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outubro 03, 2015Editora Novo Conceito, Resenhas

[Resenha] Eu Te Darei o Sol

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gsTítulo: Eu Te Darei o Sol Título original: I’ll Give You the Sun Autor: Jandy Nelson Ano: 2015 Editora: Novo Conceito Número de páginas: 384

O estilo de escrever da Jandy é ouro, diamante, rubi, safira, e qualquer outra preciosidade que puder pensar. A escrita dela é uma metáfora, uma poesia e um sonho em um mix perfeito.

É possível que você tenha sido dirigido a Eu Te darei o Sol por conhecer a autora Jandy Nelson, e é possível que você conheça a autora por ter lido O Céu está em todo Lugar. Foi isso que aconteceu comigo. Ganhei de presente da Rapha o livro há uns dois anos (talvez?) e embora eu tenha torcido o nariz primeiramente por saber que a história teria um triângulo amoroso, o livro enfraqueceu minhas pernas e meu coração. Então, obviamente quando vi que a autora iria publicar outro livro, fiquei mordendo as unhas e fui salivando em cima dele como um urubu na carne, cheia de expectativas.

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Primeiramente, o estilo de escrever da Jandy é ouro, diamante, rubi, safira, e qualquer outra preciosidade que puder pensar. Este livro também é prova disso. A escrita dela é uma metáfora, uma poesia e um sonho em um mix perfeito.

Talvez algumas pessoas sejam destinadas a estar na mesma história.

Agora sim, vamos à história. O livro basicamente é centrado em Jude e Noah, dois irmãos gêmeos que, apesar de personalidades muito diferentes, sempre tinham sido unha e carne, até que algo acontece e embora continuem morando na mesma casa, eles se afastam significativamente. É uma curiosidade que fica rondando a história no decorrer do livro, e vamos pouco a pouco montando as peças do quebra-cabeça. Ele se desenrola pelos pontos de vista dos dois: de Noah, quando os dois tinham 13 anos e quando tudo acontece, e de Jude, quando eles têm 16 anos.

Tenho a impressão, embora possa ser somente eu, que o livro ficou desequilibrado entre os pontos de vista. Sinto que li muito mais sobre Jude do que sobre Noah, até porque a razão de eles terem se afastado aparentemente é culpa dela, então lemos muito dela se lamentando pelo que fez e desejando ter novamente o relacionamento de antes com o irmão. Algo que não gostei: os capítulos do livro são muito, muito longos. Não sei como está na edição em português, mas acredito que seja em torno de umas 30 páginas, acho que isso comprometeu a estrutura do livro. E se acabássemos um capítulo querendo saber logo a continuação, tínhamos que esperar um capítulo inteiro de 30/40 págs até saciar nossa curiosidade.

Você precisa ver os milagres para que existam milagres.

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Como eu disse, senti que o livro se centrou muito mais na Jude e isso me decepcionou. Um, porque eu tinha lido alguns spoilers sobre Noah e queria muito e muito e muito dele e dois, porque eu não gostei da personagem. Ela tinha muitas características que eu já li em outras personagens adolescentes e que não me agradam: egoísmo, egocentrismo e excessiva dose de drama.

Isso pode ser considerado spoiler: a mãe dos dois morre quando eles têm 13 anos, os dois continuando a morar com o pai, e muito do drama do livro tem a ver com a mãe deles. Jude especialmente carregava muito algumas das últimas palavras que a mãe disse para ela e ela disse a mãe, uma frase específica sobre a qual eu teria uma longa discussão sobre estereótipos femininos e um papel social esperado da mulher ainda hoje; não concordo com a imagem de “pura e virginal” que o livro reforça como sendo a forma “correta” de uma mulher agir. Novamente, eu posso estar sendo crítica demais acerca desse aspecto, mas existe uma culpa grande que Jude sente por não ter seguido o conselho da mãe e ter se transformado em “uma daquelas garotas”. Há um estigma muito grande a respeito disso e embora as circunstâncias que Jude tenha perdido a virgindade tenham sido menos do que ideais, acho que a autora se concentrou mais em criticar o fato de que ela tinha perdido a virgindade do que no fato de que ela não foi bem tratada em um momento importante como esse.

Para desenhar, você deve fechar os olhos e cantar.

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Mas bem, voltando ao foco, Jude conta sobre o presente da história e basicamente a trama central dela é: Jude é escultora, estuda numa escola de arte que era na verdade o sonho de consumo de seu irmão, e começa a ser orientada por um famoso artista chamado Guilhermo ao mesmo tempo em que conhece o interessante Oscar, que tem um relacionamento não tão bem explicado com o próprio Guilhermo. O artista é temperamental e fechado; seus trabalhos evidenciam que ele está a um bom tempo de luto por alguém. Oscar é charmoso, misterioso e tem uma atitude de bad boy. Jude se vê encantada pelo primeiro e o segundo faz suas pernas tremerem. Guilhermo me intrigou e embora eu gostasse de Oscar em alguns momentos, sinto que ele se comportou mais como um babaca para com Jude do que não.

A alma dele podia ser o sol. Eu nunca conheci ninguém que tinha o sol como alma.

Noah, doce Noah com seus treze aninhos. Admito, Noah é meu xodó. Desde o início do livro, eu queria pega-lo no meu colo e protegê-lo do cruel mundo externo. O Noah de 13 anos só tinha duas coisas no pensamento: entrar para a escola de artes de seus sonhos (ele desenhava e pintava) e Brian, o seu vizinho que compartilhava com ele dos gostos estranhos que o resto do mundo criticava. Eles dois são a coisa mais fofa das coisas fofas. Sério. Eu me sinto traída porque não tive muito deles, mal pude conhecer o Brian de verdade.

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A maior trama do Noah era sua sexualidade e sua relação com Brian, que ora achava que era mais do que amizade e ora achava que era coisa de sua imaginação. Ah, como meu coração dói ao pensar que existe muita gente com o mesmo problema e esse planeta monstruoso que impede até que alguém faça a pergunta para tirar dúvida, que faz com que as pessoas temam dar carinho ao próximo. O que leva as pessoas a condenarem o carinho e defenderem a palavra do ódio? Mais vezes do que não, essa humanidade é uma decepção.

“Eu te amo” Eu digo a ele, mas somente o que sai é – Oi.

“Tanto” Ele responde, mas se traduz em – Cara.

Mas eu me questionei no decorrer do livro, assim como acontece quando eu leio algum livro do Harlan Coben: olhando para todos esses personagens, como eles se interligam? Admito que saquei o grande segredo antes de chegar ao fim, o que tirou um pouco do peso do clímax. No geral, gostei da lógica, gosto de histórias que despem as pessoas dos rótulos de “bom” e “mau” e que mostram que na realidade todos nós somos os dois, muitas vezes ao mesmo tempo. Eu esperava mais do livro, esperava sentir mais na relação entre Jude e Noah, mas como eu falei, não consegui gostar dela, peguei-me muitas vezes querendo pular os POVs dela, mas lembram, +/- 30 págs né?

Eu não sabia que você poderia ser enterrado em seu próprio silêncio.

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Mas ó, Jandy Nelson arrasa. Gente, quero escrever como essa mulher um dia. O próprio título “Eu te darei o sol” tem uma analogia fofa que é explicada no livro. Então assim, apesar dos pontos negativos que eu considerei, leiam. Mas leiam primeiro O Céu está em todo Lugar, vocês PRECISAM conhecer Joe Fontaine antes de fazerem qualquer outra coisa. Depois vem pro Noah, ele é especial do jeitinho dele. E vem mergulhar nas palavras da Jandy; elas te afogam, elas te cortam mesmo o oxigênio, mas de um jeito estranho, essa é a melhor parte.

Esta é a hora para segundas chances. É hora de reconstruir o mundo.

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