Caixa de Correio, Rabbit Box, Vídeos

A Rabbit Box é mais uma dessas caixinhas literárias surpresas por assinatura, que faz a cabeça de tantos leitores Brasil afora. Eles me convidaram para ser uma das blogueiras a receber a primeira caixa e eu mostro agora para vocês tudo que veio, em clima de carnaval ainda! 🙂

Editora Bertrand, Resenhas
Título: A Mentira Título original: The Liars Autora: Nora Roberts Ano: 2016 Editora: Bertrand Brasil Número de páginas: 489

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação.

Shelby Foxworth está passando por uma grande provação em sua vida: a morte de seu marido e a grande rede de mentiras que descobre estar associada ao homem com quem viveu por anos. De repente, depara-se com uma montanha de dívidas e com a resolução de que nem o nome do pai de sua filha de três anos, Callie, era real.

Após vender o que podia da casa onde morava para suprir as dívidas, ela decide deixar o passado para trás e parte para a sua cidade natal em busca também de reparar erros cometidos com seus familiares e amigos; lá, ela conhece Griff Lott, que vai conquistar não só a ela como também sua filha, e descobre que os segredos que seu marido mantinha a perseguiam onde quer que fosse.

Com tantos livros da Nora nas costas, seria compreensível se eu me cansasse. Até então, não aconteceu. Então simbora que a resenha é novamente sobre ela. A Mentira é uma história sem muitas surpresas, ainda que se trate de um suspense romântico, mas é um livro pelo qual tenho um carinho muito grande em virtude dos personagens cativantes e basicamente apaixonantes. Tipo te dar vontade de colocar numa caixinha, sabe?

Ela parece algo que fora escrito por poetas, até os olhos tristes.

De cara, algo que curti muito neste livro foi o fato da personagem principal ser alguém que está lutando para ser independente e se destituir da ideia de que ela era alguém insuficiente. As personagens da Nora são, em geral, mulheres fortes, decididas e bem sucedidas, o pacote completo; e enquanto isso é incrível e inspirador, é bacana poder ver a pessoa em formação também. E Shelby é definitivamente alguém que está “buscando seu lugar ao sol”.

Shelby literalmente fugiu com o marido quando era mais jovem e passou a viver um relacionamento abusivo, ainda que ela não exatamente soubesse que estava em um. Cortou laços com a família e amigos porque Richard, seu ex-marido, não permitia tal contato e passou a viver em função de cuidar da casa, dele, e mais tarde de sua filha.

Abraçou a ideia de que era somente para isso que sua vida servia. E claramente ser dona de casa e mãe são papeis dificílimos e que carregam grande mérito, o grande porém é quando falamos de escolha: não foi a vida que ela escolheu ter, e sim aquela que se convenceu de que merecia. Principalmente quando a culpa pela distância que mantinha das pessoas que amava pesava sobre ela.

Ela tem uma personalidade bastante admirável enquanto mulher e enquanto mãe. É determinada e mais forte do que pensa ser. Callie é uma daquelas crianças que você conhece nos livros e gostaria de adotar. Carinhosa, engraçada e animada. À medida que o livro se desenvolve, ela vai ganhando mais confiança nela mesma e constrói uma vida em que ela depende somente de si para ter sucesso e felicidade. Griff? Bem, quem leu Nora sabe que ela manja e muito de construir personagens masculinos dignos.

– A questão é, se não esperarmos um minuto, um instante, um.. Alguma coisa, vamos acabar nus na varanda.

– Tudo bem.

– Ok, então… – Ele abaixou as mãos, deu um cauteloso passo para trás. – Vamos esperar um minuto.

– Eu quis dizer que tudo bem acabarmos nus na varanda.

Ele ficou sem ar de novo. – Você está me matando, Ruiva.

Gosto muito do ritmo com o qual o relacionamento deles se desenvolveu e de como ele sempre se mostrava disposto a ajudar e a respeitar o tempo de Shelby, principalmente considerando o período tempestuoso pelo qual estava passando.

A família de Shelby também é um prato cheio e divertido. Pessoas unidas e leais, apesar de tanto tempo longe, ela foi recebida por eles prontamente de modo que só pessoas que realmente se importam com você fariam. Quando os problemas começam a surgir, não largam o barco com o discurso de que ela tinha levado uma tempestade à vida de todos, mas se mantêm firmes. É muito xodó esse elenco do livro, de verdade.

A parte que menos me interessou na história toda foi o suspense, como já dito. Eu gosto bastante de quando livros trabalham esta questão de surpresas negativas quanto a pessoas próximas a você porque nos relembra que infelizmente fica cada mais difícil apostar as fichas em outra pessoa, mesmo que ela more com você.

Gosto de quando segredos são envoltos ao suspense também, mas acho que aqui ficou faltando a pimenta, entende? Foi um suspense bem morno com um clímax pouco surpreendente. O que me ganhou de verdade foi o que estava acontecendo além disso. Ao todo, uma leitura gostosa que deixa saudade dos personagens. Recomendado.

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação. Acho que cada vez mais isso serve para olharmos para nossos relacionamentos e ponderar. E não estou falando só sobre relações amorosas. Nada de deixar parente ou amigo te fazer de tapete, mantenha ao seu lado quem lhe quer bem e quem lhe faz bem (atentando também que nem sempre boas intenções se traduzem em boas ações). No fim, valorize o seu sorriso e saberá valorizar quem é motivo dele.

Sempre me pareceu que as coisas são mais excitantes quando você não está procurando por elas e mesmo assim as encontra.

Leituras do Mês, Maratona Literária de Férias

Oi, gente! As primeiras leituras do ano já tem título e nome dos autores! *__________* Foram basicamente o resultado da Maratona Literária de Férias que eu fiz, então, vem conferir o resultado das duas! 🙂

DarkSide Books, Resenhas

Título: O Menino que Desenhava Monstros Título original: The Boy Who Drew Monsters Autor: Keith Donohue Ano: 2016 Editora: Dark Side Número de páginas: 256

É um livro muito bem escrito, com uma história incrível e que prende o leitor do começo ao fim, deixando muitos mistérios no ar. E o final é maravilhoso. Resumindo: um livro digno de ser listado nos meus favoritos!

Para começar, e sendo bem sincera, o início do livro é ruim. Sabe quando você fica procurando motivos para não ler? OPA! Olha uma mosca ali. O livro não prende a atenção do leitor. Daí a única coisa que te motiva a continuar é a curiosidade, porque visualmente é um livro lindo e que promete tanto pela capa com as ilustrações… Bem, a notícia boa é que se você conseguir passar das setenta e poucas páginas as coisas começam a melhorar um pouco, quer dizer, a leitura começa a tomar ritmo e torna-se menos enfadonha.

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Você fica se perguntando que horas vai começar a gostar da história de Jack Peter, que é uma criança de 10 anos muito reservada e tem seu comportamento introvertido piorado por ser portador de uma síndrome. Um dia, ao ser acordado pela mãe, acaba machucando-a no rosto, por achar que estava sendo perseguido pelos monstros que vivem em seus sonhos.

Jack sorria quando era um bebê. Ele não era tão fechado quanto os outros garotos do grupo de apoio, mas se recusava a por os pés pra fora de casa, o que de longe, não é nada normal. O elo que ainda o unia ao mundo lá fora era Nick, que mesmo com todas as esquisitices de JP, não deixava de ir visitá-lo para brincar. E depois de alguns acontecimentos trágicos, Jack Peter acabou desenvolvendo agorafobia – medo de sair de casa.

Quem entre nós pode afirmar que, quando crianças não sofreram com algum tipo de medo? Ou quem sabe até mesmo possíveis monstros? O Menino que Desenhava Monstros é, por esse ângulo, nostálgico, pois revivemos esse sentimento.

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Tim é o pai de Jack e se ressente por ter seus planos de voltar a estudar frustrados depois do nascimento do seu filho. Na época Holly, a sua esposa, mesmo recém-formada como advogada, ganhava mais do que ele e ficou acordado que Tim seria pai em tempo integral. Secretamente, ele acreditava que Holly apreciava o fato de não ter cuidado diário com o filho.

Quando você arrumou tempo para desenhar tudo isso?

Coisas estranhas aconteciam na cidadezinha fria e cercada pelo oceano congelante naquela época do ano. Crustáceos aparentemente mortos renasciam, sons estranhos que não se podia precisar de onde vinham, aparições, pegadas vindas do nada. Jack Peter começara a desenvolver um gosto por desenhos. Ele desenhava monstros. E passou a incentivar seu amigo Nick a desenhá-los também, era uma brincadeira entre eles, a troca de desenhos de monstros.

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Se por acaso você é uma pessoa medrosa e está com receio em ler o livro, só tenho uma coisa a dizer, não por isso: leia. Sei que é uma editora famosa, principalmente, por esse gênero terror, que causa medo e tal, mas com o “O menino que desenhava Monstros” pode ir sem temor nenhum. Não há terror na história, a classificaria como misteriosa. E não pense que, por ser um livro de apenas 252 páginas, você vai lê-lo numa sentada só, porque não vai.

O final é surpreendente. Você vira a página querendo mais, cadê o resto da história? Posso dizer que fiquei um pouco sem ar ao lê-lo, porque a partir daí você começa a reviver toda a história, mas agora sabendo toda a verdade. Posso dizer? Foi uma sensação estranha. No final das contas descobrimos que Jack é uma criança com um coração enorme e que não desenha apenas monstros. Ainda um pouco chocada, mas, sem dúvidas, é um final inusitado.

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