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Título: O Fim Que Os Deuses Darão a Mim ou a Você Autor: Edson Soares Ano: 2017 Editora: Perse Editora Número de páginas: 828

Com certeza um dos pontos mais positivos com relação ao livro é as diversas maneiras que o autor tem de escrever, ora brutal, ora extremamente sentimental

Oi, gente? Tudo bem com vocês? Hoje eu vim falar pra vocês sobre o livro O Fim que os Deuses Darão a Mim e a Você, do autor nacional Edson Soares. Meu primeiro aviso te antemão é: não se intimidem com o quantidade de páginas!

Em O Fim que os Deuses Darão a Mim e a Você vamos conhecer alguns moradores da pequena e agitada cidade de Ludovica. Feitosa é o delegado dessa cidade e acaba sendo por onde nós vamos conhecer e acompanhar todos os acontecimentos – mas, lembrem-se, existem muitos personagens aqui para serem conhecidos! Em meio a vários causos que tem que resolver na cidade, ainda tem que lidar com a insatisfação pessoal quanto a sua pessoa da esposa e as duas filhas. As coisas começam a esquentar, porém, quando o ator Pedro Bulhões é assassinado e Feitosa começa a investigar o caso, junto com a sua equipe e nessa trama de descobrir possíveis culpados, somos apresentados a diversos outros personagens como Quitéria, a mãe do Feitosa, sua filha Letícia que mantém um diário com seus pensamentos mais íntimos, um serial killer que encanta, um garoto de programa que quer melhorar de vida e acredita que essa seja a melhor saída…

Como que todos esses personagens vão se cruzar por causa da morte de um homem?

Então, vamos lá! Vamos falar sobre esse livro gigante que consumiu alguns dias meus e várias horas para que eu pudesse escrever para vocês o mix de sentimentos reunidos. Os personagens do livro são desenvolvidos de maneira inteligente, alguns nós conhecemos o passado, outros apenas uma amostra do passado recente, o suficiente para que ele tenha sua própria força e características no presente.

Feitosa acaba sendo o personagem que mais aparece, mas existem outros que, para mim, são tão importantes e mais interessante que ele. O mais curioso é que de uma maneira ou de outra esses mesmos personagens vão se sobressair, vão mostrar para o que veio. Exemplo claro é de Diva, a menina que vê a mãe ser assassinada. Aqui é bem claro para mim que as definições de liberdade são diferentes para cada ser e Diva é tão doce, tão ingênua, tão amorosa. Ela merecia muito mais, mas o que ganha já é o suficiente.

Com certeza um dos pontos mais positivos com relação ao livro é as diversas maneiras que o autor tem de escrever, ora brutal,  ora extremamente sentimental, se adequando aos personagens – se é uma adolescente escrevendo em um diário, teremos um texto todo marcado, riscado, com sonhos, desejos, temores. Se é uma peça de teatro, teremos todas as características desse texto; se são pessoas simples, violà, esperem por uma linguagem de rua ou cheia de gírias. O autor não tem medo de dar vida sobre quem ele está escrevendo e isso é mágico. Um contador  que consegue se adaptar ao que é necessário para deixar sua história o mais próximo do real é simplesmente incrível. Existe força em suas palavras, uma relevância para que elas se tornem ainda mais presentes.

É um livro complexo, cheios de histórias interligadas, muitas delas nos faz ansiar em descobrir o que vai acontecer e a quantidade de reviravolta que tem apenas prende o leitor em suas páginas, onde conhecemos o ponto de vista de mortos, o melhor lado de um ser humano e também o pior, como uma mãe ama uma filha além da morte e como alguns filhos não respeitam os pais. É muito difícil de falar de um personagem, especificamente, quando todos eles tem sua própria trajetória.

Meus problema com o livro foram, de fato, a quantidade de páginas que ele tem. Eu sou uma pessoa que me sinto intimidada em alguns momentos por livros muito grandes e em vários momentos senti que não eram necessárias tantas páginas para o desenvolvimento do livro, ainda que tenhamos diversos pontos de vistas. Em alguns momentos a leitura torna-se maçante, pois as informações ali presentes não tem relevância. Além de tudo isso, existem alguns elementos fantásticos da história, que eu não sei bem se me agradam, mas que também não atrapalha na leitura.

Editora Intrínseca, Resenhas

Título: Quem Era Ela? Título original: The Girl Before Autora: J.P. DelaneyAno: 2017 Editora: Intrínseca Número de páginas: 336

A história, primeiramente interessante, não apresentou sentido; depois de um tempo, você perde a vontade de saber o que vai acontecer, somente quer que acabe.

O mercado editorial foi tomado por livros com protagonistas femininas que não se tratam somente de um romance, basicamente depois do sucesso de Garota Exemplar, um livro bastante aclamado.

Por um lado isso é incrível, afinal, mulheres são tão capazes de estrelar um thriller quanto de encabeçar um romance, tão capazes de protagonizar uma ficção científica como são quando falamos de um drama; estava na hora das histórias contemporâneas retratarem esta realidade.

Por outro lado, quando o assunto é suspense, surgiu um mar de cópias baratas do livro de Gillian Flynn que não se pode ser domado. Uma qualidade ruim de escrita, um desenvolvimento pouco convincente e um plot twist medíocre têm cercado a maior parte dos livros que li que se promovem como seguidores da mesma linha de raciocínio de Flynn. Quando na verdade a única semelhança é ter uma mulher como protagonista mesmo.

Se existem as frases “Para os amantes de garota exemplar”, “Se você amou garota exemplar, vai amar esse!” e derivados associados ao livro, é provável que eu não vá gostar dele, que tenta se vender como o novo suprassumo da vez. Com Quem Era Ela?, infelizmente este foi o caso.

A premissa da história me soou bastante interessante, duas mulheres com idade e aparência similares dividindo a história com uma casa tão deslumbrante quanto misteriosa. Emma, de um ponto de vista passado e Jane, do ponto de vista presente. Emma estava lidando com o trauma subsequente a ter sua casa invadida por dois adolescentes e Jane tentava superar a morte de sua filha no parto.

– Ah, ele não te contou? As garotas que vieram antes. Nenhuma delas dura, sabe. Este é o ponto.

Edward, o dono da casa, tem uma série de restrições quanto ao seu uso, algumas restrições basicamente absurdas, mas ao conhecer a casa pela primeira vez, ambas se apaixonam e acham que vale à pena.

Não entrarei em detalhes sobre o desenvolvimento da história, basta relatar que ambas as mulheres, em épocas diferentes, fazem escolhas bastante parecidas quanto a casa e desenvolvem um relacionamento com Edward.

Emma inicialmente se muda para a casa com o namorado, mas termina o relacionamento pouco depois e passa a morar na casa sozinha. Muito da personalidade dela e de suas questões vão ficando mais claras ao longo do livro, e essas revelações nos ajudam a montar o cenário do passado.

– Sei que pode parecer estranho, considerando que eu nem conhecia a Emma. Mas me parece que ninguém verdadeiramente a conhecia. Todos com quem falei têm uma percepção diferente sobre quem ela era.

Jane, porém, começa a ficar intrigada com a história da mulher que ali morava antes e sobre a falecida esposa de Edward e as circunstâncias em que a casa foi construída. Mas eram tantos pontos soltos, tantas mentiras veladas e tantos caminhos a seguir que ela nunca conseguia chegar a uma conclusão de fato.

O ex-namorado de Emma, Simon, também participa da história das duas mulheres, de maneiras diferentes. Parecendo obcecado com a ideia de que Edward era responsável pelo que aconteceu no passado, ele oferece ajuda a Jane. Simon é sem dúvida um personagem bastante patético desde o início e é mais uma ponta solta que vamos tentando encaixar a história ao longo do livro.

Sociopatas são atraídos pelo vulnerável.

Minha primeira crítica negativa ao livro é a escrita, que me parece relaxada, e as escolhas que foram feitas à história pareciam fabricadas, um amontoado de twists que não casavam um com o outro e parecia somente objetivar surpreender o leitor pelo grande número de informações. Qualquer um ficaria perdido, porque o livro não segue uma linha de raciocínio.

A personagem de Emma, ainda que muito mais complexa do que primeiramente percebamos, se mostrou simplesmente insuficiente como protagonista. Até nos capítulos em que ela é a voz central, parece que tem alguém contando a história por ela. E isso porque não entrarei em debate sobre seu comportamento no geral, do contrário a resenha seria somente sobre ela.

Jane, ainda que assumindo um papel bem mais incisivo sobre dona de seu próprio destino, também apresentou atitudes extremamente contraditórias e ingênuas para alguém que se acreditava ser tão perceptiva sobre toda a estranheza da situação. Era quase como se o comportamento ingênuo funcionasse para alongar a história e manter o “suspense” a todo vapor até o fim.

O personagem de Edward é absurdo, mas ao mesmo tempo é o personagem mais conciso de todos, sendo seu comportamento claro desde o início ao fim. A personalidade dele foi com certeza a melhor trabalhada, ainda que repulsiva.

Por fim, o livro foi insuficiente. A história, primeiramente interessante, não apresentou sentido; depois de um tempo, você perde a vontade de saber o que vai acontecer, somente quer que acabe. Mais um livro completamente esquecível e que não cumpriu o que se propôs a fazer.

Por favor, faça uma lista de todos os bens que considera essenciais na sua vida.

Editora Globo Alt, Resenhas

Título: Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra Título original: Led Zeppelin: When Giants Walked The Earth Autor: Mick WallAno: 2017 Editora: Globo Número de páginas: 568

Nestas páginas você entende a dor de cada um, a alegria, a decepção, o pós-Led… E no final, você sente um arrepio: é o rock passando por suas veias.

Led Zeppelin foi uma banda britânica formada em 1968, com quatro nomes que são conhecidos por todo o mundo até os dias atuais: Jimmy Page, na guitarra; Robert Plant, no vocal; John Bonham, na bateria; e John Paul Jones, no baixo e teclado.

Em Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra, Mick Wall – jornalista britânico especializado em música – mergulha no mundo de uma das maiores bandas de rock do mundo e descreve cada detalhe a partir de suas imensas pesquisas: o surgimento, o sucesso, os processos por plágio, o ocultismo, as drogas e bebidas, o fim e o recomeço de cada um.

O início de tudo não foi como o sonhado. Page, fundador da banda, tinha a ideia de criar um novo grupo depois dos The Yardbirds – banda em que era guitarrista na época – entrarem em declínio, mas quando os membros que havia imaginado para o grupo se recusaram a participar, ele foi obrigado a procurar outros – o que não poderia ter sido melhor.

Então Jimmy Page tinha tudo planejado desde o início? Musicalmente, talvez sim. Ou, como diz agora, o que queria que fosse “a estrutura”. No entanto, a maneira como ele reuniu o grupo foi muito mais aleatória, muito mais arriscada. A sorte teve um grande papel. […] Mas eles ainda não se chamavam Led Zeppelin – ainda eram os New Yardbirds, um nome novo que fazia a banda parecer muito velha.

Robert Plant não foi a primeira opção de vocalista para a banda. Quando Terry Reid não aceitou o cargo, indicou o amigo, que foi muito bem recebido por Jimmy e logo se tornaria um dos maiores cantores de rock da história, com todos os seus “babes” e seus agudos que levavam o pública à loucura.

Treze dias depois do último show dos Yardbirds em Luton, Plant colocou uma muda de roupa na mala, comprou a passagem de trem mais barata de Birminghan para Reading e pegou um ônibus para Pangbourne. Ele fez o resto do caminho até a casa de Jimmy a pé. […] Quando começaram a conversar e a falar sobre música, houve certa conexão, ele disse, embora Jimmy tenha falado mais.

John Bonham já era amigo de Plant desde a juventude, mas não foi por isso que Page o chamou para a banda. Já o contrário, é verdade: não foi nada fácil convencê-lo a participar do grupo, mas como Robert estava aliado à Page, Bonzo decidiu arriscar.

“Jimmy me telefonou e disse: ‘Vi um baterista ontem à noite; esse cara toca muito bem e muito alto – precisamos dele'”, Peter Grant lembraria. […] “Quando me convidaram para os New Yardbirds, pensei que ninguém se lembrava mais deles na Inglaterra”, Bonham explicou. “[Mas] eu sabia que Jimmy era um guitarrista muito respeitado, e Robert eu conhecia havia anos”.

John Paul Jones foi a opção de baixista para o grupo depois que Chris Dreja abandonou os Yardbirds para ser fotógrafo. Conhecido como o mais quieto da banda, Jonesy é multi-instrumentista, o que chamou muita atenção nos palcos.

Não é de estranhar que John Paul Jones também estivesse atrás de algo diferente. “Eu estava de saco cheio de tocar em estúdios, e minha mulher disse: ‘Liga para ele’. Eu disse que não achava muito bom, mas ela repetiu: ‘Liga para ele!’. Então liguei e disse: ‘Soube que você precisa de um baixista’. Ele disse: ‘Sim, e estou indo me encontrar com um cantor que conhece um baterista’ – eram Robert e John -, ‘eu te ligo quando voltar’.”

Os New Yardbirds não tinham a permissão para continuar utilizando esse nome depois dos primeiros shows – que fizeram bastante sucesso -, então o grupo, agora já formado, teve que pensar em outra coisa. Algo que se tornaria uma lenda.

Obrigado a encontrar um novo nome para o grupo, Page deu de ombros. Estava se sentindo tão confiante em relação à nova banda que, segundo disse depois, não se importaria nem mesmo se eles se chamassem “Os Vegetais” ou “Os Batatas”. Foi Grant quem o lembrou da brincadeira de Keith Moon sobre cair como um Lead [“de chumbo”] Zeppelin. Os dois concordaram que era uma boa ideia. Só mais um porém: teriam de tirar o “a” de Lead.

A banda lançou seu quarto álbum em 1971, o álbum sem título, onde pela primeira vez apareceram os símbolos dos integrantes, e finalmente conseguiram o que queriam: serem reconhecidos.

Algumas pessoas podem argumentar que álbuns ainda maiores viriam, mas foi o quarto álbum sem título que permitiu ao Led Zeppelin transcender sua condição de banda de “heavy metal” e metamorfosear-se em outra coisa: uma lenda viva, cuspidora de fogo.

Quando o sucesso alcançou níveis extraordinários e o Led Zeppelin foi considerado por muitos a maior banda do mundo, a crítica apelou para o conhecido discurso sobre o rock ser coisa do demônio e o símbolo de Page (ZoSo) era o mistério da vez, com um significado que nunca foi revelado.

A ideia de que o rock também pudesse ter ligações com as práticas do ocultismo não começou, nem acabou, com a opinião de que Page e o Led Zeppelin estavam envolvidos com magia negra e/ou eram adeptos das chamadas crenças satânicas.

Além do ocultismo, o grupo sempre foi muito criticado pela prática de plágio, recebendo processos até os dias atuais. Mas não foi por nada disso que, em 1980, o Led Zeppelin oficialmente encerrou suas atividades.

Na tarde seguinte, como Bonzo ainda não havia levantado, John Paul Jones e Benji Le Fevre foram acordá-lo. Havia um cheiro muito ruim no quarto e o corpo inerte de Bonzo não reagia; só então perceberam horrorizados que ele estava morto.
[…]
Foi instaurado um inquérito, em 8 de outubro de 1980, em East Berkshire. O médico-legista registrou o veredicto de “morte acidental”, concluindo que John Bonham havia morrido asfixiado pelo próprio vômito enquanto dormia, “devido ao consumo de álcool”: o equivalente a quarenta doses de vodca. Ele sofreu um edema pulmonar – acúmulo de fruídos nos pulmões. Foi morto por “suicídio acidental”, eles disseram. John Bonham tinha 32 anos.

Após uma época difícil para os membros, seja por vícios em drogas ou morte de familiares, a partida de Bonzo desfez completamente a banda.

Como Jimmy admitiu depois, “poderia ter sido qualquer um de nós naquele momento. E eu sei que, se tivesse acontecido com qualquer um dos outros, não iríamos querer continuar. Não podíamos substituir ninguém, não éramos esse tipo de banda. Não dá para ensinar alguém a tocar, especialmente ao vivo. Ou você tem, ou não tem, e ninguém mais tinha o que John podia oferecer”.
[…]
Colocar alguém no lugar dele “simplesmente não fazia sentido”. O Led Zeppelin sempre precisou de seus quatro membros para fazer a mágica acontecer. “Agora, estava faltando um deles”.

Nessa biografia, Mick Wall conseguiu encaixar suas pesquisas com os sentimentos de cada integrante dessa banda incrível, fazendo o leitor virar fã – ou ainda mais fã, se for possível – da lenda chamada Led Zeppelin. Nestas páginas você entende a dor de cada um, a alegria, a decepção, o pós-Led… E no final, você sente um arrepio: é o rock passando por suas veias.

Em 2009, quando perguntado sobre todas as suas recusas em tentar reerguer a banda, Robert explicou o que, no fundo, todos que são fãs sabem, mas custam a aceitar:

No que se refere ao Led Zeppelin, Plant suspirou e afirmou: “Acho que… bem, você sabe… É assim, dá para encarar assim. O motivo que nos levou a parar foi o fato de estarmos incompletos, e estamos incompletos há 28 anos”.

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