Relatos de Uma Blogueira, Vídeos

Você conhece alguém que já esteve tão triste a ponto de desistir da vida? Você está tão triste a ponto de desistir da sua vida?

Eu pensei em não falar do seriado, até porque eu não li o livro e, confesso, não tive muito interesse, mas acho impossível não comentar a respeito quando meu público maior aqui no canal éjovem, quando eu sou jovem, quando eu sei que é importante falar desse assunto. Quando precisamos falar do assunto.

Terminei de assistir e fiquei devastada. Comentei até no Twitter que achei os primeiro episódios bem mornos e, de repente, me vi envolvida em um turbilhão de sentimentos, conhecendo cada um dos personagens, conhecendo Hannah Baker, entendendo suas motivações para fazer o que fez.

Eu não tive que lidar diretamente com essa situação.
Eu não tive que lidar com esse sentimento.
Eu não sou Hannah Baker.
Você é?

Os 13 Porquês não fala apenas sobre suicídio, fala também sobre bullying, fala sobre violência sexual, fala sobre estarmos fingindo não ver os motivos e, mesmo que vocês venham falar que isso não tem nada a ver e estou vendo coisa aonde não existe, fala sobre como nós, mulheres, sofremos diariamente com machismo. A série retrata isso quando a Hannah tem uma foto divulgada, uma foto comum; quando passam a mão no seu corpo sem autorização e todo mundo acha que é normal, quando ela beija uma menina e isso é colocado como inadequado. Nas pequenas atitudes, todos os dias, somos expostas a diversas situações e julgadas e maneira inconcebíveis, apenas por sermos mulheres.

Já sofri bullying. Lembro claramente, 5º série, a professora entrega as nossas tarefas que tinham sido expostas na parede do lado de fora da sala. Ela fala algo assim: “Fiquei muito feliz com todos os alunos que fizeram seus trabalhos para serem expostos. Mas gostaria de falar que alguns de vocês deixaram apelidos nos trabalhos dos outros e eu gostaria de pedir para isso não se repetir novamente.” Eu estava arrumando meu material para ir embora e pensei: “Ainda bem que eu não tenho nenhum apelido.” Quando a professora devolveu meu trabalho, eis que estava escrito bem grande: TESTÃO. A professora me olhou com cara de desculpas, meus olhos se encheram de lágrimas, eu amassei o trabalho e joguei fora. Desde então eu tomei consciência que a minha testa é GRANDE. Mas eu tive que aprender a lidar com isso. Teve uma época que eu usei franja para esconder o tamanho, mas como nunca também tive um bom relacionamento com o meu cabelo, eu tive que aprender que a minha testa sempre ficaria em evidência e que não tinha o que fazer. Uma vez, apenas uma, eu fiz uma live pelo Youtube, assim que comecei a atualizar por aqui constantemente para testar alguma nova funcionalidade e tinham 13 pessoas. Uma dessas me chamou de TESTÃO de novo. Hoje eu sou bem tranquila quanto a isso, nunca me afetou muito e falo isso verdadeiramente.

Quanto ao meu cabelo, vou dar uma resumida para vocês: eu nunca soube lidar com ele, passei uma parte muito grande da minha vida com ele amarrado. Eu já usei aplique, ele já caiu, já ficou só o toquinho e eu me recusava a cortar. Na adolescência, eu usava um aplique de tic tac, que tira e põe como rabo de cavalo. Era óbvio, ERA CLARO, evidente que aquele cabelo não era meu, até porque dava para ver por meu cabelo sem brilho, desnutrido. Mas para mim aquilo era uma solução. Participando de um ensaio de um grupo da igreja, tinha as piores pessoas ensaiando. Todos os garotos eram aqueles que se diziam “populares”, que estavam sempre brincando, peidando, arrotando, no meio da galera e que os mais velhos sempre gostavam. Em uma das cenas, um deles virou para mim e falou: SAÍ PRA LÁ, CABELO DE BONECA. Nós éramos um grupo de 20 pessoas – ninguém o repreendeu por isso, nem eu mesma. Por isso que eu falo que uma das melhores decisões da minha vida foi ter cortado o cabelo e me arrependo apenas de não ter feito isso antes.

Talvez alguns tenham percebido mas eu também tenho um olho mais baixo do que o outro. Eu vim perceber isso eu já tinha uns 14 ou 15 anos, em uma foto que eu tirei com a minha sobrinha e comentei como as minhas irmãs: GENTE, EU TENHO UM OLHO BAIXO. Sabe quem é a única pessoa que fica me zuando por isso? A minha irmã. Mas sabe porque eu estou falando pra vocês? Por que em muitos casos não vai ser uma pessoa que te ama que vai falar isso brincando pra você. Vão ser pessoas que não te conhecem, que querem apenas que você desista dos seus sonhos, desista de ser quem você é.

Eu aprendi a lidar com tudo isso. Não digo que foi fácil, mas eu apenas abstrai porque eu percebi muito rápido que não tinha o que fazer e, talvez, porque nenhum deles me perseguia ou nunca durou muito. Mas já pensou se isso perdurasse por meses?

As pessoas tiram a própria vida por motivos maiores ou menores que esse.

Eu conheci duas pessoas que se suicidaram e não era próxima a nenhum deles dois, a não ser pelo fato de trabalharmos juntos. Quando fiquei sabendo sobre o que tinha acontecido, me senti devastada, e fiquei imaginando como a família de ambos estavam se sentindo? Eu nunca sofri violência sexual – e convenhamos que eu faço parte da pequena estatística a respeito disso e devo me sentir bastante sortuda a respeito -, mas eu conheço alguém que teve a coragem de me dizer que já sofreu e eu me orgulho tanto dela, pois é uma pessoa inspiradora, forte, inteligente. Ela conseguiu superar, e eu não consigo nem imaginar tudo que teve que passar para que isso acontecesse. Quantas de nós já não passou pela mesma situação sem ajuda?

Você precisa saber que não está sozinho. A culpa nunca é da vítima, não seja um porquê. Se você procurou ajuda e essa pessoa disse que a culpa é sua, é mentira.

E você, que recebe o pedido de ajuda de outras pessoas: não seja o professor da Hannah, que culpabilizou e disse que ela deveria ter evitado. Culpe que a magoou, quem a fez sofrer por ser quem era, por ter tocado seu corpo mesmo contra a vontade.

É necessário que as pessoas PAREM de falar que quem tem depressão e sofre bullying, faz isso por frescura. NÃO É FRESCURA! Eu não sei como é querer não viver, como é se sentir tão triste a ponto de querer tirar a vida, de não saber que tem opção, solução. De não ser amado, de ser criticado, deixado a margem. Você sabe o que é parecer um defeito ser quem você é?

Durante a divulgação da série, eu vi várias pessoas influentes falando a respeito do assunto. Uma das pessoas que eu acompanho e me inspiro é a Bruna Vieira. Vou deixar o link do vídeo para que vocês entendam sobre o que ela passou e sintam-se inspirados.

A sua vida está apenas começando. Sempre tem outra saída.

Relatos de Uma Blogueira

Há um ano atrás, eu escrevi esse texto Eu Já Me Arrependi de Várias Coisas no blog falando sobre algumas mudanças que mexeram significativamente comigo em 2015: como eu tinha saído de um emprego estável para me aventurar em algo novo e não deu certo, algumas experiências que eu tive no decorrer dessas decisões e algumas lições que eu tirei dos últimos 4 meses do ano e minhas perspectivas.

Um ano depois eu queria conversar com vocês sobre como minha vida deu outro salto em direção contrária. Às vezes sinto que eu estou em um furacão, sendo lançada de um lado para outro, e isso não quer dizer que é de uma maneira ruim.

No início do ano eu ainda estava desesperada em busca de emprego: apesar de morar com os meus pais, nunca ter me faltado comida em um único momento da minha vida, as faturas do cartão de crédito estavam chegando e uma das soluções foi vender os meus livros por um preço mixuruca. SIM, EU VENDI. Eu dei um limpa na minha estante, vi quais eu não iria querer de jeito nenhum, consegui retirar cerca de 200 e foi assim que eu fiquei nos últimos meses do ano. Era caos total para mim, não do tipo de OH, NEM CONSIGO DORMIR – afinal de contas, temos prioridades e sono com certeza é uma para mim -, mas de levantar e ficar pensando em pequenas soluções para os problemas atuais.

Eis que em janeiro eu começo a ser chamada para fazer várias entrevistas e em uma delas sou FINALMENTE contratada: iria trabalhar na área de marketing de um grupo de concessionárias aqui de Brasília, mas que tem sede em dois estados. Eu aceitei trabalhar para receber menos da metade do que eu recebia dos empregos anteriores, atendendo 3 lojas de marcas diferentes. Obviamente que eu aceitei, não apenas pelo dinheiro, mas porque eu sempre tento abrir minha mente e coração para novas oportunidades. Eu iria trabalhar com varejo e vendendo carros, algo que nunca passou pela minha cabeça que pudesse acontecer.

Resumindo: a experiência foi bacana até certo ponto – foi totalmente diferente de trabalhar com governo, que era o que eu tinha feito até então e eu fui aprendendo aos poucos muita coisa. Eu tinha um chefe que era gente boa e sabia muito, mas ficava resolvendo outros problemas do que me ajudando a entender os fluxos do que estava rolando. Eu acabei tomando iniciativa para tentar resolver no lugar de esperar que ele me mostrasse. E foi bacana até que ele foi ser gerente em outra área e me deixaram SOZINHA fazendo o MEU TRABALHO e o do GERENTE. Que coisa linda! E eu não recebi um centavo por isso. E eu estava infeliz: trabalhava dentro de uma sala sozinha durante 5 dias da semana, sem contato com outro ser humano. Uma pessoa que trabalha na área de comunicação trabalhando sozinha… Não era o emprego dos meus sonhos, mas eu estava recebendo meu salário, fazendo meu trabalho, mas não era o que eu queria. Eu não levantava todos os dias feliz em saber que eu teria um desafio novo e o emprego ainda era bem longe e isso é resumir bem os pormenores que não vale a pena contar.

EU ESTAVA INFELIZ!

Para piorar, eu comecei a ser assediada por uma pessoa que tinha um cargo alto dentro da empresa. Desde que eu passei por transição, eu me sinto uma nova Raphaela: essa sim sou eu, com meu cabelo cacheado, crescendo, usando faixas, fazendo dedinho, penteados. Gosto de usar brincos longos e batons coloridos e escuros, não gosto de sandálias mas amo tênis e botas. E eu nunca pensei, em toda a minha vida, que eu passaria por uma situação assim. Em dias diferentes ele falava sobre o meu cabelo de maneira debochada e rude, coisas do tipo “Quando chove não entra água no seu cabelo não, né?” ou “Você não penteou o cabelo hoje, não? Ele está todo para cima“. Além de estar infeliz, eu passei a odiar todo mundo naquele lugar. E não é tão simples você enfrentar esse tipo de brincadeira(?)/preconceito e eu me senti impotente, diminuída, arrasada. Fiquei pensando em quantas mulheres no mundo passam pela mesma situação (e muito pior!) e tem que se manter calada por precisar do dinheiro no fim do mês para sustentar a família. Enfim, foi um episódio que me fez ver a situação por diversos ângulos e refletir que é mais difícil do que se imagina BERRAR, GRITAR e EXIGIR RESPEITO. A situação toda é muito complicada porque 1. você não está esperando que alguém vá falar do seu cabelo e 2. é pego de surpresa.

Eu comecei a buscar por outros empregos. A minha irmã estava ficando possessa todas as vezes que eu chegava em casa falando sobre o que tinha acontecido e eu também estava aborrecida ao extremo com a situação, já tinha falado com outras pessoas que teriam o poder de mudar algo, mas para quê? Continuou como se nada tivesse acontecido. E quando eu menos esperei, eu recebi uma ligação de uma pessoa que eu tive contato na Embratur, perguntando se eu estava trabalhando e se eu tinha interesse em um vaga para atendimento em uma agência! Eu já tinha feito uma entrevista anteriormente e não tinha dado certo e olha ela me ligando de novo!

DEU CERTO!

E eu estou feliz. Já falei em vários momentos que eu não tinha intenção de trabalhar em agência e está sendo uma experiência maravilhosa! Tenho uma equipe tão talentosa, trabalho com pessoas competentes e, apesar de falhas que todos temos, consigo sentir orgulho em trabalhar aqui. Nossas experiências traduz quem somos e onde queremos chegar. Eu não sei ainda onde quero chegar, mas estou aproveitando cada segundo desse momento para que eu consiga apenas ir mais e mais e mais longe.

  • Você as vezes tem que se prestar cada papel por causa de trabalho que vou te contar.
  • Você percebe que existem categorias de empresas para trabalhar e isso é muito sério. Eu saí de um ambiente onde você é sufocado, ninguém respeita (mulheres) e te leva a sério para um onde – pode haver todos esses problemas -,  você tem o direito de impor limites e brigar (caso seja necessário) para exigir que o mínimo de respeito seja dado e as pessoas compartilham, se ajudam. Eu tenho uma equipe inspiradora. Eu trabalho com pessoas competentes. Eu rio de coisas que não fazem sentidos para o restante da equipe mas que me faz lembrar quão feliz estou sendo aqui.

 

Lembra que eu falei para nunca deixarem ninguém subestimar sua inteligência ou capacidade? São pequenos passinhos que vai fazer a diferença. Eu tenho certeza que todos vamos encontrar pessoas para ajudar a melhorar essa caminhada e no lugar de diminuir, multiplicar qualidades que fazem de nós não apenas bons profissionais, mas seres humanos maravilhosos.

Relatos de Uma Blogueira, Vídeos

emprestimo

Vocês tem problemas em emprestar livros? Já emprestou e nunca mais viu? Sumiram, a pessoa e o livro? POIS É! JÁ ACONTECEU COMIGO TAMBÉM e hoje eu conto um caso específico que ocorreu comigo e a minha mãe HAHAHAHAH e como eu lido hoje com o lance de tantos pedidos de livros e como eu vejo de uma maneira diferente a arte de emprestar.

ISSO NÃO QUER DIZER QUE TÁ TUDO LIBERADO, LARGADO E JOGADO, VIU?

Confiram o vídeo abaixo, que eu eu fiz de uma maneira diferente, e que gostaria d receber o feedback de vocês a respeito 🙂

Para ver o link com o texto que inspirou esse vídeo e que já foi postado, é só clicar aqui.

Assista aos Vídeos
[wonderplugin_carousel id="2"]
Equalize da Leitura © 2010 - 2016 ♥ Todos os direitos reservados
Tema desenvolvido por Débora M.