Autor Independente, Booktrailler, E-Book, Livros Nacionais, Resenhas

Título: Proletário – Baseado em Fatos Reais Título original: Autor: Leanderson SilvaAno: 2016 Editora: Publicado na Amazon Número de páginas: 114

Sim, eu não esperava que fosse gostar de um livro que tem como plano de fundo o Rio de Janeiro.

O Leanderson entrou em contato comigo para que eu lesse seu livro e eu fiquei em dúvida, principalmente, quanto ao tema. Quem me acompanha, sabe que eu gosto dos romances no geral, mas que vez ou outra acabo sendo atraída para livros de suspense, thrillers, fantasia. Comecei a ler o livro sem grandes expectativas e eis que eu apenas ME SURPREENDO com o conteúdo! Sim, eu não esperava um livro bem escrito. Sim, eu não esperava que fosse gostar de um livro que tem como plano de fundo o Rio de Janeiro. Sim, eu não esperei que fosse refletir tanto a respeito de algo que está tão distante da minha realidade.

O livro, com 114 páginas e uma leitura bem fluída, nos apresenta o Proletário e vamos conhecer sua vida morando na favela: sua infância humilde junto com a família, o relato sobre como foi viver em um lugar onde a polícia não tem acesso, o governo pouco se importa e os traficantes comandam quem entra e quem sai. Até o momento que um novo comando assume a favela e as coisas começam a mudar… mudar para melhor. Mas isso seria possível?

Proletário nós conta, em primeira pessoa, as mudanças perceptíveis dentro da favela quando o comando é redirecionado, quais são os benefícios para quem mora ali, quais são as regras e os problemas, pois sim: mesmo tendo melhorias, algumas coisas não mudam. Dentro de uma comunidade, quem faz as regras são outras pessoas e, de repente, ele vê alguém muito próximo a si tornar-se chefe do tráfico. Neste momento, vamos acompanhar a trajetória do Proletário, sua visão de vida, de princípios básicos que lhe foram passados dentro de casa, seus desejos, sonhos e frustrações em comparativo com a constante vigilância de homens fortemente armados, a venda de drogas e morte.

O livro é ficcional, contudo, tem como plano de fundo o fatídico dia, em 2010, em que tivemos um cenário de guerra dentro do Complexo da Penha, e acompanhamos traficantes fugindo dos policiais através da mata e perdendo o comando da favela. O livro é pequeno, mas o autor tem a capacidade de deixar tudo muito claro em poucas palavras, sem ficar entediante com a quantidade de detalhes e informações que não são necessárias para o desenvolvimento da história. Tudo que lemos é rápido, com informações precisas. É um livro ficcional? Claro, mas que tem vários pontos que são reais, que realmente aconteceram.

Nós acompanhamos o dia-a-dia dentro de uma favela.

Nós temos uma visão de como vive a pessoa que se torna o chefe de uma favela.

Nós lemos como os moradores acreditam que ali é o melhor lugar que poderia viver. Mas não percebem, que muitas vezes, não tem outra opção.

Isso tudo tem ainda mais veracidade pois o autor viveu dentro de uma comunidade. Tem como ler algo mais real que o relato de alguém que estava ali?

Eu sempre gosto quando os autores desenvolvem suas histórias dentro de um fato verídico: Diana Galadon com Outlander faz isso muito bem. Já nas primeiras frases, conseguimos nos situar no tempo, saber do que o autor está falando e se envolver com os personagens principalmente por causa da proximidade real da história com nós, leitores. Eu não moro no Rio, mas eu acompanhei todo o drama. O mais incrível é que consegui me colocar na situação que está tão distante da minha realidade e pude refletir, através das palavras, sobre ações que eu simplesmente ignoro.

Enquanto a minha leitura ia caminhando para o final, em diversos momentos eu vi a crítica social embutida, às vezes sutil, às vezes nem tanto, do autor para com a situação em que diversas pessoas vivem. Pensei também quais os motivos levam pessoas a se submeterem a viver com tanto pânico e terror dentro de uma favela: algumas não tem escolha, outra não tem opção, outra gosta; a comparação entre  família que não queria que os filhos se envolvam com algo errado X o filho que sempre sonhou em fazer parte; filho que construiu uma família e queria ser livre e dar essa oportunidade para a filha X filho que tinha um império para cuidar e tudo ao seu dispor, mas era alguém preso em suas próprias amarras; a realidade mostrada na televisão, diante do fato tão grande X a realidade contada por alguém que vive e sabe como funciona.

Para finalizar o que eu tenho para falar com vocês sobre este livro: estou surpreendida. Adoro o jogo de troca de pessoas, ora em primeira, ora em terceira; dessa forma, consegui ter uma visão abrangente do livro. Elas são sutis e mesmo que você se incomode, acalma a mente e se joga na leitura. Em diversos momentos meu coração se apertou – fica tão claro que  família não é nada e é tudo, e o final destruiu o meu coração.

Mas eu estou bem.

Eu acho.

É um livro inteligente, acima de tudo. De acordo vai lendo, percebe o ciclo se fechando. E até comentei com o autor que me lembrou bastante do Gustavo Ávila com a sua escrita tão peculiar e gostosa de ler: são pequenas doses para completar uma história, sem furos, sem enrolação, direto. Existe um ponto inicial bem definido, existe algo para ser contado em detalhes importantes, existe um final a ser concluído.

Vocês podem conferir o Booktrailer do livro aqui e, claro, gostaria de saber a opinião a respeito do livro: ele está disponível para compra na Amazon, bem baratinho, e vale a pena.

Vale muito a pena.

Saiba mais sobre o autor: SiteFacebookInstagramTwitter

Desventuras em Série, Editora Companhia das Letras, Resenhas
Título: Mau Começo –  Desventuras em Série #1 Título original: The Bad Beginning Autor: Lemony SnicketAno: 2001 Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 152

A narração de Snicket é hilária e irônica. A todo momento ele tenta fazer o leitor desistir dos livros, dando ênfase em como os irmãos Baudelaire são desafortunados e de como a história é desagradável e infeliz.
Título: A Sala dos Répteis –  Desventuras em Série #2 Título original: Autor: Lemony SnicketAno: 2001 Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 184

A narração de Snicket é hilária e irônica. A todo momento ele tenta fazer o leitor desistir dos livros, dando ênfase em como os irmãos Baudelaire são desafortunados e de como a história é desagradável e infeliz.

Mau Começo e A Sala dos Répteis são os dois primeiros dos 13 livros das Desventuras em Série. Apesar de bastante conhecida, até então eu não havia tido contato com a série, nem por meio dos livros, tampouco do filme lançado em 2004.

Com a notícia de que a Netflix estaria trazendo de volta essa coleção para as telas, em forma de seriado, decidi que já passava da hora de conhecer os órfãos Baudelaire e o assustador Conde Olaf e cá estou para apresentá-los e contar minha primeira impressão.

Violet é a mais velha dos 3 filhos dos Baudelaire. Com 14 anos, a garota é descrita como uma das maiores inventoras de seu tempo. Klaus, o irmão do meio, é um amante de livros muito inteligente. E por último, Sunny, ainda bebê, adora morder e inventar palavras.

Os infortúnios dos jovens Baudelaire começam logo nas primeiras páginas do Mau Começo e o narrador e personagem indireto Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler) deixa claro, bem claro, que este não é um livro para qualquer um.

Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz, como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos felizes no miolo da história são pouquíssimos. (Mau Começo)

Após um terrível incêndio que leva a vida de seus pais, os órfãos Baudelaire são entregues aos cuidados de Conde Olaf, um parente distante que apenas quer a grande fortuna das crianças e planeja coisas mirabolantes – Snicket explicaria esta palavra em sua narração – para conseguir.

Usando suas técnicas e inteligência, os irmãos tentam de todas as formas pedir ajuda e fugir de seu terrível tutor, sendo ele, porém, muito esperto e sem escrúpulos. Depois dos imprevistos em seu plano inicial no primeiro livro, Conde Olaf volta a infernizar a vida dos órfãos em A Sala dos Répteis, logo quando eles haviam sido adotados pelo amoroso Tio Monty e estavam felizes. É claro, sabemos que a felicidade dos Baudelaire não dura muito.

De todas as pessoas no mundo com vidas deploráveis – e vocês bem sabem que há um bom número delas -, os jovens Baudelaire ganham o prêmio, expressão aqui usada para significar que eles passaram por mais coisas abomináveis do que qualquer outra pessoa que conheço. (A Sala dos Répteis)

A narração de Snicket é hilária e irônica. A todo momento ele tenta fazer o leitor desistir dos livros, dando ênfase em como os irmãos Baudelaire são desafortunados e de como a história é desagradável e infeliz. Ele dedica todas as suas obras à Beatrice – querida, adorada, morta. Me arrisco em dizer que a narração é o principal ponto da série de livros: ou você ama ou você odeia.

Desventuras em Série pode parecer simples livros infanto-juvenis, mas carrega críticas de gente grande. No primeiro livro, por exemplo, o assunto de adoção e herança é abordado do ponto de vista de órfãos que somente querem comprar uma casa e viver com uma família decente, mas que, por força de lei, são obrigados a ficar com um homem asqueroso que somente quer sua fortuna.

Os adultos dos livros estão sempre ocupados demais para levar em consideração a opinião dos Baudelaire sobre o Conde Olaf, seus planos e disfarces. “Preciso atender esta ligação; ora, ele somente pede a vocês que ajudem em casa, isto não é exploração, é agir in loco parentis; crianças, este não é o Conde Olaf, vocês estão apenas abaladas por tudo que já passaram”. Pode parecer muita fantasia, mas será que nós nunca deixamos de ouvir coisas importantes das crianças (principalmente quando não são nossos filhos) por estarmos ocupados demais?

Mau Começo foi um ótimo começo e A Sala dos Répteis foi uma ótima continuação para mim, que estou apaixonada por esta série de livros pequenos, irônicos e desagradáveis. Ah, e hoje estreou o seriado na Netflix, com Neil Patrick Harris no papel do Conde Olaf, corre lá!

Há muitos tipos de livros no mundo, o que faz sentido, porque há muitos e muitos tipos de pessoas, e os gostos são diferentes. Por exemplo, pessoas que detestam histórias em que acontecem coisas horríveis a criancinhas deveriam fechar este livro imediatamente. (Mau Começo)

E aí, você se interessou por essa história infeliz?

Editora Seguinte, Resenhas

Título: A Profecia do Pássaro de Fogo Título original: The Girl at Midnight Autora: Melissa GreyAno: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 348

O início eu achei a escrita fraca, rasa, com descrições desnecessárias e sinceramente, bastante infantis.

Eu li esse livro em abril e cá estou eu fazendo a resenha apenas agora #shameonmetotal. Porém, o fato de eu ter demorado a conseguir ler o livro fez com que eu demorasse a escrever sobre ele também, é algo natural para mim. Se não fosse pela resenha da Thais do Pronome Interrogativo, eu provavelmente teria desistido da leitura. E olha que eu não leio ou vejo resenhas de livros que eu tenho interesse em ler, principalmente durante a leitura.

Em A Profecia do Pássaro de Fogo nós vamos conhecer Echo: é uma garota solitária e sem família, que vive escondida em uma biblioteca de Nova York onde se refugia depois de cometer pequenos delitos para sobreviver. Porém, é descoberta por Ala – uma mulher coberta de penas pretas, o que não faz sentido algum para Echo -, mas que, para sua surpresa, começa a cuidá-la como se fosse sua família. E Echo abraça essa oportunidade: Ala é a sua única família. Com isso, ela vai descobrir que Ala faz parte de um grupo subterrâneo, os Avicen, que estão em guerra há milhares de ano com a raça dos Drakharin, que tem peles escamosas. Os Avicen lembram pássaros e os Drakharin lembram dragões, contudo, é importante frisar que eles têm a aparência de pessoas humanas, mas onde teria pelos, teremos essas características específicas de cada raça.

A Ala apresenta esse novo mundo para a Echo, que vive entre os Avicen, mesmo que saiba que muitos deles não aceitam essa condição, principalmente por ela não ser uma Avicen de natureza e tramitar, através de portais e um pó preto, entre o mundo humano e subterrâneo, com a proteção de Ala.

Os Drakharin culpam os Avicen pelo desaparecimento de seus poderes no decorrer dos anos. Uma acusação ilegítima, claro. Como se uma coisa assim fosse possível! Mas o desespero faz as pessoas acreditarem em coisas malucas. A magia flui por este mundo como um oceano invisível. Ela vem e vai como as marés.

Apesar de parecer que sua vida não é normal, para Echo ela é mais do que poderia pedir: tem um namorado que acabou de se alistar no exército e uma amiga, e dentro de sua normalidade, ela vai atrás de um presente de aniversário para Ala. Quando entrega o presente, descobre junto com a aniversariante que ali dentro existe um papel, que teoricamente está se referindo a Profecia do Pássaro de Fogo, que é o maior símbolo de paz e capaz de acabar com a guerra entre os Avicen e os Drakharin. Reza a lenda que esse pássaro dará poderes – ou certamente, alguma vantagem – para o povo que o encontrar primeiro. Como nenhum dos dois povos sabe muito bem quais seriam os benefícios, ambos estão lutando para encontra-lo primeiro. Sendo assim, Ala pede que a Echo siga as pistas e consiga chegar até o Pássaro de Fogo.

Do outro lado, vamos conhecer o Caius, que é o Princípe Dragão dos Drakharin. Ele é muito poderoso e é uma das poucas pessoas que acreditam na existência do Pássaro de Fogo e que pode ser vantajoso tê-lo ao seu lado. Ele começa a seguir pistas, junto com o amigo Dorian que é Chefe da Guarda, sobre a profecia: a mesma pista que a Echo que está seguindo. Claro, em algum momento eles iriam se esbarrar.

As duas raças vão saber que existem pistas e que tem pessoas seguindo, de fato, pistas que podem não dar em nada. A verdade é que ninguém sabe se existe uma profecia, de fato, ou um pássaro de fogo ou sequer se é mesmo um pássaro.

Os feiticeiros já haviam sido humanos, mas a magia negra vinha com um preço, e o poder lhes custara a humanidade.

Depois que eu assisti a resenha, me senti mais animada em continuar o livro. O início eu achei a escrita fraca, rasa, com descrições desnecessárias e sinceramente, bastante infantis. Esse foi o principal motivo para eu ter demorado a fazer a conexão com o livro. Depois, porém, parece que a autora pega o ritmo na sua própria história e mantém o leitor bastante fiel ao que está sendo apresentado.

Não é um tema totalmente original – colocar personagens de mundo diferentes atrás de algo que é comum aos dois -, mas no decorrer da história nós vamos conhecendo esse mundo novo de Avicen e Drakharin que são bem interessantes. O momento que eles se cruzam é o ponto forte do livro, principalmente porque o Caius não consegue entender como uma humana está representando os Avicen em uma causa tão importante. Ele está impressionado com a capacidade da Echo, sua lealdada para um povo que sequer a reconhece como sendo parte do mundo deles. Todos esses conflitos trazem uma dinâmica interessante para a o enredo e contribui para que o leitor mantenha-se atento.

Um é tristeza, dois é prazer.
Três para morte, quatro é nascer.
Cinco é prata, seis é ouro.
Se são sete, é mau agouro.

Quem gosta de fantasia contemporânea + livro jovem, pode colocar o livro na lista de leituras, sem medo. A apresentação de diversos personagens, as injustiças em algumas partes, a maneira como a Echo conduz o pouco de magia que a Ala lhe ensina, as maneiras de escapas e o descobrir sobre um novo reino, na qual era totalmente leiga, faz com que o livro se torne interessante. Não é maravilhoso, pelo menos para mim não foi, mas é uma boa história que eu acredito ter capacidade para evoluir e ficar verdadeiramente muito boa.

Editora Intrínseca, Resenhas, Vídeos

Título: Contos Peculiares Título original: Tales of the Peculiar Autor: Ranson RiggsAno: 2016 Editora: Intrínseca Número de páginas: 208

Para os fãs de O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, é indispensável!

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