Editora Intrínseca, Resenhas

Título: Lugares Escuros Título original: Dark Places Autora: Gillian Flynn Ano: 2015 Editora: Intrínseca Número de páginas: 352

Confesso que esperava sentir um pouquinho de medo lendo, o que não aconteceu nem de longe, apesar de ter visto pessoas indicando lugares abertos e claros para lê-lo.

Libby Day tinha apenas 7 anos quando sua mãe e suas duas irmãs foram assassinadas em sua própria casa, no Kansas. O caso ficou conhecido como um sacrifício satânico e a pequena Libby testemunhou contra seu irmão, Ben Day, de 15 anos, acusando-o pelos assassinatos.

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A família Day era bastante pobre e Patty, a matriarca, tinha que lidar com as dívidas da fazenda em que viviam e dar conta de criar os 4 filhos sem nenhuma ajuda. Após sua morte, Ben foi condenado à prisão perpétua e Libby foi cuidada por familiares.

Passados 25 anos, o dinheiro doado por pessoas caridosas para ajudar a bebê Libby – agora já mulher – estava acabando e em busca de sustento ela conhece o Kill Club, uma sociedade secreta obcecada por crimes estranhos, como aquele que ocorrera em 1985 com a família Day.

Os integrantes do Kill Club de modo algum acreditavam que Ben Day havia assassinado sua própria família e, aos poucos, foram convencendo Libby a ir mais a fundo na história, afinal, ela tinha apenas 7 anos no dia do assassinato e mesmo assim um júri completo levou seu testemunho muito à sério e condenou um garoto de 15 anos à uma prisão perpétua.

– Ele tinha motivos suficientes para oito recursos – anunciou Magda grandiosamente. Eu me dei conta de que ela era uma daquelas mulheres que apareciam à minha porta para gritar comigo. Fiquei contente de nunca ter dado meu endereço a Lyle. – Não lutar não significa que seja culpado, Libby, significa que ele perdeu a esperança.

Lugares Escuros foi lançado em 2015 no Brasil e, logo após, Charlize Theron interpretou Libby Day na tela de cinema. Este ano, foi relançado com uma capa simples, porém melhor que a anterior, que era a mesma do filme.

A narrativa do livro é interessante por mostrar três visões diferentes dos acontecimentos – além de Libby, Patty e Ben também mostram sua visão do passado. Quando a narração volta para o presente aos olhos de Libby, o suspense todo em volta dos assassinatos e a certeza que o Kill Club tinha de que Ben era inocente deixam o leitor em êxtase.

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Apesar de causar curiosidade, é um livro com poucos diálogos, o que pode deixar o leitor um pouco cansado e entediado. Eu, particularmente, senti dificuldade com a narração, principalmente no começo, não só pelo cansaço, mas também pelo fato de os personagens não serem muito impressionantes.

Você não consegue torcer por um personagem, nem se identificar com ele, apenas pensa em descobrir o que aconteceu na noite dos assassinatos. O filme traz a mesma sensação. Libby Day não é tão interessante quanto sua história e nem Charlize Theron conseguiu salvar isso.

Escolhi esse livro pois estava em uma vibe de terror e suspense. Confesso que esperava sentir um pouquinho de medo lendo, o que não aconteceu nem de longe, apesar de ter visto pessoas indicando lugares abertos e claros para lê-lo.

O final, porém, é surpreendente. Não consigo acreditar que alguém tenha adivinhado exatamente o que aconteceu na data de 3 de janeiro de 1985, na casa da família Day, pois é inimaginável. Ponto para a autora, que já é conhecida por suas histórias bem originais. Confiram também a resenha de Garota Exemplar.

Manquei até o telefone da cozinha, puxei-o para o chão, disquei o número da minha tia, o único que sabia de cor, e, quando Diane atendeu, gritei Estão todas mortas! em uma voz que feriu meus próprios ouvidos por sua intensidade. Depois me enfiei no espaço entre a geladeira e o forno e esperei por Diane.

No hospital eles me sedaram e removeram três dos meus dedos do pé congelados e meio dedo anelar. Desde então, tenho esperado para morrer.

Editora Seguinte, Resenhas, Vídeos

Título: A Rebelde do Deserto Título original: Rebel of the Sanders Autora: Alwyn Hamilton Ano: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 283

A Rebelde do Deserto me faz acreditar que eu posso gostar de livros de fantasia!

Editora Planeta, Resenhas

Título: Diário de uma cúmplice Título original: Autora: Mila Wander Ano: 2016 Editora: Planeta Número de páginas: 334

Apesar de ser uma história simples, Diário de uma cúmplice conseguiu equilibrar o romance, a ação policial e o erotismo, deixando os fãs desses três gêneros satisfeitos com a narrativa criada pela autora.

Christine Monteiro é uma jovem bonita, de cabelos avermelhados e que vive de forma simples, sendo educadora de uma creche, não tendo muitos amigos e nem muitas paixões. Após perder seus pais em uma tragédia quando tinha 15 anos, Chris fechou-se em seu mundo e esforçou-se muito para manter uma vida super tediosa.

Em seu aniversário de 25 anos, Lessy, sua melhor amiga (ou única?), decide lhe presentear com um diário, aconselhando-a a usá-lo para desabafar e deixar de guardar suas tristezas somente para si. Sem muita escolha, Chris começa a escrever sua história.

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O tédio na vida de Chris começa a mudar quando ela se depara com o cara mais lindo que já havia visto na vida. Quando ele chegou perto, porém, não perguntou se ela tinha telefone. Perguntou se tinha um carro. E a ameaçou caso não cooperasse, já que a polícia estava logo ali, pronta para atirar naquele bandido gostoso. Ops, perigoso!

Ainda dava para ouvir algumas sirenes enquanto o acomodava e pegava uma toalha, a fim de estancar o seu ferimento. Ele tirou o casaco, a camisa e a calça bem depressa, mostrando um corpo sarado de academia que, não fosse pelo machucado horrível que não parava de sangrar, me deixaria completamente absorta.

Após salvar a vida do bandido misterioso – Miguel – e levá-lo são e salvo até a casa de sua quadrilha, por livre e espontânea vontade, Chris decide que já passou muitos anos da sua vida sendo normal e, ao invés de voltar correndo pro seu apartamento, a jovem decide que é hora de se aventurar.

Foi então que tive uma ideia bem maluca. Não sabia se daria certo, porém, naquele instante, não me questionei muito. Pintava os cabelos de vermelho-vivo havia anos, mas aquela nova fase da minha vida merecia uma mudança drástica. […]

Quando tive coragem de me olhar no espelho, o espanto foi enorme: estava tão diferente que parecia outra pessoa. Era a mulher forte, decidida e corajosa que enfrentava todos os perigos. Aquela não era exatamente eu, mas agora fazia parte de mim.

Eu seria uma loira fatal.

A história, narrada em primeiro pessoa em forma de diário, nos mostra que Christine tem uma vida normal que lhe é suficiente, até perceber que o mundo não é só aquilo que ela vê. A partir do momento em que se envolve com Miguel e descobre que é capaz de pegar em uma arma e matar um homem, não faria sentido algum voltar a dar aula para crianças e fingir que isso era felicidade.

Ignorando o começo da história, fantasioso demais, posso afirmar que Mila Wander criou um romance erótico policial muito bom. O tédio da vida de Chris é o tédio das nossas vidas, que acordamos cedo para trabalhar ou estudar, que chegamos cansados em casa, que não temos muita vontade de sair ou paquerar pessoas, de fazer esforço para não demonstrar nossos defeitos e mágoas e ressentimentos e tristezas e estresses e problemas e esquisitices logo nos primeiros minutos de conversa.

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Christine é uma personagem fascinante que vira Tatiana para entrar na quadrilha. Em alguns momentos é irritante vê-la tão Chris quando deveria ser tão Tati, mas é completamente aceitável que a nova personalidade forte não consiga inibir todas as fraquezas de seus 25 anos vividos.

Dessa forma, o romance entre Chris e Miguel, sua amizade com seu xará, Christian e sua rivalidade com Cristal, namorada de Miguel, faz o leitor pirar de tesão. Tesão não só pelas narrativas eróticas, mas também pela vida criminosa da quadrilha, pelos acontecimentos rápidos e inesperados, pela amizade tão bonita que se cria na história e pelo final do livro, totalmente imprevisível.

Apesar de ser uma história simples, Diário de uma cúmplice conseguiu equilibrar o romance, a ação policial e o erotismo, deixando os fãs desses três gêneros satisfeitos com a narrativa criada pela autora.

– Eu não presto, Christine. Também não te mereço. Mas por não prestar é que vou te ter sem merecer.

Editora Paralela, Resenhas
[Resenha] O Acordo
20.jul.2016

Título: O Acordo – Amores Improváveis 1 Título original: The Deal Autora: Elle Kennedy Ano: 2016 Editora: Paralela Número de páginas: 357

Sendo assim, eu simplesmente não consigo não gostar de O Acordo. Ele tem todos os ingredientes para fazer com que eu me apaixonasse.

O Acordo é o primeiro livro da série Amores Improváveis. E enquanto você vai lendo, vai se encantando facilmente com a escrita da autora, fluída e tão envolvente. Juntamente com os personagens – que essas autoras tem o dom de criar os mais cativantes, divertidos e amorzinhos!

Eu, particularmente, adoro New Adult. Posso falar com bastante clareza que é, sem dúvida nenhuma, um dos meus gêneros favoritos e, talvez, o que eu mais leio atualmente: pelos personagens estarem mais próximos a minha idade, pelos dramas que realmente tem motivos que eu julgo serem importantes, pela maneira como os personagens principais são todos errados e cheios de complexos e desconexos e, mesmo assim, se ajudam para conseguir um final feliz (ou quase lá). Sendo assim, eu simplesmente não consigo não gostar de O Acordo. Ele tem todos os ingredientes para fazer com que eu me apaixonasse.

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Hannah estuda música na Universidade de Briar. Ela não é uma das garotas populares que está sempre rodeada de pessoas e, na verdade, nem se importa muito com isso. Sarcástica, pensa que todo mundo que anda nesse grupos (tanto masculino quanto feminino), não tem um pingo de cérebro e fica imaginando como eles fazem para passar a cada semestre nas matérias cursadas. Ela não tem tempo nem paciência para caras como Garret Graham, a estrela do time de hóquei, que por um infortúnio da vida, começa a perturbá-la.

Um acordo que irá beneficiar ambos é feito, mas eu não vou contar para não estragar a surpresa! *sorrisão* O fato é que eles começam a conviver boa parte dos dias com o objetivo de alcançar a meta. O que Hannah não esperava é que fosse conhecer em Garret um cara inteligente, com objetivos para o futuro e bastante determinado. E Garret não imaginava em encontrar em Hannah, sem graça e diferente das meninas que  levava para a cama, à princípio, alguém tão doce, dedicada, talentosa e forte. Mesmo quando a vida fez de tudo para derrubá-la.

Ela fica quieta por um longo período, e então uma expressão feliz surge em seu rosto, iluminando todo o quarto. É a primeira vez que Hannah sorri para mim desse jeito, um sorriso verdadeiro que se alastra para seus olhos, e isso faz meu coração se contrair de forma estranha.

Gosto da construção dos diálogos entre os personagens e como eles vão se envolvendo e nós, leitores, acompanhando aos poucos eles se ajeitarem. A Hannah tem seus problemas pessoais e o Garret, apesar de se mostrar alguém bem independente, também tem seus monstros para lidar diariamente.

Simplesmente me deixa exaltada quando os autores intercalam os pontos de vistas do personagens, nos brindando com a visão de cada um sobre determinado trecho da história. Aqui vemos o ponto de vista de ambos aumentando a perspectiva da história e me fez rir, ler mais rápido, voltar para ler trechos especialmente bonitos ou que a construção foi tão perfeita que parece quase uma poesia.

Sim, eu sou boba a esse ponto.

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Gosto que em O Acordo a autora apresenta temas importantes para serem adicionados à história de vida dos personagens. Quando falo ali em cima que gosto do gênero por ele ser mais firme, é exatamente sobre isso que me refiro: de tratarem de assuntos sérios e o leitor acompanhar o desdobramento e solução para os problemas. Sem perder a parte sensual, obviamente, os diálogos afiados, as características cativantes. Pelos olhos da Hannah vemos um Garret que, pelo julgamento dela, é um idiota que deveria estar na fogueira. Mas ele mesmo mostra que ela está errada! E pelos próprios olhos dela conhecemos um cara totalmente diferente daquilo que prejulgamos. Não acredito que, de fato, exista alguém como o Garret por aí (afinal de contas ele é filho de um jogador famoso, tem status, fama, dinheiro e, geralmente, pessoas assim são babacas), mas a autora conseguir convencer de que ele é bom… Isso sim é muito gostoso de ser lido.

Somos apresentados também a outros personagens, que vão ser os protagonistas nos demais livros da série. Eu já li – não resisti, desculpa! – e todos eles seguem a mesma linha criativa e de história envolvente deste livro.

Minha única reclamação seria quanto a diagramação de aspas no lugar do travessão nos diálogos, que é algo que eu já reclamei antes e eu simplesmente não gosto: visualmente é estranho e lendo me incomoda.

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Eu não dei 5 estrelas para o livro pelo simples fato que a autora não abordou profundamente o tema do estupro. Não estou falando para falar 100 páginas esmiuçando o assunto, porém, uma vez que ela abordou o assunto, deveria ter dado um pouco mais de destaque, já que é um tema importante para ser abordado. Quando eu comentei no Instagram que eu achei que o tema foi romantizado, as pessoas entenderam errado. O fato da Hannah ter encontrado alguém para amá-la incondicionalmente, ter superado tão “facilmente”, quando sabemos que na realidade do mundo inteiro, a probabilidade disso acontecer é mínima, me fez duvidar um pouco do que estava lendo, e foi a respeito disso que eu citei o ‘romantizado’.

Se você gosta de livros com essa temática, corre para ler o Acordo, ser apaixonar e ficar junto comigo no Twitter pedindo para a editora não demorar um tantão para lançar o segundo livro da série! A propósito, apesar de fazerem parte de uma série, cada um tem uma história independente e isso é maravilhoso! <3 Contudo, é interessante ler na ordem para não pegar spoiller dos outros livros.

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