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fevereiro 15, 2017DarkSide Books, Resenhas

[Resenha] O Menino Que Desenhava Monstros

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Título: O Menino que Desenhava Monstros Título original: The Boy Who Drew Monsters Autor: Keith Donohue Ano: 2016 Editora: Dark Side Número de páginas: 256

É um livro muito bem escrito, com uma história incrível e que prende o leitor do começo ao fim, deixando muitos mistérios no ar. E o final é maravilhoso. Resumindo: um livro digno de ser listado nos meus favoritos!

Para começar, e sendo bem sincera, o início do livro é ruim. Sabe quando você fica procurando motivos para não ler? OPA! Olha uma mosca ali. O livro não prende a atenção do leitor. Daí a única coisa que te motiva a continuar é a curiosidade, porque visualmente é um livro lindo e que promete tanto pela capa com as ilustrações… Bem, a notícia boa é que se você conseguir passar das setenta e poucas páginas as coisas começam a melhorar um pouco, quer dizer, a leitura começa a tomar ritmo e torna-se menos enfadonha.

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Você fica se perguntando que horas vai começar a gostar da história de Jack Peter, que é uma criança de 10 anos muito reservada e tem seu comportamento introvertido piorado por ser portador de uma síndrome. Um dia, ao ser acordado pela mãe, acaba machucando-a no rosto, por achar que estava sendo perseguido pelos monstros que vivem em seus sonhos.

Jack sorria quando era um bebê. Ele não era tão fechado quanto os outros garotos do grupo de apoio, mas se recusava a por os pés pra fora de casa, o que de longe, não é nada normal. O elo que ainda o unia ao mundo lá fora era Nick, que mesmo com todas as esquisitices de JP, não deixava de ir visitá-lo para brincar. E depois de alguns acontecimentos trágicos, Jack Peter acabou desenvolvendo agorafobia – medo de sair de casa.

Quem entre nós pode afirmar que, quando crianças não sofreram com algum tipo de medo? Ou quem sabe até mesmo possíveis monstros? O Menino que Desenhava Monstros é, por esse ângulo, nostálgico, pois revivemos esse sentimento.

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Tim é o pai de Jack e se ressente por ter seus planos de voltar a estudar frustrados depois do nascimento do seu filho. Na época Holly, a sua esposa, mesmo recém-formada como advogada, ganhava mais do que ele e ficou acordado que Tim seria pai em tempo integral. Secretamente, ele acreditava que Holly apreciava o fato de não ter cuidado diário com o filho.

Quando você arrumou tempo para desenhar tudo isso?

Coisas estranhas aconteciam na cidadezinha fria e cercada pelo oceano congelante naquela época do ano. Crustáceos aparentemente mortos renasciam, sons estranhos que não se podia precisar de onde vinham, aparições, pegadas vindas do nada. Jack Peter começara a desenvolver um gosto por desenhos. Ele desenhava monstros. E passou a incentivar seu amigo Nick a desenhá-los também, era uma brincadeira entre eles, a troca de desenhos de monstros.

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Se por acaso você é uma pessoa medrosa e está com receio em ler o livro, só tenho uma coisa a dizer, não por isso: leia. Sei que é uma editora famosa, principalmente, por esse gênero terror, que causa medo e tal, mas com o “O menino que desenhava Monstros” pode ir sem temor nenhum. Não há terror na história, a classificaria como misteriosa. E não pense que, por ser um livro de apenas 252 páginas, você vai lê-lo numa sentada só, porque não vai.

O final é surpreendente. Você vira a página querendo mais, cadê o resto da história? Posso dizer que fiquei um pouco sem ar ao lê-lo, porque a partir daí você começa a reviver toda a história, mas agora sabendo toda a verdade. Posso dizer? Foi uma sensação estranha. No final das contas descobrimos que Jack é uma criança com um coração enorme e que não desenha apenas monstros. Ainda um pouco chocada, mas, sem dúvidas, é um final inusitado.

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agosto 12, 2016Editora Intrínseca, Resenhas

[Resenha] Lugares Escuros

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Título: Lugares Escuros Título original: Dark Places Autora: Gillian Flynn Ano: 2015 Editora: Intrínseca Número de páginas: 352

Confesso que esperava sentir um pouquinho de medo lendo, o que não aconteceu nem de longe, apesar de ter visto pessoas indicando lugares abertos e claros para lê-lo.

Libby Day tinha apenas 7 anos quando sua mãe e suas duas irmãs foram assassinadas em sua própria casa, no Kansas. O caso ficou conhecido como um sacrifício satânico e a pequena Libby testemunhou contra seu irmão, Ben Day, de 15 anos, acusando-o pelos assassinatos.

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A família Day era bastante pobre e Patty, a matriarca, tinha que lidar com as dívidas da fazenda em que viviam e dar conta de criar os 4 filhos sem nenhuma ajuda. Após sua morte, Ben foi condenado à prisão perpétua e Libby foi cuidada por familiares.

Passados 25 anos, o dinheiro doado por pessoas caridosas para ajudar a bebê Libby – agora já mulher – estava acabando e em busca de sustento ela conhece o Kill Club, uma sociedade secreta obcecada por crimes estranhos, como aquele que ocorrera em 1985 com a família Day.

Os integrantes do Kill Club de modo algum acreditavam que Ben Day havia assassinado sua própria família e, aos poucos, foram convencendo Libby a ir mais a fundo na história, afinal, ela tinha apenas 7 anos no dia do assassinato e mesmo assim um júri completo levou seu testemunho muito à sério e condenou um garoto de 15 anos à uma prisão perpétua.

– Ele tinha motivos suficientes para oito recursos – anunciou Magda grandiosamente. Eu me dei conta de que ela era uma daquelas mulheres que apareciam à minha porta para gritar comigo. Fiquei contente de nunca ter dado meu endereço a Lyle. – Não lutar não significa que seja culpado, Libby, significa que ele perdeu a esperança.

Lugares Escuros foi lançado em 2015 no Brasil e, logo após, Charlize Theron interpretou Libby Day na tela de cinema. Este ano, foi relançado com uma capa simples, porém melhor que a anterior, que era a mesma do filme.

A narrativa do livro é interessante por mostrar três visões diferentes dos acontecimentos – além de Libby, Patty e Ben também mostram sua visão do passado. Quando a narração volta para o presente aos olhos de Libby, o suspense todo em volta dos assassinatos e a certeza que o Kill Club tinha de que Ben era inocente deixam o leitor em êxtase.

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Apesar de causar curiosidade, é um livro com poucos diálogos, o que pode deixar o leitor um pouco cansado e entediado. Eu, particularmente, senti dificuldade com a narração, principalmente no começo, não só pelo cansaço, mas também pelo fato de os personagens não serem muito impressionantes.

Você não consegue torcer por um personagem, nem se identificar com ele, apenas pensa em descobrir o que aconteceu na noite dos assassinatos. O filme traz a mesma sensação. Libby Day não é tão interessante quanto sua história e nem Charlize Theron conseguiu salvar isso.

Escolhi esse livro pois estava em uma vibe de terror e suspense. Confesso que esperava sentir um pouquinho de medo lendo, o que não aconteceu nem de longe, apesar de ter visto pessoas indicando lugares abertos e claros para lê-lo.

O final, porém, é surpreendente. Não consigo acreditar que alguém tenha adivinhado exatamente o que aconteceu na data de 3 de janeiro de 1985, na casa da família Day, pois é inimaginável. Ponto para a autora, que já é conhecida por suas histórias bem originais. Confiram também a resenha de Garota Exemplar.

Manquei até o telefone da cozinha, puxei-o para o chão, disquei o número da minha tia, o único que sabia de cor, e, quando Diane atendeu, gritei Estão todas mortas! em uma voz que feriu meus próprios ouvidos por sua intensidade. Depois me enfiei no espaço entre a geladeira e o forno e esperei por Diane.

No hospital eles me sedaram e removeram três dos meus dedos do pé congelados e meio dedo anelar. Desde então, tenho esperado para morrer.

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