidade, mas as vezes eles me deixam muito triste – e nem é um triste bom, é aquele do pior tipo mesmo.

P.S. Eu ainda amo Will com todas as minhas forças. Eu ainda quero um namorado assim. Eu ainda amo as poesias com todas as minhas forças. E por esses dois motivos, apesar dos pesares e da destruição de meus sonhos infantis, eu recomendo o livro.

Eu quero ter amigos nos quais eu possa confiar, que me amem pelo que eu me tornei… Não pelo homem que um dia fui.

Editora Galera Record, Resenhas
[Resenha] Métrica
30.out.2013
Título: Métrica
Título original: Slammed
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Tradutora: Priscila Catão
Páginas: 304

O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.

Layken é uma menina 18 anos que está prestes a se mudar depois da morte de seu pai, . Sua mãe não tinha mais como manter a casa em que moravam e ela havia recebido uma proposta de trabalho em Michigan, então é para lá que ela, Layken e seu irmão caçula se mudam. Lake – como é carinhosamente chamada pela mãe – tem absoluta certeza de que a mudança era a pior ideia do mundo e estava decidida de que nada bom poderia acontecer com ela naquele lugar, mas o destino a prova o contrário assim que chega. Uma bela prova chamada Will Cooper. Assim como esse mesmo destino resolve continuar pregando peças na vida dela, e na das pessoas a sua volta.
Eu gosto da forma como Lake e Will se conhecem, por intermédio dos irmãos caçulas de ambos que imediatamente ficam amigos. Will e Caulder – seu irmão – moram na casa em frente à nova casa de Lake, sozinhos, tendo os pais de ambos morrido em um acidente há alguns anos. Realmente gostei do Will. E antes que os anjinhos rolem os olhos para mim como se dissessem ‘Não me diga, Gabriela?’, dessa vez não foi só minha paixão louca por personagens masculinos a responsável: gosto do modo como Will assumiu a responsabilidade pelo irmão mesmo sendo muito jovem e inexperiente, colocando de lado o seu futuro para que o menino o tivesse por perto depois da tragédia.

Gosto da forma como ele queria proteger a vida que tinha com Caulder a qualquer custo, um comportamento demasiadamente maduro para alguém de apenas 21 anos: eu admiro, venero e aspiro maturidade. E embora o lance com eles tenha sido insta-love*, eles basicamente se apaixonam em três dias, isso não me incomodou como eu achei que incomodaria. Mediante as circunstâncias. Ainda que eu não acredite em amor à primeira vista, eu acredito sim que existem pessoas que compartilham uma conexão rápida. Há mais nessa vida do que apenas aquilo que conseguimos enxergar.

A garota que eu amo

A garota pela qual eu me apaixonei

Tão perdidamente?

Há lugar para ela no primeiro lugar.

Eu vou coloca-la em primeiro lugar.

Esse livro se mostrou ser mais do que um simples romance para mim. Tenho ficado com a pulga atrás da orelha quando vejo que um livro é muito aclamado porque tenho me decepcionado. Dessa vez, eu não me decepcionei. A surpresa foi boa. Esta história apresenta, a meu ver, duas problemáticas principais.

A 1° problemática está relacionada a Will e nos é apresentada logo no início. Eu estava esperando que fosse acontecer alguma coisa devido a sinopse, mas não me passou pela cabeça que seria o que seria. É uma situação complicada, uma sinuca de bico de verdade, e eu entendo o comportamento de Will mediante a situação: foi uma decisão real considerando que vivemos em um mundo real.

A 2° problemática: foi aí que eu decidi que a vida estava mesmo rindo na cara de Lake, porque é muita coisa acontecendo a uma pessoa de uma vez. Aqui, eu encontrei a segunda coisa que me incomodou no livro – a 1° direi mais a frente quando for falar da Lake -: embora o choque da notícia cause um desespero imediato e um sentimento de revolta, depois que a “tempestade inicial” passa eu achei que o assunto é tratado muito levianamente. Penso que se essa situação tivesse acontecido comigo, eu não saberia como me recuperar nem inicialmente e nem depois. Do ‘depois’ a vida se encarrega, e eu entendo isso, mas a forma como o caso é tratado de primeira não me agradou. Principalmente considerando que a família tinha passado por uma tragédia a muito pouco tempo daquela data.

Existem três perguntas que toda mulher deve responder positivamente antes de se comprometer com um homem. Se você responder ‘não’ para qualquer uma delas, corra sem olhar para trás. (…) ‘Ele te trata com respeito em todas as ocasiões?’ Esta é a primeira questão. A segunda questão é, ‘Se ele for a mesma pessoa que ele é hoje daqui a vinte anos, você ainda ia querer se casar com ele?’ E finalmente, ‘ele te faz desejar ser uma pessoa melhor?’ Ache um homem que te faça responder ‘sim’ às três questões, e então você encontrou um bom homem.

Então chego à protagonista da história: Lake. Ponto contra: a história ser em 1° pessoa. Por mais vezes do que não, percebo que esse tipo de narrativa facilita um problema que me persegue. Pode ser bobagem, mas há muitas histórias que eu acho que seriam bem melhores se tivessem sido em 3° pessoa, porque o fato de eu ter um contato tão íntimo com os pensamentos da heroína acaba fazendo com que eu desgoste dela. Isso raramente acontece quando o personagem é homem, e isso pode ser porque eu devo gostar muito de homens (Opa!), mas talvez não: talvez realmente seja difícil encontrar uma heroína que me conquiste 100% tendo eu acesso ilimitado às ações, ponderações, questionamentos e arrependimentos da mesma. De fato, só consigo me lembrar de uma vez em que eu continuei amando a heroína e foi com a série de vampiros Night Huntress – em 1° pessoa, e a personagem badass e kick-ass Catherine: ela é maravilhosa.

A Lake tem comportamentos demasiadamente “aborrescentes” no livro: quem já leu algumas resenhas prévias minhas no blog deve saber de minha relação de amor e ódio com a categoria Young Adult, então tentei ao máximo não me deixar levar por isso e considerar que ela estava passando por uma situação complicada. Consegui. Mas infelizmente a razão de eu não ter dado 4.0 para esse livro é também a Lake, e a 1° coisa que me incomodou: diante das duas problemáticas mencionadas, eu a vi se comportando de uma maneira que absolutamente não suporto: como mártir. Veja bem, embora as situações a afetassem diretamente ela não era em nenhum momento a protagonista do problema, de nenhum dos dois, e simplesmente não posso aceitar as reações que ela teve diante as duas notícias: como se Deus estivesse especialmente castigando a ela, e como se os sentimentos alheios não merecessem ser considerados.

Mas o livro é bacana, e o livro tem lições bacanas! Eu gostei muito disso! Eu gostei do fato de que até mesmo o relacionamento entre ela e Will parece que acrescenta mais do que apenas duas pessoas se apaixonando simplesmente, eles se ajudam mutuamente em algumas situações e se apoiam porque, basicamente, eles passam a enfrentar os “mesmos demônios”. E o ponto ALTO, SEM DÚVIDA, do livro para mim é: A POESIA. Sério, se você ama poesia, não leu ainda por quê?

A autora coloca em cena algo muito legal que eu não sabia que existia até agora: a poetry slam*. Basicamente é uma competição de performances de poesia submetida a notas por jurados previamente selecionados, no livro algo amador e feito apenas por diversão, onde você encena aquelas palavras que tirou do seu coração e colocou no papel. Há um clube na história que serve como ponto de encontro para que a competição aconteça e é algo MÁGICO. O meu uso de letras maiúsculas é totalmente proposital, de verdade, a poesia aqui é MAGIA. E eu absolutamente enlouqueci cada vez que aparecia alguma. E o mais legal é que qualquer um escrevia a poesia e era ouvido, era apenas cobrada uma tarifa de 3 dólares para que pudesse recitar a poesia, e ninguém queria saber se você era bom ou não, o ponto era mostrar que alguém prestaria atenção no que tinha a dizer.

O livro é cheinho de poesias e também de letras de música de uma banda de rock indie chamada The Avett Brothers. Eu não conhecia essa banda ainda e fui procurar saber mais sobre ela na internet: o início de cada capítulo tem, em sua maioria, um trecho de alguma música dessa banda. Gostei dos vislumbres das letras que tive e elas têm bastante a ver com algumas situações na história. É a banda favorita de Lake e um gosto em comum com Will. Eles dois são fofos no começo, mas minha gente, eu absolutamente AMEI aquela cena no final. Eu amei as poesias, dela e dele, embora ache que o final tenha sido muito corrido. Dois dos três trechos da resenha são pedaços de poesia que aparecem na história, e eu termino minha resenha gigante – eu não aprendo mesmo – com o trecho de uma de minhas poesias prediletas do livro.

    Esse ano eu aprendi

    Com

    Um

    Garoto

    Um garoto pelo qual eu estou seriamente, profundamente, loucamente, incrivelmente, e inegavelmente apaixonada.

    E ele me ensinou a coisa mais importante de todas…

    A pôr a ênfase

    Na vida.

Insta love*: Amor instantâneo.

Poetry slam*: é uma competição em que poetas leem ou recitam um trabalho original (ou, mais raramente, de outros). Estas performances são julgadas, em seguida, em uma escala numérica por previamente selecionados por membros da plateia. (Wikipédia)  

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