Editora Globo Alt, Resenhas

Título: Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra Título original: Led Zeppelin: When Giants Walked The Earth Autor: Mick WallAno: 2017 Editora: Globo Número de páginas: 568

Nestas páginas você entende a dor de cada um, a alegria, a decepção, o pós-Led… E no final, você sente um arrepio: é o rock passando por suas veias.

Led Zeppelin foi uma banda britânica formada em 1968, com quatro nomes que são conhecidos por todo o mundo até os dias atuais: Jimmy Page, na guitarra; Robert Plant, no vocal; John Bonham, na bateria; e John Paul Jones, no baixo e teclado.

Em Led Zeppelin: Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra, Mick Wall – jornalista britânico especializado em música – mergulha no mundo de uma das maiores bandas de rock do mundo e descreve cada detalhe a partir de suas imensas pesquisas: o surgimento, o sucesso, os processos por plágio, o ocultismo, as drogas e bebidas, o fim e o recomeço de cada um.

O início de tudo não foi como o sonhado. Page, fundador da banda, tinha a ideia de criar um novo grupo depois dos The Yardbirds – banda em que era guitarrista na época – entrarem em declínio, mas quando os membros que havia imaginado para o grupo se recusaram a participar, ele foi obrigado a procurar outros – o que não poderia ter sido melhor.

Então Jimmy Page tinha tudo planejado desde o início? Musicalmente, talvez sim. Ou, como diz agora, o que queria que fosse “a estrutura”. No entanto, a maneira como ele reuniu o grupo foi muito mais aleatória, muito mais arriscada. A sorte teve um grande papel. […] Mas eles ainda não se chamavam Led Zeppelin – ainda eram os New Yardbirds, um nome novo que fazia a banda parecer muito velha.

Robert Plant não foi a primeira opção de vocalista para a banda. Quando Terry Reid não aceitou o cargo, indicou o amigo, que foi muito bem recebido por Jimmy e logo se tornaria um dos maiores cantores de rock da história, com todos os seus “babes” e seus agudos que levavam o pública à loucura.

Treze dias depois do último show dos Yardbirds em Luton, Plant colocou uma muda de roupa na mala, comprou a passagem de trem mais barata de Birminghan para Reading e pegou um ônibus para Pangbourne. Ele fez o resto do caminho até a casa de Jimmy a pé. […] Quando começaram a conversar e a falar sobre música, houve certa conexão, ele disse, embora Jimmy tenha falado mais.

John Bonham já era amigo de Plant desde a juventude, mas não foi por isso que Page o chamou para a banda. Já o contrário, é verdade: não foi nada fácil convencê-lo a participar do grupo, mas como Robert estava aliado à Page, Bonzo decidiu arriscar.

“Jimmy me telefonou e disse: ‘Vi um baterista ontem à noite; esse cara toca muito bem e muito alto – precisamos dele'”, Peter Grant lembraria. […] “Quando me convidaram para os New Yardbirds, pensei que ninguém se lembrava mais deles na Inglaterra”, Bonham explicou. “[Mas] eu sabia que Jimmy era um guitarrista muito respeitado, e Robert eu conhecia havia anos”.

John Paul Jones foi a opção de baixista para o grupo depois que Chris Dreja abandonou os Yardbirds para ser fotógrafo. Conhecido como o mais quieto da banda, Jonesy é multi-instrumentista, o que chamou muita atenção nos palcos.

Não é de estranhar que John Paul Jones também estivesse atrás de algo diferente. “Eu estava de saco cheio de tocar em estúdios, e minha mulher disse: ‘Liga para ele’. Eu disse que não achava muito bom, mas ela repetiu: ‘Liga para ele!’. Então liguei e disse: ‘Soube que você precisa de um baixista’. Ele disse: ‘Sim, e estou indo me encontrar com um cantor que conhece um baterista’ – eram Robert e John -, ‘eu te ligo quando voltar’.”

Os New Yardbirds não tinham a permissão para continuar utilizando esse nome depois dos primeiros shows – que fizeram bastante sucesso -, então o grupo, agora já formado, teve que pensar em outra coisa. Algo que se tornaria uma lenda.

Obrigado a encontrar um novo nome para o grupo, Page deu de ombros. Estava se sentindo tão confiante em relação à nova banda que, segundo disse depois, não se importaria nem mesmo se eles se chamassem “Os Vegetais” ou “Os Batatas”. Foi Grant quem o lembrou da brincadeira de Keith Moon sobre cair como um Lead [“de chumbo”] Zeppelin. Os dois concordaram que era uma boa ideia. Só mais um porém: teriam de tirar o “a” de Lead.

A banda lançou seu quarto álbum em 1971, o álbum sem título, onde pela primeira vez apareceram os símbolos dos integrantes, e finalmente conseguiram o que queriam: serem reconhecidos.

Algumas pessoas podem argumentar que álbuns ainda maiores viriam, mas foi o quarto álbum sem título que permitiu ao Led Zeppelin transcender sua condição de banda de “heavy metal” e metamorfosear-se em outra coisa: uma lenda viva, cuspidora de fogo.

Quando o sucesso alcançou níveis extraordinários e o Led Zeppelin foi considerado por muitos a maior banda do mundo, a crítica apelou para o conhecido discurso sobre o rock ser coisa do demônio e o símbolo de Page (ZoSo) era o mistério da vez, com um significado que nunca foi revelado.

A ideia de que o rock também pudesse ter ligações com as práticas do ocultismo não começou, nem acabou, com a opinião de que Page e o Led Zeppelin estavam envolvidos com magia negra e/ou eram adeptos das chamadas crenças satânicas.

Além do ocultismo, o grupo sempre foi muito criticado pela prática de plágio, recebendo processos até os dias atuais. Mas não foi por nada disso que, em 1980, o Led Zeppelin oficialmente encerrou suas atividades.

Na tarde seguinte, como Bonzo ainda não havia levantado, John Paul Jones e Benji Le Fevre foram acordá-lo. Havia um cheiro muito ruim no quarto e o corpo inerte de Bonzo não reagia; só então perceberam horrorizados que ele estava morto.
[…]
Foi instaurado um inquérito, em 8 de outubro de 1980, em East Berkshire. O médico-legista registrou o veredicto de “morte acidental”, concluindo que John Bonham havia morrido asfixiado pelo próprio vômito enquanto dormia, “devido ao consumo de álcool”: o equivalente a quarenta doses de vodca. Ele sofreu um edema pulmonar – acúmulo de fruídos nos pulmões. Foi morto por “suicídio acidental”, eles disseram. John Bonham tinha 32 anos.

Após uma época difícil para os membros, seja por vícios em drogas ou morte de familiares, a partida de Bonzo desfez completamente a banda.

Como Jimmy admitiu depois, “poderia ter sido qualquer um de nós naquele momento. E eu sei que, se tivesse acontecido com qualquer um dos outros, não iríamos querer continuar. Não podíamos substituir ninguém, não éramos esse tipo de banda. Não dá para ensinar alguém a tocar, especialmente ao vivo. Ou você tem, ou não tem, e ninguém mais tinha o que John podia oferecer”.
[…]
Colocar alguém no lugar dele “simplesmente não fazia sentido”. O Led Zeppelin sempre precisou de seus quatro membros para fazer a mágica acontecer. “Agora, estava faltando um deles”.

Nessa biografia, Mick Wall conseguiu encaixar suas pesquisas com os sentimentos de cada integrante dessa banda incrível, fazendo o leitor virar fã – ou ainda mais fã, se for possível – da lenda chamada Led Zeppelin. Nestas páginas você entende a dor de cada um, a alegria, a decepção, o pós-Led… E no final, você sente um arrepio: é o rock passando por suas veias.

Em 2009, quando perguntado sobre todas as suas recusas em tentar reerguer a banda, Robert explicou o que, no fundo, todos que são fãs sabem, mas custam a aceitar:

No que se refere ao Led Zeppelin, Plant suspirou e afirmou: “Acho que… bem, você sabe… É assim, dá para encarar assim. O motivo que nos levou a parar foi o fato de estarmos incompletos, e estamos incompletos há 28 anos”.

Editora Globo Alt, Resenhas

Título: A Química que Há Entre Nós Título original: Autora: Krystal SutherlandAno: 2017 Editora: Globo Alt Número de páginas: 272

O autor mostra que a sabedoria pode ser encontrada nas pequenas e grandes ações, com referências antigas e que continuam sendo tão atuais, e não precisa ser de uma maneira chata e enfadonha.

Ai, gente. Eu estou apaixonada por este livro e não vou fazer questão de esconder de ninguém. Pelo contrário: gostaria de conseguir atingir o maior número de pessoas possíveis que gostam gostam de Young Adults bem escritos, divertidos, com uma carga emocional bem desenvolvida e motivos reais para sofrimentos. Em A Química que Há Entre Nós nós vamos conhecer dois personagens que vão nos acompanhar durante toda a leitura: Henry Paige Grace Town.

Henry tem pais super liberais e divertidos. Isso faz com que seus amigos tenham liberdade fora do comum dentro da sua casa, o que torna a leitura bem divertida em diversos momentos. Seu sonho sempre foi ser o editor chefe da revista da escola, no seu último ano. Quando isso finalmente acontece, ele não esperava que tivesse que dividir o cargo com…

Grace, a garota nova que usa uma muleta, se veste como menino, não interage e não está muito disposta a contribuir para o que quer que fosse com o jornal, apesar de ser incrível escrevendo.

Já que o destino e o universo resolveu juntar os dois, o trabalho agora é fazer essa parceria dar certo. Nessa, Henry descobre que Grace pode ser divertida, ainda que não dê espaço para saber mais a respeito da sua vida. Ela ela tem bom gosto musical, apesar de se vestir como um garoto, sem explicação aparente. Que ela tem senso de humor, ainda que de uma hora para outra ela se feche e suma. Que seu sorriso pode fazer o mundo brilhar de maneira diferente.

E assim, vamos acompanhar a trajetória desses dois personagens que inexplicavelmente são uma dupla. Mesmo com segredos. Tristeza. Superação. Derrotas. Ênfase.

Durante a minha leitura, publiquei até cheguei a publicar nas redes sociais que os personagens me lembravam do John Green – ainda que eu tenha lido apenas A Culpa é das Estrelas. Por que eu fiz essa comparação que pode até, certo ponto, ser um pouco perigosa, levando em consideração a legião de fãs do autor. A minha fala foi quanto ao desenvolvimento do enredo, aos personagens cativantes ainda que estejam quebrados/machucados/tristes/sofrendo. Mesmo na dor, consigo sentir a beleza naquele personagem que quase me parece real. A autora, junto com Grace, me trouxeram muito isso quando falou da dor na sua perna, da sua dor não compartilhada, da sua dor o coração, na alma.

E ainda que tenha todos esses percalços, é uma leitura divertida, pois os personagens secundários também trazem vida a à tona, não ficando de lado, apenas criados para falar que o livro só tem personagens principais. O Henry é um garoto inteligente, um pouco atrapalhado, totalmente sem experiências, mas muito leal em suas falas e que se vê perdidamente apaixonado por alguém que está quebrado e não explica os motivos.

É lindo e frustrante acompanhá-lo tentando conquistar alguém tão triste.

Ao mesmo tempo que julguei as atitudes da Grace, eu a compreendi. E a autora conseguir trazer esse balanço de raiva e entendimento é tão… incrível. A dor da Grace e o seu sofrimento é algo que é compreensível, não a julgo por isso. Ela ama tanto que não consegue quebrar o vínculo. Ela sofre tanto que é como se o seu corpo pertencesse a outra pessoa e ela não percebesse o mal que está fazendo a si própria. Ela toma consciência, mas não tem forças para tentar lutar um pouco mais.

É tão mais fácil sofrer quando tudo já parece tão errado.

O que eu mais gosto no livro é que o final dele não é nada do que esperamos, quando no início, começamos a leitura. E esse fina faz uma diferença enorme para mim – não é todos os finais que são feliz, não é todos os finais que não são felizes, não é todos os finais que todos os personagens conseguem resolver a vida. Mudar o roteiro do que já estamos acostumados traz uma dinâmica diferente par ao livro, mas ainda assim tem o seu charme.

Gosto de como a autora cria momentos únicos e fora dos clichês para estreita laços entre os próprios personagens e entre os personagens e o leitor. Gosto de como a Grace, mesmo derrotada como está, ainda consegue ser cativante. Sério, é bem difícil você não gostar da garota. Gosto de como o Henry é ingênuo em alguns momentos, como ele descreve suas experiências, como ele é leal aos amigos, como ele separa fotos próprias em uma pasta própria e os pais estão autorizados a divulgá-las amplamente em caso de desaparecimento.

São esses fatos únicos que me fizeram gostar tanto de A Química que Há Entre Nós. Foi o fato de não ser bobo, de não diminuir os sentimentos dos personagens, de não torná-los distante da realidade. Tudo aqui é muito provável de acontecer e isso me faz querer abraçar esse livro e mantê-lo perto de mim para sempre.

Às vezes só é necessário uma dose de livros para o público jovem que contenha um Henry e uma Grace para conquistar seu coração.

Editora Bertrand, Nora Roberts, Resenhas

Título: O Colecionador Título original: The Collector Autora: Nora RobertsAno: 2017 Editora: Bertrand Brasil Número de páginas: 462

Independente do tema, Nora sempre nos entrega uma história tão palpável que parece que ela viveu todas aquelas experiências, mas aqui faltou aquele algo mais, aquela pitada para apimentar as coisas.

Nora Roberts e eu, uma relação de amor que dura mais do que muitos casamentos. Contudo, tivemos um leve desentendimento neste livro; nada que rompesse a relação, mas o bastante para reavaliar alguns pontos. Um livro de suspense daqueles que não te instiga muito a saber o que vai acontecer, mas ainda assim é Nora, e isto para mim é quase verdade absoluta. Vamos à história.

Segundas chances são mais assustadoras do que as primeiras, porque na segunda vez você sabe o quanto está arriscando.

A protagonista é Lila Emerson e trabalha como “housesitter”, alguém que se hospeda na casa de outras pessoas quando elas estão fora para manter o lugar em ordem e seguro; não bem como a profissão “caseiro”, que geralmente está ligada a figura masculina que também realiza pequenos reparos na casa entre outras coisas, mas algo parecido.

Em uma noite em que trabalha na casa de uma cliente, ela testemunha um suspeito assassinato seguido de homicídio após ver uma discussão entre um casal no prédio à frente – ela vê o que acontece porque costumava espiar a dita mulher que morava no apartamento; sim, a Nora traz aqui uma personagem a la vouyer, o que é dito como estranho, mas não muito grave no livro. Eu acho esquisitíssimo, intrusivo e um tanto sem sentido, mas ok.

As vidas das outras pessoas simplesmente a fascinavam.

A mulher foi empurrada da janela enquanto o homem foi posteriormente encontrado morto. Lila era a única testemunha do caso, ainda que não tenha visto o homem empurrando a mulher de fato, somente a discussão anterior.

Em meio à investigação ela conhece Ashton Archer, um artista que era irmão do suposto assassino. Confiante na índole de seu irmão, Ashton recruta Lila para ajudá-lo a descobrir a verdade – outro ponto aqui é que os dois resolveram seguir por conta própria para achar o(s) assassino(s) sem nem ao menos esperar que a polícia tentasse fazer seu trabalho, mas ok +1.

O livro se desenvolve a partir daí e aos poucos eles vão juntando peças, mergulhando em um universo ligado à arte, antiguidades, poder, e ganância. E ao longo da história claramente eles se aproximam e se apaixonam perdidamente.

– Em alguns dias, a música não está afinada, mas é sempre uma canção que vale à pena cantar.
– Esta é a melhor descrição de um bom casamento que eu já ouvi.

O romance é morninho, mas doce. É gradual e parcialmente acreditável, mas nada que seja notoriamente espetacular. Os personagens em si não são muito cativantes e não tem características interessantes, era mais um tanto faz do que qualquer outra coisa.

Aliás, o problema do livro em si é. Como é comum nos livros da Nora, há uma riqueza absurda de detalhes e uma noção clara de que houve muita pesquisa envolvida. Independente do tema, Nora sempre nos entrega uma história tão palpável que parece que ela viveu todas aquelas experiências, mas aqui faltou aquele algo mais, aquela pitada para apimentar as coisas.

A criatividade é meu Deus. A tecnologia, meu adorado amante.

A personagem da Lila apresentava algumas inconsistências a partir do que era dito que ela era e o seu comportamento de fato. A escolha de profissão dela era dito ser em virtude de seu desprendimento e desinteresse por compromissos longos, mas não era bem isso que ela transparecia. Em Ashton, não houve nada de muito marcante que eu consiga lembrar para dizer.

No geral, não é um livro ruim, mas não é bom. Não é digno de um trabalho da Nora e não parece ter sido escrito pelas mãos dela, mas, não se pode acertar sempre, correto? Quem gosta do gênero, e principalmente de arte, pode tirar algum proveito da história em si. Mas como um conjunto completo, acho que o livro não atendeu às expectativas.

O amor, mesmo quando não é real, pode matar.

Assista aos Vídeos
[wonderplugin_carousel id="2"]
Equalize da Leitura © 2010 - 2016 ♥ Todos os direitos reservados
Tema desenvolvido por Débora M.