Editora Rocco, Resenhas

Título: Por Você Título original: Fixed on You Autora: Laurelin PaigeAno: 2014 Editora: Rocco Número de páginas: 368

[…]que eu não consigo mais deixar passar em livros que tem esse tipo de conteúdo, é a questão do relacionamento abusivo – como autoras, MULHERES – romantizam e não problematizam esse tipo de relacionamento.[…]

Eu iria fazer essa resenha em vídeo, mas acabei liberando logo aqui pelo blog mesmo. Vamos falar, tudo junto & misturado, da trilogia Fixed, publicada pela editora Rocco, da autora Laurelin Paige. Adoro as capas dos livros: acho insinuante, provocantes, chamativas sem ser vulgar. E as páginas serem em tom rosa/violeta é um agradinho a mais confesso. Me prendo a pequenos detalhes.

Em Por Você nós vamos conhecer o casal de protagonistas: Alayna Withers e Hudson Pierce.

Alayna é uma mulher pra lá de sedutora, claro, sabe que seus atributos atraem muitos caras. Mas uma coisa que eu gosto na protagonista é o fato dela ser inteligente. Estou cansada, confesso, de ficar lendo histórias em que a personagem principal consegue as coisas pelo corpo e não pela mente. Não estou falando que isso não possa acontecer aqui, mas estou falando que, num primeiro momento, a apresentação da autora quanto a Alayna me agradou.

Ela trabalha no Sky Launch e acabou de receber seu MBA. Ao contrário do que seu irmão quer e do que a maioria das pessoas pensariam de uma pessoa que conseguiu mais uma formação para o currículo, Alayna não deseja abandonar a boate, mas quer investir todo seu esforço e competência para que ela seja referência para as demais. Trabalhar na madrugada, lidar com cantadas baratas e pessoas bêbadas é fichinha para Laine, se comparado que poderia trabalhar trancafiada dentro de um escritório no horário “normal” das pessoas.

Ela não esperava, porém, que fosse atender Hudson Pierce, sem saber que ele é um homem extremamente rico e influente. A atração dos dois, obviamente, fica claro. O que mais a intriga é que dificilmente uma pessoa faz com que fique sem fala, mas aconteceu e Hudson começa a ser algo a ser desvendado. Dias depois, quando descobre que ele será seu novo chefe, as coisas começam a andar de uma maneira bem diferente: além de ter comprado a boate (e fazer com que todos os planos de Alayna afunde), ele faz uma proposta bem ousada – para convencer a mãe de que é capaz de amar e para não se casar com Celia Werner, Hudson propõe à Alayna que eles finjam que estão namorando. Em troca Hudson promete quitar as dívidas que ela tem devido aos empréstimos estudantis que fez na faculdade.

E o livro vai girar entorno, nesse primeiro, dessa proposta. O que é necessário saber: nossa protagonista é diferente das demais que lemos em livros eróticos por ser bem resolvida a respeito da sua vida, sexual & profissional. Mas ao mesmo tempo tem suas questões frágeis, seus próprios fantasmas, seus problemas a serem resolvidos e, definitivamente, alguém como o Hudson é o que ela menos precisa. Alayna é uma mulher extremamente ciumenta e, consequentemente, insegura em seus relacionamentos. Depois de um caso particularmente desagradável com um ex, foi diagnosticada com transtorno obsessivo. Entrar em um com Hudson, um homem que consegue tudo quer e que alega não ser capaz de amar, não é o melhor para sua saúde mental, ainda mais quando se está saudável por dois anos.

O livro é gostoso e fácil de ler. Confesso: algumas linhas foram saltadas pois achei enfadonhas em alguns trechos. As cenas de sexo entre os dois são bem detalhadas, mas o que me INCOMODA MAIS e que eu não consigo mais deixar passar em livros que tem esse tipo de conteúdo, é a questão do relacionamento abusivo – como autoras, MULHERES –  romantizam e não problematizam esse tipo de relacionamento. Faz com quem está lendo deseje ter um Hudson na vida – um homem frio, singular, que não está preocupado com os seus sentimentos, mas que você deve obediência cega. Aqui é ainda pior quando se leva em consideração que a Alayna já tem um problema a respeito desse assunto. Quem acha engraçado mulher ser obsessiva? Quem acha que um homem obsessivo é o sonho de companheiro?

PORÉM, ao mesmo tempo, gosto da maneira como a autora explica a obsessão de uma pessoa por outra, como a mente e os sentimentos estão explodindo para todos os lados, como é não enxergar nada a além daquilo que se deseja com a força da vida. E como é triste, como a vida muda por conta disso e como é o tratamento e a parte da dor de alguém que está desse lado.

A história é mais complexa do que essa que estou contando para vocês, até porque tem muitos personagens que são importantes para a trama, mas que  não tiveram muito destaque, e que terei a oportunidade de falar a respeito nas próximas resenhas.

O livro foi avaliado com 3 estrelas porque, apesar de ter sido rápido de ler, existem essas questões que me incomodam e me faz ver esse livros de uma maneira diferente. O Hudson é um personagem misterioso, onde o leitor tentar entender porque ele age de certo modo, enquanto a Alyna rouba a cena.

Leia a resenha do segundo livro, Com Você.

Editora Galera Record, Resenhas
[Resenha] Lúcida
17.abr.2017

Título: Lúcida Título original: Lucid Autores: Ron Bass e Adrienne StoltzAno: 2016 Editora: Galera Record Número de páginas: 364

Lúcida não é um thriller psicológico do início ao fim e isso talvez tenha decepcionado algumas pessoas. Não a mim.

Sloane Margaret Jameson, 16 anos, são nossas personagens principais. As garotas têm o mesmo nome, a mesma idade, fazem aniversário no mesmo dia, porém têm vidas completamente diferentes. Uma é chamada de Sloane, a outra de Maggie e ambas quando dormem têm o mesmo sonho: o dia da outra.

– Bem, “a gente” significa o seguinte. Todas as noites, sonho com a vida dela em Mystic. E quando ela vai dormir na cidade dela, ela sonha o dia inteiro que eu passei aqui em Nova York. Eu acho que sou real, e ela, minha fantasia…
[…] E digo baixinho:
– Mas Sloane pensa a mesma coisa. (Maggie)

Confuso? Nem tanto. Maggie narra seu dia em um capítulo e quando ela dorme quem acorda é Sloane, que estava sonhando com o dia de Maggie. As jovens têm vidas normais: Sloane mora no interior, é uma boa aluna e tem uma grande família, tem hora pra chegar em casa e um sonho de entrar pra faculdade. Maggie mora em Nova York, é atriz e tem a responsabilidade de cuidar de sua irmã mais nova e daquela que deveria chamar de mãe.

As duas personagens são muito interessantes, não tem como gostar de uma e odiar a outra. Você simplesmente torce pra que as duas existam e possam viver normalmente, talvez até se conhecerem e virarem melhores amigas. O que, é claro, não vai rolar.

Na verdade, isso jamais poderia acontecer. Tentei procurar informações sobre Sloane em Mystic, Connecticut. Ela não existe. Meu pai nos levou até lá para passar um mês durante o verão, e eu costumava andar de bicicleta na frente da casa que acreditava ser a dela. Uma família simpática morava ali. Mas não a dela. Estou totalmente convencida que Sloane fez o mesmo comigo. (Maggie)

Depois de um tempo, é notável a semelhança de vários fatos na vida das garotas. Enquanto Sloane sofre a perda de seu melhor amigo, Bill, e tenta decidir entre um romance mais fácil com Gordy ou um cheio de complicações com James – que tem um rolo com a Amanda -, Maggie sofre a perda de seu pai, e tenta decidir entre um romance mais fácil com Thomas ou um cheio de complicações com Andrew – que tem um rolo com a Carmen.

Lúcida não é um thriller psicológico do início ao fim e isso talvez tenha decepcionado algumas pessoas. Não a mim. Simplesmente não consegui pensar em outra coisa durante os dias em que estive lendo esse livro, talvez porque as histórias das duas personagens são muito intensas e parecidas, o que leva o leitor a confundir um pouco os nomes e os fatos, ou talvez porque simplesmente eu não queria terminá-lo. Não queria descobrir o final desse problema, apenas queria continuar lendo sobre Sloane e sobre Maggie, sem pensar se as duas existiam, de fato.

E eis a cereja do bolo que eu tanto odeio: o final em aberto. Não sei bem se “em aberto” define, ou se seria melhor usar a palavra “confuso”, mas o fato é que não, não era isso que eu queria. Mas tudo bem, escreve quem pode, lê quem quer, né? Fiquei imaginando vários finais para a história e isso me deixou satisfeita. O livro merece minha nota máxima e só não ganhou infinitamente meu coração e o status de favorito por causa da tal da cereja que, é claro, deve existir gente que adora.

Meu grande medo é um dia ser normal: vou adormecer, e Maggie não estará mais aqui. Vou ter apenas sonhos comuns, uma boa noite de sono. E ela terá desaparecido.
Mas meu maior medo é o que preciso repetir pra mim mesma que jamais acontecerá. A noite que Maggie for dormir, e eu desaparecer. (Sloane)

Trechos preferidos de livros, Vídeos

Acho que vocês vão gostar desse vídeo tanto quanto eu gostei de separar material para gravá-lo. Saí fuçando a estante, vendo resenhas antigas aqui no blog, buscando por…

Meus trechos preferidos em alguns livros! 

Sério, acho que é um dos vídeos mais amorzinhos que eu já gravei para o canal e que eu acho que, talvez, vocês queiram várias versões dele. Caso gostem, me avisem, viu? Vai ser uma prazer enorme refuçar a estante novamente e ficar lembrando das histórias que eu mais gostei e, claro, indicando mais livros para vocês.

Vou aproveitar para deixar todas as resenhas dos livros citados aqui para vocês conferirem:

Amante Eterno
Desculpa se te Chamo de Amor
Anna e o Beijo Francês
O Céu Está em Todo Lugar
Um Dia
Três Metros Acima do Céu 
Filha da Tempestade 
A Linguagem das Flores
Cruzando o Caminho do Sol
A Música que Mudou a Minha Vida
A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista
Extraordinário
Sou Louco por Você
Como eu Era Antes de Você
Um Caso Perdido
Dias de Sangue e Estrelas
Azar o Seu

Relatos de Uma Blogueira, Vídeos

Você conhece alguém que já esteve tão triste a ponto de desistir da vida? Você está tão triste a ponto de desistir da sua vida?

Eu pensei em não falar do seriado, até porque eu não li o livro e, confesso, não tive muito interesse, mas acho impossível não comentar a respeito quando meu público maior aqui no canal éjovem, quando eu sou jovem, quando eu sei que é importante falar desse assunto. Quando precisamos falar do assunto.

Terminei de assistir e fiquei devastada. Comentei até no Twitter que achei os primeiro episódios bem mornos e, de repente, me vi envolvida em um turbilhão de sentimentos, conhecendo cada um dos personagens, conhecendo Hannah Baker, entendendo suas motivações para fazer o que fez.

Eu não tive que lidar diretamente com essa situação.
Eu não tive que lidar com esse sentimento.
Eu não sou Hannah Baker.
Você é?

Os 13 Porquês não fala apenas sobre suicídio, fala também sobre bullying, fala sobre violência sexual, fala sobre estarmos fingindo não ver os motivos e, mesmo que vocês venham falar que isso não tem nada a ver e estou vendo coisa aonde não existe, fala sobre como nós, mulheres, sofremos diariamente com machismo. A série retrata isso quando a Hannah tem uma foto divulgada, uma foto comum; quando passam a mão no seu corpo sem autorização e todo mundo acha que é normal, quando ela beija uma menina e isso é colocado como inadequado. Nas pequenas atitudes, todos os dias, somos expostas a diversas situações e julgadas e maneira inconcebíveis, apenas por sermos mulheres.

Já sofri bullying. Lembro claramente, 5º série, a professora entrega as nossas tarefas que tinham sido expostas na parede do lado de fora da sala. Ela fala algo assim: “Fiquei muito feliz com todos os alunos que fizeram seus trabalhos para serem expostos. Mas gostaria de falar que alguns de vocês deixaram apelidos nos trabalhos dos outros e eu gostaria de pedir para isso não se repetir novamente.” Eu estava arrumando meu material para ir embora e pensei: “Ainda bem que eu não tenho nenhum apelido.” Quando a professora devolveu meu trabalho, eis que estava escrito bem grande: TESTÃO. A professora me olhou com cara de desculpas, meus olhos se encheram de lágrimas, eu amassei o trabalho e joguei fora. Desde então eu tomei consciência que a minha testa é GRANDE. Mas eu tive que aprender a lidar com isso. Teve uma época que eu usei franja para esconder o tamanho, mas como nunca também tive um bom relacionamento com o meu cabelo, eu tive que aprender que a minha testa sempre ficaria em evidência e que não tinha o que fazer. Uma vez, apenas uma, eu fiz uma live pelo Youtube, assim que comecei a atualizar por aqui constantemente para testar alguma nova funcionalidade e tinham 13 pessoas. Uma dessas me chamou de TESTÃO de novo. Hoje eu sou bem tranquila quanto a isso, nunca me afetou muito e falo isso verdadeiramente.

Quanto ao meu cabelo, vou dar uma resumida para vocês: eu nunca soube lidar com ele, passei uma parte muito grande da minha vida com ele amarrado. Eu já usei aplique, ele já caiu, já ficou só o toquinho e eu me recusava a cortar. Na adolescência, eu usava um aplique de tic tac, que tira e põe como rabo de cavalo. Era óbvio, ERA CLARO, evidente que aquele cabelo não era meu, até porque dava para ver por meu cabelo sem brilho, desnutrido. Mas para mim aquilo era uma solução. Participando de um ensaio de um grupo da igreja, tinha as piores pessoas ensaiando. Todos os garotos eram aqueles que se diziam “populares”, que estavam sempre brincando, peidando, arrotando, no meio da galera e que os mais velhos sempre gostavam. Em uma das cenas, um deles virou para mim e falou: SAÍ PRA LÁ, CABELO DE BONECA. Nós éramos um grupo de 20 pessoas – ninguém o repreendeu por isso, nem eu mesma. Por isso que eu falo que uma das melhores decisões da minha vida foi ter cortado o cabelo e me arrependo apenas de não ter feito isso antes.

Talvez alguns tenham percebido mas eu também tenho um olho mais baixo do que o outro. Eu vim perceber isso eu já tinha uns 14 ou 15 anos, em uma foto que eu tirei com a minha sobrinha e comentei como as minhas irmãs: GENTE, EU TENHO UM OLHO BAIXO. Sabe quem é a única pessoa que fica me zuando por isso? A minha irmã. Mas sabe porque eu estou falando pra vocês? Por que em muitos casos não vai ser uma pessoa que te ama que vai falar isso brincando pra você. Vão ser pessoas que não te conhecem, que querem apenas que você desista dos seus sonhos, desista de ser quem você é.

Eu aprendi a lidar com tudo isso. Não digo que foi fácil, mas eu apenas abstrai porque eu percebi muito rápido que não tinha o que fazer e, talvez, porque nenhum deles me perseguia ou nunca durou muito. Mas já pensou se isso perdurasse por meses?

As pessoas tiram a própria vida por motivos maiores ou menores que esse.

Eu conheci duas pessoas que se suicidaram e não era próxima a nenhum deles dois, a não ser pelo fato de trabalharmos juntos. Quando fiquei sabendo sobre o que tinha acontecido, me senti devastada, e fiquei imaginando como a família de ambos estavam se sentindo? Eu nunca sofri violência sexual – e convenhamos que eu faço parte da pequena estatística a respeito disso e devo me sentir bastante sortuda a respeito -, mas eu conheço alguém que teve a coragem de me dizer que já sofreu e eu me orgulho tanto dela, pois é uma pessoa inspiradora, forte, inteligente. Ela conseguiu superar, e eu não consigo nem imaginar tudo que teve que passar para que isso acontecesse. Quantas de nós já não passou pela mesma situação sem ajuda?

Você precisa saber que não está sozinho. A culpa nunca é da vítima, não seja um porquê. Se você procurou ajuda e essa pessoa disse que a culpa é sua, é mentira.

E você, que recebe o pedido de ajuda de outras pessoas: não seja o professor da Hannah, que culpabilizou e disse que ela deveria ter evitado. Culpe que a magoou, quem a fez sofrer por ser quem era, por ter tocado seu corpo mesmo contra a vontade.

É necessário que as pessoas PAREM de falar que quem tem depressão e sofre bullying, faz isso por frescura. NÃO É FRESCURA! Eu não sei como é querer não viver, como é se sentir tão triste a ponto de querer tirar a vida, de não saber que tem opção, solução. De não ser amado, de ser criticado, deixado a margem. Você sabe o que é parecer um defeito ser quem você é?

Durante a divulgação da série, eu vi várias pessoas influentes falando a respeito do assunto. Uma das pessoas que eu acompanho e me inspiro é a Bruna Vieira. Vou deixar o link do vídeo para que vocês entendam sobre o que ela passou e sintam-se inspirados.

A sua vida está apenas começando. Sempre tem outra saída.

Assista aos Vídeos
[wonderplugin_carousel id="2"]
Equalize da Leitura © 2010 - 2016 ♥ Todos os direitos reservados
Tema desenvolvido por Débora M.