Editora Seguinte, Resenhas

Título: O Livro de Memórias Título original: The Memory Book Autora: Lara EveryAno: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 348

Dizem que minha memória nunca mais será a mesma. Então estou escrevendo para lembrar.

Lá vem eu sendo chata em um livro que particularmente várias pessoas amaram, de acordo as minhas pesquisas em redes sociais. Acredito que quem amou Por Lugares Incríveis, vá gostar desse livro e isso pode ser um bom indício para eu não ter gostado. Quem gosta de livros de jovens com doenças e que estão tentando superar, talvez um A Culpa é das Estrelas, pode vir a gostar também, mas isso é outro indício de que eu simplesmente não estou com paciência no momento para livros assim.

Sammie é muito inteligente, focada, levemente obsessiva e muito estudiosa. Isso são características importantes para uma personagem que tem como objetivo se formar na melhor posição no ensino médio e cair fora da cidade minúscula em que vive e ir para uma cidade grande e estudar, estudar, conhecer o mundo! Só que aos 18 anos, vê seus sonhos desmoronando quando é diagnosticada com Niemann-Pick do tipo C. É uma doença rara na qual o corpo não consegue metabolizar corretamente o colesterol, causando degeneração cerebral, muscular e dos órgãos internos e ela já está sofrendo com os efeitos da doença.

Persistente, porém, tenta se convencer e convencer os pais que está apta para ir a faculdade, mesmo doente, e que tem capacidade para realizar todos os seus sonhos, não vai ser uma doençazinha de nada que vai abalar sua força de vontade. Mas Sammie vê aos poucos que não é tão simples assim: seus pais estão preocupados com as contas de remédios e as fixas, sofrendo junto a ela, a doença avança cada dia mais e ficar sozinha já não é algo tão simples assim: a possibilidade de ser perder no caminho para casa surge, não saber onde está, desmaiar ou sofrer um efeito da doença que é desconhecido entre tantos que ela já conhece.

Dizem que minha memória nunca mais será a mesma. Então estou escrevendo para lembrar.

Antes que comece a esquecer quem é, as pessoas que ama, seus objetivos, sonhos, desejos, a solução que encontra é escrever no computador todo o seu dia-a-dia para a Sammie do Futuro: sua relação com os pais e seus irmãos, todos os percursos e dificuldades de estar deteriorando aos poucos, perdendo as faculdades de realizar pequenas tarefas, os bons momento – os pequenos mesmo que, por vezes, são mais significativos. Temos aparição de Stuart, seu amor platônico e Cooper, um amigo querido de infância e que o destino os separou mas resolve unir nesse momento trágico.

Acho que a única coisa que me incomodou no livro foi o fato da Sammie lidar com a doença de uma maneira que me fez desacreditar que ela estava doente. Quem tem uma doença sem cura e lida com isso bem, gente? Quem sabe que vai sofrer as consequências de estar doente e a única coisa que quer é continuar a seguir com seus objetivos e sonhos? Eu estaria desesperada, mas eu não sou a Sammie e não (con)vivo com uma pessoa que tenha uma doença semelhante ou próxima ao que ela sofre. Sei que existem várias maneiras de lidar com a doença – e todas essas pequenas cenas fazem a diferença no livro -, mas ao mesmo tempo me pareceu inverossímil lidar tão bem com algo tão devastador. Talvez eu estivesse esperando algo mais pesado, dramático? Sim, pode ser uma possibilidade. Isso fez com que o livro ficasse ali no limbo dos indiferentes: não amei, não odiei.

A escrita é leve e existem intervenções de outras pessoas nos relatos da Sammie, o que dá um ar leve, divertido, triste ao que estamos acompanhando. O final destroçou um pouco meu coração, não pelo fato da história ter mudado completamente a minha vida, mas pela sutileza e delicadeza do que li.

Pode ser um livro extremamente maravilhoso para algumas pessoas: as que gostam de dramas, adolescentes e dramas adolescentes. Eu consigo sentir todos os elementos para fazer as pessoas sentirem-se tão próximas. Mas pode ser mais do mesmo para outras pessoas: adolescentes doentes fingindo estar tudo bem enquanto estão morrendo.

Editora Seguinte, Resenhas

Título: Por Lugares Incríveis Título original: All the Bright Places Autora: Jennifer Niven Ano: 2015 Editora: Seguinte Número de páginas: 335

É difícil falar que eu não gostei tanto desse livro quando parece que todo o restante do mundo é simplesmente apaixonado por ele. O fato é que eu não conseguir me envolver com a história desse livro como a maioria das pessoas.

É difícil  falar que eu não gostei tanto desse livro quando parece que todo o restante do mundo é simplesmente apaixonado por ele. O fato é que eu não conseguir me envolver com a história desse livro como a maioria das pessoas. Não estou desprezando o seu conteúdo nem falando que não é importante ou que o tema não precisa ser abordado – porque precisa! -, mas não senti essa ligação apaixonada pela qual eu vejo leitores ao redor do mundo falando.

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Violet Markey perde a vontade de viver depois do acidente de carro que sofre junto com a irmã, que morre. Ela se sente culpada além de sentir uma tristeza e saudade absurda de uma das pessoas que mais amava no mundo. É difícil de seguir a vida, quando a irmã era popular, uma filha, irmã e amiga maravilhosas.

Com Theodore Finch as coisas são diferentes, mas não melhores: em sua personalidade incomum, toda a semana ele encarna um personagem: faz parte de ser quem ele é sentir-se assim. Mas as pessoas são malvadas e começam a praticar bullying, e aberração é o de menos que ele ouve. Sendo perseguido na escola, acaba afastando-se de todos e ainda tem que lidar com o pai violento e a apatia da família, que assim como os colegas da escola, o ignoram.

Enquanto Violet sonha em acabar o ano letivo e mudar-se para Nova York e começar a faculdade de Escrita Criativa que tanto sonha, Finch pesquisa sobre diversas maneiras de suicídio e se teria coragem de seguir em frente com algumas dessas técnicas. Quando menos se espera, o destino une os dois: no alto da torre da escola, Finch está imaginando como seria os pais, colegas e professores encontrá-lo morto, depois de ter se jogado e depara-se com Violet ali em cima. De forma improvável, os dois se ajudam a sair daquele lugar e dar início a uma amizade que começa quando tem que fazer um trabalho de geografia, visitando os lugares mais incríveis ou pitorescos ou interessantes na cidade. Violet encontra em Finch o desejo de voltar a viver, sem que é sem medo e Finch encontra em Violet a oportunidade de ser quem é, sem sofrer.

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Por Lugares Incríveis é um livro que precisa ser apresentado ao mundo, simplesmente pelo fato da autora ter tido a ousadia de escrever sobre um tema que ninguém mais fala: suicídio. Precisamos falar sobre sobre o assunto, precisamos falar com as pessoas que estão tristes que não conseguem encontrar outra solução para a sua dor que não seja tirar a própria vida. E enquanto mídia, adultos, todo mundo no geral continuar a ignorar pessoas assim, vamos continuar sofrendo em silêncio, junto com pessoas que sofrem muito mais e suas famílias.

O Finch é um personagem bem peculiar. De verdade. Mas a estranheza das pessoas geralmente é o que me atrai, então, eu sentia um carinho especial e tentava descobrir qual seria o Finch da próxima página. Violet é tão sincera em sua dor, em como sente falta da irmã que qualquer pessoa que tenha um irmão consegue se identificar com ela e o livro segue por uma montanha de sentimentos: tristes, confusos, conflituosos, levemente felizes, de descobertas. O final tão é tão imprevisível, mas você precisar acompanhar toda essa trajetória para encontrar a resposta.

Acho que o eu não gostei do livro é maneira como ele é contado, é algo meio lírico que não me parece entrar na realidade de muitas das pessoas que estão sofrendo tanto ou mais quanto o descrito no livro. Eu precisava de algo mais pé no chão, mais bruto talvez, mais tapa na cara. A autora escreveu sobre algo feio, sobre um tema polêmico e trouxe uma maneira que o leitor conseguisse se envolver. Eu entendo, mas não funcionou comigo. Não significa que desprezo o tema, só que eu imaginava que ele me encantaria, me atrairia, que eu encontrasse nas páginas os motivos para me apaixonar.

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Editora Seguinte, Resenhas
Título: Uma Canção de Ninar Título original: This Lullaby Autora: Sarah Dessen Ano: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 350

Uma Canção de Ninar não é um livro imprevisível, que deixa o leitor trêmulo com os acontecimentos, nem nada do tipo, mas é um livro muito bom para quem gosta de romances e precisa de uma ajudinha pra acreditar de novo no amor.

Remy era uma garota comum que acabara de terminar o ensino médio e não via a hora de ir para uma faculdade longe dos casamentos loucos e não-duráveis de sua mãe. Antes disso, porém, havia o quinto casamento e ela ficara encarregada de organizá-lo.

Sua mãe, Barbara Starr, era uma escritora romântica famosa que não conseguia viver suas aventuras amorosas na vida real, o que fez Remy acreditar que o amor não existia. Já seu pai era um músico que deixou um legado para sua filha, apesar de tê-la abandonado quando recém-nascida e falecido pouco tempo depois. A música chamada Uma Canção de Ninar, que ele escrevera em homenagem à pequena Remy, continuava tocando em todas as rádios, mesmo depois de anos, o que apenas servia de lembrete para a garota: nunca, em hipótese alguma, saia com um músico.

Esta canção de ninar
Tem poucas palavras
Apenas alguns acordes
Neste quarto vazio
Mas você pode ouvir e ouvir
Aonde quer que vá
Vou te decepcionar
Mas esta canção vai continuar a tocar…

O que acontece depois é previsível, porém interessante. Dexter, um músico totalmente desorganizado e de bem com a vida, é chamado pra tocar no casamento da mãe de Remy com sua banda, e assim o caminho dos dois se cruzam.

O livro é super fofo, com personagens bem marcantes e a narração em primeira pessoa pelo ponto de vista de Remy faz o leitor relembrar a adolescência, quando não se sabe ao certo como lidar com os pais, com as paqueras, os amigos, as festas e a faculdade.

– Eu posso escrever uma música pra você – ele ofereceu, indo atrás de mim. Eu andava tão rápido que estava derramando as cervejas. E mesmo assim ele conseguia me acompanhar.
– Não quero música nenhuma.
– Todo mundo quer uma música!
– Eu não.

As questões básicas dos relacionamentos, como as brigas de irmãos, o fato de ter que se dar bem com um padrasto, lidar com traição, ter que se separar das amigas do ensino médio, entre outras, foram muito bem construídas na história, o que cria lições de vida bacanas.

Escolhi este livro em especial porque eu namoro um músico e achei super legal a ideia de colocar o lembrete de Remy na capa do livro. Adorei o fato de Remy ter uma música em homenagem à ela, pois acredito que tudo que está escrito torna-se infinito e a importância dessa música na vida dela é trazida de uma bela forma em sua narração. A citação de várias bandas de rock também me deixou feliz com o livro e o final da história não me decepcionou.

Uma Canção de Ninar não é um livro imprevisível, que deixa o leitor trêmulo com os acontecimentos, nem nada do tipo, mas é um livro muito bom para quem gosta de romances juvenis e precisa de uma ajudinha pra acreditar de novo no amor. Não é um dos meus gêneros favoritos, mas a música foi um ponto que ganhou meu coração. Sabe aquela história feita para você relaxar depois de uma semana doida? É essa.

Enquanto o resto do mundo seguia alheio, tomando café, lendo o caderno de esportes e pegando as roupas na lavanderia, eu me inclinava para a frente e beijava Dexter, fazendo uma escolha que mudaria tudo.

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