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Título: Vênus Sobre a Concha Título original: Autora: Carol WolterAno: 2017 Editora: Publicação Independente Número de páginas: 147

Carol Wolter, em seu romance de estreia, nos apresenta uma personagem feminina forte, decidida e inteligente e mescla com decisões da vida, amores improváveis, razão x emoção.

Carol Wolter é uma autora nacional que está vivendo atualmente na Alemanha. Em seu romance de estreia, ela nos apresenta uma personagem forte, determinada, com a vida bem resolvida e que, aparentemente, não precisa de muito mais. Seu livro está disponível para compra desde o dia 27/04 na Amazon e também no Kobo. Depois de ler a resenha, não esqueçam de comprar para apreciar a leitura rápida e fácil. <3

Julia é uma mulher independente, que está terminando a sua graduação em Economia. Já formada em Direito, ela se embrenhou por uma área pouco conhecida nas empresas: fraudes. Dentro de um ramo que pouco se fala, Julia se destaca por ser uma profissional exemplar, características essa que puxou da família – seu pais são empresários e donos de concessionárias em Curitiba. Contudo, estão tão envolvidos em trabalho que esqueceram como é ser marido e mulher, e não colegas de trabalho.

Quando sai para comemorar o aniversário da melhor amiga – algo realmente raro para Julia, que é extremamente workaholic -, acaba conhecendo Paolo, este que virá a descobrir ser um italiano bem reservado e extramente sexy. A atração entre eles é forte e incontestável e, em um momento de parar de usar a razão e começar a usar a emoção, Julia se deixa envolver pelo charme másculo desse homem.

Paolo é um cara mais velho – 41 anos, comparado aos 27 de Julia -, mas extremamente gentil, cavalheiro e interessante. Em uma coisa ele combina com a nossa personagem principal: é extremamente reservado quanto ao seu trabalho e está em Curitiba apenas por alguns dias, voltando depois para São Paulo. Ele é mais discreto, mas não esconde sua vontade de fazer o relacionamento dar certo ou sua vontade de estar próximo a Julia.

Mas como nem tudo é apenas rosas, ações de vão desencadear uma série de conflitos, fazendo que por um motivo ou outro eles se separem. Julia volta com tudo a focar na sua carreira, em ser a melhor, em ter uma equipe, em mostrar que é importante e valioso ter alguém com sua experiência atuando. Sendo assim, recebe uma proposta de emprego em São Paulo e parte sem olhar para trás, feliz em finalmente estar descobrindo seu caminho.

O livro é bem pequeno e com uma leitura bem rápida e fluída – quando percebe, já terminou e está desesperado, pois a autora terminou o livro em um momento crí-ti-co! Pode acreditar! É interessante acompanhar um pouco da trajetória profissional da Julia, que a autora soube dosar bastante junto com o romance. Acredito que ficou bem dividido, sem pesar muito em nenhum dos dois lados e fazendo com que os dois se complementassem.  A autora, apesar de morar fora do Brasil, quis explorar bastante o que nosso país tem de melhor e, em pequenas viagens, companhamos pelos olhos da nossa protagonista diversos pontos diferentes, não apenas de São Paulo, mas como também de Curitiba e interior do Rio.

Apesar de ser um livro que tem conteúdo erótico, o que eu mais curti é que todas elas estão inseridas dentro de um contexto, não apenas jogadas ou forçadas na leitura. São duas pessoas adultas, se conhecendo, que querem estar o mais próximas possível uma da outra e que, inevitavelmente, terão relações sexuais. Gostei também porque não tem o contexto sadomasoquista ou de dominador que os os livros do gênero gostam de abordar. No entanto, achei que foram muito rápidas… particularmente, gosto quando elas tem alguns detalhes e duram um pouco mais.

Eu, sendo extremamente detalhista e chata com livros, tenho algumas considerações a serem feitas quanto a revisão e escrita da autora. Alguns pontos são totalmente compreensíveis por ser seu primeiro livro, mas que acredito que possam ser melhorados para que o produto final chegue ao leitor de maneira mais completa possível: a linguagem coloquial utilizada que muitas vezes me parece que eu estou conversando com uma amiga. Não acredito que seja ruim, mas no lugar de deixar algumas palavras e fazer diálogos de uma palavra, eles podem ser melhor trabalhados de maneira que entenda-se que os personagens estão inseridos dentro de uma cena e interagindo entre si. Outro ponto foi que a autora utilizou algumas palavras em demasia e que não eram necessárias e que poderiam ser substituídas, assim como algumas ações que não precisavam estar no livro por não acrescentar a história.

Eu não tinha me conectado com o título do livro e estava implicante com ele, #confesso. Porém, a autora foi TÃO, TÃO ESPERTA e conquistou de uma maneira única e bem surpreendente, o que me fez parar com a implicância no ato. A explicação é bem dada e fundamentada, sendo uma das partes que eu li e mais senti firmeza no que estava sendo colocando, juntamente com a descrição da explicação do dia-a-dia do trabalho da Julia.

Por fim, estou bem curiosa quanto aos dois livros seguintes, fechando assim a trilogia que a autora preparou para mostrar Julia & Paolo para os leitores. Tem um personagem, em especial, que eu acho que deveria ganhar um spin-off que é o amigo do Paolo, dono do restaurante. Me senti conectada com uma pessoa que tem um astral tão bom.

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Título: Proletário – Baseado em Fatos Reais Título original: Autor: Leanderson SilvaAno: 2016 Editora: Publicado na Amazon Número de páginas: 114

Sim, eu não esperava que fosse gostar de um livro que tem como plano de fundo o Rio de Janeiro.

O Leanderson entrou em contato comigo para que eu lesse seu livro e eu fiquei em dúvida, principalmente, quanto ao tema. Quem me acompanha, sabe que eu gosto dos romances no geral, mas que vez ou outra acabo sendo atraída para livros de suspense, thrillers, fantasia. Comecei a ler o livro sem grandes expectativas e eis que eu apenas ME SURPREENDO com o conteúdo! Sim, eu não esperava um livro bem escrito. Sim, eu não esperava que fosse gostar de um livro que tem como plano de fundo o Rio de Janeiro. Sim, eu não esperei que fosse refletir tanto a respeito de algo que está tão distante da minha realidade.

O livro, com 114 páginas e uma leitura bem fluída, nos apresenta o Proletário e vamos conhecer sua vida morando na favela: sua infância humilde junto com a família, o relato sobre como foi viver em um lugar onde a polícia não tem acesso, o governo pouco se importa e os traficantes comandam quem entra e quem sai. Até o momento que um novo comando assume a favela e as coisas começam a mudar… mudar para melhor. Mas isso seria possível?

Proletário nós conta, em primeira pessoa, as mudanças perceptíveis dentro da favela quando o comando é redirecionado, quais são os benefícios para quem mora ali, quais são as regras e os problemas, pois sim: mesmo tendo melhorias, algumas coisas não mudam. Dentro de uma comunidade, quem faz as regras são outras pessoas e, de repente, ele vê alguém muito próximo a si tornar-se chefe do tráfico. Neste momento, vamos acompanhar a trajetória do Proletário, sua visão de vida, de princípios básicos que lhe foram passados dentro de casa, seus desejos, sonhos e frustrações em comparativo com a constante vigilância de homens fortemente armados, a venda de drogas e morte.

O livro é ficcional, contudo, tem como plano de fundo o fatídico dia, em 2010, em que tivemos um cenário de guerra dentro do Complexo da Penha, e acompanhamos traficantes fugindo dos policiais através da mata e perdendo o comando da favela. O livro é pequeno, mas o autor tem a capacidade de deixar tudo muito claro em poucas palavras, sem ficar entediante com a quantidade de detalhes e informações que não são necessárias para o desenvolvimento da história. Tudo que lemos é rápido, com informações precisas. É um livro ficcional? Claro, mas que tem vários pontos que são reais, que realmente aconteceram.

Nós acompanhamos o dia-a-dia dentro de uma favela.

Nós temos uma visão de como vive a pessoa que se torna o chefe de uma favela.

Nós lemos como os moradores acreditam que ali é o melhor lugar que poderia viver. Mas não percebem, que muitas vezes, não tem outra opção.

Isso tudo tem ainda mais veracidade pois o autor viveu dentro de uma comunidade. Tem como ler algo mais real que o relato de alguém que estava ali?

Eu sempre gosto quando os autores desenvolvem suas histórias dentro de um fato verídico: Diana Galadon com Outlander faz isso muito bem. Já nas primeiras frases, conseguimos nos situar no tempo, saber do que o autor está falando e se envolver com os personagens principalmente por causa da proximidade real da história com nós, leitores. Eu não moro no Rio, mas eu acompanhei todo o drama. O mais incrível é que consegui me colocar na situação que está tão distante da minha realidade e pude refletir, através das palavras, sobre ações que eu simplesmente ignoro.

Enquanto a minha leitura ia caminhando para o final, em diversos momentos eu vi a crítica social embutida, às vezes sutil, às vezes nem tanto, do autor para com a situação em que diversas pessoas vivem. Pensei também quais os motivos levam pessoas a se submeterem a viver com tanto pânico e terror dentro de uma favela: algumas não tem escolha, outra não tem opção, outra gosta; a comparação entre  família que não queria que os filhos se envolvam com algo errado X o filho que sempre sonhou em fazer parte; filho que construiu uma família e queria ser livre e dar essa oportunidade para a filha X filho que tinha um império para cuidar e tudo ao seu dispor, mas era alguém preso em suas próprias amarras; a realidade mostrada na televisão, diante do fato tão grande X a realidade contada por alguém que vive e sabe como funciona.

Para finalizar o que eu tenho para falar com vocês sobre este livro: estou surpreendida. Adoro o jogo de troca de pessoas, ora em primeira, ora em terceira; dessa forma, consegui ter uma visão abrangente do livro. Elas são sutis e mesmo que você se incomode, acalma a mente e se joga na leitura. Em diversos momentos meu coração se apertou – fica tão claro que  família não é nada e é tudo, e o final destruiu o meu coração.

Mas eu estou bem.

Eu acho.

É um livro inteligente, acima de tudo. De acordo vai lendo, percebe o ciclo se fechando. E até comentei com o autor que me lembrou bastante do Gustavo Ávila com a sua escrita tão peculiar e gostosa de ler: são pequenas doses para completar uma história, sem furos, sem enrolação, direto. Existe um ponto inicial bem definido, existe algo para ser contado em detalhes importantes, existe um final a ser concluído.

Vocês podem conferir o Booktrailer do livro aqui e, claro, gostaria de saber a opinião a respeito do livro: ele está disponível para compra na Amazon, bem baratinho, e vale a pena.

Vale muito a pena.

Saiba mais sobre o autor: SiteFacebookInstagramTwitter

Autor Independente, Editora Verus, Gustavo Ávila, Livros Nacionais

Título: O Sorriso da Hiena Título original: Autor: Gustavo Ávila Ano: 2015 Editora: Publicação Independente Número de páginas: 304

Depois que terminei o livro ainda fiquei refletindo sobre ele, é inevitável, porque você tenta digerir tudo aquilo que foi escrito.

Vocês precisam entender que eu não gosto de ler sinopses, mas algumas vezes é inevitável, como foi no caso de O Sorriso da Hiena. Estava eu, iniciando a leitura toda animada, ainda nas primeiras páginas, e o que li me causou um desconforto tão grande, um arrepio, que precisei lê-la para ter uma noção do que estava por vir. Ainda não sei se fiz bem ou não. A história tem um enredo instigante, e realmente é uma leitura que te prende, você quer saber as próximas etapas, o final.

O livro conta o dilema moral/ético do psicólogo infantil William, que tem o desejo de tornar o mundo um lugar melhor. A sua tese de doutorado trata sobre o desenvolvimento da maldade humana, no entanto, ele tem a teoria e nenhum caso prático para se debruçar. E daí eu te pergunto: até onde você iria para compreender a maldade humana?

Eu não quero fazer um curativo no dedo, eu quero… tirar o corte da faca.

Neste momento David entra em contato com William e propõe repetir o mesmo que aconteceu com ele na infância, isto é, ter os pais assassinados. Surge assim a oportunidade que William precisava: acompanhar o crescimento de crianças que sofreram um trauma na infância. Não sei se vocês repararam, mas é muito macabro, me causa horror imaginar uma situação assim: “olha eu vou matar os pais dessas crianças e o seu papel é estudá-las enquanto cresce”. É nesse nível a conversa entre os dois.

Como um dos aspectos da história são os assassinatos, tem a investigação policial conduzida pelo detetive Artur, que é detentor de uma personalidade peculiar, diria até que engraçada algumas vezes, pois em alguns momentos quebra a tensão da história. Há diversas teorias sobre a motivação dos crimes, as tentativas de encontrar pistas e decifrá-las e a frustração quando se encontra diante de um caso complexo, aparentemente, sem solução. Assim, é um livro interessante para quem gosta de enredos policias, fora é claro, o lado psicológico.

Pessoas más são pessoas tristes. Por isso elas são más.

Tenho que mencionar também como os personagens são bem construídos e fortes. Nada na história é dito sem um motivo. Sabe quando tudo vai se encaixando enquanto a leitura avança? Sim, é assim que acontece em O Sorriso da Hiena. É uma sensação gostosa e ao mesmo tempo estranha, porque você percebe o quanto David pensou em tudo desde o início e como envolveu as pessoas numa proposta pessoal de autoconhecimento.

Depois que terminei o livro ainda fiquei refletindo sobre ele, é inevitável, porque você tenta digerir tudo aquilo que foi escrito. Eu não sei nada de psicologia, além é claro, das matérias obrigatórias na faculdade, mas é um campo do saber interessantíssimo, principalmente, no que diz respeito ao estudo de mentes criminosas. O livro nos faz refletir sobre como o ambiente em que somos criados ou as experiências vivenciadas podem ou não nos modificar de uma maneira irremediável. O cérebro é tão complexo quanto as nossas relações humanas.

Existem trechos que tratam da ineficiência da polícia e até mesmo sobre a corrupção policial, ou como o Estado simplesmente falha ao cumprir com seu papel constitucional de proteção. Além disso, também temos aquele personagem que nos emociona por ainda acreditar na humanidade mesmo estando diante do seu algoz. O personagem David é extremamente complexo, porque além de ser o assassino ele também é vítima, quando eu imaginava que não poderia haver mais nenhuma surpresa por parte dele, era de novo surpreendida. A história é de uma genialidade incrível, o livro é maravilhoso e eu o li em um dia porque não conseguia parar sem saber o final.

O livro é escrito por um autor nacional, até então independente, o Gustavo Ávila. Contudo, sua história magnífica já alcançou os olhares de pessoas maiores e a Editora Verus vai publicar o livro ano que vem. Não tenho nenhuma ressalva, fora alguns errinhos de revisão e diagramação que realmente ficam em segundo plano diante da obra escrita por ele.  Espero ter a oportunidade de ler mais coisas publicadas por ele, pois é o tipo de autor que me faz orgulho indicar para outras pessoas.

Editora Novo Século, Livros Nacionais, Resenhas

gsTítulo: Virando Amor Título original: Autor: Isadora Ferreira Ano: 2015 Editora: NovoSéculo Número de páginas: 200

O livro é teen e como eu não gosto muito de livros dessa temática, acabei me enrolando um pouco para ler, mas quando comecei a ler, rapidinho terminei.

Priscila tem 16 anos e mora em Curitiba, mas de repente vê sua vida mudar bruscamente quando seu pai recebe uma promoção para trabalhar em São Paulo. Mudar de cidade, trocar de escola, deixar seus amigos e o namorado e ir para uma cidade imensa não é o que ela imaginava que aconteceria no Ensino Médio. Em meio a todas as mudanças, tem que aprender a lidar com essa nova vida.

Mas, como era de se esperar, a adaptação não é maravilhosa: sente falta dos avós, do namorado, das amigas, da rotina. Mas percebe que amizades podem se manter a distância e novas serem criadas e é isso que ela faz: começa a perceber que a cidade pode ser incrível, que em São Paulo também pode fazer amigos e ainda unir amigos de dois estados! É apresentada as decepções da adolescência – e da vida! -, descobre que nem tudo é perfeito e que até o felizes para sempre tem um ponto final.

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O livro é teen e como eu não gosto muito de livros dessa temática, acabei me enrolando um pouco para ler, mas quando comecei a ler, rapidinho terminei. Existem alguns pontos que me incomodam no livro – como o fato da Priscila ficar indo e voltando para Curitiba de avião como se a passagem custasse 30,00. Estranho, pois, em nenhum momento, é citado que os pais são ricos, mas que aparentam levar uma vida financeira boa. Acho engraçado perceber que algumas coisas não mudam nem mesmo com o decorrer dos anos – como músicas que eu ouvia e ouço até hoje e que foram citadas no livro – e como sensação nostálgica de acompanhar essa fase da vida que já não faz mais parte da minha.

Para um livro de estreia, não pode negar que Isadora tem talento. O livro é perfeito aos meus olhos? Não. Ma ele tem início, meio e fim bem definidos e escrito. Acredito que para que eu achasse o livro MARAVILHOSO seria necessário mais alguma experiência, essa que só se adquire com o tempo, porém, é inegável o talento da garota.

O livro é dosado com romance, medos, sentimentos conflituosos, descobertas. Acho que também é o tipo de livro amigo para quem está passando por uma mudança de estado tão grande e brusca. Priscila nos conta através dos seus olhos como seu namorado se transforma depois da mudança, como situações sobre o coração fogem do nosso controle e mostra, principalmente, que quando abrimos nosso coração para as novas oportunidades, elas podem aparecer melhor do que imaginávamos.

O final eu achei um pouquinho forçado, mas é como eu falei: a nossa escrita, história, enredo vai amadurecendo conforme isso acontece com quem está escrevendo. E não foi nada que ruiu a leitura, apenas que me incomoda diante do conjunto. Outra ressalva que eu faria é com relação a capa: livros juvenis me remetem a capas alegres, coloridas, chamativas. Achei que não casou com nada do que a autora escreveu ou quis passar. Se houver uma nova edição, minha sugestão seria buscar algo que atraísse mais o público-alvo.

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