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fevereiro 17, 2017Editora Bertrand, Resenhas

[Resenha] A Mentira

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Título: A Mentira Título original: The Liars Autora: Nora Roberts Ano: 2016 Editora: Bertrand Brasil Número de páginas: 489

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação.

Shelby Foxworth está passando por uma grande provação em sua vida: a morte de seu marido e a grande rede de mentiras que descobre estar associada ao homem com quem viveu por anos. De repente, depara-se com uma montanha de dívidas e com a resolução de que nem o nome do pai de sua filha de três anos, Callie, era real.

Após vender o que podia da casa onde morava para suprir as dívidas, ela decide deixar o passado para trás e parte para a sua cidade natal em busca também de reparar erros cometidos com seus familiares e amigos; lá, ela conhece Griff Lott, que vai conquistar não só a ela como também sua filha, e descobre que os segredos que seu marido mantinha a perseguiam onde quer que fosse.

Com tantos livros da Nora nas costas, seria compreensível se eu me cansasse. Até então, não aconteceu. Então simbora que a resenha é novamente sobre ela. A Mentira é uma história sem muitas surpresas, ainda que se trate de um suspense romântico, mas é um livro pelo qual tenho um carinho muito grande em virtude dos personagens cativantes e basicamente apaixonantes. Tipo te dar vontade de colocar numa caixinha, sabe?

Ela parece algo que fora escrito por poetas, até os olhos tristes.

De cara, algo que curti muito neste livro foi o fato da personagem principal ser alguém que está lutando para ser independente e se destituir da ideia de que ela era alguém insuficiente. As personagens da Nora são, em geral, mulheres fortes, decididas e bem sucedidas, o pacote completo; e enquanto isso é incrível e inspirador, é bacana poder ver a pessoa em formação também. E Shelby é definitivamente alguém que está “buscando seu lugar ao sol”.

Shelby literalmente fugiu com o marido quando era mais jovem e passou a viver um relacionamento abusivo, ainda que ela não exatamente soubesse que estava em um. Cortou laços com a família e amigos porque Richard, seu ex-marido, não permitia tal contato e passou a viver em função de cuidar da casa, dele, e mais tarde de sua filha.

Abraçou a ideia de que era somente para isso que sua vida servia. E claramente ser dona de casa e mãe são papeis dificílimos e que carregam grande mérito, o grande porém é quando falamos de escolha: não foi a vida que ela escolheu ter, e sim aquela que se convenceu de que merecia. Principalmente quando a culpa pela distância que mantinha das pessoas que amava pesava sobre ela.

Ela tem uma personalidade bastante admirável enquanto mulher e enquanto mãe. É determinada e mais forte do que pensa ser. Callie é uma daquelas crianças que você conhece nos livros e gostaria de adotar. Carinhosa, engraçada e animada. À medida que o livro se desenvolve, ela vai ganhando mais confiança nela mesma e constrói uma vida em que ela depende somente de si para ter sucesso e felicidade. Griff? Bem, quem leu Nora sabe que ela manja e muito de construir personagens masculinos dignos.

– A questão é, se não esperarmos um minuto, um instante, um.. Alguma coisa, vamos acabar nus na varanda.

– Tudo bem.

– Ok, então… – Ele abaixou as mãos, deu um cauteloso passo para trás. – Vamos esperar um minuto.

– Eu quis dizer que tudo bem acabarmos nus na varanda.

Ele ficou sem ar de novo. – Você está me matando, Ruiva.

Gosto muito do ritmo com o qual o relacionamento deles se desenvolveu e de como ele sempre se mostrava disposto a ajudar e a respeitar o tempo de Shelby, principalmente considerando o período tempestuoso pelo qual estava passando.

A família de Shelby também é um prato cheio e divertido. Pessoas unidas e leais, apesar de tanto tempo longe, ela foi recebida por eles prontamente de modo que só pessoas que realmente se importam com você fariam. Quando os problemas começam a surgir, não largam o barco com o discurso de que ela tinha levado uma tempestade à vida de todos, mas se mantêm firmes. É muito xodó esse elenco do livro, de verdade.

A parte que menos me interessou na história toda foi o suspense, como já dito. Eu gosto bastante de quando livros trabalham esta questão de surpresas negativas quanto a pessoas próximas a você porque nos relembra que infelizmente fica cada mais difícil apostar as fichas em outra pessoa, mesmo que ela more com você.

Gosto de quando segredos são envoltos ao suspense também, mas acho que aqui ficou faltando a pimenta, entende? Foi um suspense bem morno com um clímax pouco surpreendente. O que me ganhou de verdade foi o que estava acontecendo além disso. Ao todo, uma leitura gostosa que deixa saudade dos personagens. Recomendado.

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação. Acho que cada vez mais isso serve para olharmos para nossos relacionamentos e ponderar. E não estou falando só sobre relações amorosas. Nada de deixar parente ou amigo te fazer de tapete, mantenha ao seu lado quem lhe quer bem e quem lhe faz bem (atentando também que nem sempre boas intenções se traduzem em boas ações). No fim, valorize o seu sorriso e saberá valorizar quem é motivo dele.

Sempre me pareceu que as coisas são mais excitantes quando você não está procurando por elas e mesmo assim as encontra.

setembro 15, 2016Editora Bertrand, Resenhas

[Resenha] Antes de Partir

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Título: Antes de Partir Título original: Before I Go Autora: Colleen Oakley Ano: 2016 Editora: Bertrand Número de páginas: 322

É um livro singelo, cheio de amor e ternura, tristeza e drama e acredito que não tinha como fugir muito disso.

Antes de Partir é o típico livro que entra para a a categoria ainda não categorizada, mas que parece com outros como Como Eu Era Antes de Você e O Primeiro Último Beijo. Se você já leu algum desses livros e gostou, pode se jogar sem medo e começar a leitura.

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Daisy é a nossa personagem principal. Ela teve câncer de mama, mas fez tudo que precisava para se curar da doença: quimioterapia, raspou os cabelos, tomou os remédios e recebeu a maravilhosa notícia que estava curada! Quatro ano depois ela recebe uma temível ligação falando que o câncer estava de volta e, dessa vez, ela teria no máximo, 6 meses de vida. Como contar essa notícia para a mãe que só sabe chorar desde sempre e para o marido, Jack, com quem todo ano eles comemorar o câncerversário?

Sem um propósito de vida, já que tudo a lembra que não adianta investir muito esforço em nada, afinal de contas Estou morrendo, vida!, ela começa a preencher com ainda mais afinco a sua lista, já que com elas sabe lidar. E um dos seus questionamentos é: como Jack ficará quando eu morrer? Daisy é metódica, tudo precisa ser seguido restritivamente a sua lista de afazeres enquanto Jack é o seu oposto. Quem cuidará do homem que foi/é o amor da sua vida, que é super inteligente, apaixonado por animais e sonha em ter filhos para fazer fazendinhas de formigas? Daí, ela começa a ter um propósito: preciso encontrar uma esposa para o meu marido, antes de que eu morra.

Quando eu terminei de ler o livro, fiquei achando que a proposta dele era tão boba, afinal de contas, você está morrendo e ainda fica se preocupando com a felicidade dos outros! Esse, talvez, seja o pensamento de uma pessoa que não é casada e nunca se dedicou a outro alguém dessa maneira. Daisy é tão apaixonada por Jack quanto ele por ela e você acompanha como a doença acaba influenciando na vida dos dois.

Daisy vai afastando seu marido de acordo você vai lendo: eu posso fazer isso, eu não quero você fazendo aquilo comigo, não o quero aqui. Jack, paciente, respeita sua opção apesar de ficar muito claro o quanto sofre por estar sendo afastado, quando o que mais queria era estar ali, emanando e demonstrando o quanto a ama.

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Nossa personagem tem um jeito próprio de ser e isso traz uma graça irresistível para quebrar um pouco a tensão que é acompanhar o sofrimento de uma pessoa com câncer e como são suas batalhas diárias para manter a própria sanidade diante da perspectiva de morte. Um dos pontos que mais mexeu comigo foi ler e descobrir que todos os sonhos que foram criados não seriam realizados, que o esforço de duas pessoas que se amam não valeria para nada, porque a Daisy estava… morrendo. Me dói o coração só de escrever isso. É triste em vários níveis.

Eu precisava de você e errei quando disse que não precisava.

É um livro singelo, cheio de amor e ternura, tristeza e drama e acredito que não tinha como fugir muito disso. Me tocou a forma verdadeira como a autora nos apresenta a Daisy: em alguns momentos vai ser inevitável achá-la egoísta e insensível, pensando apenas em si que está morrendo e aí você percebe que essas ações são completamente aceitáveis, caramba! Ela está morrendo, ela está sofrendo, não está sabendo como agir! Mas aí conhecemos uma Daisy frágil, com medo de morrer, de perder tudo o que conquistou, de deixar para trás as pessoas que amam. Isso sim foi sincero e verdadeiro para mim, pois é assim – ao meu ver – que as pessoas reagiriam. Ninguém é forte e destemido para sempre, principalmente em um situação dessa. E ao mesmo tempo acompanhamos todo o seu processo de lutar por algo que é invencível, apenas pelo fato de que o tratamento pode trazer mais alguns dias de vida

O problema aqui seja, que talvez, a autora não tenha conseguido conquistar os leitores de maneira sincera, já que a sinopse não deixa muito a imaginar para o final. Você já começa o livro sabendo o que esperar, sem nenhuma grande surpresa. A escrita é maravilhosa, dosando entre altos e baixos, mas em alguns momentos eu não me senti totalmente ligada ao que estava lendo.

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