Relatos de Uma Blogueira

Existem vários níveis de amizades. Temos aquelas que fazemos no jardim de infância e que muitas vezes se estendem até o ensino fundamental. Tem aquelas amizades do ensino médio que consideramos as melhores, tem as amizades familiares – entre primos etc. e até mesmo com os pais -. Tem aquelas amizades que são passageiras, mas que a pessoa fica guardada para sempre com você. Tem a amizade entre namorados, noivos, esposas e maridos, têm amizades à distância… Existe uma quantidade tão enorme de amizades que fica difícil de ficar citando.

Mas o que dizer da amizade… literária?

Assim, eu não posso citar nomes por aqui ou não conseguirei postar esse texto, já que posso esquecer o nome de alguém e daí vem àquela pergunta traiçoeira: ‘Por que eu não sou sua amiga literária também?’

Creio que como em qualquer grupo, nos envolvemos com as pessoas que sentimos mais simpatia, tem os gostos parecidos com os seus, faz criticas de forma que você sabe que a pessoa tem razão (ou não), te apresenta novos mundos, que te faz sentir especial…

Felizmente, eu tenho vários amigos literários. Podem não estar perto de mim, como boa parte deles não estão, mas existe uma conexão, uma sintonia que nos une de uma forma única. E existe forma melhor do que está unido a alguém do que pelos livros, compartilhando do mesmo amor? Vários amigos me apresentaram livros e séries pelas quais hoje em dia eu sou apaixonada, tanto pela história quanto pelos autores e que sozinha fui procurar pelos outros livros do mesmo e depois perguntei: ‘Ei, você leu esse tal livro do autor que você me apresentou? NÃO?! Oh, você precisa ler agora!’. Eu já tive a oportunidade de me emocionar lendo depoimentos de amigos que leram livros recomendados por mim. E eu não sou aquela amiga literária calma, sabe? Eu sou do tipo perturbada. Literalmente.

 Exemplo com a minha amiga Gabi:

– PÁRA TUDO QUE VOCÊ ESTÁ LENDO! VOCÊ PRECISA LER IRMANDADE DA ADAGA NEGRA!

– Ah não, Rapha. Eu não vou gostar disso, você gosta muito desses livros tensos e tal. Eu sou mais de romance.

– POR FAVOR, SE VOCÊ NÃO GOSTAR DO PRIMEIRO LIVRO EU NÃO TE OBRIGO A LER OS OUTROS. EU ATÉ ESQUEÇO QUE VOCÊ NÃO VAI TER A OPORTUNIDADE DE CONHECER MEU RHAGE!

– Ok, ok.

Conclusão: Apaixonada pela Irmandade.

– Gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaabi, eu AMEI A Culpa é das Estrelas, eu preciso que você leia!!
 – Ah não, Angel. Esses livros que me fazem chorar basta do Nicholas Sparks. 
– NÃO, ANJINHA! Por favor!! É tão lindo, tão perfeito! Você PRECISA!
– OK!

Resultado: A oportunidade de ler um dos relatos mais lindos.

E tem aquelas vezes que eu fico conversando com as amiguinhas para trocar figurinhas a respeito de tal e tal livro. Na maior parte concordamos em tudo, às vezes em partes e muitas vezes discordamos. Mas, essa diferença de opinião não é o que nos une e nos difere? Eu conheci tantos livros bons através dos meus amigos, converso a respeito de autores, de quem eu gosto, quais me fazem lembrar quem… Tipo, se você conhece um pouco de mim e ouve falar sobre o Federico Moccia vai lembrar na hora de quem?! Da Rapha aqui, claro. E assim sendo, vários autores mostram suas carinhas quando eu penso: que livro dar para o meu amigo?
Nós compartilhamos momentos simples e mágicos, conversando sobre um assunto que ambos temos interesse em saber mais, independente de como, por que cada experiência vai ser aproveitada. Ela pode ser acompanhada de choro, comentários ácidos… O melhor? Sabe aquelas risadas histéricas? É, parece que estamos lado a lado, sentados em uma livraria aproveitando para colocar a conversa em dia. São comentários inteligentes, muitas vezes tolos, tantas vezes engraçados. São essas pessoas que fazem você perceber o outro lado da história quando você mesmo não percebeu. Mostra aquele erro que passou despercebido por que você estava tão envolvido que nem se deu conta…

 Amigos literários falam a respeito de qualquer assunto: gostou ou desgostou da capa, da tipografia, da diagramação, foto do autor, tradução, erros, paixões… Das partes absurdas e sem noção principalmente. Daquelas que fazem rir de doer a barriga que você pergunta para o amigo: como alguém pode fazer isso? Claro, existem alguns amigos específicos para cada gênero literário. Alguns eu fico mais a vontade para falar sobre tudo, outros a respeito de literatura brasileira e novos autores, livros históricos e fantásticos, outros sobre os livros eróticos – aqui eu confesso, AMO as minhas amigas pervertidas literárias! As melhores piadinhas conseguimos tirar daqui!

Aaaaaaaaaaaah, essa parte é gostosa demais! Compartilhar aquela história perfeita, tentar mostrar para o maior número possível de pessoas a perfeição de um livro. Ele é tão singular, tão perfeito, tão maravilhoso, tão indescritível que as suas palavras não conseguem expressar a grandeza do mesmo. Até por que o seu amigo literário vai consegui entender quando você disser:

– EU PRECISO TANTO DAQUELE LIVRO!! *lágrimas nos olhos*
– Eu sei que sim *palminhas nas costas*

Mesmo sabendo que você tem uma centena de livros não lidos na estante. Por que tem piadinhas internas e amores impossíveis que só seus amigos literários vão entender, caso você tenha cólicas de tanto rir ou diga que está sofrendo.

É, amigos literários… Ter vocês me faz perceber que eu não estou perdida no mundo, onde as pessoas não dão importância para esse ato tão importante. Por que vocês façam com que todo esse mundo literário seja mais importante, mais alegre e mais divertido. Por que eu não quero mais ler sozinha e não ter com quem comentar. Por que vocês estão comigo. E enquanto essa ligação se manter, seremos os melhores amigos literários que alguém possa ter um para o outro.

Relatos de Uma Blogueira

Há duas semanas atrás eu recebi um livro que eu estava alucinada para ler. Tinha vários comentários entorno e mesmo com a política de deixar o frenesi passar para ler depois e não ser contaminada com as informações que leio pelas redes sociais, passei na frente da fila de espera e li.
Por quê alguém escreve algo tão singular e precioso, a ponto de tirar lágrimas dos seus olhos? Como se dar essa relação com a história, que em um momento você é apenas… você mesmo e no outro é alguém que se emocionou tanto que seus sentimentos são expostos em qualquer lugar que esteja? Na ônibus, em casa, no shopping, na faculdade, no jardim, no banheiro… E eu não digo que são lágrimas apenas de emoção por ter lido algo realmente belo. Eu já chorei diversas vezes de frustração com a história. Queria que o autor aparatasse na minha frente para eu exigir explicações.
Eu confesso que não sou de chorar com livros não. Na verdade, eu me esforço para que isso não aconteça. Mas simplesmente não tem jeito: quando for para chorar, isso vai acontecer. Você perde controle das suas vias lacrimais e quando menos espera está fungando e buscando o ar como se algo muito mais sério tivesse acontecido… Mas pode ser muito sério, dependendo do ponto de vista.
Posso parecer malévica nesse momento, mas eu AMO ver alguém chorando enquanto lê um livro. Caso clássico: minha irmã. Gente, sério! Eu nunca vi um ser um humano para ficar tão emotivo lendo um livro. E como eu sou bem legal, sempre dou aquele livro que eu sei que vai abalar o psicológico emocional dela. Não que eu seja ruim de tudo. 
Eu: – Hemana, leia esse livro! É maravilhoso!! *estendo meu box lindo de Jogos Vorazes pra ela*
Ela: – Esse eu não quero.
Eu: – Mas por quê? *chateada*
Ela: – Porque eu tenho que estudar e se eu ler um vou querer ler todos e não tenho tempo.

Tudo bem, ela tem um ponto. E Jogos Vorazes não iria fazê – la chorar tanto quanto…

Eu: – Rimã, você PRECISA ler esse livro *estendo A Culpa é das Estrelas* Eu terminei agora, chorei e chorei e chorei e você precisa ler. Vai adorar.
Ela: *me olhando desconfiada e de lado* – Você só está me dando esse livro pra ler por que sabe que eu vou chorar, né?
Eu: – CLAAARO que não! *cara de ofendida* É por que a história é linda. E também por que eu quero vê – la chorar. Você merece às vezes. E é apenas um! *carinha de esperta*
Ela leu. E ela chorou. Ela soluçou. Ela chorou muito. Ela chorou demais. E eu estava ao lado, vendo tudo e tentando de todas as formas tirar uma foto decente para mostrar aqui neste post. E foi desse dia que me veio inspiração para escrever esse texto.

Ela se escondedo bem na hora que eu pegaria a cara inchada #chateada
Tem vários tipos de choros literários*:
De emoção: a história do livro é tão singular que quando você menos espera, nem percebe e já está chorando. Exemplo: Amante Eterno da J.R Ward
Envergonhado: aquele livro que você chorou lendo e todo mundo sabe disso, mas se te perguntarem, você nega até a morte. Exemplo: Crepúsculo da Stephenie Meyer
– Incompleto: você leu e leu o livro, ficou esperando por algo melhor e mais elaborado. Com certeza roubaram 20 páginas do seu livro e a história não está completa. Exemplo: Shadow Heir da Richelle Mead
– Indignado: Você não acredita que o livro terminou assim! Exemplo: Sou Louco Por Você do Federico Moccia
– Risos histéricos: aquele livro que você joga a cabeça pra trás com as maluquices dos personagens. Exemplo: Freud me Tira Dessa! da Laura Conrado

Por favor, não acaba!: você já está ressecado de tanto chorar, mal consegue segurar o livro nas mãos e mesmo assim não quer que ele acabe de jeito nenhum. Exemplo: Marley & Eu do John Grogan

Como você fez isso?: aquele livro que tinha tudo pra ser maravilhoso, encantado e suas lágrimas seriam uma honra… se o autor não tivesse feito meleca no final. Exemplo: A Esperança da Suzanne Collins

Maldição: você detestou todo o livro, mas quando chega nas últimas 5 páginas escorrem lágrimas dos seus olhos. Exemplo: O Resgate do Tigre da Collen Houck

O que eu quero dizer é que independente do livro, da história, do autor: em algum momento você vai chorar em um livro. E por qualquer motivo já que vai depender da sua relação com a história que está lendo. Eu gosto de dizer que essa sintonia que sentimos quando lemos é algo particular, que ora é compartilhado sem permissão, ora sem que você perceba. Mas… se alguém ver você chorando na leitura de um livro, como você acha que será a reação dela? Eu nunca encontrei ninguém chorando enquanto li uma livro, infelizmente. Mas caso acontecesse, essa pessoa seria obrigada a me falar qual livro está lendo. Ele com certeza tem algo especial. Algo que só você consegue perceber. Algo tão intímo que chega a ser uma invasão. Mas que ao mesmo tempo é tão lindo ver que palavras podem te emocionar a tal ponto.

Porém, há lágrimas que só os livros conseguem nos proporcionar.

Quais foram os livros que emocionaram vocês?

* São todos exemplos de livros que eu li e acho que se encaixam na categoria.

Sobre o Autor:

Raphaela. Futura Publicitária apaixonada por livros, que deseja ler todos os livros do mundo. Como sei que não é humanamente possível, vou lendo os que estão ao meu alcance. :} 

Estudante, aspirante a escritora, romântica declarada, compulsiva por livros. Blogueira, resenhista, universitária, apaixonada por bons livros e amante de bons personagens.

Relatos de Uma Blogueira

Empréstimos. De. Livros. Um assunto delicado de ser falado, afinal, quem quer ficar emprestando seus livros por aí, principalmente se for um leitor – blogueiro – fanático – total – e – completamente – alucinado – por – toda – a – coleção – tão – preciosa? É quase tabu, pelo menos pra mim.

Eu sou aquela leitora chata pra emprestar livros, sabe? Na verdade, eu não empresto. Não quero saber se é  irmão, amigo, mãe, pai, colega de longa data… terceiros? O primo do namorado do genro do irmão do meu colega de trabalho tá querendo um livro emprestado, rola? O QUÊ? É quase me xingar. Sem chance. Pior mesmo é quando o livro viaja sem sua autorização. Você empresta para seu amigo do peito, que lê e empresta para o irmão, que empresta para a namorada, que empresta para o primo, que vai para o padeiro, depois o eletricista e quando você percebe o livro sumiu, e ninguém viu!! Diversas vezes eu já ouvi: Credo, pessoa egoísta. Não sei o que tem emprestar um livrinho… *olha de lado* Eu sou uma pessoa de coração ruim, de verdade. Meus livros são os meus bens mais preciosos. Leve minhas roupas, minha mochila, meu laptop, minha cama e a minha irmã, mas não mexa nos meus livros de jeito nenhum.

Só que nesses últimos meses, eu resolvi bancar a boazinha. Abri meu coração, fui libertada dessa maldição do não empréstimo de livros, me senti a pessoa mais generosa do mundo e comecei a emprestar os meus babys *aperta e abraça com carinho a caminha com todos eles abraçadinhos um ao lado do outro* Comecei pelo povo da família, né? Minha mãe queria um livro, pedia uma indicação e eu emprestava. Aí veio os amigos de peito que você confia, mas não confiava há um tempo atrás a ponto de emprestar os livros. [PAUSA] Não confiava por que eu ainda era uma pessoa de coração ruim e maldosa que não emprestava livros de forma alguma  🙂

Aí dava aquelas recomendações básicas que qualquer leitor – blogueiro – fanático – total – e – completamente – alucinado – por – seu – livro – precioso dá: toma cuidado com o livro. Não deixa a capa amassar. Tem uma marcador dentro. Não suja. Enquanto estiver lendo, não coma. Etc… etc… etc…
E eu fui de verdade uma pessoa boa: emprestei todos os livros da Irmandade da Adaga Negra para a minha irmã, emprestei Um Dia, A Promessa e mais uns três para a coleguinha de trabalho que cuida diretinho também (e é uma fanática por livros tanto quanto eu), emprestei meu Três Metros Acima do Céu e Sou Louco Por Você do Federico Moccia e que eu M – O – R – R – O de ciúmes para a Pâm (colunista de Literatura Nacional do blog) e emprestei meus livros LINDOS do Nicholas Sparks para a minha mãe. Tipo, pra mãe você pensa que não precisa falar toda essa lista de cuidados, por que já que ela convive todos os dias com você, sabe realmente como você é com os livros, certo? ERRADO, meus queridos amiguinhos! 
POR QUE FOI EXATAMENTE A MINHA MÃE QUEM FEZ O QUE EU MENOS ESPERAVA: 
E.S.C.R.E.V.E.U N.O M.E.U L.I.V.R.O
Sim!! A pessoa que você pensa que é um ser puro e que nunca vai te magoar faz o quê? ESCREVE NO SEU LIVRO!! ESCREVE – NO – SEU – LIVRO! A sua mãe não tinha que ser a pessoa que mais te entende? Como, em nome dos céus, a pessoa que te pariu escreve num livro seu?! Como?! E o melhor vocês não sabem: ela escreveu no meu livro e ficou com raiva de mim!
Segue o diálogo:
– Rapha, me empresta outro livro? Aquele eu já terminei. – diz minha mãe toda orgulhosa do seu feito.
– Pega qualquer um aí, mãe. – digo jogada na cama em uma sábado de manhã em que acordei cedinho para continuar minha leitura de O Resgate do Tigre.
– Não, escolhe você por que já sabe mais ou menos como eu gosto das histórias.
Olhei pra estante da onde eu estava, analisando as opções:
– Quarta fileira tem dois livros brancos um ao lado do outro. Salta um e pega O Diário de Suzana para Nicolas.
Ela vai até lá, pega o livro e sai do quarto toda serelepe. Volta com o meu Diários de Uma Paixão do Nicholas Sparks. Volta e coloca ele aos pés da minha cama, enquanto eu me mantenho estendida na cama, com meu livro em cima da barriga, olhando – a por cima da borda do livro.
– Aqui o outro que eu terminei. Eu escrevi um número de telefone de um colega atrás dele, viu?
Engasguei. 
– O quê?
– Eu escrevi o número de celular aqui ó – abre a última página do livro e me mostra a sua bela caligrafia com um número de celular escrita no meu livro.
– Mãe, como assim você escreveu no meu livro? 
– Uai Raphaela. Foi só um número. Como eu estava apressada, eu peguei e escrevi nele mesmo, ora essa!
–  De lápis?
– Não, de canaeta.
– O QUÊ? VOCÊ ESCREVEU NO MEU LIVRO DE CANETA?!
– Se preocupa não, eu passo um corretivo  e você nem vai saber que tem um número aqui.
– Vai ficar a coisa mais horrorosa do mundo! Por quê você não escreveu naquela agenda que tu tem dentro da bolsa, mãe? – perguntei emputecida da vida e com lágrimas nos olhos. Era o meu livro do Nicholas Sparks! Do meu divo Nicholas!
– Por que eu estava com pressa, até abrir a bolsa e caçar a agenda ia dar muito trabalho!
– Eu não acredito, mãe. Eu não acredito! Por que você fez isso? Você sabe o quanto eu sou enjoada e escreve no meu livro?? Cadê seu celular? Pode me dar ele agora, já que você não sabe usa – lo vou jogar dentro do vaso!
– Eu não acredito que você está fazendo esse drama todo por causa de um número! E se fosse um caso de vida ou morte?
– Era o caso?
– Não. – ela respondeu, m olhando como se estivesse certíssima!
– Então – por – que – você – fez- isso??? Nem criança risca livro, mãe! Só se for de desenho mesmo!
– Você quer saber de uma? Você quer que eu compre outro livro pra, quer? Pois pode deixar. – Pegou o livro de cima da cama e partiu para o quarto dela. – Pode pegar seu livro velho de volta que eu não quero mais saber não. Eu não sei pra que esse escândalo todo por causa de um numerozinho em um livro. – jogou meu O Diário de Suzana Para Nicolas em cima da cama. – Não quero mais livro nenhum seu não.
– Acho bom. Sabe que dia que você vai pegar um livro meu emprestado de novo? Nunca mais!
E ainda teve uns blá blá blás com coisas do tipo: ‘daqui uns dias você para de comer e vai viver de livros.’ ‘Não sei pra que todo esse escândalo por causa de um número escrito em um livro’ A partir de então, eu estou esperando todos devolverem meus livros emprestados. SABE QUE DIA EU EMPRESTAREI MEUS LIVROS DE NOVO?! Nunca – mais! Nunquinha! Never! Você empresta, a pessoa escreve e ainda fica chateado… com você! Dessa lição o que eu posso tirar: você quer ser legal, espalhar a cultura entre as pessoas e ainda sai como o malandrinho da história.
De verdade, depois desse texto, muitos podem pensar que eu fiz tempestade em copo d’água. Até eu mesma parei para refletir a respeito da situação toda. E definitivamente: se uma pessoa tem a sensatez de pegar uma caneta e escrever no seu livro, ela não merece ter mais nenhum livro à mãos, mesmo que seja a sua própria mãe. Principalmente por ser a sua mãe. Eu queria ver a cara dela se eu pegasse uma canetinha de tinta permamente e saísse escrevendo e desenhando e fazendo arabescos pelos armários de cozinha brancos dela. E depois, passasse uma mãozinha de tinta florescente laranjada. 
A partir desse dia, decidi que todo mundo aqui em casa estaria de castigo. Todo  mundo está sem livro.
Vai que algum dia, essa dose de bondade volte sobre mim, decidi que já estaria preparada. Escrevi um Manual de Recomendações de Uso dos Meus Livros e vou colar na porta do meu quarto, na minha estante e fazer uma cópia e colocar dentro de cda livro que eu tenho.
Manual de Recomendações de Uso dos Meus Livros
Devido à acontecimentos recentes, decidi por fazer um manual de uso dos meus livros, para que você, caro leitor que está pegando o meu livro para ler, mantenha – se a atento às instruções. Afinal, o livro não é seu e eu irei fazer um escândalo caso qualquer mínima coisinha esteja fora do lugar.
É permitido:
• LER e degustar com carinho e atenção a história que esse livro vai te proporcionar. Portanto, aproveite!
É expressamente proibido:
• Não molhe, não amasse,
• Deixar orelhas
• Comer enquanto lê
• Deixar à alcance de crianças melequntinhas.
•  Não rasgue, nem arranque folhas.
•  Não coloque entre as páginas objetos mais espessos que o papel. Para isso existem os marcadores.
• Não utilize fitas adesivas tipo durex e fitas crepes, cola branca e corretivo. Esses materiais possuem alta acidez, provocam manchas irreversíveis onde aplicado.
E por fim e não menos importante, é PROIBIDISSIMO escrever em qualquer parte do livro: musiquinhas, poesias, nomes, cantores, frases legais E números telefônicos! Para isso existem papel, caneta e celular!
Por fim, no sábado a ouvir dizer para a minha irmã:
– A D. Jojo lá do meu trabalho me emprestou 4 livros para ler e eles parecem ser bem interessantes.
E eu do quarto, morrendo de vontade de berrar:
– Só não vai escrever neles também!
Mas mantive a minha boca calada. Já estava chateada de mais em apenas uma semana. E outra: eu ainda peguei os livros escondida dela para saber quais eram os títulos. E eu tenho certeza que ela está lendo eles a força só para não dar o braço a torcer e vim pedir um dos meus legais. Até por que eu não vou emprestar. Ela está de castigo. E eu estou esperando meu livro novo não riscado para guarda – lo novamente.

—-

Obrigada, Bruxinha. A sua contribuição e paciência sempre faz de mim uma pessoa melhor. 🙂

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