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dezembro 17, 2016Editora Seguinte, Resenhas

[Resenha] O Livro de Memórias

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Título: O Livro de Memórias Título original: The Memory Book Autora: Lara EveryAno: 2016 Editora: Seguinte Número de páginas: 348

Dizem que minha memória nunca mais será a mesma. Então estou escrevendo para lembrar.

Lá vem eu sendo chata em um livro que particularmente várias pessoas amaram, de acordo as minhas pesquisas em redes sociais. Acredito que quem amou Por Lugares Incríveis, vá gostar desse livro e isso pode ser um bom indício para eu não ter gostado. Quem gosta de livros de jovens com doenças e que estão tentando superar, talvez um A Culpa é das Estrelas, pode vir a gostar também, mas isso é outro indício de que eu simplesmente não estou com paciência no momento para livros assim.

Sammie é muito inteligente, focada, levemente obsessiva e muito estudiosa. Isso são características importantes para uma personagem que tem como objetivo se formar na melhor posição no ensino médio e cair fora da cidade minúscula em que vive e ir para uma cidade grande e estudar, estudar, conhecer o mundo! Só que aos 18 anos, vê seus sonhos desmoronando quando é diagnosticada com Niemann-Pick do tipo C. É uma doença rara na qual o corpo não consegue metabolizar corretamente o colesterol, causando degeneração cerebral, muscular e dos órgãos internos e ela já está sofrendo com os efeitos da doença.

Persistente, porém, tenta se convencer e convencer os pais que está apta para ir a faculdade, mesmo doente, e que tem capacidade para realizar todos os seus sonhos, não vai ser uma doençazinha de nada que vai abalar sua força de vontade. Mas Sammie vê aos poucos que não é tão simples assim: seus pais estão preocupados com as contas de remédios e as fixas, sofrendo junto a ela, a doença avança cada dia mais e ficar sozinha já não é algo tão simples assim: a possibilidade de ser perder no caminho para casa surge, não saber onde está, desmaiar ou sofrer um efeito da doença que é desconhecido entre tantos que ela já conhece.

Dizem que minha memória nunca mais será a mesma. Então estou escrevendo para lembrar.

Antes que comece a esquecer quem é, as pessoas que ama, seus objetivos, sonhos, desejos, a solução que encontra é escrever no computador todo o seu dia-a-dia para a Sammie do Futuro: sua relação com os pais e seus irmãos, todos os percursos e dificuldades de estar deteriorando aos poucos, perdendo as faculdades de realizar pequenas tarefas, os bons momento – os pequenos mesmo que, por vezes, são mais significativos. Temos aparição de Stuart, seu amor platônico e Cooper, um amigo querido de infância e que o destino os separou mas resolve unir nesse momento trágico.

Acho que a única coisa que me incomodou no livro foi o fato da Sammie lidar com a doença de uma maneira que me fez desacreditar que ela estava doente. Quem tem uma doença sem cura e lida com isso bem, gente? Quem sabe que vai sofrer as consequências de estar doente e a única coisa que quer é continuar a seguir com seus objetivos e sonhos? Eu estaria desesperada, mas eu não sou a Sammie e não (con)vivo com uma pessoa que tenha uma doença semelhante ou próxima ao que ela sofre. Sei que existem várias maneiras de lidar com a doença – e todas essas pequenas cenas fazem a diferença no livro -, mas ao mesmo tempo me pareceu inverossímil lidar tão bem com algo tão devastador. Talvez eu estivesse esperando algo mais pesado, dramático? Sim, pode ser uma possibilidade. Isso fez com que o livro ficasse ali no limbo dos indiferentes: não amei, não odiei.

A escrita é leve e existem intervenções de outras pessoas nos relatos da Sammie, o que dá um ar leve, divertido, triste ao que estamos acompanhando. O final destroçou um pouco meu coração, não pelo fato da história ter mudado completamente a minha vida, mas pela sutileza e delicadeza do que li.

Pode ser um livro extremamente maravilhoso para algumas pessoas: as que gostam de dramas, adolescentes e dramas adolescentes. Eu consigo sentir todos os elementos para fazer as pessoas sentirem-se tão próximas. Mas pode ser mais do mesmo para outras pessoas: adolescentes doentes fingindo estar tudo bem enquanto estão morrendo.

setembro 26, 2016Editora Galera Record, Resenhas

[Resenha] A Geografia de Nós Dois

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Título: A Geografia de Nós Dois Título original: The geography of you and me Autora: Jennifer E. Smith Ano: 2016 Editora: Galera Record Número de páginas: 272

A autora enrola um pouco escrevendo, não tem nada de surpreendente para fazer você ficar em expectativa pela próxima página, mas temas conflituosos de adolescentes, o que não é ruim mas que também não traz muita nov

Vocês podem conferir as resenhas de A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista e de Ser Feliz é Assim aqui no blog.

Se tem uma coisa que eu adoro nos livros da Jennifer, é como ela gosta de viajar, no sentido de levar quem está lendo para cidades icônicas e ali criar todo o seu enredo. É fazer o leitor se apaixonar. Aqui não foi diferente e eu amei ainda mais cada momento por estar em uma das minhas cidades preferidas: Nova York.

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Lucy mora no topo de um prédio no centro de Nova York. Owen mora no subsolo. E os vários andares que separam esses dois, eis que um blecaute faz com que ambos fiquem presos dentro do elevador. Entre conversas, sorvetes derretidos, águas compradas, o caos na cidades, eles percebem que a conversa entre os dois não se apagou e vão para o terraço do prédio. Ali, eles se aproximam ainda mais, contrariado todas as outras reações que poderiam afastá-los. Mas quando Lucy acorda pela manhã ainda no terraço, Owen não está mais lá.

Entre encontros e desencontros da vida, cada um segue para um lado do mundo: Lucy se muda para Edimburgo e Owen viaja para Seattle junto com o pai. Mesmo com a distância, o mantra de Queria que estivesse aqui. continua entre os dois, ainda que afastem-se cada vez mais geograficamente.

O livro é bem fofo, bem estilo da autora. Quem gostou dos outros dois livros, não tem o que recear. Contudo, a minha única ressalva é que eu achei esse daqui fantasioso demais, o que acabou fazendo com que eu não gostasse tanto do que li. Isso junta-se ao fato de que eu não me conectei com os personagens.

Owen é um garoto que não tem nada na vida e isso agrava pela perda recente da mãe, que nem ele ou o pai conseguem superar. Eles saem a esmo pelos Estados Unidos apenas buscando empregos que possam sustentá-los para quando aquilo ali nada mais render, marcarem a próxima parada. A vida dele é triste, gente, principalmente quando comparada a tudo o que a Lucy tem – o que não é culpa dela, mas fica visível a diferença de mundo entre os dois. A Lucy tem uma quantidade e oportunidades na vida incríveis e é legal ver o quão normal ela é dentro dessa realidade. Ela realmente gosta do Owen e sofre pela perda de contato, mas percebe que tem que continuar a viver.

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A autora enrola um pouco escrevendo, não tem nada de surpreendente para fazer você ficar em expectativa pela próxima página, mas temas conflituosos de adolescentes, o que não é ruim mas que também não traz muita novidade. É um livro que vai se manter ali no meio termo: não é péssimo a ponto de odiá-lo, mas também não é maravilhoso a ponto de favoritá-lo. O final não é surpreendente e fica meio aberto sobre o que vai acontecer a partir daquele momento. Acredito que a autora quis deixar para os leitores imaginarem do que determinar que aquilo ali seria um final.

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