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junho 08, 2017Editora Bertrand, Nora Roberts, Resenhas

[Resenha] O Colecionador

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Título: O Colecionador Título original: The Collector Autora: Nora RobertsAno: 2017 Editora: Bertrand Brasil Número de páginas: 462

Independente do tema, Nora sempre nos entrega uma história tão palpável que parece que ela viveu todas aquelas experiências, mas aqui faltou aquele algo mais, aquela pitada para apimentar as coisas.

Nora Roberts e eu, uma relação de amor que dura mais do que muitos casamentos. Contudo, tivemos um leve desentendimento neste livro; nada que rompesse a relação, mas o bastante para reavaliar alguns pontos. Um livro de suspense daqueles que não te instiga muito a saber o que vai acontecer, mas ainda assim é Nora, e isto para mim é quase verdade absoluta. Vamos à história.

Segundas chances são mais assustadoras do que as primeiras, porque na segunda vez você sabe o quanto está arriscando.

A protagonista é Lila Emerson e trabalha como “housesitter”, alguém que se hospeda na casa de outras pessoas quando elas estão fora para manter o lugar em ordem e seguro; não bem como a profissão “caseiro”, que geralmente está ligada a figura masculina que também realiza pequenos reparos na casa entre outras coisas, mas algo parecido.

Em uma noite em que trabalha na casa de uma cliente, ela testemunha um suspeito assassinato seguido de homicídio após ver uma discussão entre um casal no prédio à frente – ela vê o que acontece porque costumava espiar a dita mulher que morava no apartamento; sim, a Nora traz aqui uma personagem a la vouyer, o que é dito como estranho, mas não muito grave no livro. Eu acho esquisitíssimo, intrusivo e um tanto sem sentido, mas ok.

As vidas das outras pessoas simplesmente a fascinavam.

A mulher foi empurrada da janela enquanto o homem foi posteriormente encontrado morto. Lila era a única testemunha do caso, ainda que não tenha visto o homem empurrando a mulher de fato, somente a discussão anterior.

Em meio à investigação ela conhece Ashton Archer, um artista que era irmão do suposto assassino. Confiante na índole de seu irmão, Ashton recruta Lila para ajudá-lo a descobrir a verdade – outro ponto aqui é que os dois resolveram seguir por conta própria para achar o(s) assassino(s) sem nem ao menos esperar que a polícia tentasse fazer seu trabalho, mas ok +1.

O livro se desenvolve a partir daí e aos poucos eles vão juntando peças, mergulhando em um universo ligado à arte, antiguidades, poder, e ganância. E ao longo da história claramente eles se aproximam e se apaixonam perdidamente.

– Em alguns dias, a música não está afinada, mas é sempre uma canção que vale à pena cantar.
– Esta é a melhor descrição de um bom casamento que eu já ouvi.

O romance é morninho, mas doce. É gradual e parcialmente acreditável, mas nada que seja notoriamente espetacular. Os personagens em si não são muito cativantes e não tem características interessantes, era mais um tanto faz do que qualquer outra coisa.

Aliás, o problema do livro em si é. Como é comum nos livros da Nora, há uma riqueza absurda de detalhes e uma noção clara de que houve muita pesquisa envolvida. Independente do tema, Nora sempre nos entrega uma história tão palpável que parece que ela viveu todas aquelas experiências, mas aqui faltou aquele algo mais, aquela pitada para apimentar as coisas.

A criatividade é meu Deus. A tecnologia, meu adorado amante.

A personagem da Lila apresentava algumas inconsistências a partir do que era dito que ela era e o seu comportamento de fato. A escolha de profissão dela era dito ser em virtude de seu desprendimento e desinteresse por compromissos longos, mas não era bem isso que ela transparecia. Em Ashton, não houve nada de muito marcante que eu consiga lembrar para dizer.

No geral, não é um livro ruim, mas não é bom. Não é digno de um trabalho da Nora e não parece ter sido escrito pelas mãos dela, mas, não se pode acertar sempre, correto? Quem gosta do gênero, e principalmente de arte, pode tirar algum proveito da história em si. Mas como um conjunto completo, acho que o livro não atendeu às expectativas.

O amor, mesmo quando não é real, pode matar.

fevereiro 17, 2017Editora Bertrand, Resenhas

[Resenha] A Mentira

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Título: A Mentira Título original: The Liars Autora: Nora Roberts Ano: 2016 Editora: Bertrand Brasil Número de páginas: 489

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação.

Shelby Foxworth está passando por uma grande provação em sua vida: a morte de seu marido e a grande rede de mentiras que descobre estar associada ao homem com quem viveu por anos. De repente, depara-se com uma montanha de dívidas e com a resolução de que nem o nome do pai de sua filha de três anos, Callie, era real.

Após vender o que podia da casa onde morava para suprir as dívidas, ela decide deixar o passado para trás e parte para a sua cidade natal em busca também de reparar erros cometidos com seus familiares e amigos; lá, ela conhece Griff Lott, que vai conquistar não só a ela como também sua filha, e descobre que os segredos que seu marido mantinha a perseguiam onde quer que fosse.

Com tantos livros da Nora nas costas, seria compreensível se eu me cansasse. Até então, não aconteceu. Então simbora que a resenha é novamente sobre ela. A Mentira é uma história sem muitas surpresas, ainda que se trate de um suspense romântico, mas é um livro pelo qual tenho um carinho muito grande em virtude dos personagens cativantes e basicamente apaixonantes. Tipo te dar vontade de colocar numa caixinha, sabe?

Ela parece algo que fora escrito por poetas, até os olhos tristes.

De cara, algo que curti muito neste livro foi o fato da personagem principal ser alguém que está lutando para ser independente e se destituir da ideia de que ela era alguém insuficiente. As personagens da Nora são, em geral, mulheres fortes, decididas e bem sucedidas, o pacote completo; e enquanto isso é incrível e inspirador, é bacana poder ver a pessoa em formação também. E Shelby é definitivamente alguém que está “buscando seu lugar ao sol”.

Shelby literalmente fugiu com o marido quando era mais jovem e passou a viver um relacionamento abusivo, ainda que ela não exatamente soubesse que estava em um. Cortou laços com a família e amigos porque Richard, seu ex-marido, não permitia tal contato e passou a viver em função de cuidar da casa, dele, e mais tarde de sua filha.

Abraçou a ideia de que era somente para isso que sua vida servia. E claramente ser dona de casa e mãe são papeis dificílimos e que carregam grande mérito, o grande porém é quando falamos de escolha: não foi a vida que ela escolheu ter, e sim aquela que se convenceu de que merecia. Principalmente quando a culpa pela distância que mantinha das pessoas que amava pesava sobre ela.

Ela tem uma personalidade bastante admirável enquanto mulher e enquanto mãe. É determinada e mais forte do que pensa ser. Callie é uma daquelas crianças que você conhece nos livros e gostaria de adotar. Carinhosa, engraçada e animada. À medida que o livro se desenvolve, ela vai ganhando mais confiança nela mesma e constrói uma vida em que ela depende somente de si para ter sucesso e felicidade. Griff? Bem, quem leu Nora sabe que ela manja e muito de construir personagens masculinos dignos.

– A questão é, se não esperarmos um minuto, um instante, um.. Alguma coisa, vamos acabar nus na varanda.

– Tudo bem.

– Ok, então… – Ele abaixou as mãos, deu um cauteloso passo para trás. – Vamos esperar um minuto.

– Eu quis dizer que tudo bem acabarmos nus na varanda.

Ele ficou sem ar de novo. – Você está me matando, Ruiva.

Gosto muito do ritmo com o qual o relacionamento deles se desenvolveu e de como ele sempre se mostrava disposto a ajudar e a respeitar o tempo de Shelby, principalmente considerando o período tempestuoso pelo qual estava passando.

A família de Shelby também é um prato cheio e divertido. Pessoas unidas e leais, apesar de tanto tempo longe, ela foi recebida por eles prontamente de modo que só pessoas que realmente se importam com você fariam. Quando os problemas começam a surgir, não largam o barco com o discurso de que ela tinha levado uma tempestade à vida de todos, mas se mantêm firmes. É muito xodó esse elenco do livro, de verdade.

A parte que menos me interessou na história toda foi o suspense, como já dito. Eu gosto bastante de quando livros trabalham esta questão de surpresas negativas quanto a pessoas próximas a você porque nos relembra que infelizmente fica cada mais difícil apostar as fichas em outra pessoa, mesmo que ela more com você.

Gosto de quando segredos são envoltos ao suspense também, mas acho que aqui ficou faltando a pimenta, entende? Foi um suspense bem morno com um clímax pouco surpreendente. O que me ganhou de verdade foi o que estava acontecendo além disso. Ao todo, uma leitura gostosa que deixa saudade dos personagens. Recomendado.

Grandes pontos por tratar sobre relacionamento abusivo, seus reflexos em diversos âmbitos da vida da vítima e também sobre superação. Acho que cada vez mais isso serve para olharmos para nossos relacionamentos e ponderar. E não estou falando só sobre relações amorosas. Nada de deixar parente ou amigo te fazer de tapete, mantenha ao seu lado quem lhe quer bem e quem lhe faz bem (atentando também que nem sempre boas intenções se traduzem em boas ações). No fim, valorize o seu sorriso e saberá valorizar quem é motivo dele.

Sempre me pareceu que as coisas são mais excitantes quando você não está procurando por elas e mesmo assim as encontra.

março 09, 2016Editora Arqueiro, Resenhas

[Resenha] Um Novo Amanhã

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gsTítulo: Um Novo Amanhã Título original: The Next Always Autor: Nora Roberts Ano: 2016 Editora: Arqueiro Número de páginas: 320

É um enredo simples e sem surpresas, mas os livros dela geralmente são um conforto para mim e é a isso que se propõem.

Um Novo Amanhã é o primeiro livro da trilogia A Pousada, a qual já li no idioma original, este primeiro livro é meu favorito. Não muito difícil considerando que é da minha rainha Nora Roberts, e contém tudo o que adoro nos livros dela: uma protagonista feminina guerreira, um protagonista masculino encantador, personagens coadjuvantes sensacionais, sentimento, uma história que prende.

A vida de Clare Brewster sofreu uma grande reviravolta com a morte de seu marido, buscando algum conforto ela retorna a sua cidade natal Boonsboro com seus três filhos para tentar se reerguer. Por coincidência, sua nova casa fica diante ao Inn Boonsboro, local que já passou na mão de vários donos sem sucesso e havia o rumor de ser mal assombrado, e agora estava sendo reformado sob a responsabilidade de família Montgomery.

É sobre nós. É sobre confiança.

Beckett Montgomery é apaixonado por Clare desde que ele tinha dezesseis anos e quando descobre que ela está de volta após uma tragédia, dispõe-se a ajudá-la no que precisasse, afinal tinham sido amigos por muito tempo. Ela não estava procurando por um novo amor, mas talvez fosse o que estava precisando. Em meio a reaproximações e novas chances, a matriarca da família Montgomery e seus três filhos se empenham em revelar o potencial que a pousada tem, ainda que haja algo invisível que habita o lugar e que por alguma razão não quer que eles tenham sucesso.

Primeiramente, eu sou completamente apaixonada pelo Beckett. Ele é incrivelmente doce, gentil, prestativo, honesto e aquele tipo de personagem que eu queria poder abraçar e dizer “obrigada por existir”. A Clare é para mim um exemplo de mulher e de mãe, porque não sucumbir às obras do destino quando ele te sacaneia requer coragem e fazer tudo isso ainda sendo a melhor mãe possível para três garotos levados? Admirável. Vi muitas opiniões negativas a respeito desse livro, o que na verdade não entendo, mas a verdade é que o adorei. Acho que é extremamente família e que mostra a força de um sentimento que durou por anos sem ressentimento, assim como mostra a esperança de um recomeço tão bom quanto da primeira vez.

Ele ficou por quase uma hora. Claria teria o beijado de novo só pelo fato de que ele ter divertido tanto seus filhos. Ele nunca pareceu entediado ou irritado com uma conversa cheia de super heróis, seus poderes, seus parceiros e seus inimigos.

Beckett é extremamente carinhoso com os filhos da Clare sem em nenhum momento querer se colocar como um “pai substituto”, ele sabia seu lugar e mais do que isso sua intenção era ajuda-la. Gosto da forma como o relacionamento entre eles se desenvolve sem pressa, com fundamento, com motivo, sabe? É maduro e basicamente lindo. E tenho amor especial por livros que envolvem crianças, isso é um fato. Para mim esse daqui só acerta.

Você está seriamente falando sobre um fantasma. Este prédio – ou partes dele – está aqui por dois séculos e meio. Ia me soar bem estranho se não houvesse um fantasma. Nem tudo, todos, vai embora.

Não vi o aspecto do “fantasma” na história como especificamente necessário, mas ele não atrapalha o andamento do livro, só descobrimos a realidade sobre isso no último livro mesmo e faz sentido, mas não é a alma dos livros. Os momentos entre Beckett e seus irmãos Owen e Ryder são espetacularmente engraçados; o segundo livro traz a história de Owen e o terceiro de Ryder. E a mãe dos três é maravilhosa, virei tiete.

Mas sabe qual a melhor parte desta trilogia? Vou contar a vocês: Boonsboro fica na cidade de Maryland, onde Nora resida, e esse Inn realmente existia. Nora, isso mesmo a Nora, junto a seu marido comprou o local e o reformou, assim como a família faz na história, exatamente nos moldes em que ela descreve no livro; na verdade o estabelecimento é uma mistura de Bed & Breakfast com Boutique Hotel.

Harry, eu te prometi uma coisa. Eu disse que falaria com você antes de pedir a sua mãe para casar comigo. Eu preciso que me diga que está tudo bem eu pedir a ela.

A característica mais legal na pousada é o fato de que os quartos possuem nomes de casais famosos da literatura como Elizabeth & Darcy de “Orgulho e Preconceito” por Jane Austen, Jane & Rochester de “Jane Eyre” por Charlotte Brontë, e não poderia faltar o casal mais aclamado da autora: Eve & Roarke, da série Mortal. É tudo verdade, podem procurar no Google o site do lugar – ele é lindo demais e só aumentou ainda mais a minha vontade de ir para Maryland. O hotel fica em frente a livraria do marido da Nora, Bruce, que tem uma sessão dedicada a ela que é de babar.

Casais românticos. Cada um tem seu próprio sabor, seu próprio sentimento.

Então, minha gente, é isso. Ela tornou impossível que eu não me apaixonasse pela magia dessa história. É um enredo simples e sem surpresas, mas os livros dela geralmente são um conforto para mim e é a isso que se propõem, então para mim eles sempre entregam. Recomendadíssimo. Espero que coloque um sorrisão no rosto de vocês.

julho 15, 2015Editora Bertrand, Resenhas

[Resenha] Glória Mortal

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gsTítulo: Glória Mortal Título original: Glory in Death Autora:J.D Robb Ano: 2004 Editora: Bertrand Número de páginas: 363

Como eu já disse, o suspense é bom, mas o romance é infinitamente melhor.

Então, estou cá eu de novo com uma resenha do segundo livro da série Mortal da Nora Roberts. Faz um tempinho que li este livro, estou atualmente indo para o sexto, então perdoem qualquer inconsistência. Este segundo volume tem as semelhanças com o primeiro em alguns pontos por pertencerem a mesma série, e ainda que o suspense seja bem construído, confesso que achei o primeiro melhor, assim como o resultado final. Mas vamos começar na ordem, pelo começo.

A primeira vítima foi encontrada caída na calçada, na chuva. A segunda foi morta no próprio prédio onde morava. A tenente Eve Dallas, da Polícia de Nova York, não teve dificuldades para encontrar uma ligação entre os dois crimes. As duas vítimas eram mulheres lindas e muito bem-sucedidas, mas que mantinham relações que poderiam provocar suas mortes. Suas vidas glamourosas e seus casos amorosos eram assunto na cidade, assim como suas relações íntimas com homens poderosos e riquíssimos.

Um novo caso para Eve, um caso íntimo para uma policial mulher trabalhar porque o serial killer da vez tem como alvo mulheres bem sucedidas e independentes. E para a surpresa da detetive, conforme o caso vai se desenvolvendo, mais uma vez a rede de contatos de Roarke o coloca como um dos suspeitos. A princípio achei repetitiva essa questão, que já foi abordada no primeiro livro… Mas isso se deu porque preciso considerar que estou lendo a série quando ela já está bem avançada, então não tem o elemento de dúvida se o Roarke é ou não capaz de assassinatos, considerando o fato de que nesta altura da série conhecemos bem pouco dele, porque esta série tem muitos outros livros já publicados e sabemos que o relacionamento entre os dois continua em outros volumes.

Pois bem, apesar disso, estava com expectativas por ser mais um livro de minha adorada Nora e porque também por eu ser mulher, esse tipo de caso fala diretamente comigo. Como eu já disse, o suspense é bom, mas o romance é infinitamente melhor – ainda que ele não seja o foco desta série. Eve mais uma vez se apresenta para nós com toda sua sagacidade característica de colocar inveja, e não é incrível quando encontramos um livro que consegue juntar dois personagens incríveis em um romance sem diminuir nada de nenhum dos dois no caminho? Sem muda-los? Que fantástico o fato de que as personalidades dos dois seriam um empecilho na maioria dos cenários, e não acontece. Me dá um gosto enorme quando o amor é justificável, e não apenas fulaninho ama ciclaninha porque ela tem olhos bonitos e ciclaninha ama fulaninho porque ele faz as pernas dela tremerem.

– Eu te amo, Eve.

Ela desviou o olhar do sol, do oceano, e encarou os olhos dele. Era maravilhoso, e pelo momento, simples.

– Senti sua falta. – Ela encostou a bochecha na dele e o abraçou forte. – Realmente senti sua falta. Eu usei uma de suas camisas. – Ela podia rir dela mesma agora porque ele estava ali. Ela podia sentir sua presença, seu cheiro… – Eu fui ao seu armário e roubei uma de suas camisas, uma daquelas pretas de seda as quais você tem um monte. Eu a vesti, então saí sorrateiramente de casa para evitar que Summerset me pegasse no ato.

Incrivelmente tocado, ele tocou a bochecha dela. – À noite, eu costumava tocar de novo suas transmissões só para ver seu rosto, ouvir sua voz.

– Sério? – Ela soltou uma risadinha, algo raro vindo dela. – Deus, Roarke, nos transformamos nuns bobos.

– Vamos fazer disso nosso pequeno segredo.

– Combinado.

Conhecemos também uma personagem que me encantou de cara: Peabody. Ah, quando Nora quer, sabe construir mulheres incríveis. Ela é como uma aprendiz (não sei ao certo como seria o nome) que Eve está orientando, e elas se dão mega bem. Basicamente porque Peabody respeita e entende a atitude da detetive. É uma parceria de sucesso, e garantia de boas risadas com os diálogos entre as duas. Apesar de Mavis ser a melhor amiga de Eve, foi aqui que comecei a pensar que na verdade ela conseguia se identificar bem melhor com a Peabody, mas… Amigos nunca são demais.

Se vocês estão se perguntando porque tem um guarda-chuva na capa do livro e qual sua relação com a história, fico feliz em dizer que tem explicação sim. De fato, este guarda-chuva encontrado na cena do primeiro crime, é uma grande e importante pista para descobrir o assassino. Eu gosto destas pequenas dicas, detalhes aparentemente aleatórios, que significam tudo. É basicamente como eu pensei quando uma vez me arrisquei em escrever uma fanfiction de suspense, e como eu penso geralmente lendo um.

– Que ele se foda.

Feeney fez um som como alguém que acabou de ser beliscado. – Jesus Cristo, Dallas, você está na igreja de St. Patrick.

– Se Deus continuar criando pequenos vermes iguais a ele, ela terá que se acostumar a ouvir reclamações.

O final, admito, me deixou um pouco desapontada. Eu já tinha descoberto quem era o(a) responsável pelos assassinatos, e na verdade, a forma como o final se dá não me agrada. Não vou dar spoilers, mas é uma característica comum nos finais de livros de suspense da Nora, e de outros atores, que acho que já ficou um pouco massante.

De todo o modo, um bom livro. É sempre bom rever Eve, e indubitavelmente desejar ser a metade da mulher que ela é, e rever o Roarke, que de verdade é um homem com o qual eu passaria o resto da minha vida. Em meio a tantos heróis atuais com passados conturbados, cheios de dinheiro e com nenhum respeito pela protagonista, com desejos sendo impostos a torto e a direita, fico feliz de ler um livro que resgata o que eu realmente aprecio em qualquer pessoa, não só num homem. A antiga e singela consideração pelo outro. Respeito pelo outro. Podem me chamar de qualquer coisa, mas como eu já li uma vez em um livro que gosto muito: sacanagem só na cama, ok? Tem muita gente e muito autor confundindo isso, e achando que vale tudo no meio se quando chega no final existe um “eu te amo” e um “casa comigo”. É um modo de pensar meu, claro, mas tenho visto tanta coisa na literatura me desagradando, que livros como esse, personagens como Roarke, são como um suspiro aliviado depois de passar muito tempo debaixo d’água.

abril 06, 2015Editora Arqueiro, Resenhas

[Resenha] Bruxa da Noite

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gsTítulo: Bruxa da Noite Título original: Dark Witch Autora: Nora Roberts Ano: 2015 Editora: Arqueiro Número de páginas: 320

Se você é fã da Nora, aquele que lê tudo o que publica com gosto, vá sem medo. Se você não conhece a Nora, não comece por esse livro.

Esta é a série publicada mais recente da Nora, tanto aqui no Brasil quanto lá fora. Sou apaixonada pela Nora e tenho meu projeto pessoal de ler todos os livros dela já publicados. Faltam exatos dois livros dela para eu ler (um porque não é mais vendido na internet ou em lojas e o outro estou lendo atualmente: “Três Destinos”) e a série Mortal a partir do livro 6. Falta bastante coisa ainda sim, mas considerando que ela tem mais de duzentos livros publicados? Opa, estou mal não.

Pois bem. Quando li a sinopse dessa série, e descobri que ela se passava na Irlanda… Oh meu Deus, quase desfaleci. Não sei se já comentei aqui, mas minha fascinação pela Irlanda é culpa da Nora. Foi ela quem fez com que eu me apaixonasse por esse país incrível, com suas lendas e seu misticismo. Quando vi que a história falava sobre bruxaria e se passava na Irlanda? Gente, pensei que nada poderia combinar melhor! E engatei na leitura com avidez.

Eu já li os três livros da série, porque nos Estados Unidos ela já foi completa. Posso falar sinceramente? Eu gostei, mas a série é morna. Os últimos livros da Nora – com exceção de alguns como A Testemunha, que ainda não foi publicado no Brasil, mas é absolutamente incrível demais -, têm sido um decepcionantes no quesito originalidade. É compreensível considerando a carga de livros escritos que ela tem nas costas. Bem, vamos a este livro então.

A protagonista de A Bruxa da Noite é Iona. Ela deixa os Estados Unidos para buscar o destino que graças a sua avó, sempre conheceu desde pequena. Sua mãe tentava ao máximo evitar pensar na palavra ‘bruxa’, mas Iona nunca tinha negado essa parte de si e vai para a Irlanda pronta para enfrentar o que estivera escrito que enfrentaria. Lá ela conhece seus primos Branna e Connor, e os dois ajudam Iona a se situar em seu novo lar e também na situação em que eles estavam: tinham que derrotar uma criatura lendária que atormentava sua árvore genealógica desde um grande confronto com uma antepassada deles: Sorcha, a bruxa da noite.

Lá ela conhece Boyle, um amigo de seus primos que lhe oferece um emprego trabalhando com algo que ama: animais, em especial cavalos. Ele se torna bem mais para ela com um tempo, e os dois engatam num relacionamento. Mas é claro que nem tudo é um mar de rosas. Iona vai passo a passo aprendendo mais sobre o poder que possui e como utiliza-lo, assim como o papel de grande responsabilidade que tinha junto a seus primos para eliminar de vez Cabhan.

Deste dia em diante, ela pensou, esta é minha casa. Uma casa que ela mesma faria, para  ela mesma. Esta era sua vida, vida esta que viveria como bem quisesse. Se aquilo não era mágica, o que era?

O tema central da história é bastante simples, a velha disputa do bem contra o mal. Nada a mais que isso. Eu esperava bem mais da história do que o livro realmente entrega, mas Nora é sempre um porto seguro para mim, assim como os personagens que ela cria. Conhecemos aqui também mais dois amigos do grupo, Meara e Finbar, que ao decorrer da série ajudarão a compor o círculo de 6 forças contra Cabhan, 4 bruxos e 2 humanos.

Iona e Boyle foram bem morninhos para mim, tanto separados como juntos. O maior conflito no relacionamento deles é o medo de compromisso de Boyle a ponto de que ele começa a acreditar que tudo o que estava sentindo por Iona é derivado de um feitiço. Eu sei… Por favor, hein? Mas foi bastante previsível. Não teve nada de muito emocionante neles dois, infelizmente.

O que é uma aventura se você sabe todos os passos antes de da-los?

Há alguns encontros entre o grupo e Cabhan, dos quais mais vezes do que não saem com cicatrizes para lembrar o momento, e o livro se desenvolve com eles buscando compreender mais sobre Sorcha e seus filhos, a relação direta que eles têm com seus antepassados, e como eles derrotariam uma criatura que tinha conseguido escapar por tantos séculos.

De quem eu gostei mesmo foi, nessa ordem: Finbar, Branna e Connor. Explicarei nas resenhas dos próximos livros o porquê melhor, mas eles têm personalidades notáveis para mim, cada um de seu modo. Finbar é descendente de Cabhan e então, historicamente, ele vem do “lado do mal”, e tem o trabalho redobrado de provar de novo e de novo a qual lado ele realmente pertence – principalmente para Branna, com quem teve um relacionamento no passado que ainda está mal resolvido. Ele é sarcástico, engraçado e intenso. Branna é forte, é independente e capaz. Aquele caso típico em que a Nora cria uma personagem em que eu me escolho. E o Connor é só amor… É a melhor descrição; ele é gentil, carinhoso e bem família. Sentimentos bons o acompanham sempre.

Se você é fã da Nora, aquele que lê tudo o que publica com gosto, vá sem medo. Se você não conhece a Nora, não comece por esse livro. Venha me procurar que tenho umas indicações bacanas para te passar. Mais de 170 livros lidos, oioioi. Se não gosta da Nora, ah amigo(a), nem chegue perto desse livro. E sinta-se à vontade de me dizer o gênero que curte que eu te dou umas dicas também 😉

Se você ama a Irlanda… Cai dentro, porque a descrição de cenários que Nora faz aqui? É, como de costume, impecável. Afinal, ela é uma p*ta escritora.

Você não pode apenas torcer por finais felizes. Você tem que acreditar neles. Então faça o trabalho, assuma os riscos.

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