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julho 10, 2017Editora Intrínseca, Resenhas

[Resenha] Quem Era Ela?

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Título: Quem Era Ela? Título original: The Girl Before Autora: J.P. DelaneyAno: 2017 Editora: Intrínseca Número de páginas: 336

A história, primeiramente interessante, não apresentou sentido; depois de um tempo, você perde a vontade de saber o que vai acontecer, somente quer que acabe.

O mercado editorial foi tomado por livros com protagonistas femininas que não se tratam somente de um romance, basicamente depois do sucesso de Garota Exemplar, um livro bastante aclamado.

Por um lado isso é incrível, afinal, mulheres são tão capazes de estrelar um thriller quanto de encabeçar um romance, tão capazes de protagonizar uma ficção científica como são quando falamos de um drama; estava na hora das histórias contemporâneas retratarem esta realidade.

Por outro lado, quando o assunto é suspense, surgiu um mar de cópias baratas do livro de Gillian Flynn que não se pode ser domado. Uma qualidade ruim de escrita, um desenvolvimento pouco convincente e um plot twist medíocre têm cercado a maior parte dos livros que li que se promovem como seguidores da mesma linha de raciocínio de Flynn. Quando na verdade a única semelhança é ter uma mulher como protagonista mesmo.

Se existem as frases “Para os amantes de garota exemplar”, “Se você amou garota exemplar, vai amar esse!” e derivados associados ao livro, é provável que eu não vá gostar dele, que tenta se vender como o novo suprassumo da vez. Com Quem Era Ela?, infelizmente este foi o caso.

A premissa da história me soou bastante interessante, duas mulheres com idade e aparência similares dividindo a história com uma casa tão deslumbrante quanto misteriosa. Emma, de um ponto de vista passado e Jane, do ponto de vista presente. Emma estava lidando com o trauma subsequente a ter sua casa invadida por dois adolescentes e Jane tentava superar a morte de sua filha no parto.

– Ah, ele não te contou? As garotas que vieram antes. Nenhuma delas dura, sabe. Este é o ponto.

Edward, o dono da casa, tem uma série de restrições quanto ao seu uso, algumas restrições basicamente absurdas, mas ao conhecer a casa pela primeira vez, ambas se apaixonam e acham que vale à pena.

Não entrarei em detalhes sobre o desenvolvimento da história, basta relatar que ambas as mulheres, em épocas diferentes, fazem escolhas bastante parecidas quanto a casa e desenvolvem um relacionamento com Edward.

Emma inicialmente se muda para a casa com o namorado, mas termina o relacionamento pouco depois e passa a morar na casa sozinha. Muito da personalidade dela e de suas questões vão ficando mais claras ao longo do livro, e essas revelações nos ajudam a montar o cenário do passado.

– Sei que pode parecer estranho, considerando que eu nem conhecia a Emma. Mas me parece que ninguém verdadeiramente a conhecia. Todos com quem falei têm uma percepção diferente sobre quem ela era.

Jane, porém, começa a ficar intrigada com a história da mulher que ali morava antes e sobre a falecida esposa de Edward e as circunstâncias em que a casa foi construída. Mas eram tantos pontos soltos, tantas mentiras veladas e tantos caminhos a seguir que ela nunca conseguia chegar a uma conclusão de fato.

O ex-namorado de Emma, Simon, também participa da história das duas mulheres, de maneiras diferentes. Parecendo obcecado com a ideia de que Edward era responsável pelo que aconteceu no passado, ele oferece ajuda a Jane. Simon é sem dúvida um personagem bastante patético desde o início e é mais uma ponta solta que vamos tentando encaixar a história ao longo do livro.

Sociopatas são atraídos pelo vulnerável.

Minha primeira crítica negativa ao livro é a escrita, que me parece relaxada, e as escolhas que foram feitas à história pareciam fabricadas, um amontoado de twists que não casavam um com o outro e parecia somente objetivar surpreender o leitor pelo grande número de informações. Qualquer um ficaria perdido, porque o livro não segue uma linha de raciocínio.

A personagem de Emma, ainda que muito mais complexa do que primeiramente percebamos, se mostrou simplesmente insuficiente como protagonista. Até nos capítulos em que ela é a voz central, parece que tem alguém contando a história por ela. E isso porque não entrarei em debate sobre seu comportamento no geral, do contrário a resenha seria somente sobre ela.

Jane, ainda que assumindo um papel bem mais incisivo sobre dona de seu próprio destino, também apresentou atitudes extremamente contraditórias e ingênuas para alguém que se acreditava ser tão perceptiva sobre toda a estranheza da situação. Era quase como se o comportamento ingênuo funcionasse para alongar a história e manter o “suspense” a todo vapor até o fim.

O personagem de Edward é absurdo, mas ao mesmo tempo é o personagem mais conciso de todos, sendo seu comportamento claro desde o início ao fim. A personalidade dele foi com certeza a melhor trabalhada, ainda que repulsiva.

Por fim, o livro foi insuficiente. A história, primeiramente interessante, não apresentou sentido; depois de um tempo, você perde a vontade de saber o que vai acontecer, somente quer que acabe. Mais um livro completamente esquecível e que não cumpriu o que se propôs a fazer.

Por favor, faça uma lista de todos os bens que considera essenciais na sua vida.

agosto 16, 2016Editora Planeta, Resenhas

[Resenha] A Garota Perfeita

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Título: A Garota Perfeita Título original: Autora: Mary Kubica Ano: 2016 Editora: Planeta Número de páginas: 336

A Garota Perfeita é aquele tipo de história que você não pode, de maneira nenhuma, dar uma espiadinha no final.

A Garota Perfeita é aquele tipo de história que você não pode, de maneira nenhuma, dar uma espiadinha no final. Foi publicado em 2014, é um livro de suspense/psicológico na estreia da Mary Kubica.

A Garota Perfeita é aquele tipo de história que você não pode, de maneira nenhuma, dar uma espiadinha no final. Foi publicado em 2014, é um livro de suspense/psicológico na estreia da Mary Kubica. É a primeira vez que li algo da autora e fui surpreendida positivamente pelo enredo intrigante, que mesmo sendo contado pela visão de diferentes personagens, não se tornou confuso.

agarotaperfeitaeditoraplaneta (1)

Mia tem 25 anos e é filha do juiz, James Dennett e de Eve Dennett. Saiu de casa assim que completou 18 anos porque sentia que não pertencia àquele ambiente. Ela se tornou professora de artes em uma escola. Isso incomodava seu pai que queria que ela cursasse Direito assim como a sua irmã, Grace que é advogada.

Tudo acontece quando o namorado de Mia, mais uma vez, cancela o compromisso na última hora. Entre a decisão de ir embora ou curtir um pouco sozinha no bar, Mia conhece um desconhecido charmoso, Colin Tratcher.

Os pais não tem uma boa convivência com ela, então não sabem do sumiço da filha. James, o pai de Mia, fica furioso pelo estrago que o sequestro faz na mídia, a que não quer o nome da família envolvido em nenhuma polêmica. Quando a polícia é chamada, o Detetive Gabe é designado para resolver o caso: Mia realmente foi sequestrada ou apenas sumiu por vontade própria?

Mia é levada por seu raptor para uma cabana isolada na beira de um lago congelante em Minnesota. Esse não era o plano, não foi pra isso que ele havia sido contratado. Os dias na cabana passam lentamente, primeiramente, Mia se recusa a cooperar com Colin, não há muita comida, a cabana não é aquecida, a luz elétrica não é utilizada para não chamar atenção, os dias ficam cada vez mais frios.

Colin é um personagem complexo, Mia se interessa por ele desde o início, ainda no bar, não sei bem como me posicionar ao seu respeito, posso defini-lo como muito humano e dessa forma tem o lado bom e um lado ruim. Por sorte – ou não – Mia vai conhecer as suas duas faces.

Enquanto isso, o Detetive Gabe, mesmo depois de meses do sumiço de Mia, não desiste de solucionar o caso, e quando finalmente ele a encontra, Mia não pode dar as informações importantes para fechar o caso. A realidade é que ela se culpa por tudo o que aconteceu.

agarotaperfeitaeditoraplaneta (2)

A história de A Garota Perfeita é contada entre o antes e o depois do sequestro de Mia. É interessante a forma que a escritora utilizou para relatar o que aconteceu, desde o início, acreditamos saber o desfecho da história, mas mesmo assim não se torna uma leitura monótona.

Ela era uma mulher diferente.

Eu era um homem diferente.

Ler, simultaneamente, o antes e o depois do sequestro dá ao mesmo uma sensação de alívio e angústia. Explico o motivo, algumas revelações que, normalmente, em outros livros teríamos que esperar até as últimas páginas para descobrir, não acontece em A Garota Perfeita. Por outro lado, desconfiada como sou, ficava lendo e já angustiada pra saber o que a autora poderia estar escondendo.

Esse recurso realmente me surpreendeu, é uma história envolvente, que você quer ler logo tudo para descobrir o que de fato aconteceu. Sem dúvidas, é um livro cheio de surpresas, mesmo sabendo o final de antemão, porque a autora finge nos dar informações e quando o leitor já está conformado com o final, eis que surge um epílogo incrível.

É Mia quem nos conta o fim dessa história que dificilmente poderia ser imaginada. É um dos finais mais fantásticos que já li, senão fosse por ele seria um livro bom, porém, comum. Daí você termina o livro sem acreditar no final, o fecha e olha a capa que, diga-se de passagem, é linda, e entende tudo.

E naquele momento Mia deixou de existir.

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