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setembro 20, 2016Autor Independente, Editora Verus, Gustavo Ávila, Livros Nacionais

[Resenha] O Sorriso da Hiena

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Título: O Sorriso da Hiena Título original: Autor: Gustavo Ávila Ano: 2015 Editora: Publicação Independente Número de páginas: 304

Depois que terminei o livro ainda fiquei refletindo sobre ele, é inevitável, porque você tenta digerir tudo aquilo que foi escrito.

Vocês precisam entender que eu não gosto de ler sinopses, mas algumas vezes é inevitável, como foi no caso de O Sorriso da Hiena. Estava eu, iniciando a leitura toda animada, ainda nas primeiras páginas, e o que li me causou um desconforto tão grande, um arrepio, que precisei lê-la para ter uma noção do que estava por vir. Ainda não sei se fiz bem ou não. A história tem um enredo instigante, e realmente é uma leitura que te prende, você quer saber as próximas etapas, o final.

O livro conta o dilema moral/ético do psicólogo infantil William, que tem o desejo de tornar o mundo um lugar melhor. A sua tese de doutorado trata sobre o desenvolvimento da maldade humana, no entanto, ele tem a teoria e nenhum caso prático para se debruçar. E daí eu te pergunto: até onde você iria para compreender a maldade humana?

Eu não quero fazer um curativo no dedo, eu quero… tirar o corte da faca.

Neste momento David entra em contato com William e propõe repetir o mesmo que aconteceu com ele na infância, isto é, ter os pais assassinados. Surge assim a oportunidade que William precisava: acompanhar o crescimento de crianças que sofreram um trauma na infância. Não sei se vocês repararam, mas é muito macabro, me causa horror imaginar uma situação assim: “olha eu vou matar os pais dessas crianças e o seu papel é estudá-las enquanto cresce”. É nesse nível a conversa entre os dois.

Como um dos aspectos da história são os assassinatos, tem a investigação policial conduzida pelo detetive Artur, que é detentor de uma personalidade peculiar, diria até que engraçada algumas vezes, pois em alguns momentos quebra a tensão da história. Há diversas teorias sobre a motivação dos crimes, as tentativas de encontrar pistas e decifrá-las e a frustração quando se encontra diante de um caso complexo, aparentemente, sem solução. Assim, é um livro interessante para quem gosta de enredos policias, fora é claro, o lado psicológico.

Pessoas más são pessoas tristes. Por isso elas são más.

Tenho que mencionar também como os personagens são bem construídos e fortes. Nada na história é dito sem um motivo. Sabe quando tudo vai se encaixando enquanto a leitura avança? Sim, é assim que acontece em O Sorriso da Hiena. É uma sensação gostosa e ao mesmo tempo estranha, porque você percebe o quanto David pensou em tudo desde o início e como envolveu as pessoas numa proposta pessoal de autoconhecimento.

Depois que terminei o livro ainda fiquei refletindo sobre ele, é inevitável, porque você tenta digerir tudo aquilo que foi escrito. Eu não sei nada de psicologia, além é claro, das matérias obrigatórias na faculdade, mas é um campo do saber interessantíssimo, principalmente, no que diz respeito ao estudo de mentes criminosas. O livro nos faz refletir sobre como o ambiente em que somos criados ou as experiências vivenciadas podem ou não nos modificar de uma maneira irremediável. O cérebro é tão complexo quanto as nossas relações humanas.

Existem trechos que tratam da ineficiência da polícia e até mesmo sobre a corrupção policial, ou como o Estado simplesmente falha ao cumprir com seu papel constitucional de proteção. Além disso, também temos aquele personagem que nos emociona por ainda acreditar na humanidade mesmo estando diante do seu algoz. O personagem David é extremamente complexo, porque além de ser o assassino ele também é vítima, quando eu imaginava que não poderia haver mais nenhuma surpresa por parte dele, era de novo surpreendida. A história é de uma genialidade incrível, o livro é maravilhoso e eu o li em um dia porque não conseguia parar sem saber o final.

O livro é escrito por um autor nacional, até então independente, o Gustavo Ávila. Contudo, sua história magnífica já alcançou os olhares de pessoas maiores e a Editora Verus vai publicar o livro ano que vem. Não tenho nenhuma ressalva, fora alguns errinhos de revisão e diagramação que realmente ficam em segundo plano diante da obra escrita por ele.  Espero ter a oportunidade de ler mais coisas publicadas por ele, pois é o tipo de autor que me faz orgulho indicar para outras pessoas.

junho 13, 2016Editora Verus, Resenhas

[Resenha] Anna Vestida de Sangue

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Título: Anna Vestida de Sangue Título original: Anna Dressed in Blood Autora: Kendare Blake Ano: 2016 Editora: Verus Número de páginas: 249

Anna é, sem dúvida nenhuma, uma das melhores personagens do livro, se brincar é até a melhor. A história que envolve sua morte é macabra e aterrorizante e até descobrir o que realmente aconteceu, você fica tão envolvido e achando o Cas um saco.

Anna Vestida de Sangue foi um livro que eu fiquei muito interessada em ler, primeiramente pelo título, que é atraente. E depois pela premissa, que apesar de não gostar de livros de fantasmas (não que eu tenha lido muitos), me instigou. E lá vai eu quebrar a cara bem bonitinho.

Cas Lowood é um adolescente caçador de fantasmas. Seu pai era um, foi assassinado por um desses espíritos que não conseguiram encontrar seu caminho e ele acabou tomando o lugar dele, algo que bem natural. Então, ele não é um adolescente ‘normal’ e sua mãe sabe dessa sua profissão. Ele recebe alguns indícios de onde podem ter fantasmas atormentando e perturbando as pessoas e vivem rodando o país para acabar com eles.

Quando eles chegam em uma nova cidade onde as pessoas dizem ser assombradas por uma fantasma chamado Anna Vestido de Sangue, Cas imagina que será como em todos os outros trabalhos: perseguir, caçar, matar. Mas ele encontra ali um espírito atormentado, envolta em maldições e fúria, porém, totalmente fascinante como ele nunca tinha visto antes.

No lugar de acabar de vez com Anna, Cas tenta entender o que aconteceu, de fato, com ela já que ainda mantém o vestido que foi brutalmente assassinada em 1958: branco, manchado e pingando sangue. Por que Anna é diferente dos outros fantasmas e por que Cas teve esse ímpeto de tentar ajudá-la, algo que nunca tinha feito antes?

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Primeiramente: esse livro teria sido MARAVILHOSO, do tipo MUITO BOM MESMO se o Cas não fosse o personagem principal: ele é chato, tenta ser divertido e não, todas as vezes que ele interage – fala – conversa estavam me dando angústia enquanto temos, em comparação, ANNA, uma personagem enlouquecidamente bem construída, com uma história bem mais interessante e rica do que o pobre do Cas. Só isso pra mim, definitivamente, acabou com o livro inteiro.

Em seguida, temos todos os outros personagens que aparecem e são interessantíssimos e você vai percebendo que a autora sacaneou de verdade o Cas pro transforma-lo em algo tão estúpido e, por consequência, castigou quem leu o livro. Todo mundo que aparece é interessante em algum nível, ajuda e é importante. Aí você percebe o quanto o Cas é medíocre, mesmo que a autora tente passar a importância dele para a história, que realmente tem, mas que para mim acabou ficando às margens.

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Anna é, sem dúvida nenhuma, uma das melhores personagens do livro, se brincar é até a melhor. A história que envolve sua morte é macabra e aterrorizante e até descobrir o que realmente aconteceu, você fica tão envolvido e achando o Cas um saco (olha ele aqui de novo). O seu crescimento é algo bem visível também e em diversos momentos você consegue perceber enquanto lê que Anna é superior ao Cas e, sim, deveria ter sido o destaque no livro.

Detestei o livro? Não, mas quase cheguei lá. Comecei a achar a leitura uma chatice tremenda e sem fim, até porque você começa a duvidar de certas coisas que está lendo e se perguntar para onde a autora vai levar a história nos próximos livros. Enfim, não tem como prever, só aguardar para saber se tudo vai por água abaixo ou se vão conseguir ver que tem uma ideia boa que está sendo desperdiçada.

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