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julho 26, 2016Editora Planeta, Resenhas

[Resenha] Diário de Uma Cúmplice

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Título: Diário de uma cúmplice Título original: Autora: Mila Wander Ano: 2016 Editora: Planeta Número de páginas: 334

Apesar de ser uma história simples, Diário de uma cúmplice conseguiu equilibrar o romance, a ação policial e o erotismo, deixando os fãs desses três gêneros satisfeitos com a narrativa criada pela autora.

Christine Monteiro é uma jovem bonita, de cabelos avermelhados e que vive de forma simples, sendo educadora de uma creche, não tendo muitos amigos e nem muitas paixões. Após perder seus pais em uma tragédia quando tinha 15 anos, Chris fechou-se em seu mundo e esforçou-se muito para manter uma vida super tediosa.

Em seu aniversário de 25 anos, Lessy, sua melhor amiga (ou única?), decide lhe presentear com um diário, aconselhando-a a usá-lo para desabafar e deixar de guardar suas tristezas somente para si. Sem muita escolha, Chris começa a escrever sua história.

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O tédio na vida de Chris começa a mudar quando ela se depara com o cara mais lindo que já havia visto na vida. Quando ele chegou perto, porém, não perguntou se ela tinha telefone. Perguntou se tinha um carro. E a ameaçou caso não cooperasse, já que a polícia estava logo ali, pronta para atirar naquele bandido gostoso. Ops, perigoso!

Ainda dava para ouvir algumas sirenes enquanto o acomodava e pegava uma toalha, a fim de estancar o seu ferimento. Ele tirou o casaco, a camisa e a calça bem depressa, mostrando um corpo sarado de academia que, não fosse pelo machucado horrível que não parava de sangrar, me deixaria completamente absorta.

Após salvar a vida do bandido misterioso – Miguel – e levá-lo são e salvo até a casa de sua quadrilha, por livre e espontânea vontade, Chris decide que já passou muitos anos da sua vida sendo normal e, ao invés de voltar correndo pro seu apartamento, a jovem decide que é hora de se aventurar.

Foi então que tive uma ideia bem maluca. Não sabia se daria certo, porém, naquele instante, não me questionei muito. Pintava os cabelos de vermelho-vivo havia anos, mas aquela nova fase da minha vida merecia uma mudança drástica. […]

Quando tive coragem de me olhar no espelho, o espanto foi enorme: estava tão diferente que parecia outra pessoa. Era a mulher forte, decidida e corajosa que enfrentava todos os perigos. Aquela não era exatamente eu, mas agora fazia parte de mim.

Eu seria uma loira fatal.

A história, narrada em primeiro pessoa em forma de diário, nos mostra que Christine tem uma vida normal que lhe é suficiente, até perceber que o mundo não é só aquilo que ela vê. A partir do momento em que se envolve com Miguel e descobre que é capaz de pegar em uma arma e matar um homem, não faria sentido algum voltar a dar aula para crianças e fingir que isso era felicidade.

Ignorando o começo da história, fantasioso demais, posso afirmar que Mila Wander criou um romance erótico policial muito bom. O tédio da vida de Chris é o tédio das nossas vidas, que acordamos cedo para trabalhar ou estudar, que chegamos cansados em casa, que não temos muita vontade de sair ou paquerar pessoas, de fazer esforço para não demonstrar nossos defeitos e mágoas e ressentimentos e tristezas e estresses e problemas e esquisitices logo nos primeiros minutos de conversa.

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Christine é uma personagem fascinante que vira Tatiana para entrar na quadrilha. Em alguns momentos é irritante vê-la tão Chris quando deveria ser tão Tati, mas é completamente aceitável que a nova personalidade forte não consiga inibir todas as fraquezas de seus 25 anos vividos.

Dessa forma, o romance entre Chris e Miguel, sua amizade com seu xará, Christian e sua rivalidade com Cristal, namorada de Miguel, faz o leitor pirar de tesão. Tesão não só pelas narrativas eróticas, mas também pela vida criminosa da quadrilha, pelos acontecimentos rápidos e inesperados, pela amizade tão bonita que se cria na história e pelo final do livro, totalmente imprevisível.

Apesar de ser uma história simples, Diário de uma cúmplice conseguiu equilibrar o romance, a ação policial e o erotismo, deixando os fãs desses três gêneros satisfeitos com a narrativa criada pela autora.

– Eu não presto, Christine. Também não te mereço. Mas por não prestar é que vou te ter sem merecer.

janeiro 18, 2016Editora Intrínseca, Livros Nacionais, Resenhas

[Resenha] Surpreendente!

3 Comentários

gsTítulo: Surpreendente Título original: Autor: Maurício Gomyde Ano: 2015 Editora: Intrínseca Número de páginas: 272

Eu gostei do livro? Sim, eu gostei. Porém, não senti toda essa emoção que eu li várias pessoas comentando e que me fez ficar ansiosa pela leitura.

Eu demorei a escrever sobre Surpreendente! e a publicar a resenha por motivos de… não sei realmente. Eu gravei em vídeo, achei ruim, deletei e cá estou. Vamos então.

Pedro é recém-formado em Cinema e seu sonho, que está tornando-se o desafio da sua vida, é criar um roteiro e gravá-lo e, assim, concorrer a um prêmio consagrado. Como a vida é bem irônica, Pedro nasceu com uma doença degenerativa que o tornaria cego dentro de alguns anos, então, meio que explica os motivos para o seu desespero com o roteiro + filme. Mesmo que a doença esteja estacionada e não haja evolução no quadro, gravar virou a missão da sua vida.

Enquanto tenta manter o último cineclube de São Paulo aberto, trabalhar em uma locadora nas horas vagas e tentar enfiar um pouco de filmes clássicos na cabeça dos poucos clientes, Pedro conhece Cristal, a jovem atendente do bar que tem em cima do Cineclube, estudante de Física Nuclear, que o intriga por sua personalidade e beleza ruiva.

Como a vida é bem irônica (mais uma vez), Pedro descobre que nem tudo na vida dele é como realmente pensou que fosse e parte em uma descoberta: desses segredos e de si próprio. Em um carro pego ’emprestado’ sem o consentimento do dono, Pedro, Cristal, Fit – seu amigo da faculdade de Cinema -, Mayla – uma garota que o ajuda no bar -, embarcam para Pirenópolis, em Goiás, em busca do roteiro perfeito: sem amarras, sem roteiro, sem planejamento. Apenas gravar, fazer aquilo que der vontade, capturar o melhor ângulo: apenas câmeras, gravar tudo durante a viagem, fazer o que for necessário para uma boa imagem e descobrir o que precisa ser descoberto. E assim começa essa nova história, que sem pretensão de se tornar um roteiro, acaba sendo o melhor de todos.

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Eu gostei do livro? Sim, eu gostei. Porém, não senti toda essa emoção que eu li várias pessoas comentando e que me fez ficar ansiosa pela leitura. Quando eu comecei a ler, na verdade, foi arrastado e, talvez, se eu não tivesse falado para mim mesma: ‘vamos terminar esse livro hoje‘ e ter virado a madrugada lendo, não sei se teria ficado animada em continuar. E foi uma surpresa agradável quando a leitura realmente começou a fluir, pois eu fui me sentindo cativada e interessada em descobrir qual seria o final e o sentindo inteiro do livro, já que no começo eu comecei a me questionar se ele teria um, de fato. Os personagens estão lá, mas nenhum deles conseguiram me cativar exceto, talvez, Crystal, por ser tão excêntrica, mas nem mesmo Pedro conseguiu ganhar minha simpatia no decorrer da leitura, mesmo sendo o personagem principal.

Uma coisa que eu gostei bastante foram os diálogos criados entre os personagens que me lembra MUITO (e que eu adoro) os livros do Nicholas Sparks. São criadas brincadeiras, piadas, respostas rápidas e que fazem sentido no contexto. Nesses momentos, eu deixei um sorriso brotar o meu rosto, pois é quase como se eu conseguisse realmente visualizar o jogo de palavras, os sorriso marotos, os olhares cheio de respostas.

É o segundo livro do autor que eu leio e para mim é mais do que perceptível o seu crescimento de um para o outro: aqui eu encontrei uma história mais madura, com dose de romance sem exageros, com uma parte mais poética até e um anseio de fazer e realizar que é tão comum em jovens. Achei tudo maravilhoso? Não, tem algumas partes que me soaram bem forçadas, mas que não desprezam o restante da obra no seu conjunto. Algo que me incomodou e que, talvez, fosse dispensável, são alguns termos técnicos que o autor utiliza mas que não faz diferença para o andamento da história.

Acredito que os fãs de cinema vão gostar de ler algo relacionado a esta arte dentro de outra arte. Eu, particularmente, não sou tão chegada a cinema (pelo menos não pelo produto final em si), mas tem muitas referências à clássicos e, apenas pelo Maurício ter tido a audácia de escrever algo relacionado ao cinema, já é de uma inteligência incrível, pois acabou unindo dois mundo nos quais encontramos verdadeiros devotos.

setembro 18, 2015Editora Jangada, Livros Nacionais, Resenhas

[Resenha] Tempestades de Sangue

1 Comentário

gsTítulo: Tempestades de Sangue Título original: Autor: Kel Costa Ano: 2015 Editora: Jangada Número de páginas: 302

O livro foi o balanço de comparações entre o primeiro e o segundo para mim. Algumas coisas não curti verdadeiramente, outras adorei.

Um ano depois, tenho mais uma vez o prazer de ler algo da Kel. Estou falando de Tempestades de Sangue, segundo livro da série Fortaleza Negra, que vocês podem ler a primeira resenha aqui.

Depois da guerra com os mitológicos, quatro dos cinco Mestres viajam para tentar encontrá-los e atacar antes de serem atacados. Sasha está em luto pela morte da amiga e fica desesperada quando descobre que Mikhail saiu da Fortaleza sem se despedir, em um momento delicado como aquele. Enquanto espera pelo retorno dele, tenta descobrir de Blake toda e qualquer informação a respeito da Exterminator, a arma que pode ajudar a matar os mitológicos mas que também pode destruir os vampiros e acabar com o mundo como conhecem.

Com a guerra iminente, Sasha se aproxima do único Mestre que se manteve na Fortaleza Negra e tenta se preparar para os desafios que tem certeza que irá enfrentar.

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É fato que eu estou me tornando mais exigente com as minhas leituras e, consequentemente, com os autores. Se no primeiro livro a Sasha me irritou, neste continua. Simplesmente não consigo gostar dela como protagonista e olha que eu busquei uma evolução nela, principalmente depois do final do primeiro livro, mas continua sendo a mesma garota que, por vezes, é imatura e totalmente inconsequente. Com o intuito de ajudar alguns, acaba atrapalhando tudo. Okay, é algo que realmente pode acontecer, tudo dar errado enquanto você tenta contribuir, mas no caso dela isso se torna muito falso, do tipo: eu sei que estou fazendo besteira mas vou fazer do mesmo jeito.

Enquanto no primeiro eu comecei achando que não iria me enturmar e fui sendo conquistada e não percebi quando eu estava desesperada lendo, esse aqui foi bem… morno. Eu conheci um Sasha depressiva por causa da morte da amiga, ainda agindo impulsivamente e se metendo em encrencas e eu apenas suspirava e pensava: ‘Não é possível que isso vai continuar.‘ pois dava a sensação de já ter lido aquilo diversas vezes. O Mikhail continua sendo uma incógnita e não desperta nada de entusiasmo em mim. Os demais personagens aparecem com algumas frequência e ainda gosto muito do Kurt, apesar dele agir como idiota algumas vezes. Os personagens novos que são inseridos aqui aparecem com a frequência devida e tem suas cotas de importância.

O livro tem muito texto que simplesmente não contribui para a fluência da história e como na metade  já temos uma guerra acontecendo, até chegar no final, achei muito mais ‘textos para preencher capítulos e dar andamento‘ do que algo que concretamente traria alguma dinâmica para a história e contribuiria para o enredo, de fato.

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E mais uma vez: o livro tem seus pontos altos e pontos baixos. O primeiro me faz acreditar que a história ainda tem muito potencial para ser explorado e eles são incrivelmente bem escritos e faz eu ficar realmente animada e não desgrudar do livro. O segundo me faz ficar chateada de não encontrar algo congruente para o que está acontecendo. Eu estava esperando mais sangue, mais guerra, mais sobre os mitológicos, mais sobre eles se enfrentando, mais sobre como a guerra seria conduzida. Mais, mais, mais.

E aí eu chego até o final, que é isso: É INCRÍVEL, É DINÂMICO, CHEIO DE AÇÃO E FAZ VOCÊ FICAR CURIOSO E ATENTO E EM TRANSE E DE REPENTE… acaba! Sim, como no primeiro livro, a Kel finaliza este em um momento importante e que me fez ficar curiosa a respeito. Acredito no potencial da história, mas dessa vez realmente não consegui me conectar, mesmo com a abordagem diferenciada da autora, trazendo mudanças de pontos de vistas de vários personagens – que eu gosto muito, pois traz uma visão mais abrangente do que está acontecendo.

O livro foi o balanço de comparações entre o primeiro e o segundo para mim. Algumas coisas não curti verdadeiramente, outras adorei. Não é um livro ruim, pelo contrário. A autora continua escrevendo muito, inserindo quando é preciso traços históricos e até conta um pouco mais a respeito de como os Mestres surgiram (essa é uma das partes OUUUUW!), contudo, não foi algo que evolui como história para mim. Parece que estamos no mesmo ponto desde o momento que a Guerra explodiu. Gosto muito mais do trabalho realizado nesta capa do que no primeiro, ficou mais limpa e textos dispostos de maneira mais harmônica. A diagramação também ficou bacana e pesquei apenas um ou dois erros de digitação, como falta de vírgula.

julho 06, 2015Editora BelasLetras, Livros Nacionais, Resenhas

[Resenha] Precisava de Você

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gsTítulo: Precisava de Você Título original: Autor: Pedro Guerra Ano: 2015 Editora: Belas-Letras Número de páginas: 224

De repente você só queria se embriagar. De repente meu coração era open bar.

Recebi Precisava de Você e quando o livro chegou eu fiquei tão encantada: com a sinopse – que trazia o resumo de um tipo de romance que eu gosto bastante -, da edição linda e maravilhosa que a editora fez, incluindo diagramação, capa de papel reciclado – e as partes que me lembraram os livros interativos que estiveram tão na moda, mas que se referia a história: bilhetes, cartas, pensamentos da personagem principal. Me joguei na leitura, principalmente pela curiosidade em conhecer o desenvolvimento do enredo e aqui estou para contar como comecei me apaixonando por esse livro e como eu me decepcionei por ter esperado por algo que não aconteceu.

O livro é um espécie de diário criado por Lola Tavares, nossa protagonista que se vê apaixonada à primeira vista por um carinha, Gabriel Vegas, que ela nunca acreditava que poderia rever, até que ele praticamente aparece na sua frente, como em um passe de mágica. Lola nos conta, através da sua maneira perspicaz (e até divertida em alguns momentos) como se apaixonou e foi conquistada por Gabriel, que de uma maneira inexplicável conseguiu envolvê-la como nunca antes tinha acontecido, fazendo com que ela fechasse os olhos para os defeitos e complicações que o seguia, mesmo quando tinha consciência disso. O problema é quando ela descobre que talvez os seus sentimentos não estejam sendo correspondidos. Ou que o Gabriel não está na mesma vibe de amor que ela. Ou que talvez ele nem saiba tudo que ela realmente sente.

Você deveria ter terminado o que começou.

Acabei não curtindo o livro tanto quanto eu imaginei por alguns motivos bem simples: estava esperando por uma história diferente e quando percebi que não seguia pelo o que eu imaginei que aconteceria, e não me surpreendeu nos acontecimentos, acabei ficando desanimada. Sabe aquele lance da identificação com os personagens? Eu me identifiquei com a Lola até o momento que descobri que o Gabriel era mais novo que ela e os próximos passos simplesmente não se encaixaram mais na história para mim. O livro é ruim? Não, absolutamente não. Mas como ele tomou um rumo totalmente inesperado e não surpreendente (pelo contrário, na minha visão pessoal) acabei ficando indiferente. Algo que começou comigo extremamente animada, terminou comigo: hum terminei, qual próximo livro irei ler?. Não sei se devo falar sobre o que eu esperava, porém, quando eu li a capa, aguardava por um envolvimento com alguém mais velho, aqueles romances proibidos em que nunca se sabe como terminará? Era algo assim.

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A Lola é engraçada e divertida e se encaixa tão bem na personalidade de tantas garotas que se apaixonam e não sabem o que fazer. O Gabriel é um carinha estúpido, não consegui encontrar nada que o atraísse para que eu dissesse pelo menos que ele era gente boa. E aqui ocorre o problema central para mim: e depois que você conhece ambos os personagens percebe que eles simplesmente não se conectam, não combinam, não se identificam.

O autor foi sábio mantendo a linguagem do livro tão descontraída e é divertido ler algo da maneira como foi escrito. Fiquei surpresa também pelo Pedro conseguir interpretar e passar tão bem sentimentos femininos através das palavras, pois em nenhum momento pareceu que eu não estava lendo algo da Lola. Era ela ali e ponto. Com essa interação no livro, você se pega lendo frases engraçadinhas ou inspiradoras, desenhos de corações, manchas de tinta e desenhos sem sentido, rabiscos que fazemos quando nossa mente está longe demais, viajando em um patamar do amor que dificulta e facilita tudo.

Posso dizer algo que eu gostei especialmente? Chegou junto com o livro um CD que contém a trilha sonora do livro e que é uma fofura! A música foi realmente gravada (e é muito, muito, muito legal!) e tem um dos clipes mais fofos que eu já vi, exatamente por se encaixar no que está sendo cantado e de uma maneira simples e bem criativa! Simplesmente adorei! O livro possui vários elementos que me deixaria apaixonada, mas no meio do caminho eu acabei caindo na real de quem nem tudo é tão perfeito, assim como a Lola percebe que a vida muitas vezes lhe prega peças em que você simplesmente tem que passar o roteiro para frente e dar a oportunidade de outras pessoas lerem.

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