Relatos de Uma Blogueira
Quem acompanha minhas maluquices pelas redes sociais (principalmente o Twitter) e ler os meus posts e, pontuando melhor, as resenhas aqui no blog, sabe o quão intensa eu sou. Isso acontece naturalmente, não é algo que eu tenha criado ou que eu finja ser. É apenas de mim. Se eu gosto muito, eu demonstro. E se eu não gosto, eu demonstro também. Mas, eu ainda não sei dizer quais das duas emoções são demonstradas com mais intensidade.
O que importa é que eu fico me perguntando se as pessoas que leem livros se sentem como eu: frenética, doida, angustiada, alegre, feliz, com uma tristeza absoluta, enojada, melancólica, com vontade de correr, de gritar, de girar, de pular, de amar! De ser aquele personagem por um momento. Nem que seja no momento em que você fecha os olhos. E que de repente, ali está! É você! É você no livro, fazendo parte da história! Ok, acorda que o sonho acabou. Mas a realidade ainda está aqui: existem mais pessoas assim? Você sente isso?!
Eu fiquei preocupada de estar agindo como uma anormal diante das minhas reações pós – leitura. É tudo tão intenso, tão mágico, tão vívido, que simplesmente é real demais pra mim. Por que eu poderia simplesmente surtar quieta. Mas eu preciso me expressar. Eu preciso saber que as pessoas sabem que eu estou daquele jeito, naquele momento. Eu preciso saber se elas também compartilham o mesmo sentimento. Ou não. E o os motivos para isso.  
E pensando e meditando, eu cheguei a algumas conclusões: talvez seja um pouco de exagero meu – ok, ok, eu confesso -, uma vez que nunca vi ninguém se expressar como eu (por favor, se você existe, mande um sinal de fumaça, contato, por que eu preciso saber que não estou sozinha no mundo!) ou talvez eu seja um ser sublime que simplesmente é assim por que é feliz quando está com um livro! (Um ser sublime extremamente modesto, diga – se de passagem). Mesmo que a história dele não seja feliz. Por que de uma maneira ou de outra, ele conseguiu me contar algo, me envolveu, me prendeu. Sei que não foram conclusões tão certas. Mas eu simplesmente não consigo pensar nas razões para agir assim. Então eu pensei: Isso acontece pelo simples fato de eu estar lendo.
Ler é viajar para um outro patamar: para histórias impossíveis, improváveis, impagáveis, inacreditáveis, insólitas, inimagináveis, indubitáveis, infinitas. E mais uma quantidade infindável de ins. É amar, é querer, é gostar, é cuidar. É aprender. Não sozinho, mas em companhia. Do livro, de uma pessoa, de um animal, de uma música, de uma árvore, de uma xicara de café, de um cookie. É brincar, se divertir, deixar a vida caminhar enquanto você se apaixona mais uma vez… e não é correspondida. E nem se importa. Uma vez que sabe, toda vez que quiser se apaixonar novamente, é só abrir em determinada página e pronto. Seu amor impossível estará ali, te esperando.

Talvez uma leitura não o deixe mais culto, mas com certeza deixará marcas. Independente de quais sejam elas.

E eu descobri durante essa meditação que eu gosto de reagir assim. Por que depois eu sempre tenho boas lembranças dos meus momentos mais intensos. Eu estou viva! Talvez eu não seja anormal, apenas feliz de saber que mais um livro me espera. Que eu posso me decepcionar ou não com ele. Que eu posso concluir a leitura com o meu coração mais leve. Ou quem sabe magoada, chorosa, triste, decepcionada! Talvez, a leitura seja cansativa e a história não me agrade. Mas, apenas por um momento, eu posso voltar a ser criança e viajar por um mundo encantado. Ou ser uma bruxa que está querendo derrotar um grande e maquiavélico bruxo. Ou parti para uma terra desconhecida onde eu serei uma princesa ou rainha. Quem sabe me apaixonar perdidamente a ponto de deixar meu grande amor? A verdade é que não importa! O importante é que eu reaja.
Como diz tão sabiamente Leila Kruger: Um livro é um coração que bate nas mãos de quem lê.
Relatos de Uma Blogueira
O Relatos de Uma Blogueira de hoje é um pouco diferente. Eu não vou postar uma situação pela qual eu passei, mas uma situação na qual eu escrevi. Na verdade, pra entender a história:
Um dia, tentando voltar pra casa depois do estágio, estava chovendo muitíssimo. E quando eu cheguei ao ponto de ônibus e tive a visão privilegiada de determinados fatores – leiam o conto e vão entender! haha – a inspiração veio com tudo e eu acabei escrevendo isso. Não é uma história (totalmente) veridica. Eu peguei alguns elementos meus – como modo de falar, (futura) profissão, etc – e acrescentei algumas doses da minha imaginação.
O conto foi citado no Relatos de Uma Blogueira – Você é meu amigo de fé… que eu espero que traga as minhas encomendas intactas e como eu mandei para algumas pessoas mais próximas a mim para que lessem e elas falaram que estava legal, resolvi compartilhar com todos vocês. Espero que gostem também.

Proibida qualquer forma de cópia total ou parcial do texto ou/e dos personagens criados nela.

– Maldito! – berrei para o idiota que passou jogando água para todos os lados, inclusive em mim, que mesmo saltando para trás, molhei toda a minha calça jeans. – Maldito, maldito! – continuei a berrar, mesmo com o tal maldito já à distância, eu sabia que era pouco provável que ele tivesse me ouvido. Mesmo eu tentando berrar com toda aquela chuva caindo sobre mim.

A bolsa estava pendurada ao lado do corpo e o guarda-chuva que eu usava ainda estava intacto apesar da forte chuva e do vento que estava querendo me levar junto com ele. Ou seja, da cintura para cima eu continuava seca. Ou parcialmente.
Estava esperando o sinal abrir para que eu pudesse chega até o ponto de ônibus, me equilibrando em um sapato de salto que fechava em torno dos meus pés, apenas querendo ir pra casa, tomar um belo banho quente e comer algum macarrão requentado e depois descansar. Ou quem sabe assistir um filme. Mas, pelo visto, a noite seria longa. E eu não estava falando de um modo feliz. Ir para casa de ônibus em Brasília é o mesmo que pegar uma passagem só de ida para o Afeganistão e ter que usar burka, mesmo contra a sua vontade. Logo hoje que era sexta – feira!
Meu carro estava na oficina. Ótimo. Um demônio bateu na traseira dele enquanto estava estacionado. E como eu não tinha como adivinhar que iam bater no meu carro e muito menos quem tinha sido o infeliz, fiquei com o prejuízo. Mas não foi qualquer batidazinha. O estrupício destruiu todo o meu carro. Parecia mais que eu tinha sofrido um acidente com ele do qualquer outra coisa. Não tinha mais lataria, o que me fez imaginar que ele não bateu apenas uma vez, mas várias seguidamente. E de propósito. Levei para a oficina e aproveitei para fazer o check – up inteiro.

Por dois dias seguidos eu consegui carona com a colega do apartamento ao lado que passava todos os dias na frente da agência de publicidade em que eu trabalhava. Bem, não exatamente na frente. Mas passava muito perto. Eu, muito esperta e querendo me livrar dos ônibus dessa cidade, levantei cedo, me arrumei e corria até a porta, esperando ouvir a porta dela abrir para que eu pudesse sair. Quando isso acontecia, eu abria a minha própria e com um ‘sorrisinho sem graça’ no rosto, pedia que me desse uma carona, sem que ela desconfiasse nem por um segundo que eu estava observando seus passos – literalmente. Ela passava na padaria e na casa da mãe para poder dar um beijo (acreditem se quiser), e nisso eu estava sentada no banco do carona dianteiro, querendo estrangular o filho mais velho dela que estava tendo uma crise de identidade muito grande, com a cara emburrada, com enormes e estranhos fones de ouvidos – que não adiantou muita coisa o uso, já que todos no carro conseguiam ouvir o que estava tocando no Iphone do moleque, devido a altura da gerigonça – ou beliscando o mais novo que tentava de todas as formas se livrar dos beliscões e provocações do outro tentando arrancar o cinto da cadeirinha e acerta – lo com um chute. Tudo isso com uma boa dose de choro de criança. Quando ela conseguia finalmente chegar até a escola e largar esses dois babuínos, eu também descia e ia caminhando por 10 minutos até a agência. Bem, funcionou. Eu consegui chegar.

Na hora de ir embora, sempre tinha alguém que morava próximo e que também me largavam mais perto da minha casa. Mas hoje, para o meu total azar, todos resolveram fugir e me deixaram resolvendo todos os pepinos. Claro, é sexta – feira. Uma sexta – feira chuvosa, mas desde quando isso impediu alguém de encher a cara e pegar todo mundo por aí? Ou de ir para a beira do lago Paranoá ou se enfiar dentro de um boteco qualquer, enquanto conta as suas lamentações para um babaca qualquer que estivesse passando no momento? Ou de fazer uma festa dentro do próprio apartamento, sem se importar com o som? Ou acordar na cama de um estranho, sem saber realmente o que aconteceu? E os dois que ficaram: um ia para o outro lado da cidade e o outro eu não tinha coragem de pedir carona. Era tão ruim de roda que eu até suspeitava que talvez fosse ele o causador do estrago no meu carro. Juro. E entre ir com uma pessoa correndo o risco de perder a vida numa noite chuvosa, peguei minhas coisas, abri o guarda chuvas e dei boas – vindas a tempestade que caía.

O ponto de ônibus estava cheio de pessoas e eu cheguei sacodindo meu guarda – chuvas para que a água que estivesse nele escorresse mais rápido. Obviamente que eu descobri que nessa minha técnica, eu molhei várias pessoas, que começaram a dar passas para trás ou a me olharem com a cara feia. Tardiamente, sussurrei um ‘Desculpa’ com um balançar de ombros. E teve os outros que estavam tão molhados que nem se importaram.

A maioria dessas pessoas ia se enfiando dentro de conduções lotadas, em que tinha pessoas com a bunda espremida já na porta do ônibus, mas de uma maneira quase mágica (e ilógica), conseguiam enfiar não apenas o próprio corpo, mas também as suas sacolas, bolsas e mochilas e tentar chegar em casa sem serem estupradas no caminho.

Como fazia muitos anos que eu não andava de ônibus, não tinha a menor noção de qual seria o horário que o meu passaria. Uma coisa que eu tenho que avisar: quando chove em Brasília, a cidade para. Os motoristas daqui não sabem dirigir na chuva. Era uma confusão de faróis, de buzinas, de carros derrapando em cima um do outro para evitar uma batida ou algo pior. E tinha ainda os que passavam espanando água para todos os lados. E tudo isso se juntava com o barulho da forte chuva que caia há mais de duas horas e parecia que não daria trégua.

Sentada esperando, observei as pessoas que estavam ali por perto. O ponto era escuro, a iluminação ficava longe e os feixes chegavam fracos até nós. E como era uma área um pouco tensa, me enfiei sentada entre várias outras pessoas, que aos poucos foram se enfiando dentro de seus próprios ônibus e indo para suas próprias casas. Mas o meu? Ahá, nada, como já era de se esperar. Apreensiva, olhei novamente para todos que estavam. Tinha umas dez mais a frente, duas mulheres sentadas cada uma do meu lado e tinha ele: um homem lindo, maravilhoso, completamente sexy e tesudo ali, parecendo tão perdido quanto eu por estar naquele lugar, sentado um pouco afastado de todos. Quando o vi, foi tão espontâneo e natural que eu sussurrei olhando para ele: ‘Eitadiâbo, como você é lindo!’.

Seu terno era claro, seu porte físico era forte, mas não daquela maneira feia de homens que tomam anabolizantes para ficarem inflados, mas de uma maneira bela, malhado, com ombros largos e braços fortes, com um rosto muito bem desenhado e muito bonito, com olhos que me pareceram à primeira vista serem castanhos (e que mais tarde eu descobriria a verdadeira cor) por causa da pouca luz que tinha no lugar. Para completar, seu rosto estava coberto por uma barba. E meu Deus, por que determinados homens – exatamente como ele – ficam tão belos com esse ‘acessório’ no rosto? Seus cabelos eram pretos e lisos, com um corte moderno que o deixava passar a mão continuamente por ele, coisa que ele fazia. E quase destruía o meu coração. Eu fiquei tão encantada – a palavra que se encaixaria melhor no contexto poderia ser enfeitiçada – que eu me esqueci que estava olhando fixamente para ele, e que ele (pasmem) retribuía o olhar. 
Limpando a baba e tentando me recompor, cruzei as pernas. Mas tinha alguma coisa que me fazia virar a cabeça e olhar na direção contraria a de onde o ônibus viria para poder olha – lo. Ele começou a caminhar de um lado para o outro, com a cabeça baixa, falando ao celular, a outra mão no bolso da calça.
Parou mais um ônibus e a galera entrou em peso. Olhei para o gato, querendo saber se ele entraria no mesmo ou até a ‘possível’    localização de onde morava… mas ele não estava mais ali!
– Puta merda, na hora que eu pelo menos tenho algo de bom para olhar enquanto essa maldita tempestade cai…
Para mais dois ônibus e leva mais pessoas, dessa vez deixando apenas eu e mais quatro pessoas. Já temendo ficar sozinha ali, levantei e comecei a bater os pés. Olhando ao redor, vejo meu lindo-lindo parado do outro lado da rua, embaixo de uma árvore. A situação era estranha? Demais! Não conseguia entender o motivo para ele estar ali, ainda com o celular.
– Quer saber de uma? Por que eu estou dando atenção para um desconhecido? Tudo bem que ele é lindo, mas está demais. Vamos parar por aqui.
Decidida a prestar atenção ao meu redor, agora que só tinha eu e mais um homem no ponto (que não era lindo, nem mesmo bonito, nem chegava perto de fofo, diga – se de passagem), desviei a atenção do gato com pesar. Passaram – se 10 minutos – ou menos, perdi a noção do tempo – e pronto! Ele tinha voltado. Da onde, não faço a mínima ideia. Só devo dizer que cruzei as minhas pernas por conta da cena que eu vi e do calor que me acometeu: se o homem era lindo todo vestido e com todos aqueles atributos já citados, imagina esse homem só com a camisa branca, sem o terno? E o melhor: todo molhado, com a mesma grudando no corpo! Minhas pernas pareciam estar flageladas e apesar do vento, meu corpo esquentou de uma maneira anormal. Como alguém conseguia esses efeitos em outra? Ele passou a mão pelos cabelos, agora molhados, para tirá – los dos olhos e me olhou. E dessa vez eu não consegui desviar o olhar. E nem queria. E ele manteve o olhar e eu tive a impressão que tinha um leve sorriso em seus lábios.
Saindo do transe (novamente), vi que o sinal tinha aberto e que a multidão de carros estava vindo.  Ficando na ponta dos pés para tentar enxergar através dos vários ônibus, suspirei distraída e frustrada com a espera. Eu só queria chegar em casa! Pensando que talvez fosse a minha sina da sexta feira chegar em casa depois das 23hs ou ir a pé na chuva, senti um corpo atrás de mim. Imóvel, ele se aproximou mais.
Okay, ele era bem mais alto do que eu, quase uma cabeça. E a sua respiração estava no meu ouvido. 
‘Respire você’, me ordenei. E o seu cheiro chegava até em mim como se estivesse acabado de sair do banho. Ou talvez não fosse coisa da minha cabeça, uma vez que ele estava mesmo molhado. E uma mão deslizou pelo o meu braço. Arrepiei.

– Estava sendo muito bem observado. – ele falou, baixo. E eu fechei os olhos. A voz, oh – Deus, a voz daquele homem! Estava de sacanagem comigo!
– Desculpa, eu não consegui… resistir. – respondi num sussurro. Como assim um sussurro, porra?! Fale como mulher que você é, me ordenei mentalmente.
– Um carro preto vai parar aqui em alguns minutos. Você entra.
– O quê? Não, não. – falei tentando me afastar e virando para olhar seu rosto, o corpo em alerta com medo de que alguma coisa ruim acontecesse depois de tanta babação em cima do cara.
– Você entra. – ele falou com convicção, me olhando tão firmemente que eu talvez recuasse se ele não tivesse segurando meu braço. Seu aperto era firme, mas não me machucava.
– Eu não quero. – respondi, encarando os seus olhos e tentando afastar sua mão do meu braço. Se a minha sina da sexta feira não fosse ir molhada a pé para casa, com certeza eu não queria que ela fosse eu ser sequestrada por um cara desconhecido, mesmo que ele fosse extremamente lindo e gato.
– Tem certeza que não? – e um sorriso nos lábios – Não irei te fazer mal. – ele respondeu com outro sorriso mais lindo ainda, deslizando agora os dedos pelo meu braço. Olhei para sua mão que acariciava a minha pele levemente e de relance vi seu crachá preso no bolso da camisa: ele trabalhava nos Correios. Se todos os homens dos Correios fossem lindos como ele, eu mesma iria buscar meus próprios pacotes, encomendas e correspondências!

Bem, é isso. Espero que vocês tenham gostado. *-* O conto não está concluído – como você perceberam -, então meu único pedido para vocês: quem ler, por favor, por favor, por favor, comente! Eu preciso mesmo saber se vocês gostaram e estou sempre aberta a sugestões. Estejam a vontade.
Agradecimentos para as minhas amigas blogueiras, que me mantém sã nos momentos de loucuras e me tratam com carinho nos momentos mais inusitados: Bruxinha, obrigada sempre! Por ter sido a primeira a ler e sempre me dá conselhos legais e me salvar de dúvidas crueis. Ana Marmota, Jubelli, Mi Diva, Nay e Lola que dentre outras coisas, me incentivaram a postar logo esse conto. E a Gleice que deu uma revisada no texto antes que eu postasse pra vocês.
As minhas autoras lindas Sammy Holtz, Lu Piras e Van de Cássia para quem eu mandei o conto e me presentearam com ótimas ideias e palavras estimulantes. E me fizeram acreditar, mesmo que um pouco, que eu posso escrever o que eu quiser.
Obrigada.
Relatos de Uma Blogueira

 Correios… carteiros… encomendas… amassado… destruído… não chega… atrasado…

Ás vezes eu me pego pensando em questões do cotidiano que acontecem comigo. E tenho certeza que com várias outras pessoas também. Pois é, quem tem um blog literário como eu, fica naquela apreensão para que tudo o que tiver que chegar, chegue o mais rápido possível, chegue logo, chegue depressa, chegue voando. E o mais importante: chegue inteiro. Se possível, de Sedex 10. Contudo, não é sempre que os nossos queridos amigos Carteiros/Correios contribuem, não é mesmo? Quem aí nunca recebeu um pacote, um envelope, um postal, um selo amassado que atire o primeiro livro! *me jogando na frente pra pegar o livro* Sim, nem tudo é flores e água de coco com um St. Clair ao lado baby (que você ainda pode escolher se quer americano, inglês ou francês), e encomendas chegarem com todos esses problemas é inevitável. Temos apenas que ter paciência e rezar para que o bom Papai dos Blogueiros Literários coloque a mão sobre a cabecinha dos nossos queridos amigos e torcer para que tudo chegue intacto. Afinal, imprevistos acontecem, não é mesmo?
Eu mesma pareço que tenho sorte para essas coisas. Em uma das minhas várias visita a uma das agências dos Correios, tive um grande problema. Grande mesmo. Por que eu estava enviando 5 (kits) livros e 3 envelopes de marcadores para os ganhadores, fora as lembrancinhas.
[Pausa na história] A verdade é que quando eu chego com a minha mochila e a minha sacolinha do Harry Potter entupida de coisas nos Correios, eu sinto todos os olhares de ódio sendo dirigidos para mim. Afinal, com tanta coisa e a lerdeza dos nossos queridos atendentes, quem chegar depois de mim vai esperar. Vai esperar muito.
Continuando…
Comecei a colocar tudo em cima do balcão. E eu enfiava a mão dentro da mochila e mais coisa saía. Na verdade, acho que a minha coruja trouxe a encomenda errada quando eu mandei o bilhete pedindo o Livro Para Enfeitiçar Maníacos Destruidores de Encomendas e no lugar veio a minha bolsinha de contas. 🙂 E então, inicia todo o processo de colar etiqueta, registrar CEP, conferir no computador o código da etiqueta, colocar para o lado e começar tudo de novo. Com todas as minhas encomendas. Ora essa! Eu não tenho culpa se vocês são frenéticos por promoções e as editoras contribuem para que a metade do meu pulmão, pâncreas e um rim fiquem nos Correios todo mês. E aí, finalmente, depois de 40 minutos nessa brincadeira…
– Forma de pagamento? – pergunta o atendente gordinho, de olhos claros e óculos, com dois botões da camiseta creme aberta mostrando um pedaço do peito peludo entupido de pelos brancos.
– Cartão, baby! – digo apresentando toda feliz e esperando a facada.
– Hum… acho que esse cartão não está passando.
Engasgo.
– O quê? – peço que ele repita. É quase surreal que depois de tanto tempo em pé no caixa olhando ele fazer o trabalho dele com aquela lentidão descomunal, venha falar que o meu cartão de créditos não passa!
– Acho que o sistema está fora do ar, tentamos mais cedo e não passou.
– Moço, nem brinca com essas coisas. Tenta de novo.
Resultado: não passou. NÃO PASSOU! NÃO – PASSOU! Aí, o que ele faz? Chama outro atendente dos Correios para que ajude – o (e o trabalho agilize mais rápido. Por que ele não fez isso antes?) a tirar todas as etiquetas das minhas encomendas, estragando os meus embrulhos perfeitos! Eu vejo a primeira tentativa ser fracassada. Meu papel pardo foi mais forte e deixou metade da etiqueta pregada ali. Yeah!
– Não vai dar para tirar. E vai sair ainda mais caro para você se formos estornar todas essas etiquetas. Por que você vai ter que pagar por elas. – diz o metido a ajudante.
O QUÊ? – berrei internamente – Eu vou ter que pagar por essas malditas etiquetas sendo que elas nem vão fazer o trabalho incumbido? Sendo que as minhas encomendas não vão chegar ao destino? Respira. Respira.
– Eu não posso deixa – las aqui e enviar amanhã? – pergunto, afinal, eu tenho créditos ali (ou penso que tenho, sei lá). O meu salariozinho suado passa direto pra lá. Não todo, mas uma quantia significativa.
– Aqui? Pra enviar amanhã? – o atendente peludo repete a minha pergunta. – Não podemos.
– Aim moço, me ajuda. Eu não tenho dinheiro para enviar tudo isso hoje. E muito menos pra não enviar e pagar essas etiquetas. – falo com olhinhos implorativos.
Acho que nessa parte fui convincente, por que ele dá a bela sugestão:
– Se eu enviar despachar hoje, você me garante que amanhã trás o dinheiro? – ele pergunta. Eu sabia, sabia que tinha crédito com ele! Não por causa que meu salário fica por lá, mas por que eu sempre vou ali e sempre sou muito simpática, obrigada.
– Trago, prometo pra você. Trago sim! – digo feliz pela solução, enquanto pensava comigo: ‘Onde diabos eu vou encontrar esse dinheiro?’ – Amanhã! Se eu não trouxer, eu peço que alguém venha! Peço para que procure o senhor. – e peço seu nome, que infelizmente eu não lembro mais agora. É um nome de velho. E começa com J. Só. Na próxima vez, eu pergunto e anoto discretamente no caderninho.
E assim, todos os meus embrulhos, livros, presentinhos, lembrancinhas, marcadores, cartinhas e afins, são enviados. Ele não me devolveu a notinha com códigos de rastreamento e eu passei meu telefone. Eu não queria prejudicar ele de forma alguma e nem faria isso. O jeito era encontrar o money.
No outro dia, às 10hs da manhã meu celular toca. É um número desconhecido, mas eu tenho certeza que é da Agência. Quando vou atender, para. OK. Me arrumo e vou para o trabalho, matutando como vou consegui o dinheiro. Meu celular toca de novo e eu atendo. Ele me pergunta se eu vou levar o dinheiro. Eu falo: ‘Não esqueci, vou pedir para alguém levar aí daqui a pouco. Não se preocupa’. Desligo o telefone e ligo pra minha mãe:
– PRECISO DE UM FAVOR! – quase berro. E explico toda a situação pra ela. E claro, vai lá e paga a minha dívida nos Correios. 🙂 No outro mês que eu fui lá, fui atendida novamente por ele. Que falou que eu era uma pessoa de confiança e conversou ainda mais comigo. Eu agradeci por ele ter confiado e falei que ia tentar com que não se repetisse mais! Viu? Alguns deles são legais.

Outros, porém, nem tanto. Em outra agência a atendente sem vergonha não me deixou enviar os marcadores. Disse que o embrulho ‘não tinha tamanho suficiente’, que tinha que ser no mínimo algum tamanho no qual eu não me recordo. O que eu mais gosto é o tom usado. Eu quis jogar meus pacotinhos de marcadores na cabeça dela.
Mas eu também tenho amiguinhos carteiros. A última vez que eles bateram aqui em casa no ano passado, o carteiro falou, depois que eu assinei o recibo:

– Você que é a Raphaela?

– Sim.
– Ah, então é você quem faz eu vir aqui quase todos os dias? Eu vim aqui…
– Ontem? Ahãm! E trouxe um montão de coisa pra mim! – digo com um sorrisão enorme.
No geral, eu gosto dos meus amiguinhos carteiros. Só não quando me fazem esperar o dia inteiro em casa quando o código de rastreamento diz na internet que eles saíram para fazer a entrega e não chega NADA, absolutamente nada pra mim. Nem se quer batem no portão. E quando eles trazem minhas coisas amassadas. Ou quando demoram (às vezes nem demoram tanto, mas é uma eternidade para mim). Ou quando junto com os meus embrulhos trazem as contas. Esse é o momento depressão, em que eu largo elas e corro para desfazer os meus pacotes. Eu adoro também quando chegam embrulhos surpresas que eu não esperava. Ou quando eles chegam acumulados, tipo 6 encomendas! Ou quando vem com bilhetinhos. Ou quando é algo que eu esperava ansiosamente…

Inclusive os meus amigos carteiros são inspiração para que eu escreva! Sim, depois de uma noite de muita chuva em que eu tentava voltar para casa depois do trabalho, bati de frente com um funcionários dos Correios ex – tre – ma – men – te lindo. Eu viajei tanto, que acabei escrevendo um conto sobre ele. Não está concluído ainda, mas quem sabe eu não posto ele depois? Mas isso, já outra história…
Assista aos Vídeos
[wonderplugin_carousel id="2"]
Equalize da Leitura © 2010 - 2016 ♥ Todos os direitos reservados
Tema desenvolvido por Débora M.