Livros Nacionais, Novos Talentos BR, Resenhas
gsTítulo: Fredu Me Tira Dessa! Título original: Autor: Laura Conrado Ano: 2012 Editora: Novo Século Número de páginas: 239

Confesso: não dava muito pelo livro. Conheci a Laura na Bienal Brasília e ela me conquistou com sua simpatia. Peguei o livro e o deixei guardado na estante, mesmo com a promessa de que leria rapidamente. Não o fiz, mas há duas semanas atrás parece que ele me atraiu. Puxei – o e já comecei a rapidamente a ler. Confesso de novo: não pensei que eu fosse gostar tanto do livro. Motivos? Apresento para vocês.

Catarina é a nossa personagem principal de 23 anos. Ela morava com sua família em uma cidade no interior de Minas, mas depois que consegue um trabalho bacana, muda – se para a capital e descobre os prazeres e desprazeres de morar sozinha e ter a própria liberdade, sem ter pra quem dar satisfação e correr atrás para pagar suas contas sem depender de ninguém. Mesmo tendo uma vida – em geral – razoavelmente estável, sua vida amorosa é uma catástrofe total. Diante de tantos questionamentos do tipo ‘o que estou fazendo errado?’, ela parte para a terapia em busca das resposta para as confusões da sua vida. O que ela não esperava, no entanto, é que fosse se apaixonar por seu lindo terapeuta de olhos verdes. Como, em nome dos céus, ela vai buscar ajuda e acaba se metendo em mais confusões? Freud, pode me tirar dessa!

Aaahh, só de relembrar o livro pra escrever essa resenha já fico rindo sozinha. A Laura soube escrever tão perfeitamente a Cat que é impossível não se identificar com ela nos momentos mais inusitados. Ela é inteligente, cômica, paranoica e desastrada. É divertida, amiga e muito desconfiada. É ciumenta, é rancorosa, é carinhosa e muito amorosa. É carente, angustiada, linda e muito destrambelhada. Enfim, ela tem um pouco de todas nós dentro de si e ver os problemas da Cat sob um ponto de vista tão diferente é muito gostoso de ler, já que a maioria dos conflitos dela tenho certeza que boa parte de nós – mulheres – já vivemos. Quem nunca grampeou a alça do sutiã que atire a primeira pedra!

Catarina é uma personagem tão real que é quase palpável. É como ter uma amiga contando essas histórias inacreditáveis para você. O que eu percebi e senti lendo: a fase de conhecimento de nós mesmos nunca acaba, por que sempre terá um detalhe que poderá nos surpreender. Vemos na personagem principal nós mesmas: tentando acertar errando, tentando conhecer desconhecendo, tentando amar e sendo atropelada. A Cat me fez ver muito de mim nela – confesso mais uma vez, em determinados momentos me senti desesperada e desamparada por estar acontecendo com ela exatamente o que acontece comigo -, mas na próxima página eu já estava rindo novamente, com o seu jeito de soluciona – los.

A autora soube graduar tudo na história: os momentos de dramas, problemas, conflitos, reflexões. Sempre com uma boa dose de frases inteligentes e engraçadas, mas que possuem no fundo sentimentos para serem analisados. Freud Me Tira Dessa! não é apenas um chick – lit de nome bonitinho e que fala sobre o mundo feminino. É um livro que representa muito bem as dificuldades que temos quando estamos na fase do auto conhecimento. Claro que do jeito singelo e espirituoso que a Laura soube conduzir, fica muito mais interessante de ler! É o tipo de livro que você fica angustiado de saber que não pode continuar a leitura por que chegou no trabalho e que terá que esperar até pegar o ônibus para poder desfrutar mais um pouco. É aquele que já está tarde, você precisa dormir e sabe disso, mas fica falando para si mesma: ‘só mais uma página e eu durmo’ e quando vai perceber já leu um capítulo inteiro. E mesmo assim não quer largar!

O que eu mais gostei, porém, foi o final. Não é nada muito elaborado, mas diante de toda a leitura percebi que é o final perfeito. Não é mirabolante, não é amalucado muito menos o mais feliz. É o adequado. É o final respeitoso para alguém que está em busca de se conhecer. E por ser tão real é o que torna tão acolhedor.

Dos livros que eu tenho dos autores nacionais do Novos Talentos, esse é o primeiro com páginas amarelas – que facilita muito a leitura e até comentei com a Laura – e tem a diagramação simples. Mas um livro que por si só já carrega uma boa história, não precisa de muitos floreios para se tornar perfeito. Eu gosto de livros assim: que me surpreendem de forma perspicaz.

O engraçado é que eu sempre olho para o autor, olha para o livro e tento ver semelhanças já de primeira impressão entre ambos. Não aconteceu aqui, mas devo dizer que o prazer de ter sido surpreendida valeu mais do que qualquer primeira não impressão.

Livros Nacionais, Novos Talentos BR, Resenhas

gsTítulo: Louca por Você Título original: Autor: Fernanda Belém Ano: 2011 Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira Número de páginas: 308

Confesso, eu não me enturmei, apesar de tudo. Simplesmente por que eu não sou de esperar por ninguém.

Renata é uma estudante alegre, divertida e muito carismática. Ama as coisas simples da vida, um caminhar na praia e a tranquilidade que a mesma lhe traz. Porém, namora com Rodrigo: um cara que é totalmente o oposto dela. Chato, um tanto sem noção, sem pique para nada e um totalmente o inverso da personalidade da Rê. Depois da mesma rotina durante três anos – com um cara sem graça desse, diga – se de passagem – nossa protagonista começa a ficar cansada do batidão do namoro. E como seu coração pode não ficar balançado, quando seu ex – primeiro – namorado (e amor verdadeiro, diga – se novamente de passagem) Vítor retorna a sua vida? Como não querer larga o insuportável pelo conto de fadas que ela sempre desejou? No entanto, Vitor parece não estar no mesmo ritmo que ela, já que não se separa da intragável namorada e fica enrolando, enrolando, enrolando, enrolando… a Renata. Como essa história pode tentar ter um final feliz, quando tantos obstáculos aparecem para se intrometer? E como driblar o maior deles: a espera?

Eu estou com um costume bem legal de não ler sinopses de livros. Eu só vou saber sobre o que se trata o livro quando eu o tenho em mãos. Claro, isso nem sempre é possível, mas eu me esforço. Louca Por Você é um dos exemplos. Eu pensava que seria uma trama totalmente diferente e me surpreendi com a história que a Nanda me apresenta. Na verdade, essa surpresa não foi de um modo tão bom quanto eu esperava, por que no final acabou que a trama em si não me agradou por alguns detalhes.

Confesso, eu não me enturmei, apesar de tudo. Simplesmente por que eu não sou de esperar por ninguém. A Renata ficou esperando o Vitor por tanto tempo que eu acabei pegando raiva dele. Eu posso ser malvada sem coração, durona e totalmente desprovida de sentimentos, mas é incompreensível pra mim que uma pessoa fique tanto tempo esperando por outra que simplesmente não parece desejar o mesmo que você: ficarem juntos. Em vários momentos da narrativa, eu percebo que o Vitor poderia já ter decidido a sua vida, mas ele fica naquele molha e não chove, vai e não vai, quero e não quero… na verdade, era muito cômodo pra ele estar com duas garotas.

Em uma conversa com a Nanda via Twitter, ela me disse que várias mulheres, depois de anos, ficavam se perguntando: ‘E se…?’ Eu sou mais daquelas que fala: ‘Não deu certo, pronto, vou seguir em frente mesmo que eu sofra!’ Não sou de ficar pensando no que teria acontecido se eu tivesse esperado milhões de anos por uma pessoa. Não é comigo.

Alguns diálogos eu achei muito rápidos – por que muitas vezes não temos o locutor implícito na frase – e com frases muito curtas. Como eu sou aquela leitora que adora detalhes, fiquei chupando um pouco de dedo neste quesito. Uma coisa que eu posso dizer com toda a certeza que eu não gostei no livro foram os apelidos das amigas da Renata: Fla, Manu, Pri. Simplesmente por que eu não gosto dessa diminuição de nomes. E tem tantas palavras monossílabas de nomes/apelidos que chateou. Mas isso é algo totalmente pessoal, tá?

Quanto ao livro físico: a maior parte dos livros que eu leio é dentro de ônibus e todos (ou boa parte) dos livros do Novo Talentos são com páginas brancas, que agridem os meus olhos. Então, quando o sol batia em cima das páginas, eu desistia de ler. Simplesmente não dava. Mas eu me via em algumas características da Renata, que quando eu podia, trocava de lugar ou ficava na frente do livro de modo que a luz não batesse nele. E era nessas horas que a minha leitura engrenava novamente. Eu não pesquei erros de digitação, só achei que poderiam ter caprichado mais na escolha da fonte. Alguns trechos do livro eu senti que não seriam em itálico, então seria essa a minha única observação. A capa do livro eu acho bem fofinha e combina com o mesmo.Louca Por Você é um livro para aquelas pessoas que sonham mesmo com um final feliz e que gostam de observar o quanto tem pessoas que lutam por um amor. Se você já esperou muito por uma pessoa e os imprevistos do destino te afastava dela, com certeza irá amar.

Livros Nacionais, Resenhas

Título: Sob a Luz dos Seus Olhos
Autora: Christine M.
Editora: Underworld
Páginas: 295
Ano: 2012

Livro no Skoob
Elisa é uma garota determinada com todo o futuro pela frente. Está partindo para a gélida e cinzenta Londres com todas as expectativas lotando sua bagagem. Nesse cenário, conhece Paul, um jovem de espírito livre e com uma promissora carreira de ator. Tudo poderia ser apenas um romance casual. Entretanto, Paul e Elisa são dois seres nos quais os rótulos não se encaixam. Graças à entrega incondicional e dedicação, puderam vivenciar tudo o que amor pode ser. Ela encontrou em seus olhos azuis a força para ultrapassar todas as barreiras que sequer imaginaria ter de enfrentar. Ele descobriu que as várias nuances dos olhos dela o levariam a uma trajetória oposta àquela que sempre planejou. Com eles, podemos viajar desde a tradicional e britânica York, às belas praias de Angra dos Reis, até as charmosas paisagens de Santa Mônica, na Califórnia, em uma trama intensa vivida e mostrada através dos olhos dos amantes. Contudo, o amor entre os dois jovens vai além do pitoresco. Ultrapassa o cotidiano e invade as questões existenciais humanas, se transformando em um convite à reflexão sobre o autoconhecimento e a incapacidade de prever do que somos capazes. Um romance repleto de reviravoltas, emoção e dinamismo, capaz de prender o leitor até o último capítulo. Muito mais do que uma história de amor furtiva ou pueril, “Sob a luz dos seus olhos” relata de maneira envolvente como esse sentimento pode mudar vidas e construir pontes que nem mesmo o tempo e o espaço podem destruir. O que você faria por amor? Eles fizeram tudo!

Ok, gente, parou! Eu devo está mesmo com um chama para romances impossíveis! Primeiro, “Paixão, Drogas e Rock’n  Roll” e agora “Sob a Luz dos Seus Olhos”. Estou realmente preocupada!
O livro “Sob a Luz dos Seus Olhos” nos envolve em um romance belíssimo entre Elisa e Paul. Ela, como estagiária de uma editora que conseguiu uma vaga na sede em Londres – somente o sonho de todas nós, não é blogueiras? – acaba por acidente, conhecendo um loiro alto, olhos azuis cor de céu e abençoado com um corpo perfeito que não faz nada menos que artes cênicas e é extremamente bom em sua profissão. Seus pobres olhos verdes que mal puderam aguentar a primeira olhada, com os sucessivos encontros ao acaso, não conseguem deixar de tentar memorizar os detalhes de seu rosto e tirar a sua tentação pessoal, o breath taking do Paul, de seus sonhos.
Tudo começa quando ela decide passar duas semanas de férias antes de propriamente ir trabalhar em York, cidadezinha medieval ao norte da Inglaterra. Logo em seu primeiro dia, decide sair em um frio tremendo, para um pub da região. Lá é onde seu olhar bate primeiro com o de Paul e pensando que só poderia ser brincadeira – afinal, como aquele homem poderia a estar encarando? -, ela sai correndo e deixa as chaves do alojamento que estavam em seus bolsos caírem no chão. Ele, prontamente, aproveitou o momento e as devolveu a ela. Sem querer continuar a conversa, vai embora em direção a sua vida. Tudo estaria certo dela esquecer aquele deus, mas o destino acabou o juntando uma segunda vez, ao se verem de longe e até sorrirem um para o outro e uma terceira vez, quando ao terminar suas férias ela vai a Londres se instalar na casa de família que a abrigaria.
Com idas e voltas, e os futuros já traçados, Elisa e Paul não se dão conta de como estão próximos e o quanto precisam um do outro. Só depois de muitas conversas e saídas para dançar salsa é que acontece o primeiro beijo dentro de uma cabana que permeará suas vidas para sempre. É uma pena que os obstáculos da vida surgem pela primeira vez e tudo o que Elisa sonhou como seu próprio conto de fadas desmorona. Se fosse só isso tudo bem, mas a trama vai deixá-los em apuros por DUAS vezes e testá-los além do limite.

Vivemos em um mundo de pessoas sozinhas, Paul. Algumas delas projetam suas expectativas em algo que julgam ser maior. Só estão camuflando a tristeza de desejar algo inatingível, que na verdade nem é você. Desejam a fama, dinheiro, beleza e não precisar acordar de cinco da manhã. Elas adorariam não estar no meio da multidão, gostariam de acenar cinco segundos da varanda de um hotel chique, por que acreditam que somente assim seriam especiais e experimentariam algo sublime.

Primeiro quero deixar claro que o livro é muito bem escrito. No início, temos aquele nosso momento de tensão. Somos levados ao choque de perguntarmos: “Por que eles se separaram no final?”. A partir do segundo capítulo, a autora nos leva seis anos antes para quando a nossa protagonista estava de viagem pela Europa, ainda com vinte anos e conhece Paul, na época com vinte e dois. E assim continua de forma linear por toda a vida juntos.
Segundo, eu fiquei um pouco confusa em uma parte do livro quando fala que basicamente a diferença entre os dois é de dois anos, mas depois de seis separados, tecnicamente ele deveria ter vinte e oito, mas no livro, logo depois que eles se encontram, ele faz o aniversário dele de 30 anos. Um vácuo de dois anos se não estou enganada.
Terceiro, Paul também se sente protetor com Elisa (como acontece também no livro da o de Dani que eu resenhei aqui), mas não tanto possessivo compulsivo como era o outro. Ele é um fofo, carinhoso, como todo príncipe encantado deve ser. Nós nos apaixonamos pelo seu jeito, por sua voz, por tudo que o diz respeito. Queremos ter um Paul para nós mesmo, mas também sabemos que talvez, muitas de nós nunca poderemos ter porque, por mais que sonhemos com aqueles homens maravilhosos, sempre vai ter um que ou se aproxima da perfeição, mas tem um defeito particular, ou não tem nada a ver… Mas mesmo assim, nos fazem ficar arriada os quatro pneus por ele.  Eu que o diga…

“Ele me abraçou, depois me olhou seriamente. Paul demonstrava seu caráter, personalidade e desejos em pequenos gestos. Assim como eu fora capaz de notar a profundidade de seus pensamentos, sua paz de espírito, a aceitação de si mesmo e a naturalidade que ele encontrava em sentir mais do que falar, também podia ver a natureza ardente, sua retidão e honestidade.”

Com suas peculiaridades, todo o amor sentido por Elisa nos é palpável, pois podemos identificar, sendo narrado em primeira pessoa – e só em um capítulo na visão dele – o quão grande um amor de verdade pode ser. A estória pode ser ficção, a Chris já pode ter ido para York e não ser filha única como ela me falou via Twitter ou o enredo ter Carol, única amiga de Elisa e Cadu – um vizinho gato que só me lembrou Chris Evans de “Qual é o seu número?” – e famílias tanto suportáveis quanto indignadas, mas o que mais nos fica na cabeça é o sentimento real que une os dois e que não acaba mesmo com a diferença de mundos e de perspectiva.

Por fim, devo admitir que são as adequações que eles fazem e os obstáculos que eles ultrapassam ao longo de toda uma vida foi o que me prenderam mais. Eles tinham tudo para desistir, mas não o fizeram, pois de alguma maneira, eles sabiam que o amor deles era forte o bastante para superar tudo.  Uma história muito boa para tirarmos a verdadeira relevância do amor verdadeiro e aprendermos um pouco mais sobre algo que várias pessoas passam toda a existência procurando ter e nunca acham.

A capa é PERFEITA!  Só achei que remete muito a outono e basicamente foi um namoro de inverno, como o livro diz. A Editora Underworld está de parabéns! Toda a diagramação está perfeita. A resenha de contra capa então? Linda!
Pâm Vital
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