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novembro 07, 2020Viagem

Os lugares por onde viajei

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Em 2017, quando eu fiz meu intercâmbio, compartilhei com vocês sobre esse momento muito especial de conquista na minha vida. Antes disso, a única vez que tinha saído do país foi para Nova York, minha primeira viagem internacional em 2015. Posteriormente, quando fiz outras viagens, muitas pessoas me perguntaram como que eu fazia para viajar tanto. Fiquei pensando e pensando na resposta para essa pergunta e encontrei algumas que, talvez, possam ajudar vocês.

É importante lembrar que eu não sou uma pessoa organizada financeiramente, que não tenho nenhum tipo de controle, não me organizo com antecedência e faço tudo errado, ou seja, o contrário do que todos os especialistas em organização financeira vão dizer para você fazer – levem em conta o que pessoas que sabem o que estão fazendo dizem. Aqui, estou apenas compartilhando como foi a minha experiência.

Tem um post bem bonitinho aqui no blog falando sobre os looks em Nova York hahaha

Seria muito difícil e hipócrita da minha parte dizer que não sou privilegiada na minha vida, em diversos momentos e por inúmeros motivos. Meus pais não são pessoas ricas, pelo contrário, são pessoas bem simples, que vieram do interior do Piauí e Goiás para Brasília, em busca de novas oportunidades. Conseguiram. Digo isso no sentido de nunca ter visto meus pais preocupados em pagarem aluguel pois temos uma casa própria, de nunca ter faltado alimentação, água e luz. O básico para nossa vivência? Sempre tive e nunca posso reclamar sobre isso. No restante? Era escola pública, correr atrás de bolsa para os cursos preparatórios, dormi na fila para conseguir vaga nos cursos de idioma. Consegui uma bolsa na faculdade 100% através do ENEM, atravessava a cidade e ficava mais de 3 horas por dia dentro de transporte público.

Eu me esforcei muito para que pudesse ter um emprego decente. E foi isso que fez com que eu tivesse a oportunidade de viajar para alguns lugares. ♥

Meu dinheiro sempre foi para mim – meus pais nunca precisaram ou obrigaram que eu e a minha irmã pagasse alguma despesa em casa. Com o tempo, obviamente, isso partiu de nós mesmas por questão de responsabilidade. Sendo assim, eu tinha dinheiro para gastar com o que quisesse e sempre quis gastar comendo e viajando.

Final de semana em Roma, 2017.

O mundo literário e o mundo real me ofereceram diversas opções de viagens: a primeira, em 2012, foi para a Bienal de São Paulo. Foi a primeira vez que viajei sozinha, estive em outro lugar longe de qualquer pessoa da minha família e me apaixonei pela cidade. Foi aí que começou meu sonho de morar por lá *-*

No ano seguinte, 2013, fui para o Rio de Janeiro e aproveitei para turistar pela cidade. Não que eu goste ou tenha boas lembranças… inclusive foi a partir desse ano que passei a detestar a cidade. Também foi a primeira vez que fui para Salvador! Eu amo essa terrinha de um tanto e foi uma viagem especial para mim, pois fui com colegas de trabalho que viraram meus amigos de vida. Em 2014, fui para Porto Seguro com a minha mãe e irmã.

Praia, praia, praia! E os pontos turísticos de Salvador.
Primeira vez no Rio de Janeiro e fiz todos os rolês de turista pra nunca mais fazer isso na vida. E em Porto Seguro com a minha irmã: amo a Bahia de paixão!

Essas viagens internas, dependendo do destino, não eram tão caras. Eu aproveitava para passar tudo no cartão de crédito, dividir e ir pagando aos poucos. SP e RJ são destinos que vou todos os anos, a partir de 2012, por causa das bienais. E repetições quando se tem Rock in Rio. E, acho importante dizer, essas viagens todas foram bem planejadas: comprei passagens com antecedência, me organizei financeiramente e não tive problemas com dinheiro, comi onde quis e comprei o que desejei.

Em 2015, fiz minha primeira viagem internacional: Nova York. Fiz algo que não recomendo a ninguém que é comprar passagem com menos de um mês para a viagem e não ter passaporte e visto. POR FAVOR, não façam isso consigo mesmos. SENDO ASSIM, obviamente que não tinha dinheiro guardado, tive gastos que não estavam previstos, não tinha dinheiro pra viajar, mas estava lá firme e forte. Solução? Pedi dinheiro emprestado para o meu tio e paguei em suaves prestações. Quem vê foto, não vê perrengue.

Em 2016 eu voltei a Salvador, para ir ao show do Maroon 5. A Bahia é um lugar que nunca vou me cansar de ir, então… apenas sorrisos e fotos lindas que me deixa muito feliz. Não vou me estender muito nisso, mas sempre quando volto a um lugar que gosto muito e que tenho a possibilidade de ir com outras pessoas, a experiência é totalmente diferente. E faz com que meus olhos brilhem de maneira diferente, quando lembro de novas sensações.

Em 2017, fui para Formosa, que é bem perto de onde moro aqui em Brasília, para ir ao Buraco das Araras, fazer uma trilha louca e me enfiar dentro de uma caverna… olha, todas as vezes que vejo os vídeos e a imagens desse bate-volta, fico chocada com a minha coragem e desprendimento com a vida. Hoje em dia, não sei se faria de novo. Aqui, tivemos gasto em dividir o valor da gasolina com o grupo que dividimos a carona e o valor do passeio guiado, que foi R$ 150,00.

E foi também o ano do meu intercâmbio! Visitei Londres, Malta, Roma, Madri, Toledo e Barcelona. Não vou colocar muitas fotos ou me prolongar muito no assunto, pois aqui no blog e no canal no Youtube tem diversos conteúdos falando sobre esse assunto e essas viagens. Aqui vale a pena destacar que foi a única viagem grande que realmente me organizei: estaria por mais de um mês fora do país, de pessoas que poderiam me ajudar e me virando sozinha. Ao trancos e barrancos, perrengues e choros, consegui fazer com que tudo desse certo – organizei passagens, economizei dinheiro, paguei a agência de viagem, visitei lugares que queria e pesquisei sobre pontos turísticos ou passeios gratuitos, comprei passagens dentro da Europa com antecedência para economizar (foi assim que consegui ir para Roma de Malta!).

Lista de posts sobre os destinos citados aqui:

E finalizei 2017 passando o ano novo na Chapada dos Veadeiros.

Em 2018, voltei para os Estados Unidos, visitando Miami, Orlando e Nova Orleans. Sinceramente? Essa foi a viagem mais louca que fiz e que não recomendo, de maneira nenhuma, que vocês a façam sem planejamento. Os Estados Unidos me mostra que talvez eu deva parar de ir pra lá hahaha. Foi a que eu mais demorei a pagar depois, me endividei muito por conta de compras feitas no cartão de crédito e me deu uma dor de cabeça enorme pós-viagem.

Explicando para vocês: não gastei com cartão de crédito lá, fazendo compras doidas em outlets ou comprando tudo que via pela frente, até porque não sou esse tipo de viajante. Meu gasto foi antes de chegar lá. Os parques de Orlando são extremamente caros para entrar e, dependendo do valor do dólar, você vai chorar. As hospedagens lá, pois mais simples e baratas que sejam, ainda assim vai ser um valor considerável. As passagens são acessíveis, mas também depende. Tudo isso eu paguei no cartão de crédito, antes de ir. Só que você precisa de um carro ou de pagar um Uber para andar pela cidade. E isso é muito caro. E me ferrou muito em uma cidade onde os parques são distantes e não se tem transporte público. Em Miami, que tudo é muito estranho (não tem transporte público), tive sorte de ficar hospedada na casa de amigos e curtir com moradores os pontos turísticos mais legais. Nova Orleans foi bem tranquilo, sem muitos estresses – cidade acessível, pontos turísticos baratos e comida gostosa.

Eu também fui visitar meu pai no Piauí, fui para Rio de Janeiro e passei por Salvador (de novo! Casamento da amiga). Que ano, minha gente! Foi para compensar os anos futuros de não viagens KKKK

No interior do sertão do agreste do Piauí, visitando meu pai 🙂

Em 2019, fui para João Pessoa e foi uma das melhores viagens da vida! ♥ Eu amei de uma maneira que não achei que fosse possível!

…e passei o ano novo 2019/2020 em Florianópolis! Eu estava toda feliz na praia, chorando com a chegada de 2020 e pensando: Deusa, finalmente esse ano de merda vai acabar e as coisas vão começar a dar certo! E o mundo veio rir da minha cara KKKRYING

Assim que eu voltei, fui também para Campos do Jordão, bem no primeiro final de semana do ano, na loucura de uma colega que morava no mesmo lugar que eu que encucou que queria ir de qualquer maneira. Eu não dispenso viagens, não!

Eu gostei tanto, mas tanto de Florianópolis, que acabei voltando DE NOVO em fevereiro! ♥ Todo mundo falava super bem, mas é o tipo de lugar que você entende quando chega e quer ficar por lá o dia todo na praia!

Chegou 2020 e pandemia! Obviamente, viagens foram canceladas e mantive minha quarentena certinha. Porém, apareceu uma oportunidade de fazer rappel na Cachoeira do Tororó, bem perto aqui de Brasília e na ânsia por sair de casa e ter um contato com a natureza, lá fui eu!

E, no meu aniversário, eu voltei para a Chapada Dos Veadeiros (de novo!) para passar meu dia por lá e vou dizer que foram dias muito lindos e importantes! ♥

Ali mais em cima falei pra vocês sobre ter ido ao Piauí visitar meu pai e tinha dois anos desde que o vi. Apareceu uma oportunidade de fazer um rolê MUITO DOIDO de avião e eu fui ver o paizinho de novo! Visitei o Rio São Francisco em Remando – BH, visitei de novo o Parque Nacional Serra da Capivara, me enfiei no interior e dei amor para o cabritinhos!

E, quando voltei do Piauí, fui para a região dos Lagos, no interior do Rio de Janeiro, aproveitar um pouco de mar e renovar as minhas energias. Eu nunca tinha visitado essa parte e é simplesmente incrível! ♥

Consegui passar por todas as viagens que fiz na minha vida até agora! ♥ E queria comentar com vocês sobre essas pequena, médias e grandes viagens. Tem pessoas que podem investir seu dinheiro com comida, imóveis, roupas, maquiagem e diversas outras coisas que são prioridades e escolher viagem como uma opção é um luxo. Mas, além disso, para quem tem condições: é uma escolha.

A vida estável que meus pais me forneceram na minha infância, adolescência e início da vida adulta me ajudaram a ir para alguns lugares. Obviamente, tive alguns facilitadores, pois não tenho algumas preocupações como filhos e trabalhos fixos e rígidos, que geralmente são alguns pontos principais a serem levados em consideração. Não vou desmerecer tudo que consegui para fazer essas viagens acontecer – trabalhei e não desvalorizo mais as minhas conquistas, pois além de ser algo que gosto, é o meu sonho! Não quero ficar trancada dentro da minha bolha, imaginando que apenas exista Brasília (e agora São Paulo) para viver e que me dê satisfeita por isso. Todos esses lugares que passei, exatamente TODOS, me ensinaram alguma coisa: conheci pessoas incríveis, tive experiências boas e ruins que me ajudaram a crescer como viajante e ser humano, aprendizados para ser levado em consideração em outras futuras viagens, me redescobrir, compartilhar momentos com pessoas que amo, entender que as realidades são diferentes, que existem diversos mundos dentro desse mundo que no abriga.

Viajar é uma escolha pessoal minha, é uma prioridade. Vou me organizar, o máximo possível que consigo, para fazer com que viagens estejam dentro da minha vida. Nunca fiquei em um hotel caro, pelo contrário, busco por todas as opções de Airbnb, hostel e outras opções onde possa ficar segura e com o mínimo de gastos possível. Não faço compras de coisas caras, pois meu objetivo é gastar dinheiro visitando o lugar, comendo algo diferente, mas que pra mim vale a pena como experiência, investir em um passeio que vai fazer com que seja inesquecível… e ainda assim, procuro pelas soluções mais baratas. Trago canecas e chaveirinhos de recordação KKKKKK Não sou mão de vaca, de forma alguma. Só quero dizer que as minhas viagens não tem luxo, não tem coisas caras. É do mesmo jeito que levo a minha vida no dia-a-dia.

Gosto de sair do meu lugar comum, de ser desafiada, de conhecer pessoas e histórias, de conhecer o mundo, ampliar meus horizontes, entender como realidades funcionam, ser testada, ficar na praia apenas sentindo o barulho do mar, caminhar até não sentir os dedos dos pés, perder voos e sentir a pressão baixar no meio do aeroporto… eu sou uma alma livre, eu gosto disso. Viagem se tornou prioridade na minha vida porque tenho a sorte de colocá-la como prioridade. Por que é o que gosto de fazer. É por que eu me “organizo” para que isso possa acontecer. É por que é importante pra mim.

Não sou a pessoa mais indicada para ensinar como viajar barato – não tenho expertise em fazer algo assim, mas existem diversos grupos no Facebook, projetos pessoais onde você se organiza para viajar o mundo por 6 meses com 18 mil reais! Claro, isso é apenas um exemplo, mas existem pessoas muito mais capacitadas para ajudar a tornar seus sonhos reais de viajar pelo mundo. Além de opções de intercâmbio, que pode ser como o meu – de um mês – até de de seis meses até um ano. Recentemente, ando acompanhando a vida e o dia-a-dia de casais que decidiram morar em um motorhome e viajarem o mundo desse jeito. Imagina quão incrível isso possa ser por seis meses, um ano, dois anos, a vida inteira?

Não tenho medo de conhecer o mundo. Gosto de viajar sozinha, gosto dos desafios, do desespero de chorar por algo está dando errado e depois suspirar e rir de alívio por ter resolvido. Gosto das pessoas, dos lugares bonitos, dos cheiros que me lembram de algum lugar quando revejo fotos, das despedidas em aeroportos, dos amores deixados. Das lembranças, o barulho, as emoções que me levaram até lá e que me trouxeram até aqui e moldaram a pessoa que eu sou.

E é assim que eu faço para viajar.

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